{"id":1427,"date":"2017-11-07T06:00:12","date_gmt":"2017-11-07T09:00:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1427"},"modified":"2017-11-07T06:00:12","modified_gmt":"2017-11-07T09:00:12","slug":"coluna-rubrica-nicolau-maquiavel-e-a-madragora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/11\/07\/coluna-rubrica-nicolau-maquiavel-e-a-madragora\/","title":{"rendered":"Coluna Rubrica: Nicolau Maquiavel e A Madr\u00e1gora"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Mandr\u00e1gora - Nicolau Maquiavel\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VZT1kLE9N5Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em><strong>Por Tet\u00ea Macambira*<\/strong><\/em><br \/>\nPo\u00e7\u00f5es, feiti\u00e7os e encantamentos fazem parte do arsenal de bruxas e feiticeiros, em geral. Mas as crendices somam-se \u00e0 ci\u00eancia popular e fazem mezinhas milagrosas, na chamada Medicina Popular. E embora ela seja empiricamente usada, ineg\u00e1vel que sempre aparece um espertalh\u00e3o para se aproveitar da f\u00e9 alheia. <strong>Mandr\u00e1gora<\/strong>, planta end\u00eamica europeia, sofre fama, desde a idade m\u00e9dia, de planta m\u00e1gica, muito pela sua raiz que se assemelharia a um corpo humano, a um hom\u00fanculo &#8211; principalmente, relacionada \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o. Deve ter sido o que <strong>Maquiavel<\/strong> fez com esta pe\u00e7a teatral: lan\u00e7ou um feiti\u00e7o, um encantamento com a sedu\u00e7\u00e3o da raiz da mandr\u00e1gora sobre o texto produzido, que encanta e permanece atual depois de s\u00e9culos.<!--more--><\/p>\n<p>Dizem que Nicolau Maquiavel, autor do famoso livro <em><strong>O pr\u00edncipe<\/strong><\/em>\u00a0que lhe valeu ter o derivado de seu sobrenome como sin\u00f4nimo de dissimulado e astucioso, estaria em ex\u00edlio pol\u00edtico em San Casciano, um vilarejo onde nada ocorria. Entediado, divertiu-se em criar esta com\u00e9dia em cinco atos e que causou um sucesso inesperado, inclusive em religiosos (o que era de se admirar, afinal a pe\u00e7a supercritica essa classe; ent\u00e3o fica a d\u00favida se padres e afins entenderam de fato a ironia contida na pe\u00e7a ou, de fato, nem se importavam mais em manter a ilus\u00e3o de um bom nome).<\/p>\n<p>Considerada a obra-prima do teatro italiano do s\u00e9culo XVI, <em><strong>A mandr\u00e1gora<\/strong><\/em>\u00a0n\u00e3o desmente a filosofia do autor nem se submete totalmente aos c\u00e2nones da com\u00e9dia &#8211; antes de divertir, <strong>Maquiavel<\/strong> prima pelo aste\u00edsmo, uma ironia inteligente e atemporal em que as personagens s\u00e3o tipos caracter\u00edsticos, isto \u00e9, representam, cada um, um tipo de personalidade e\/ou fun\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>Em <em><strong>A mandr\u00e1gora<\/strong><\/em>, de Maquiavel, nada parece gratuitamente colocado, depois de analisado mais aprofundadamente, mesmo que a can\u00e7\u00e3o que \u00e9 reproduzida antes da encena\u00e7\u00e3o:\u00a0<em>\u201cPosto que a vida \u00e9 breve\/ e muitas s\u00e3o as penas\/ que vivendo e lidando se padecem,\/ seguindo nossas \u00e2nsias\/ vamos passando e consumindo os anos,\/ (&#8230;)\/ P\u2019ra fugir desta ang\u00fastia,\/ erma exist\u00eancia em bosques escolhemos\/ e sempre em g\u00e1udio e efstas,\/ vivemos, belos jovens, ledas ninfas.\/Agora aqui viemos, \/ com a nossa harmonia,\/ s\u00f3 para honrarmos esta\/ t\u00e3o bela festa e alegre companhia&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><strong>Prosc\u00eanio<\/strong><br \/>\nEmbora tem-se em comum acordo que a pe\u00e7a teria sido escrita em 1518, estuda-se a possibilidade dela ter sido conclu\u00edda quatro anos antes. Publicada em 1524, teve sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o em 1520, na casa de Bernardino di Giordano, com os atores da Compagnia della Cazzuola, com cen\u00e1rios suntuosos, com sucesso estrondoso o que fez com que fosse reapresentada dois anos depois em Veneza &#8211; mas desta vez n\u00e3o p\u00f4de chegar ao fim, a sla estava muito lotada e extremamente animada.<\/p>\n<p>Efeito esperado, haja vista que at\u00e9 hoje h\u00e1 representa\u00e7\u00f5es dessa pe\u00e7a: em uma r\u00e1pida busca agora no Google, acusam-se encena\u00e7\u00f5es desse texto &#8211; uma em S\u00e3o Paulo que durou de 2004 a 2015 e outra em It\u00e1lia, &#8220;Calatafimi Segesta Festival, em agosto deste ano.<br \/>\nUm texto ser remontado s\u00e9culos depois n\u00e3o \u00e9 por acaso.<br \/>\nVale &#8211; muito! &#8211; a pena ler.<\/p>\n<p>Cena<br \/>\n<em>Que Deus vos salve, ouvintes meus benignos,\/ pois depender parece\/ do agrado que eu vos der essa bondade.\/ (&#8230;) \/ A com\u00e9dia intitula-se A MANDR\u00c1GORA;\/ por qu\u00ea, nisso dir\u00e1\/ a representa\u00e7\u00e3o, tenho certeza.\/ N\u00e3o desfruta o autor de muita fama;\/ se n\u00e3o rirdes, no entanto,\/ aceitar\u00e1 pagar-vos um bom trago.\/ Um amante infeliz,\/ um doutor um pouco astuto,\/ um frade de m\u00e1 vida,\/ um parasito f\u00e9rtil em mal\u00edcia,\/ hoje ser\u00e3o o vosso passatempo.\/\/ Se julgardes o assunto pouco digno,\/ por leve em demasia,\/ de quem pretende ser grave e sisudo,\/ perdoai-o, por isso que se empenha,\/ nesses v\u00e3os pensamentos,\/ em mais brando tornar seu triste tempo\/(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p>Um jogo de interesses em conflito e que, para conseguir o intento, artimanhas s\u00e3o elaboradas e postas em pr\u00e1tica. Cal\u00edmaco ouviu falar de uma rara beleza em Floren\u00e7a e para l\u00e1 se vai a fim de conferir. Era! Lucr\u00e9cia \u00e9 mulher que faz o mo\u00e7o desej\u00e1-la ardentemente, e sem se importar se ela \u00e9 casada com Messer N\u00edcia, isso n\u00e3o seria problema! O problema era que Lucr\u00e9cia era fiel ao marido e fervorosa cat\u00f3lica. No entanto, Messer N\u00edcia e Lucr\u00e9cia n\u00e3o foram aben\u00e7oados com filhos, o que fazia com que o marido quisesse tentar de tudo. Pronto! Bastou que Cal\u00edmaco se juntasse ao esperto Lig\u00fario e fizessem um embuste: um falso m\u00e9dico receitasse a Lucr\u00e9cia um preparado de mandr\u00e1gora para engravidar. S\u00f3 havia um problema: o homem que primeiro se deitasse com ela, depois dela beber o \u201crem\u00e9dio\u201d, morreria. Para que messer N\u00edcia n\u00e3o sofresse com esse efeito colateral (o homem morreria, mas ela &#8211; que tomou o rem\u00e9dio &#8211; nada lhe aconteceria!), aconselharam-no a pegar algum rapaz qualquer e faz\u00ea-lo ter rela\u00e7\u00f5es com sua esposa. Convencer Messer N\u00edcia de ser corno nem foi muito problem\u00e1tico, o simples aceitou at\u00e9 bem. A esposa, beata, \u00e9 que n\u00e3o queria conversa. Entraram, ent\u00e3o, no esquema, a m\u00e3e da Lucr\u00e9cia, S\u00f3strata, para convencer a filha a trair o marido e ainda mandou chamar o padre (com as benditas m\u00e3os antecipadamente j\u00e1 recheadas de suborno) para garantir \u00e0 relutante esposa de aproveitar pular a cerca com o consentimento do marido &#8211; e da santa madre igreja cat\u00f3lica!<\/p>\n<p>Saber o enredo todo n\u00e3o \u00e9 tudo; o di\u00e1logo, o jogo de palavras usados no texto teatral divertem e encantam com um sarcasmo pontual e preciso.<\/p>\n<p>Bastidores<br \/>\nMais do que o texto em si e as montagens que t\u00eam sido feitas atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, \u201cA mandr\u00e1gora\u201d recebeu outras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. Em 1965, houve uma produ\u00e7\u00e3o hom\u00f4nima cinematogr\u00e1fica franco-italiana, e em 1980 houve outra vers\u00e3o para o cinema com produ\u00e7\u00e3o inglesa sob a dire\u00e7\u00e3o de Malachi Bogdanov (\u201cThe mandrake root\u201d), al\u00e9m de adapta\u00e7\u00f5es inspiradas nessa pe\u00e7a de mais de 500 anos. incluindo para a H.Q.<br \/>\nSem contar os estudos acad\u00eamicos feitos sobre essa obra-prima, que t\u00eam extra\u00eddo dessa raiz sedutora as chaves para a filosofia pol\u00edtica de seu autor.<\/p>\n<p>Como Maquiavel costumava ler os cl\u00e1ssicos, era quase decorrente ele se aventurasse no g\u00eanero teatral. Dizem, at\u00e9, que o papa Le\u00e3o X, quando assistiu \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o , n\u00e3o s\u00f3 aprovou como tamb\u00e9m parabenizou nosso maquiav\u00e9lico dramaturgo pela perspic\u00e1cia do enredo. A pe\u00e7a denunciava de forma meticulosa, embora indireta, todos os h\u00e1bitos corruptos, v\u00edcios e imoralidades de seu tempo.De alguma maneira Maquiavel parecia estar pregando uma pe\u00e7a nos espectadores: o riso era permitido, mas at\u00e9 que ponto n\u00e3o estariam rindo de si mesmos?<\/p>\n<p>Em \u201cO pr\u00edncipe\u201d, Maquiavel exp\u00f5e as armas para se manter o poder, independentemente da religi\u00e3o. Em a pe\u00e7a \u201cA mandr\u00e1gora\u201d, esse mesmo poder \u00e9 tamb\u00e9m exercido &#8211; embora em menor escala &#8211; por homens comuns, e se relacionarmos o protagonista, Cal\u00edmaco, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de governante (pelo menos, da situa\u00e7\u00e3o) podemos perceber a disposi\u00e7\u00e3o dele de usar quaisquer meios a fim de atingir seus objetivos:<\/p>\n<p><em>\u201cPreciso tentar qualquer coisa, seja grande, seja perigosa, prejudicial ou infame. Antes morrer do que viver assim. Se pudesse dormir \u00e0 noite, se pudesse alimentar-me, se pudesse conversar, se pudesse achar prazer nalguma coisa, teria mais paci\u00eancia em esperar pelo tempo. Mas o caso n\u00e3o tem rem\u00e9dio. Se alguma decis\u00e3o n\u00e3o alentar a esperan\u00e7a, \u00e9 certo que morrerei; e, sabendo que devo morrer, nada me atemoriza mais e prefiro tomar qualquer decis\u00e3o, ainda que cruel, absurda ou nefanda.\u201d<\/em><\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5TzpqWQB58E<\/p>\n<p>Em Messer N\u00edcia temos a cr\u00edtica \u00e0 burguesia ascendente: o exemplo do homem sem virt\u00f9 (= qualidades; para Maquiavel, \u201cvirt\u00f9\u201d eram as qualidades &#8211; fossem boas ou m\u00e1s, percept\u00edveis no ser). \u00c9 uma figura engra\u00e7ada porque quer ser astuto e malandro e \u00e9 quem termina por ser o mais enganado.Sua patetice \u00e9 tamanha e Maquiavel parece ter constru\u00eddo essa personagem para melhor empregar a comicidade em cena, tornando-o uma caricatura da estultice burguesa pagando de sabichona.<\/p>\n<p>Passagem em que Frei Tim\u00f3teo argumenta com Lucr\u00e9cia \u00e9, certamente, um dos pontos altos da com\u00e9dia. Dois argumentos religiosos, devidamente distorcidos, sobressaem no meio da conversa. A ideia de que \u201ca vontade \u00e9 quem peca, n\u00e3o o corpo\u201d implica que ela, n\u00e3o querendo trair o marido n\u00e3o o estaria traindo de fato se somente der o corpo e, al\u00e9m do mais, ela tendo o consentimento do marido deve obedec\u00ea-lo em tudo o mais, afinal, \u201cpecado \u00e9 descontentar o marido\u201d. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria nenhuma adivinha\u00e7\u00e3o para saber que era na igreja que Maquiavel concentrava a sua cr\u00edtica.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos que Maquiavel poderia ser um vision\u00e1rio relacionado \u00e0 pol\u00edtica, mas era uma pedra muda e im\u00f3vel na quest\u00e3o mulher, assim como o geral da popula\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u00e9poca. Apesar disso, \u00e9 interessante observar que Lucr\u00e9cia, sendo uma mulher religiosa e, por isso, fiel ao seu marido, se entrega \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o torta de Cal\u00edmaco e estabelece um modo de continuidade para essa trai\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<em>\u201cJ\u00e1 que a tua ast\u00facia, a tolice de meu marido, a ingenuidade de minha m\u00e3e e a maldade de meu confessor me levaram a fazer aquilo que, sozinha, nunca faria, quero julgar que tudo provenha de uma disposi\u00e7\u00e3o do c\u00e9u, que assim determinasse, e n\u00e3o me sinto suficiente para recusar o que o c\u00e9u quer que eu aceite. Portanto, eu te tomo por senhor, patrono e guia; \u00e9 meu pai, meu defensor e quero que sejas todo o meu bem. E aquilo que meu marido quis por uma noite, entendo que o tenha sempre. Procurar\u00e1s, por isto, tornar-se seu compadre, vir\u00e1s esta manh\u00e3 \u00e0 igreja e, dali, depois, almo\u00e7ar conosco. Depender\u00e1 de ti frequentares a nossa casa \u00e0 tua vontade e poderemos estar juntos a todas as horas e sem suspeitas.\u201d<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maquiavel e a Arte de Enganar-se | Jos\u00e9 Alves de Freitas\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ca3KMPG-Zwg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Mas o mais inovador nessa com\u00e9dia \u00e9 o final: sem julgamentos nem puni\u00e7\u00f5es &#8211; apenas uma festa e a promessa do engodo continuar valendo. Ocorre que \u201cA mandr\u00e1gora\u201d n\u00e3o \u00e9 uma pe\u00e7a convencional, possui personagens complexos e n\u00e3o dicot\u00f4micos, n\u00e3o se separa o bem do mal. Mentir, ser corrupto, entregar-se ao adult\u00e9rio s\u00e3o, a priori, v\u00edcios que n\u00e3o devem ser cometidos. Certo. Mas\u2026 quem poderia negar que acabamos por nos identificar com as personagens e com suas\u2026 h\u00e3\u00e3\u2026 limita\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Apenas Messer Nicia foge desse padr\u00e3o vicioso, n\u00e3o percebendo em nenhum momento ser v\u00edtima de um embuste. Talvez Maquiavel quisesse mostrar, com essa personagem, que o mundo \u00e9 duro, c\u00ednico e pr\u00e1tico onde somente sobrevivem os mais espertos:<em> \u201cum homem que quiser fazer profiss\u00e3o de bondade \u00e9 natural que se arru\u00edne entre tantos que s\u00e3o maus.\u201d<\/em><br \/>\n<em>\u201cEis a receita para ser feliz:\/ nascer tolo e crer tudo o que se diz.\/ N\u00e3o se sofre de ambi\u00e7\u00e3o,\/ n\u00e3o se sofre de temor,\/ topa-se o bem e o mal, sem distin\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa, portanto, que Maquiavel ficou conhecido por suas ideias pol\u00edticas incomuns. \u00c9 usual atribuir a frase \u201cOs fins justificam os meios\u201d a \u201cO pr\u00edncipe\u201d, de Maquiavel, mas \u00e9 uma das lendas liter\u00e1rias. A frase que mais se aproxima \u00e9 a que diz Frei Tim\u00f3teo: \u201cAl\u00e9m disso, deve-se, em todas coisas, considerar o seu fim\u201d.<\/p>\n<p>Pensando nessa frase, podemos redimensionar em para que o fim de discutir o poder, a moral e a religi\u00e3o, o meio utilizado pode ser o teatro &#8211; tanto lido quanto encenado e assistido.<\/p>\n<p>\u201cA mat\u00e9ria da hist\u00f3ria \u00e9 escabrosa\/ e talvez n\u00e3o pare\u00e7a condizente\/ com t\u00e3o culta plateia e nem honrosa\/ para algu\u00e9m que escreveu de boa mente.\/ Mas se um velho imbecil, um frade astuto,\/ um parasito matreiro e corrupto\/ ir\u00e3o ser hoje o vosso passatempo, n\u00e3o se culpe o autor e, sim, o seu tempo\u201d<\/p>\n<p><strong>*Tet\u00ea Macambira \u00e9 escritora, tradutora, revisora que entende Lucr\u00e9cia e j\u00e1 foi um Messer N\u00edcia e ouviu Freis Tim\u00f3teos na vida e colabora quinzenalmente com o blog Leituras da Bel com a coluna Rubrica, na qual emite notas liter\u00e1rias sobre pe\u00e7as teatrais, defendendo a facilidade de se ler um texto narrativo baseado em di\u00e1logos.\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tet\u00ea Macambira* Po\u00e7\u00f5es, feiti\u00e7os e encantamentos fazem parte do arsenal de bruxas e feiticeiros, em geral. Mas as crendices somam-se \u00e0 ci\u00eancia popular e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1428,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[66,288,368,734,833,1113],"class_list":["post-1427","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teatro","tag-a-madragora","tag-coluna-rubrica","tag-dramaturgia","tag-madragora","tag-nicolau-maquiavel","tag-tete-macambira"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}