{"id":4823,"date":"2018-04-18T18:20:56","date_gmt":"2018-04-18T21:20:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=4823"},"modified":"2018-04-18T18:20:56","modified_gmt":"2018-04-18T21:20:56","slug":"leia-o-conto-encontros-da-escritora-branca-sobreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/04\/18\/leia-o-conto-encontros-da-escritora-branca-sobreira\/","title":{"rendered":"Leia o conto &#8220;Encontros&#8221;, da escritora Branca Sobreira"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_4824\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4824\" class=\"size-large wp-image-4824\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/04\/conto-branca-sobreira-740x854.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"854\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/04\/conto-branca-sobreira-740x854.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/04\/conto-branca-sobreira-300x346.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/04\/conto-branca-sobreira-768x886.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/04\/conto-branca-sobreira-120x138.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-4824\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o exclusiva da artista Cris Frota para ilustrar o conto de Branca Sobreira<\/p><\/div>\n<h2><strong>Encontros<\/strong>, por Branca Sobreira*<\/h2>\n<p>Acordei cedo demais, a cidade estava parada, sem movimento algum, os carros estavam nas garagens e as obras silenciosas. As luzes dos postes ainda acesas, o que dava a cidade um ar fantasmag\u00f3rico. Que horas deveriam ser? Onde moro nunca faz frio, mas hoje acordei tremendo. As m\u00e3os geladas, os p\u00e9s dormentes. Atordoado sai da cama, pisei no ch\u00e3o e fiquei tateando at\u00e9 encontrar minhas pantufas. Me calcei ainda com os olhos fechados. Tive a impress\u00e3o de ouvir uma porta batendo. Estava s\u00f3? Eu sempre estava s\u00f3. Um homem solit\u00e1rio. Ouvi um sussurro bem pr\u00f3ximo do meu ouvido, era ela? Estava desnorteado, havia acordado cedo demais. Senti um calafrio e lembrei de uma outra vida, passada. Ela, era ela entrando na minha cabe\u00e7a, roubando meus pensamentos para si. Senti o cheiro do seu cabelo e visualizei a estampa do seu vestido, vermelho. Um contraste com meu apartamento cinza, assim como a tonalidade da minha vida. Cinza, grafite, preto, emba\u00e7ado, desvirtuado, acabado. Toquei meu rosto e senti as rugas no canto dos olhos. Marcas dos meus sorrisos que enrugaram a minha pele. Voltando a minha condi\u00e7\u00e3o atual, n\u00e3o consigo mais dormir, sempre acordo antes de todos, minhas mem\u00f3rias n\u00e3o me d\u00e3o mais tranquilidade. Fui at\u00e9 o banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes. Fiz um caf\u00e9. Olhei pela janela e a vi, novamente, com aquele mesmo vestido, que se destacava no escuro das ruas, a meia luz. O que era realidade? N\u00e3o sei mais distinguir. Abri a porta e corri ao seu encontro. N\u00e3o estava mais l\u00e1. Ser\u00e1 que esteve? Ser\u00e1 que lembra de mim? Fui vagando pelas ruas ainda de pijama, blusa de manga comprida e cal\u00e7a de flanela, com um roup\u00e3o grosso por cima. Ningu\u00e9m poderia me avistar. Estava s\u00f3 novamente, um fantasma. Sentei em um banco, o sol foi aparecendo, nascendo, E mesmo com a claridade rec\u00e9m chegada existia uma n\u00e9voa branca por toda a cidade que dificultava a vis\u00e3o. Ouvia os passos, mas n\u00e3o via as pessoas. Ser\u00e1 que elas me viam? Ent\u00e3o uma pessoa se aproximou de mim, estava de vermelho, sentou ao meu lado. N\u00e3o era ela. Pegou minha m\u00e3o, com for\u00e7a, e me levou correndo para dentro do parque \u00famido. Aquele cheiro de mata me nauseava. Ela ent\u00e3o me contou sobre tudo, quem era, como estava, porque havia quebrado\u2026 Depois voltou para casa comigo e n\u00e3o saiu mais. Me deu alegria e eu senti meu rosto enrugar de novo, deve ser um bom sinal. Tive medo, mas nela preferi acreditar. Os dias voltaram a ser quentes. As cores vivas. E o de medo de queimar desapareceu. Aos poucos fui confiando, at\u00e9 em mim.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>*Branca Sobreira \u00e9 jornalista, foi rep\u00f3rter e produtora de televis\u00e3o, e lan\u00e7ou seu primeiro livro de contos ano passado, &#8220;20&#8221;est\u00e1 atualmente dispon\u00edvel na Amazon e na Livraria Cultura. Hoje morando fora do pa\u00eds est\u00e1 escrevendo seu primeiro romance.<\/p>\n<p>**Cris Frota iniciou seu movimento art\u00edstico atrav\u00e9s das ilustra\u00e7\u00f5es e com o amadurecimento do seu estilo transmutou tamb\u00e9m para as telas, suas influ\u00eancias abstracionistas levaram-na ao uso da t\u00e9cnica definida como color field painting, em meios a tons indecisos \u00e0s vezes monocrom\u00e1ticos e n\u00e3o representativos. Repleta de muitas refer\u00eancias, n\u00e3o se define em um g\u00eanero.<\/p>\n<p>Site: crisfrota.com<br \/>\nInstagram: @crisfrotaa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontros, por Branca Sobreira* Acordei cedo demais, a cidade estava parada, sem movimento algum, os carros estavam nas garagens e as obras silenciosas. 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