{"id":3918,"date":"2018-01-08T15:50:40","date_gmt":"2018-01-08T18:50:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=3918"},"modified":"2018-01-08T15:52:11","modified_gmt":"2018-01-08T18:52:11","slug":"ao-pe-do-ouvido-baladas-para-leitores-e-bossa-nova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/01\/08\/ao-pe-do-ouvido-baladas-para-leitores-e-bossa-nova\/","title":{"rendered":"Ao p\u00e9 do ouvido: Baladas para leitores e Bossa Nova"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Lilian Martins*<\/strong><\/em><br \/>\nEm 2018, a m\u00fasica brasileira completar\u00e1 60 anos de sua mais importante revolu\u00e7\u00e3o fonogr\u00e1fica. O ano era 1958 e a revolu\u00e7\u00e3o se chamava: <strong>Bossa Nova<\/strong>. Lan\u00e7ado sob a influ\u00eancia de ritmos como o samba, jazz, choro e blues, o g\u00eanero musical se tornou um dos movimentos mais conhecidos no mundo e um dos mais influentes da hist\u00f3ria da m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n<p>O emblem\u00e1tico disco lan\u00e7ado em agosto daquele ano, trazia m\u00fasicas como <em><strong>Bim bom<\/strong><\/em>, de Jo\u00e3o Gilberto (1931), e <em><strong>Chega de saudade<\/strong><\/em>, de Tom Jobim (1927 \u2013 1994) e Vinicius de Moraes (1913-1980), can\u00e7\u00e3o que, no ano seguinte, intitularia o primeiro \u00e1lbum de Jo\u00e3o Gilberto, lan\u00e7ado pela extinta gravadora Odeon, com contracapa assinada pelo pr\u00f3prio Tom Jobim.<!--more--><\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=EQC4Ye7hr9Y<\/p>\n<p>Embora sem apelo popular e considerada por alguns cr\u00edticos como m\u00fasica de elite, a <strong>Bossa Nova<\/strong> expressava os desejos de um Brasil mais moderno e em crescente expans\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural atrav\u00e9s do governo de Juscelino Kubitschek, a cria\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s e a inaugura\u00e7\u00e3o da Bienal Internacional de Artes de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A batida diferente do viol\u00e3o de Jo\u00e3o Gilberto sintetizava o surdo e os tamborins do nosso samba reverenciando, assim, a tradi\u00e7\u00e3o musical brasileira desse g\u00eanero que \u201ctransita entre as dimens\u00f5es antag\u00f4nicas da resist\u00eancia e do controle social e trafega nos intercursos entre a pot\u00eancia criadora e as engrenagens normatizadoras do mercado\u201d, segundo o autor da trilogia \u201cUma Hist\u00f3ria do samba\u201d, o audacioso bi\u00f3grafo <strong>Lira Neto<\/strong> (1963). O minimalismo est\u00e9tico da <em><strong>Bossa Nova<\/strong><\/em>, simbolizados pela dupla banquinho e viol\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m reflexo de outra tend\u00eancia art\u00edstica da d\u00e9cada de 1950, no Pa\u00eds, que preservava o m\u00ednimo como experimenta\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o, a reinventando em outra nova possibilidade de express\u00e3o. Era o movimento liter\u00e1rio concretismo.<\/p>\n<h2>Bossa Nova e Concretismo<\/h2>\n<p>No Cear\u00e1, o concretismo se articulou a partir do escritor<strong> Jos\u00e9 Alcides Pinto<\/strong> (1923 &#8211; 2008). Ao lado dos autores Ant\u00f4nio Gir\u00e3o Barroso (1914 &#8211; 1990), Pedro Henrique Saraiva Le\u00e3o (1938) e Hor\u00e1cio Did\u00edmo (1935), o movimento tamb\u00e9m integrou as artes pl\u00e1sticas e o cinema cearenses por meio da Sociedade Cearense de Artes Pl\u00e1sticas (SCAP) e do cineasta <strong>Eus\u00e9lio Oliveira<\/strong> (1933 \u2013 1991).<\/p>\n<p>Do grupo dos concretistas paulistas estavam os irm\u00e3os Haroldo (1929 \u2013 2003) e Augusto de Campos (1931) e D\u00e9cio Pignatari (1927 \u2013 2012). No Rio de Janeiro, havia outro grupo formado por Ferreira Gullar (1930-2016), Reinaldo Jardim (1926 \u2013 2011) e Jos\u00e9 Lino Gr\u00fcnewald (1931 \u2013 2000). \u00c9 de 1958 a publica\u00e7\u00e3o do Plano-piloto para poesia concreta em Noigrandes n\u00ba4 em que explica: \u201ca poesia concreta visa ao m\u00ednimo m\u00faltiplo comum da linguagem, da\u00ed a sua tend\u00eancia \u00e0 substantiva\u00e7\u00e3o e \u00e0 verbifica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Mas, o concretismo n\u00e3o se limitou apenas \u00e0 literatura, se estendeu tamb\u00e9m \u00e0s artes visuais, ao cinema, \u00e0 arquitetura e \u00e0 m\u00fasica. Artistas como Tom Z\u00e9 (1936), Walter Franco (1945), Caetano Veloso (1942) e Arnaldo Antunes (1960) compuseram \u00e1lbuns concretistas em suas produ\u00e7\u00f5es. Confira na \u00edntegra o &#8211; ainda mal compreendido &#8211; disco<strong><em> Ara\u00e7\u00e1 Azul<\/em><\/strong> (1973), de Caetano Veloso, retirado de cat\u00e1logo em raz\u00e3o do recha\u00e7o ao seu experimentalismo concretista e relan\u00e7ado, 15 anos depois, em 1987.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Qyd5lARXvM8<\/p>\n<h3>Jo\u00e3o Gilberto<\/h3>\n<p>Essa ousadia minimalista \u00e9 o que d\u00e1 o tom \u00e0 nossa bossa nova magistralmente entoada por Jo\u00e3o Gilberto, presente na voz amorosa &#8211; internacionalmente reconhecida &#8211; de Tom Jobim, no cancioneiro de Roberto Menescal (1937) e Ronaldo B\u00f4scoli (1928 \u2013 1994), na coloquialidade das letras do poetinha Vinicius de Moraes que ao lado de Baden Powell (1937 &#8211; 2000) escreveram um verdadeiro mantra ao povo brasileiro, alertando-nos: \u201c\u00c9 melhor ser alegre que ser triste\u201dem uma m\u00fasica de nome mais auspicioso imposs\u00edvel: <em><strong>Samba da b\u00ean\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>. \u00a1Ojal\u00e1 Brasil!<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=KEAxP_B2wcM<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E que &#8211; desafinado ou de modinha &#8211; nos seja de muitas b\u00ean\u00e7\u00e3os, este novo ano, ao ritmo da brasileir\u00edssima <strong>Bossa Nova<\/strong>, enchendo os nossos dias de gra\u00e7a em um balanceio ensolarado sempre a caminho do (a)mar.<\/p>\n<p>Aumenta o som e boas leituras!<\/p>\n<p><strong>*L\u00edlian Martins \u00e9 jornalista, tradutora, professora, pesquisadora e militante em Literatura Cearense. Mestre em Literatura Comparada pela UFC com a disserta\u00e7\u00e3o: \u201cCom saudades do verde marinho: O Cear\u00e1 como territ\u00f3rio de pertencimento e inf\u00e2ncia em Ana Miranda\u201d, vencedora do Pr\u00eamio Bolsa de Fomento \u00e0 Literatura da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional e Minist\u00e9rio da Cultura (2015) e do Edital de Incentivo \u00e0s Artes da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor) em 2016. \u00c9 uma apaixonada por r\u00e1dio, sebos, pelos filmes do Fellini, os poemas de Pablo Neruda e outras velharias\u2026<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lilian Martins* Em 2018, a m\u00fasica brasileira completar\u00e1 60 anos de sua mais importante revolu\u00e7\u00e3o fonogr\u00e1fica. 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