{"id":5371,"date":"2018-09-03T06:00:04","date_gmt":"2018-09-03T09:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=5371"},"modified":"2018-08-27T12:45:37","modified_gmt":"2018-08-27T15:45:37","slug":"tudo-e-poesia-sophia-de-mello-breyner-andresen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/09\/03\/tudo-e-poesia-sophia-de-mello-breyner-andresen\/","title":{"rendered":"Tudo \u00e9 Poesia: Sophia de Mello Breyner Andresen"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Juliana Guedes*<\/strong><\/p>\n<p>Desde a Antiga Gr\u00e9cia, Plat\u00e3o queria censurar os <strong>poetas<\/strong> na Rep\u00fablica. Ele sentia medo da poesia e de como ela poderia afetar os cidad\u00e3os, desvirtuando-os da realidade. O fil\u00f3sofo chegou a queimar os pr\u00f3prios poemas, para apagar qualquer rastro. Em contrapartida, neste s\u00e9culo XXI, sentimos uma for\u00e7a infinita da escrita po\u00e9tica, diagnosticada na quantidade de poetas, no surgimento de mercados editoriais independentes, apresentando novos nomes e trazendo \u00e0 superf\u00edcie liter\u00e1ria, autoras esquecidas e, consequentemente, afetando, com profundidade, o nosso entorno. Como novidade fortuita, estamos nos deparando, nas entradas de livrarias, com o feiti\u00e7o das vozes femininas. Quem aqui tem medo de poesia escrita por mulher? Fico imaginando se Plat\u00e3o fosse vivo, o que ele me responderia. <strong>Sophia de Mello Breyner Andresen<\/strong>, importante <strong>poetisa<\/strong> portuguesa do s\u00e9culo XX, morta em 2004, aparece nas prateleiras de 2018, numa sele\u00e7\u00e3o muito cuidadosa, feita pelo tamb\u00e9m poeta Eucana\u00e3 Ferraz.<\/p>\n<div id=\"attachment_5373\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5373\" class=\"size-large wp-image-5373\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen-2-740x416.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"416\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen-2-740x416.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen-2-120x68.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen-2.jpg 1920w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-5373\" class=\"wp-caption-text\">Sophia de Mello Breyner Andresen<\/p><\/div>\n<p>A antologia, intitulada \u201cCoral e outros poemas\u201d, contempla do primeiro ao \u00faltimo livro de poesia de Sophia, a poemas in\u00e9ditos da escritora. Os versos s\u00e3o alimentados de um mist\u00e9rio extasiante, mas escritos numa sintaxe clara e at\u00e9 direta. \u00c9 percept\u00edvel um di\u00e1logo com a cultura cl\u00e1ssica, podemos citar algumas figuras como: Apolo, Baco, N\u00edobe, Dion\u00edsio, Ov\u00eddio, Eur\u00eddice, Electra etc.<\/p>\n<h2><strong>Sophia de Mello Breyner Andresen<\/strong><\/h2>\n<p>No entanto, o destaque da poesia de <strong>Sophia<\/strong> \u00e9 definitivamente o oceano. N\u00f3s, leitoras, enxergamos palavras on\u00edricas, criadas a partir do espa\u00e7o do mar, dos animais marinhos, das pegadas na areia, da sensa\u00e7\u00e3o do vento, do cheiro da maresia, da for\u00e7a das ondas, do contato com as conchas e os b\u00fazios. A escritora prescreve, tamb\u00e9m, constantemente, um jogo dual entre a vida na cidade e a vida junto ao mar: \u201cCidade, rumor e vaiv\u00e9m sem paz das ruas,\/ \u00d3 vida suja, hostil, inutilmente gasta,\/ Saber que existe o mar e as praias nuas,\/ Montanhas sem nome e plan\u00edcies mais vastas [&#8230;]\u201d.<\/p>\n<p>Durante a leitura da antologia, percebemos as modula\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas de <strong>Sophia de Mello Breyner Andresen<\/strong>, como por exemplo, as indaga\u00e7\u00f5es sobre a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o da poesia, a postura interrogativa ante a p\u00e1gina em branco a ser escrita e as rela\u00e7\u00f5es com poetas da tradi\u00e7\u00e3o portuguesa, tais quais: Cam\u00f5es, Fernando Pessoa, Ces\u00e1rio Verde.<\/p>\n<div id=\"attachment_5374\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5374\" class=\"size-full wp-image-5374\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"340\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen.jpg 620w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen-300x165.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/08\/Sophia-de-Mello-Breyner-Andresen-120x66.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><p id=\"caption-attachment-5374\" class=\"wp-caption-text\">Sophia de Mello Breyner Andresen<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00f3s brasileiras, somos surpreendidas, nesta edi\u00e7\u00e3o, com a apresenta\u00e7\u00e3o in\u00e9dita e na \u00edntegra do conjunto de poemas denominado \u201cCristo Cigano\u201d, no qual nos \u00e9 revelado nos versos, o nome do poeta brasileiro <strong>Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto<\/strong>. A amizade de <strong>Sophia<\/strong> com o escritor pernambucano surge durante uma viagem \u00e0 Sevilha e mostra, a partir deste momento, um efeito modificador do que ela tinha produzido at\u00e9 o momento. Embora seja uma lenda espanhola, o \u201cCristo Cigano\u201d fez a poetisa manifestar um sujeito l\u00edrico relacionado com a destrui\u00e7\u00e3o da vida humana em nome da sacralidade crist\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/09\/13\/coluna-a-procura-da-poesia-no-tempo-dividido-e-outros-mares-de-sophia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja an\u00e1lise do poeta Talles Azigon sobre Sophia de Mello Breyner Andresen<\/a><\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos que a autora foi militante presente contra a ditadura salazarista de Portugal, e atuou, inclusive, como deputada. Isto contaminou a sua poesia, revelando um olhar contundente, para al\u00e9m das paisagens mar\u00edtimas e dos encantos da natureza.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>* Juliana Guedes \u00e9 professora de literatura, desde 2012. Atualmente, \u00e9 estudante de doutorado em literatura comparada pela Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC). Pesquisa poesia portuguesa moderna e contempor\u00e2nea. Escreve poemas e atua, tamb\u00e9m, como mediadora de leitura em projetos liter\u00e1rios. Gosta de museus, pinturas e m\u00fasicas cl\u00e1ssicas. Ela assina, na primeira semana do m\u00eas, a coluna Tudo \u00e9 Poesia no blog Leituras da Bel.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Juliana Guedes* Desde a Antiga Gr\u00e9cia, Plat\u00e3o queria censurar os poetas na Rep\u00fablica. 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