{"id":1460,"date":"2017-11-15T14:16:44","date_gmt":"2017-11-15T17:16:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1460"},"modified":"2017-11-15T14:16:44","modified_gmt":"2017-11-15T17:16:44","slug":"coluna-procura-da-poesia-rosa-povo-parte-dois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/11\/15\/coluna-procura-da-poesia-rosa-povo-parte-dois\/","title":{"rendered":"Coluna \u00c0 procura da poesia: A rosa do Povo, Parte Dois"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Carlos Drummond de Andrade\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kMZHoLdfLVo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em><strong>Por Talles Azigon*<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Am\u00e9rica<\/em><\/p>\n<p><em>Sou apenas um homem<\/em><br \/>\n<em>Um homem pequenino a beira de um rio. <\/em><br \/>\n<em>Vejo as \u00e1guas que passam e n\u00e3o as compreendo.<\/em><\/p>\n<p>Diante tantos poemas desse livro, talvez justamente sejam esses versos &#8211; n\u00e3o os mais lembrados ou conhecido de Drummond &#8211; uma s\u00edntese, mesmo sendo pobre todas as s\u00ednteses. S\u00e3o nesses versos que Carlos reconhece diante do mundo grande, o mundo cheio de pa\u00edses lutando para constituir o pr\u00f3ximo imp\u00e9rio, sua quase completa insignific\u00e2ncia.<!--more--><\/p>\n<p>Entretanto n\u00e3o nos precipitemos, ser t\u00e3o pequenos n\u00e3o significa estarmos isentos dos crimes da terra, seja os globais em formato de guerra, seja os locais, materializado, por exemplo, no triste caso do leiteiro.<\/p>\n<p><em>Nosso pobre leiteiro:<\/em><\/p>\n<p><em>morador da rua Namur,<\/em><br \/>\n<em>empregado no entreposto,<\/em><br \/>\n<em>com 21 anos de idade,<\/em><br \/>\n<em>sabe l\u00e1 o que seja impulso<\/em><br \/>\n<em>de humana compreens\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>dedica todo os dias a sua \u00e1rdua tarefa de levar:<\/em><\/p>\n<p><em>leite bom pra gente ruim<\/em><\/p>\n<p>Apenas um outro da massa de trabalhadores desse Pa\u00eds, mais um algu\u00e9m t\u00e3o invis\u00edvel, agindo na surdina, antes que os donos dos casarios acordem e sejam incomodados pela desagrad\u00e1vel imagem de um miser\u00e1vel trabalhador em sua labuta di\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/coluna-a-procura-da-poesia-uma-rosa-de-drummond-para-nossos-tempos\/\">Uma rosa de Drummond para nossos tempos<\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nesse instante que o senhor m\u00e9dio se assusta, pois as pessoas m\u00e9dias n\u00e3o t\u00eam paz. Sempre atormentadas pelo medo de perderem seu patrim\u00f4nio mediano, e do susto acordado, confunde o leiteiro com um perigo, saca de sua arma e comete o atroz crime de interromper uma vida t\u00e3o jovem, de amores futuros, de sonhos futuros.<\/p>\n<h2>Carlos Drummonde Andrade<\/h2>\n<p><em><strong>A rosa do povo<\/strong> <\/em>\u00e9 um livro de den\u00fancias. <strong>Drummond<\/strong> tamb\u00e9m sendo um brasileiro m\u00e9dio, funcion\u00e1rio p\u00fablico, de uma fam\u00edlia com posses, sabe onde est\u00e1 entranhado o mal. Numa classe mediana apavorada, sempre desejosa de perpetuar o colonialismo, que tem a propriedade como um bem mais precioso do que a vida, que n\u00e3o consegue amar, complexada com o g\u00eanero feminino t\u00e3o bem retratado no poema <em>O Mito<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 sobre essa gente m\u00e9dia brasileira, herdeiras do gado, e do min\u00e9rio, o grande assunto de <strong><em>A rosa do povo<\/em><\/strong>. Essa gente que continua matando jovens inocentes pois est\u00e3o imersas em um medo il\u00f3gico. Esse j\u00e1 seria motivo suficiente para come\u00e7ar a ler hoje mesmo esse livro necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>*Talles Azigon \u00e9 poeta, editor e produtor cultura. J\u00e1 publicou os livros Tr\u00eas Golpes D\u2019\u00c1gua e MarOriginal. Gosta de assistir Hora da Aventura, de passear na Floresta do Curi\u00f3 e do banho na Sabiaguaba. \u00c0 procura da poesia \u00e9 uma coluna semanal com coment\u00e1rios e indica\u00e7\u00f5es de livros, autores e poemas. Leia mais poetas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Talles Azigon* Am\u00e9rica Sou apenas um homem Um homem pequenino a beira de um rio. 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