{"id":3858,"date":"2017-12-27T13:19:29","date_gmt":"2017-12-27T16:19:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=3858"},"modified":"2019-07-16T14:29:49","modified_gmt":"2019-07-16T17:29:49","slug":"essa-nao-e-uma-cronica-de-fim-de-ano-ou-e-de-ayla-andrade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/12\/27\/essa-nao-e-uma-cronica-de-fim-de-ano-ou-e-de-ayla-andrade\/","title":{"rendered":"&#8220;Essa n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00f4nica de fim de ano. Ou \u00e9?&#8221;, de Ayla Andrade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_3855\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3855\" class=\"wp-image-3855 size-large\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/12\/jessica-gabrielle-lima-740x522.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"522\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/12\/jessica-gabrielle-lima-740x522.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/12\/jessica-gabrielle-lima-300x212.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/12\/jessica-gabrielle-lima-768x542.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/12\/jessica-gabrielle-lima-120x85.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/12\/jessica-gabrielle-lima.jpg 1280w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-3855\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: J\u00e9ssica Gabrielle Lima<\/p><\/div>\n<p><strong>Por Ayla Andrade*<br \/>\n<\/strong>Desde que o seres humanos descobriram os pequenos insetos e suas miudezas acredito eu que tudo ao redor se modificou.<\/p>\n<p>J\u00e1 viu as perninhas peludas dos grilos? As garras cerradas dos besouros? Ou a seiva da seda da aranha ao enrolar o jantar? Nunca se permanece imune quando os olhos tocam tais miudezas.<\/p>\n<p>Imagina a primeira vez com uma lente de aumento a mirar bem de perto um besouro qualquer. H\u00e1 sempre a magia da descoberta. Todas as cores que cabem em um corpo diminuto. Toda a for\u00e7a vinda de um ser m\u00ednimo. A pot\u00eancia da a\u00e7\u00e3o conjunta de v\u00e1rios pequenos pontos. A formiga carregando um gafanhoto, uma folha, um fruto.<!--more--><\/p>\n<p>A gente se sente grande e pensa, ali do alto, que a vida daqueles \u00e9 puro sil\u00eancio porque eles n\u00e3o falam, porque pouco se ouve de som. Penso que talvez n\u00e3o captam os nossos ouvidos o zumbido, o barulho, o burburinho, a conversa, a trama, as combina\u00e7\u00f5es para que tudo sai como deve ser. A toca cavada deve caber o grilo morto para o jantar dos filhotes quando os ovos eclodirem. A casca da \u00e1rvore que \u00e9 abrigo da chuva. A folha que \u00e9 balsa na travessia do rio.<\/p>\n<p>Vida que segue. Se a gente pudesse ouvir os bichinhos talvez fosse essa a palavra de ordem no mundo das pequenezas.<\/p>\n<p>N\u00f3s, por aqui, n\u00e3o nos incomodamos muito com o que nos d\u00ea trabalho pra enxergar. A gente olha pra frente e mal. E pra frente o pior. De um lado para o outro. Como no espet\u00e1culo que vi ontem. De um lado para outro. Sem prop\u00f3sitos grandiosos porque tamb\u00e9m temos nossa pequeneza. E ela n\u00e3o \u00e9 bela.<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/08\/10\/leia-a-cronica-o-ontem-amarrotado-da-escritora-ayla-andrade\/\">Leia a cr\u00f4nica \u2018O ontem amarrotado\u2019, da escritora Ayla Andrade<\/a><\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/09\/07\/leia-cronica-olhar-com-olhos-de-quem-ve-da-escritora-ayla-andrade\/\">Leia a cr\u00f4nica \u2018Olhar com olhos de quem v\u00ea\u2019, da escritora Ayla Andrade<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A pequeneza pode ser um lugar de a\u00e7\u00e3o da gravidade, do que te p\u00f5e no ch\u00e3o. Sem ser rasteiro, mas parece que a gente tem uma tend\u00eancia forte a ser rasteiro, de uma pequeneza rude, de uma pequeneza histri\u00f4nica. Quando os besouros, insetos e demais miudezas querem chamar aten\u00e7\u00e3o muitas vezes o fazem para a c\u00f3pula. Para que se perpetuem. Para que continuem existindo. A gente coloca l\u00e2mpada de led em tudo e acha que resolveu a pequeneza, a falta, a car\u00eancia, a busca ou sei l\u00e1 mais o que que a gente tanto procura sem olhar pra baixo. S\u00f3 de um lado pro outro. A gente coloca luz de led em tudo e espera a ceia. E espera os fogos. A luz atrai a todos. Alguns morrem, outros se confortam.<\/p>\n<p>Mas ainda nessa pequeneza nossa de cada dia a gente pensa que \u00e9 mariposa e encontra por vezes motivo para voar. Gosto da esperan\u00e7a. Gosto do conto de Clarice Lispector sobre a esperan\u00e7a. N\u00e3o a ilus\u00f3ria, como ela mesma diz, mas aquela que pousa na parede e a gente acha que l\u00e1 vem sorte pra vida.<\/p>\n<p>Vida que segue. Essa \u00e9 a \u00fanica esperan\u00e7a na nossa pequeneza.<\/p>\n<h2><strong>Ayla Andrade<\/strong><br \/>\n<strong>Dezembro, 2017.<\/strong><\/h2>\n<p><strong>*Ayla Andrade \u00e9 assistente social, cronista, contista e amante do cotidiano. Ela j\u00e1 publicou o livro Mais feliz dos sil\u00eancios (Editora Subst\u00e2nsia, 2014) e publicou contos em algumas antologias, entre elas Encontos e desencontos, Antologia Massanova e O cravo roxo do Diabo: o conto fant\u00e1stico no Cear\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>https:\/\/open.spotify.com\/episode\/4E8R7dk8mj2RWMTjLKAn54?si=AIAkIfjXTk-6877U64qXDA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ayla Andrade* Desde que o seres humanos descobriram os pequenos insetos e suas miudezas acredito eu que tudo ao redor se modificou. 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