{"id":1431,"date":"2017-11-08T06:00:13","date_gmt":"2017-11-08T09:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1431"},"modified":"2018-01-08T16:01:13","modified_gmt":"2018-01-08T19:01:13","slug":"coluna-mulher-e-literatura-kyung-soo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/11\/08\/coluna-mulher-e-literatura-kyung-soo\/","title":{"rendered":"Coluna Mulher e Literatura: Han Kang e A Vegetariana"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1432\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1432\" class=\"size-large wp-image-1432\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/11\/han-kang-624x350.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"308\" \/><p id=\"caption-attachment-1432\" class=\"wp-caption-text\">A escritora<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Por Alessandra Jarreta*<\/strong><\/em><br \/>\nResolvi ler <em><strong>A vegetariana<\/strong><\/em> por uma raz\u00e3o \u00f3bvia: sou vegetariana, e a sinopse falava sobre as consequ\u00eancias que uma mulher coreana enfrentava ap\u00f3s parar de consumir carne. Eu s\u00f3 havia lido outra obra vinda da Coreia, o emocionante <em><strong>Por favor, cuide da mam\u00e3e<\/strong><\/em>, da premiada autora Kyung-Sook Shin, e como gostei muito n\u00e3o vi motivos para negar uma chance para o estranho livro escrito por <strong>Han Kang<\/strong>.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Han Kang<\/strong> \u00e9 uma escritora coreana com pai e irm\u00e3o escritores. Ela faz parte de uma nova gera\u00e7\u00e3o de autores que usam do realismo fant\u00e1stico para falar sobre a conservadora sociedade coreana, especialmente do papel da mulher nessa sociedade. Reconhecida por examinar a tristeza e a solid\u00e3o fundamental do ser humano, estudou literatura na Yonsei University e atualmente d\u00e1 aulas de escrita criativa na Seoul Institute of the Arts.<\/p>\n<p>Inspirada por uma linha do poeta modernista Yi Sang que diz \u201cI believe that humans should be plants (Eu acredito que os seres humanos deveriam ser plantas). Escreveu sua obra mais conhecida, <em><strong>A vegetariana<\/strong><\/em>, que ganhou o Man Booker International Prize em 2016. O jornalista brit\u00e2nico Boyd Tonkin, um dos jurados, disse que a decis\u00e3o fora un\u00e2nime: &#8220;Em um estilo tanto l\u00edrico como lacerante, revela o impacto dessa grande recusa na pr\u00f3pria hero\u00edna e naqueles \u00e0 sua volta. Este livro compacto, requintado e perturbador permanecer\u00e1 longamente nas mentes e nos sonhos dos seus leitores&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Han Kang<\/strong> foi a primeira escritora coreana a ganhar o pr\u00eamio, e esteve na lista do NYTimes Book Review dos dez melhores livros de 2016. <em><strong>A vegetariana<\/strong><\/em> tamb\u00e9m foi transformado em filme, ficando entre um dos 14 selecionados (de 1.022 concorrentes) para inclus\u00e3o no World Narrative Competition do North American Film Fest, sendo igualmente sucesso de critica no Festival Internacional de Cinema de Busan.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"[K-Literature Writers] Interview with Han Kang | \uc18c\uc124\uac00 \ud55c\uac15 \uc778\ud130\ubdf0\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-rFKfCcH_Kk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o poderia ser mais v\u00edvida, aquela sensa\u00e7\u00e3o da carne fresca sendo mastigada por meus dentes. Meu rosto, meu olhar. Parecia v\u00ea-lo pela primeira vez, mas era com certeza o meu rosto. N\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, parecia t\u00ea-lo visto in\u00fameras vezes, mas n\u00e3o era o meu rosto. N\u00e3o sei explicar. Aquela sensa\u00e7\u00e3o familiar, mas estranha&#8230; t\u00e3o v\u00edvida e t\u00e3o estranha, assombrosamente estranha&#8221;.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 exc\u00eantrico do come\u00e7o ao fim, o que n\u00e3o necessariamente signifca algo ruim (apesar da edi\u00e7\u00e3o brasileira publicada pela Devir deixar muito a desejar, com um p\u00e9ssimo acabamento e terr\u00edveis erros de gram\u00e1tica e revis\u00e3o). Dividido em tr\u00eas partes, acompanhamos pela perspectiva de v\u00e1rios personagens os desdobramentos de uma decis\u00e3o inusitada, sem motiva\u00e7\u00f5es politicas ou de sa\u00fade. Yeonghe, a vegetariana, deixa de ser uma jovem esposa submissa e banal para torna-se um imenso tormento para todos ao seu redor quando deixa de consumir qualquer produto de origem animal, sentindo imensa repulsa pela menor men\u00e7\u00e3o ao alimento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Man Booker International winners Han Kang &amp; Deborah Smith on The Vegetarian\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wl41sEGXN2Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cIsso est\u00e1 incrustado ali, onde gritos e prantos foram compactados em camadas. \u00c9 por causa da carne. Comi carne demais. Todas aquelas vidas est\u00e3o paradas ali. O sangue e a carne foram digeridos e espalhados por todos os cantos do corpo, os res\u00edduos foram excretados, mas as vidas ficaram tenazmente grudadas no estomago. Uma vez, uma \u00fanica vez, queria poder dar um grito forte. Queria sair correndo em dire\u00e7\u00e3o ao escuro. Ser\u00e1 que dessa maneira esta bolota ser\u00e1 expelida para fora do corpo? Ser\u00e1 poss\u00edvel?\u201d<\/p>\n<h2>Conhe\u00e7a Han Kang<\/h2>\n<p><strong>Yeonghe<\/strong> \u00e9 uma personagem sozinha em um mundo que n\u00e3o aceita que ela aja fora das regras do jogo. Desprezada e constantemente humilhada pelo esposo, rejeitada pela fam\u00edlia e julgada como louca, Yeonghe \u00e9 uma propriedade tanto do pai quanto do marido, como uma boneca que subitamente passa a falar e a fazer malcria\u00e7\u00f5es. O livro tr\u00e1s questionamentos \u00e0 machista sociedade coreana, que enxerga a mulher como um objeto de prest\u00edgio social, tanto quanto um carro de luxo ou uma boa posi\u00e7\u00e3o em uma empresa. <em><strong>A vegetariana<\/strong><\/em> n\u00e3o \u00e9 apenas a hist\u00f3ria sobre uma esposa que decide parar de comer carne, \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria de uma mulher que escolhe n\u00e3o ser mais uma coadjuvante em sua pr\u00f3pria vida, afastando-se das milhares de vozes ao seu redor para tentar ouvir a pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>\u201cSe eu conseguisse dormir. Se eu pudesse largar a consci\u00eancia ao menos por uma hora. Acordo in\u00fameras vezes durante a noite e ando de um lado a outro descal\u00e7a, com a casa j\u00e1 toda fria. Gelada como uma comida j\u00e1 fria, uma sopa fria. N\u00e3o consigo ver nada do outro lado da janela escura. De vez em quando a porta de entrada escura se sacode, mas n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que tenha batido na porta. Quando volto e experimento colocar as m\u00e3os por debaixo das cobertas, j\u00e1 est\u00e1 tudo frio\u201d.<\/p>\n<p><strong>*Alessandra Jarreta \u00e9 estudante de Letras da UFC, mediadora dos clubes de Leitura Nordestina, Leia Mulheres, Leituras Feministas, Clube do quadrinho e Lendo Cl\u00e1ssicos. Escreve quinzenalmente para o Leituras da Bel sobre Mulher e Literatura.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alessandra Jarreta* Resolvi ler A vegetariana por uma raz\u00e3o \u00f3bvia: sou vegetariana, e a sinopse falava sobre as consequ\u00eancias que uma mulher coreana enfrentava&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":3926,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[75,90,285,549,683,808],"class_list":["post-1431","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura-estrangeira","tag-a-vegetariana","tag-alessandra-jarreta","tag-coluna","tag-han-kang","tag-literatura","tag-mulher"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1431","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1431"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1431\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3934,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1431\/revisions\/3934"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}