{"id":4811,"date":"2018-02-26T16:11:34","date_gmt":"2018-02-26T19:11:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=4811"},"modified":"2019-07-24T10:58:33","modified_gmt":"2019-07-24T13:58:33","slug":"leia-resenha-de-o-que-o-sol-faz-com-as-flores-segundo-livro-de-rupi-kaur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/02\/26\/leia-resenha-de-o-que-o-sol-faz-com-as-flores-segundo-livro-de-rupi-kaur\/","title":{"rendered":"Leia resenha de O que o sol faz com as flores, segundo livro de Rupi Kaur"},"content":{"rendered":"<p>Murchar. Cair. Enraizar. Crescer. Florescer. O segundo livro da poeta indiana <strong>Rupi Kaur<\/strong> \u2013 fen\u00f4meno editorial publicado no pa\u00eds\u00a0<strong>pela Editora Planeta do Brasil<\/strong> \u2013 faz um percurso por cinco verbos que colocam as leitoras e os leitores em confronto com quest\u00f5es particulares. Incr\u00edvel como poucas palavras podem nos fazer passear por tantas sensa\u00e7\u00f5es. Os textos simples \u2013 que j\u00e1 s\u00e3o uma \u201cmarca\u201d da escritora \u2013 continuam suscitando debates sobre como nos relacionamos com nossos corpos, com nossos parceiros, com nossas fam\u00edlias, com nossos dilemas. A colet\u00e2nea de poemas \u2013 traduzida para o portugu\u00eas com o t\u00edtulo <strong>O que o sol faz com as flores<\/strong> e em ingl\u00eas original <strong>the sun and her flowers<\/strong>\u00a0&#8211; \u00e9 literatura em sua forma mais humilde, mais \u00edntegra e not\u00e1vel. Mas isso n\u00e3o quer dizer falta de densidade ou falta de esmero com as produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_4813\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4813\" class=\"size-large wp-image-4813\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/02\/24845111_444067212656667_3540832684487999488_n-740x925.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"925\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/02\/24845111_444067212656667_3540832684487999488_n-740x925.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/02\/24845111_444067212656667_3540832684487999488_n-300x375.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/02\/24845111_444067212656667_3540832684487999488_n-768x960.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/02\/24845111_444067212656667_3540832684487999488_n-120x150.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/02\/24845111_444067212656667_3540832684487999488_n.jpg 1080w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-4813\" class=\"wp-caption-text\">Rupi Kaur utiliza o instagram para trabalhar textos (@rupikaur_)<\/p><\/div>\n<p>Rupi joga os sentimentos para fora como uma pintora que n\u00e3o tem medo de desperdi\u00e7ar tinta. Ela brinca com os pr\u00f3prios medos e, consequentemente, brinca tamb\u00e9m com as quest\u00f5es pessoais e com os sentimentos de quem est\u00e1 lendo.\u00a0<strong>O Leituras da Bel teve acesso antecipado ao livro traduzido para o portugu\u00eas.<\/strong> O volume, segundo da carreira de Rupi, est\u00e1 em pr\u00e9-venda e deve chegar as livrarias no in\u00edcio de mar\u00e7o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"POESIA COMO LUTA: 5 ESCRITORES QUE LEVANTAM BANDEIRAS EM VERSOS | EPIS\u00d3DIO 05 - Letras&amp;Livros\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2X1zIvHLS60?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Em 2014, Rupi Kaur \u2013 nascida na \u00cdndia e criada no Canad\u00e1 \u2013 estreou no mercado com o livro Milk and Honey (leite em mel, em livre tradu\u00e7\u00e3o). Permaneceu na lista de mais vendidos do <strong>The New York Times<\/strong> toda semana por mais de um ano e chegou a alcan\u00e7ar o primeiro lugar em vendas. Um sucesso editorial imenso de uma garota que postava textos curtos e ilustra\u00e7\u00f5es na rede social instagram &#8211; e chegou a ter, inclusive, uma imagem censurada pela plataforma por mostrar uma mancha de sangue menstrual. Cr\u00edticos olharam com semblantes enviesados para o primeiro livro da autora. Afinal, quem poderia imaginar que uma jovem imigrante, mulher, feminista e poeta poderia fazer tanto sucesso em um mercado dominado por homens brancos?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rupi Kaur: The Sun and Her Flowers | What the title means\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mGWdOb1V9kc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Para os leitores brasileiros, o primeiro volume da carreira de Rupi Kaur chegou como <strong>Outros jeitos de usar a boca<\/strong>. Foi um sucesso tamb\u00e9m. Textos compartilhados nas redes sociais, impress\u00f5es e mais impress\u00f5es do livro, resenhas, v\u00eddeos e todo tipo imagin\u00e1vel de repercuss\u00e3o. Foi necess\u00e1rio que a editora produzisse uma edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue e em capa dura. Leitoras e leitores que n\u00e3o costumavam acessar o g\u00eanero poesia ficaram encantadas com o livro. E isso acontece, curiosamente, pela mesma raz\u00e3o que Rupi costuma receber tantas cr\u00edticas: os textos s\u00e3o curtos, simples, sem grandes arcabou\u00e7os na linguagem. \u201cPequenos demais para ser poesia\u201d, diziam uns. \u201cSimples demais para ser uma revolu\u00e7\u00e3o feminista\u201d, apontam outros. <strong>Mas quem pode dizer qual \u00e9 a medida da literatura? Quem pode afirmar quais textos devem ser impressos ou n\u00e3o? Quem pode dizer que uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena? Quem pode julgar uma mulher por juntar seus peda\u00e7os e transformar em palavra?<\/strong><\/p>\n<p>Contrariando todas as cr\u00edticas, Rupi Kaur \u00e9 um fen\u00f4meno incontest\u00e1vel entre admiradores e odiadores. Com uma obra baseada em curtos, certeiros e pautados em temas de relev\u00e2ncia social \u2013 a poeta indiana conseguiu suscitar uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es entre cr\u00edticos e leitores. Alguns classificam os textos desenvolvidos por Rupi como chatos, enfadonhos, repetitivos e simpl\u00f3rios. Outros, entretanto, aprovam a delicadeza da linguagem e a forma singela de trabalhar com temas pesados \u2013 como abuso, preconceito e autoestima. O\u00a0fato \u00e9 que <strong>Rupi<\/strong> fez um estardalha\u00e7o. Vendeu livros como poucos autores venderam nos \u00faltimos anos e rodou o mundo em eventos liter\u00e1rios movidos pela poesia. Ela encerrou uma turn\u00ea na \u00cdndia e acaba de anunciar (via instagram, \u00f3bvio) uma turn\u00ea no Reino Unido.<\/p>\n<h2>O que o sol faz com as flores, de Rupi Kaur<\/h2>\n<p>Quem espera encontrar uma continua\u00e7\u00e3o de <strong>Outros jeitos de usar a boca<\/strong> ao fazer a leitura de <strong>O que o sol faz com as flores<\/strong> vai ter uma pequena decep\u00e7\u00e3o. Rupi Kaur continua com seu estilo simples e com seus textos curtos, mas a escritora avan\u00e7a em v\u00e1rios sentidos. Cada verbo &#8211; Murchar, Cair, Enraizar, Crescer e Florescer &#8211;\u00a0denomina uma parte do livro. S\u00e3o cinco fases distintas que representam crescimento pessoal e caminhos que apenas n\u00f3s mesmas podemos trilhar. \u00c9 fato que a autora prossegue com quest\u00f5es de relacionamentos amorosos. H\u00e1 bons textos nesse nicho e que, a exemplo de <strong>Outros jeitos de usar a boca<\/strong> &#8211; provocam uma emo\u00e7\u00e3o no leitor pela simplicidade. Mas Rupi conseguiu juntar os cacos e transformar dores em poesias, tamb\u00e9m, falando de outros temas.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o e o trunfo de <strong>O que o sol faz com as flores<\/strong> est\u00e1 nos novos textos trabalhados. Rupi fala abertamente sobre o processo de travessia feito pela fam\u00edlia entre a \u00cdndia e o Canad\u00e1. Ela fala do avi\u00e3o, da m\u00e3e, dos afetos e do cansa\u00e7o permanente ao tentar encontrar abrigo em um pa\u00eds onde n\u00e3o h\u00e1 pertencimentos. S\u00e3o textos sofridos que sa\u00edram da mulher independente e bem-sucedida, mas foram vividos pela menina que trope\u00e7ava at\u00f4nita nas ruas de Toronto. Todas n\u00f3s j\u00e1 fomos &#8211; em um ou em muitos momentos da vida &#8211; essa menina perdida diante do mundo e da vida.<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"https:\/\/tallesazigon.wordpress.com\/2018\/02\/24\/outros-jeitos-de-usar-o-poema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Veja an\u00e1lise: Outros jeitos de usar o poema<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Palmas, ali\u00e1s, para Ana Guadalupe. Tradutora da obra de Rupi para o portugu\u00eas, ela consegue trabalhar os textos de forma agu\u00e7ada. Traduzir poesia n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e, lendo o segundo volume em portugu\u00eas, foi poss\u00edvel perceber o quanto Ana se esmerou em encontrar a melhor forma de dizer o indiz\u00edvel. &#8220;Sem olhar, s\u00f3 de mem\u00f3ria, acho que o livro novo tem mais poemas longos, que d\u00e3o mais espa\u00e7o pras ideias se desenvolverem \u2014 e que ficam \u00f3timos nas apresenta\u00e7\u00f5es de spoken word que ela faz. Nas tem\u00e1ticas, ela se volta mais para pr\u00f3pria cultura, hist\u00f3rias da m\u00e3e e da fam\u00edlia, experi\u00eancias de outras mulheres&#8221;, declarou Ana Guadalupe. <strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/02\/21\/leia-entrevista-com-ana-guadalupe-tradutora-de-rupi-kaur-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia entrevista com Ana Guadalupe aqui!\u00a0<\/a><\/strong><\/p>\n<p>De fato, os textos do segundo livro s\u00e3o levemente mais longos e as ideias se desenvolvem mais. Ler Rupi sempre \u00e9 uma experi\u00eancia at\u00f4nita. Ela nos deixa aterrorizadas com nossa pr\u00f3pria capacidade de entender o mal que nos foi feito, enquanto mulheres, ao longo da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia. Mas os poemas da &#8220;garota indiana&#8221; tamb\u00e9m nos deixam mais fortes, mais corajosas e mais conscientes sobre o poder que temos entre os dedos e debaixo dos cabelos.\u00a0<strong>O que o sol faz com as flores<\/strong> \u00e9 uma nova experi\u00eancia e vai al\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\n<strong>O que o sol faz com as flores<\/strong><br \/>\nAutora: Rupi Kaur<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Ana Guadalupe<br \/>\nPre\u00e7o m\u00e9dio: R$ 29,90<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Murchar. Cair. Enraizar. Crescer. Florescer. 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