{"id":5009,"date":"2018-07-04T14:22:15","date_gmt":"2018-07-04T17:22:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=5009"},"modified":"2018-07-04T14:22:15","modified_gmt":"2018-07-04T17:22:15","slug":"leia-o-texto-ligue-os-pontos-da-escritora-cearense-anna-k-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/07\/04\/leia-o-texto-ligue-os-pontos-da-escritora-cearense-anna-k-lima\/","title":{"rendered":"Leia o texto &#8220;Ligue os pontos&#8221;, da escritora cearense Anna K Lima"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_4999\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4999\" class=\"size-large wp-image-4999\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/07\/13043526_884790708313670_2885135001283586181_n-740x941.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"941\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/07\/13043526_884790708313670_2885135001283586181_n-740x941.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/07\/13043526_884790708313670_2885135001283586181_n-300x381.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/07\/13043526_884790708313670_2885135001283586181_n-120x153.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/07\/13043526_884790708313670_2885135001283586181_n.jpg 755w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-4999\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: J\u00e9ssica Gabrielle Lima<\/p><\/div>\n<p><strong>Por Anna K Lima*<\/strong><\/p>\n<p>A folha de papel em branco nunca me assustou, pelo contr\u00e1rio: me desafiava! E poucas coisas me estimulavam quando pequena, medrosa que eu era. Mam\u00e3e contava \u2013 de forma t\u00e3o bonita, t\u00e3o doce! \u2013 o quanto eu passava horas brincando sozinha no quintal, eu e as folhas, eu e os cacos das telhas quebradas, eu e as pedras, eu e Clarinha, a cachorra de tr\u00eas patas. Aquele era o meu mundo: falar, ouvir vozes que eram minhas mesmas, eu conversava com o universo!<\/p>\n<p>Nunca sei me comportar em livraria, biblioteca, sebo, defronte \u00e0s estantes de livros, quase que paraliso. Eu n\u00e3o sei o que fazer, fico perplexa diante de tantas palavras e possibilidades. Quando tomo em minha m\u00e3o algum exemplar, acaricio-lhe lentamente a capa, percebo elementos da gr\u00e1fica: o papel, a impress\u00e3o para fazer parecer veludo, a tinta verniz simulando maciez do rosto de quem escreveu aquilo tudo. Abro-o e cheiro profundamente a tinta gr\u00e1fica, o odor das planta\u00e7\u00f5es inteiras de eucaliptos plantadas com essa possibilidade.<\/p>\n<p>Aconteceu outra vez, estava eu l\u00e1 paralisada, no meio de um Sal\u00e3o Internacional de Livro, centenas de milhares de oportunidades. Eu fingindo costume, amigas me pedindo dicas de leitura e eu com as m\u00e3os nos bolsos pensando nas minhas pedras, em meu quintal e em como ultrapassar todo aquele frio na barriga. Foi a\u00ed que parei estatelada, diante da prateleira infantil: ligue os pontos e venha colorir.<\/p>\n<p>Outra vez, tenho sete anos e espero papai chegar no melhor dia do m\u00eas, quando se recebem os sal\u00e1rios. Ele traz revistas e algumas contas pagas. Para os filhos, duas revistas, iguaizinhas para n\u00e3o haver disputa e entrega a cada um aquele peda\u00e7o de para\u00edso. A\u00ed voc\u00eas j\u00e1 sabem o processo: fecho os olhos, fa\u00e7o carinho no papel, cheiro as p\u00e1ginas\u2026 O que voc\u00eas n\u00e3o sabem \u00e9 como aquela sensa\u00e7\u00e3o de ligar os pontos e ver se formando uma forma absurdamente nova de qualquer coisa me deixava apaixonada! Um elefante! Uma girafa! A M\u00f4nica! Um catavento!<\/p>\n<p>Estou aqui, diante da estante com o livro &#8220;ligue os pontos&#8221;, emocionada, chorosa, saudosa e radiante: se eu buscava alguma resposta, algum porqu\u00ea, alguma justificativa para seguir nesse caminho de aprender a me sustentar com minhas pr\u00f3prias pernas, dan\u00e7ar enquanto d\u00f3i tudo aqui dentro e, ainda assim, segurar as m\u00e3os de mais e mais mulheres que \u2013 como eu, sangram e se doem, tal qual \u00e1guas-vivas \u2013 e nos lan\u00e7armos ao mundo, da maneira mais bonita e viva que possamos ir, nesse momento, eu sei a resposta: ligue os pontos, construa uma nova coisa, seja uma ponte, uma escuta, um atrevimento, Ali\u00e1s**.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>*Anna K Lima<\/strong> nasceu em Fortaleza, mas se espalha pelo mundo. \u00c9 escritora: participou do Pr\u00eamio Ideal Clube de Literatura, Laborat\u00f3rio: Dois Pontos, Antologia Massanova e Metropolis. Autora de Clavicul\u00e1rio. Publica em blogs seus textos e ideias. Integrou a Oficina Liter\u00e1ria da FLIP de 2007. Escritora de cartas. Produtora cultural. Apaixonada pelo Cariri. Mediadora de oficinas liter\u00e1rias. Zineira.<\/p>\n<p><strong>**Ali\u00e1s Selo Editorial<\/strong> \u00e9 um movimento de nove mulheres que se dedicam a ouvir e pensar junto com outras mulheres possibilidades de estarem no mundo. Com for\u00e7a, delicadezas, cores e muito, muito significado. Publica\u00e7\u00e3o de livros, zines, revistas, cartazes, artes visuais e planilhas de excel afetivas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Anna K Lima* A folha de papel em branco nunca me assustou, pelo contr\u00e1rio: me desafiava! 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