{"id":1470,"date":"2017-11-19T17:38:23","date_gmt":"2017-11-19T20:38:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=1470"},"modified":"2017-11-19T17:38:23","modified_gmt":"2017-11-19T20:38:23","slug":"especial-joao-guimaraes-rosa-os-indices-de-corpo-de-baile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/11\/19\/especial-joao-guimaraes-rosa-os-indices-de-corpo-de-baile\/","title":{"rendered":"Especial Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa: Os \u00edndices de Corpo de baile"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1469\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/11\/rosa-624x353.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"311\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Por Ulisses Infante*<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>O pesquisador Ulisses Infante &#8211; um dos principais estudiosos da obra de Guimar\u00e3es Rosa na atualidade &#8211; reflete sobre como as narrativas de Corpo de Baile entrela\u00e7am-se em poesia, est\u00f3ria e can\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>1956 \u00e9 um ano sumarento na vida de Guimar\u00e3es Rosa. Dez anos depois de Sagarana, Rosa reaparece nas livrarias: em janeiro, saem os dois volumes de Corpo de Baile; em julho, surge Grande sert\u00e3o: veredas. Corpo de baile, a partir da terceira edi\u00e7\u00e3o, em 1964, foi desdobrado em tr\u00eas volumes mais ou menos independentes: Manuelz\u00e3o e Miguilim, no Urubuquaqu\u00e1, no Pinh\u00e9m e Noites do sert\u00e3o. Desde ent\u00e3o, perdeu-se um pouco a no\u00e7\u00e3o de que o pr\u00f3prio Rosa propusera um m\u00e9todo de leitura para a obra, indicado nos \u00edndices das duas primeiras edi\u00e7\u00f5es.\u00a0<!--more--><\/p>\n<p>No in\u00edcio do primeiro volume de 1956, h\u00e1 um \u00edndice com os nomes dos sete textos \u2013 \u201cCampo geral\u201d, \u201cUma est\u00f3ria de amor\u201d, \u201cA est\u00f3ria de L\u00e9lio e Lina\u201d, \u201cO recado do morro\u201d, \u201cL\u00e3o-dalal\u00e3o (D\u00e3o-lalal\u00e3o)\u201d, \u201cCara-de-bronze\u201d e \u201cBuriti\u201d \u2013 sob a designa\u00e7\u00e3o \u201cOs poemas\u201d. No final do segundo volume, verdadeiro \u00edndice de releitura, Rosa muda tudo: h\u00e1 agora dois grupos de narrativas, \u201cGerais\u201d, formado pelos \u201cromances\u201d \u201cCampo geral\u201d, \u201cA est\u00f3ria de L\u00e9lia e Lina\u201d, \u201cD\u00e3o-Lalal\u00e3o\u201d e \u201cBuriti\u201d; e \u201cPar\u00e1base\u201d, constitu\u00eddo dos \u201ccontos\u201d \u201cUma est\u00f3ria de amor\u201d, \u201cO Recado do morro\u201d e \u201cCara-de-bronze\u201d. Esses \u00edndices foram mantidos na segunda edi\u00e7\u00e3o da obra, publicada em um \u00fanico volume em 1960.<\/p>\n<p>As narrativas, portanto, flutuam entre g\u00eaneros: s\u00e3o poemas que n\u00e3o deixam de ser romances e contos. O leitor deve atentar na po\u00e9tica posta em a\u00e7\u00e3o: uma l\u00edngua liter\u00e1ria \u00fanica, fus\u00e3o de arca\u00edsmos, neologismos, regionalismos, termos cient\u00edficos, de sintaxe cuidada, conduz uma meticulosa composi\u00e7\u00e3o de enredos protagonizados por personagens admir\u00e1veis como Miguilim, Manuelz\u00e3o, velho Camilo, chefe Zequiel, Soropita, Lalinha&#8230; Passa-se da chave l\u00edrica para o tom \u00e9pico em poucas linhas; surge um compasso de montagem teatral ou cinematogr\u00e1fica que alterna com a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias \u00e0 moda sertaneja ao se virar uma p\u00e1gina. Rosa incessantemente testa as possibilidades narrativas, rompendo limites entre poesia e prosa, popular e erudito.<\/p>\n<h2>Corpo de Baile<\/h2>\n<p>Ao denominar tr\u00eas dos textos de Corpo de baile\u00a0 de \u201cPar\u00e1base\u201d, Rosa destaca como\u00a0 servem de elucida\u00e7\u00e3o aos modos de narrar e aos temas desenvolvidos na obra. A par\u00e1base \u00e9, na com\u00e9dia grega, o momento em que o coro ou o corifeu se dirige ao p\u00fablico e comenta algo que o autor deseja destacar em seu trabalho. Em carta a Edoardo Bizzarri, seu tradutor italiano, Rosa assim se refere \u00e0 quest\u00e3o: \u201cNo \u00edndice do fim do livro, ajuntei sob o t\u00edtulo de Par\u00e1base tr\u00eas das est\u00f3rias. Cada uma delas, com efeito, se ocupa, em si, com uma express\u00e3o de arte\u201d. \u201cUma est\u00f3ria de amor\u201d trata da origem e do poder das est\u00f3rias; \u201cO recado do morro\u201d \u00e9 \u201ca est\u00f3ria de uma can\u00e7\u00e3o a formar-se\u201d e \u201cCara-de-bronze\u201d tematiza a poesia. Poesia, est\u00f3ria e can\u00e7\u00e3o entrela\u00e7am-se e fazem as narrativas\u00a0 de Corpo de baile moverem-se e, em sua dan\u00e7a que mimetiza o movimento c\u00f3smico, gerarem sentidos sobre o Brasil, o mundo, a exist\u00eancia, o porqu\u00ea das hist\u00f3rias&#8230;<\/p>\n<p><strong>*Ulisses Infante \u00e9 professor da Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (Unesp), tem doutorado em Literatura Brasileira pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e p\u00f3s-doutorado pela Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ulisses Infante* O pesquisador Ulisses Infante &#8211; um dos principais estudiosos da obra de Guimar\u00e3es Rosa na atualidade &#8211; reflete sobre como as narrativas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1469,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[315,546,615,708,1023,1154],"class_list":["post-1470","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura-brasileira","tag-corpo-de-baile","tag-guimaraes-rosa","tag-joao-guimaraes-rosa","tag-livro","tag-rosa","tag-ulisses-infante"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1470"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1470\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}