{"id":4908,"date":"2018-05-25T05:00:39","date_gmt":"2018-05-25T08:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=4908"},"modified":"2018-05-24T16:28:29","modified_gmt":"2018-05-24T19:28:29","slug":"coluna-ao-pe-do-ouvido-baladas-para-leitores-e-philip-roth","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/05\/25\/coluna-ao-pe-do-ouvido-baladas-para-leitores-e-philip-roth\/","title":{"rendered":"Coluna Ao p\u00e9 do ouvido: Baladas para leitores e Philip Roth"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Lilian Martins*<\/strong><br \/>\nMaio \u00e9 o m\u00eas internacional da masturba\u00e7\u00e3o! Embora algumas pessoas tenham ainda muito medo em tocar (ops!) neste assunto, a data foi criada nos Estados Unidos com o objetivo de desmistificar os tabus em torno desta popular pr\u00e1tica de autoerotismo. Na literatura, n\u00e3o nos falta prazerosos exemplos de onanistas, um desses se chama Alexander Portnoy, do c\u00e9lebre romance: \u201cO Complexo de Portnoy\u201d (1969), de Philip Roth (1933-2018), autor, curiosamente tamb\u00e9m dos Estados Unidos, falecido nesta \u00faltima ter\u00e7a-feira aos 85 anos.<\/p>\n<div id=\"attachment_4909\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4909\" class=\"size-large wp-image-4909\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/05\/Philip-Roth_Easy-Resize.com_-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/05\/Philip-Roth_Easy-Resize.com_-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/05\/Philip-Roth_Easy-Resize.com_-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/05\/Philip-Roth_Easy-Resize.com_-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/05\/Philip-Roth_Easy-Resize.com_-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/05\/Philip-Roth_Easy-Resize.com_.jpg 1280w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-4909\" class=\"wp-caption-text\">Philip Roth<\/p><\/div>\n<p>O romance chocou a sociedade conservadora, ainda resistente ao movimento da contracultura e do amor livre, do fim da d\u00e9cada de sessenta, do s\u00e9culo passado, e escancarou o retrato de uma gera\u00e7\u00e3o de judeus norte-americanos, bem como da pr\u00f3pria complexidade social dos Estados Unidos temas que, posteriormente, se tornariam norteadores da bibliografia de Philip Roth. A obra projetou o autor mundialmente e traz com um fino humor c\u00e1ustico o embate entre pornografia e alta literatura. O personagem Alexander Portnoy divide com o seu psicanalista e, por conseguinte, com o leitor toda sua compuls\u00e3o desenfreada pela masturba\u00e7\u00e3o e a transforma em v\u00e1lvula de escape frente a uma vigil\u00e2ncia materna austera e aos dramas, vergonhas e dilemas da fam\u00edlia pequeno-burguesa.<\/p>\n<p>Acusado de mis\u00f3gino e machista, Philip Roth edificou sua carreira envolto a calorosas cr\u00edticas e importantes premia\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias at\u00e9 tornar-se \u00edcone da literatura estadunidense da segunda metade do s\u00e9culo XX. N\u00e3o raro encontrar diferentes estudos sobre a sua obra, alguns deles apontam para as rela\u00e7\u00f5es entre o autor e a m\u00fasica. H\u00e1 at\u00e9 uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que aproxima Roth da banda inglesa Radiohead. De autoria do pesquisador<strong> Lauro Iglesias Quadrado<\/strong>, a disserta\u00e7\u00e3o trata sobre a constru\u00e7\u00e3o da figura do sujeito contempor\u00e2neo!<\/p>\n<p>Mas a cr\u00edtica mais corrosiva ao moralismo deste sujeito contempor\u00e2neo, especialmente, norte-americano est\u00e1 no romance: \u201cA Marca Humana\u201d (2002). O enredo traz como pano de fundo o esc\u00e2ndalo entre o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e a sua estagi\u00e1ria, \u00e0 \u00e9poca, Monica Lewinsky e conta a hist\u00f3ria de Coleman Silk, um apaixonado pelo jazz, que ouve insistentemente: \u201cThe Man I Love\u201d, dos irm\u00e3os Gershwin, com Artie Shaw na clarineta e Roy Eldridge no trompete.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a: \u201cThe Man I Love\u201d<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=oh4ntia0hOE<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Philip Roth<\/h2>\n<p>Nas mais de 400 p\u00e1ginas, o leitor percorre por uma jazz\u00edstica trilha musical que inclui tamb\u00e9m nomes como: Vaughn Monroe; Count Basie; Frank Sinatra e o cl\u00e1ssico \u201cGreen Eyes\u201d de Helen O&#8217;Connell e Bob Eberly .\u00a0Ou\u00e7a \u201cGreen Eyes\u201d:<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=pbAlu3krd4w<\/p>\n<p>Mais uma narrativa envolvendo sexo, hipocrisia, relacionamento abusivo, preconceito e as rela\u00e7\u00f5es de poder que envolvem todos n\u00f3s desde os altos escal\u00f5es da pol\u00edtica at\u00e9 as mais aparentes singelas rela\u00e7\u00f5es amorosas. A escolha musical da obra n\u00e3o poderia ser melhor, pois o jazz \u00e9 um g\u00eanero musical de origem negra e que foi, paulatinamente, sendo incorporando a uma dada cultura de elite branca, o que vem a nos ser uma pista sobre a identidade do pr\u00f3prio personagem \u201cbewitched\u201d de Coleman Silk.<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cBewitched\u201d de Frank Sinatra:<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ZWkOgsPv0bg<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, Philip Roth, permanecer\u00e1 para n\u00f3s, seus leitores, como um excelente escritor de primoroso repert\u00f3rio, tamb\u00e9m, l\u00edtero-musical.<br \/>\nAumenta o som e boas leituras!<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Confira tamb\u00e9m nossa playlist no spotify:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/user\/2jbfpfo5rv8mv7ebvwanyyb8v\/playlist\/7CknkkZEfNakNYh7l8DHnl\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>https:\/\/open.spotify.com\/user\/2jbfpfo5rv8mv7ebvwanyyb8v\/playlist\/7CknkkZEfNakNYh7l8DHnl<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>*L\u00edlian Martins \u00e9 jornalista, tradutora, professora, pesquisadora e militante em Literatura Cearense. Mestre em Literatura Comparada pela UFC com a disserta\u00e7\u00e3o: \u201cCom saudades do verde marinho: O Cear\u00e1 como territ\u00f3rio de pertencimento e inf\u00e2ncia em Ana Miranda\u201d, vencedora do Pr\u00eamio Bolsa de Fomento \u00e0 Literatura da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional e Minist\u00e9rio da Cultura (2015) e do Edital de Incentivo \u00e0s Artes da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor) em 2016. \u00c9 uma apaixonada por r\u00e1dio, sebos, pelos filmes do Fellini, os poemas de Pablo Neruda e outras velharias\u2026<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lilian Martins* Maio \u00e9 o m\u00eas internacional da masturba\u00e7\u00e3o! 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