{"id":5295,"date":"2018-08-13T14:00:33","date_gmt":"2018-08-13T17:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=5295"},"modified":"2018-08-13T14:23:38","modified_gmt":"2018-08-13T17:23:38","slug":"manoel-de-barros-o-escritor-e-a-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/08\/13\/manoel-de-barros-o-escritor-e-a-infancia\/","title":{"rendered":"Manoel de Barros: o escritor e a inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>Manoel \u00e9 um homem-passarinho, \u00e9 um poeta-gatilho, \u00e9 um texto-presente, \u00e9 vida-peda\u00e7o. Natural de Cuiab\u00e1, Mato Grosso, ele deixou uma das mais s\u00f3lidas obras de poesia que a literatura nacional possui. Os poemas produzidos pelo \u201cpassarinho\u201d s\u00e3o simples, sem floreios, sem grandes impactos. E \u00e9 justamente na simplicidade que Manoel de Barros faz sua morada e equilibra seu valor est\u00e9tico. A Companhia das Letras publicou uma edi\u00e7\u00e3o de <strong>Mem\u00f3rias<\/strong> <strong>Inventadas<\/strong>, livro que re\u00fane as \u201ctr\u00eas inf\u00e2ncias\u201d do escritor.<\/p>\n<div id=\"attachment_5296\" style=\"width: 634px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5296\" class=\"size-full wp-image-5296\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/manoel-de-barros.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"441\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/manoel-de-barros.jpg 624w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/manoel-de-barros-300x212.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/manoel-de-barros-120x85.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><p id=\"caption-attachment-5296\" class=\"wp-caption-text\">O poeta<\/p><\/div>\n<p>O poeta queria fazer um livro para cada fase da vida: inf\u00e2ncia, juventude, velhice. Ao inv\u00e9s disso, entretanto, produziu tr\u00eas volumes reunindo todas as suas inf\u00e2ncias. Em vida, Manoel teve apenas inf\u00e2ncias &#8211; ele costumava dizer. Viveu cada aventura na escola, cada peda\u00e7o da natureza, cada composi\u00e7\u00e3o c\u00eanica do Mato Grosso. Al\u00e9m da reuni\u00e3o dos tr\u00eas volumes, a edi\u00e7\u00e3o da Companhia das Letras &#8211; integrante do selo Alfaguara &#8211; tem fotografias in\u00e9ditas e respostas de algumas entrevistas dadas pelo poeta ainda em vida. De onde tiro o seguinte trecho:<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 vou por caminhos ignorados. Nunca sei o que est\u00e1 no fim. A primeira frase sugere as outras. Vou indo cego. S\u00f3 percebo o aroma das palavras. Chego ao fim do poema com surpresa. Sou comandado pelas palavras. N\u00e3o conduzo nem a mim quanto mais aos leitores. N\u00e3o tenho a sina de ensinar. Para mim poesia \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o err\u00e1tica\u201d, disse o poeta em entrevista realizada em 2003, quando aconteceu o lan\u00e7amento de Mem\u00f3rias Inventadas. A entrevista foi feita por Fabr\u00edcio Carpinejar para o jornal Zero Hora.<\/p>\n<p>Devo discordar um pouco. Quando leio Manoel de Barros, eu tenho a sensa\u00e7\u00e3o de estar sendo conduzida atrav\u00e9s das diversas paisagens que formam uma inf\u00e2ncia &#8211; a dele, a minha, a dos meus amigos. Manoel tem uma obra inteira. Como algu\u00e9m que j\u00e1 nasceu com a poesia, ele n\u00e3o faz esfor\u00e7o para que as palavras borbulhem. Elas parecem apenas estar l\u00e1: atentas, circulando o papel, formando imagens, cativando. Esse poder do menino-Manoel est\u00e1 totalmente descrito em Mem\u00f3rias Inventadas. \u00c9 um \u00f3timo livro para quem nunca teve contato com a obra e deseja come\u00e7ar. \u00c9 tamb\u00e9m um livro necess\u00e1rio nas estantes dos leitores habituais de Manoel de Barros.<\/p>\n<p>Entre os pr\u00eamios recebidos por ele est\u00e3o o\u00a0Jabuti (1990), o ABL de Literatura Infantojuvenil (2000), o\u00a0Nestl\u00e9 de Literatura Brasileira (2006), o Grande Pr\u00e9mio Sophia de Mello Breyner Andresen (2009) e o ABL de Poesia (2012). Claro, Manoel n\u00e3o era homem de ficar preso a esse tipo de honraria. Escrevia para viver, escrevia para fazer viver. E, como bem nos ensinou o poeta, n\u00e3o s\u00e3o essas honrarias que n\u00f3s levamos da vida.<\/p>\n<p>O livro &#8211; dividido em A Inf\u00e2ncia, A Segunda Inf\u00e2ncia e A Terceira Inf\u00e2ncia &#8211; \u00e9 uma obra para ler de v\u00e1rios formas: de um golpe s\u00f3, salteando textos, lendo cada bloco em um dia. Existem v\u00e1rias formas de compreender &#8211; e de sentir &#8211; as proposi\u00e7\u00f5es de Manoel de Barros. Queria eu &#8211; e aqui registro um sonho distante &#8211; que o poeta natural de Cuiab\u00e1 fosse mais lido nas escolas. As juventudes precisam de Manoel de Barros.<\/p>\n<h2>Manoel de Barros<\/h2>\n<p>Para quem quer conhecer mais sobre Manoel de Barros, eu sugiro tamb\u00e9m a leitura do texto escrito pelo poeta Talles Azigon &#8211; um dos maiores conhecedores da obra de Manoel. <strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/10\/04\/coluna-procura-da-poesia-manoel-de-barros-e-seus-poemas-rupestres\/\">Clique aqui e leia!<\/a><\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Manoel de Barros - S\u00f3 Dez por Cento \u00e9 Mentira\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VG4P_mWWAI0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\n<strong>Mem\u00f3rias Inventadas<\/strong><br \/>\nManoel de Barros<br \/>\nCompanhia das Letras<br \/>\nQuanto: R$ 39,90<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manoel \u00e9 um homem-passarinho, \u00e9 um poeta-gatilho, \u00e9 um texto-presente, \u00e9 vida-peda\u00e7o. 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