{"id":5508,"date":"2018-09-25T14:53:47","date_gmt":"2018-09-25T17:53:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=5508"},"modified":"2018-09-25T15:02:16","modified_gmt":"2018-09-25T18:02:16","slug":"a-bruxa-nao-vai-para-a-fogueira-neste-livro-ninguem-vai-para-a-fogueira-neste-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/09\/25\/a-bruxa-nao-vai-para-a-fogueira-neste-livro-ninguem-vai-para-a-fogueira-neste-livro\/","title":{"rendered":"A bruxa n\u00e3o vai para a fogueira neste livro, ningu\u00e9m vai para a fogueira neste livro"},"content":{"rendered":"<p>Eu nunca tive uma liga\u00e7\u00e3o muito forte com a poesia. Talvez por m\u00e1 influ\u00eancia de algumas professoras de literatura da escola ou por n\u00e3o ter curiosidade para encontrar bons poetas. O fato \u00e9 que s\u00f3 comecei a acessar poesia como um g\u00eanero que me move a partir do curso de letras, feito na Universidade Federal do Cear\u00e1. E foi incr\u00edvel. Conheci de Florbela Espanca a Manuel Bandeira. A poesia me pegou verdadeiramente e, desde ent\u00e3o, eu sigo catando todos os livros de poemas aos quais tenho acesso. Pegando emprestado ou na biblioteca. Aprendi a nunca subestimar um livro de poemas &#8211; mesmo que esteja surrado ou o aspecto gr\u00e1fico n\u00e3o seja bom. Eis que outro dia caiu em minhas m\u00e3os a obra <strong>A bruxa n\u00e3o vai para a fogueira neste livro<\/strong>, obra de Amanda Lovelace. N\u00e3o lembro se solicitei o exemplar para a editora, a <strong>Leya<\/strong>, se os assessores de imprensa ligaram oferecendo ou se ele apenas foi endere\u00e7ado para mim.<\/p>\n<div id=\"attachment_5509\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5509\" class=\"size-full wp-image-5509\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/09\/amanda-lovelace.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/09\/amanda-lovelace.jpg 620w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/09\/amanda-lovelace-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/09\/amanda-lovelace-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><p id=\"caption-attachment-5509\" class=\"wp-caption-text\">Amanda Lovelace (foto: divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>Mas chegou por aqui e confesso: fiquei embasbacada. <strong>A bruxa n\u00e3o vai para a fogueira neste livro<\/strong>, obra da americana Amanda Lovelace, \u00e9 o segundo volume de uma trilogia. E, como podemos esperar pelo t\u00edtulo, o livro pega fogo. \u00c9 gasolina, \u00e9 f\u00f3sforo, \u00e9 labareda, \u00e9 brasa, \u00e9 arder na pele, \u00e9 fogueira pura e muito mais. Amanda escreve textos simples e curtos. Fala sobre o feminino, sobre ser mulher, sobre sofrer, sobre estar no mundo, sobre relacionamentos, sobre ansiedades e sobre um monte de outros sentimentos que, por vezes, ficam enclausurados.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 dividido em quatro partes: O Julgamento, A Queima, A Tempestade de Fogo e As Cinzas. Podemos considerar um exorcismo dividido em v\u00e1rios processos.<\/p>\n<p>Em O Julgamento, Amanda mostra as v\u00e1rias facetas dos ju\u00edzos que s\u00e3o impostos para n\u00f3s, mulheres. Em A Queima, minha fase favorita no livro, a autora destrincha como n\u00f3s mulheres fomos atiradas em fogueiras ao longo da hist\u00f3ria e, mesmo assim, conseguimos nos reconstruir. Alguns textos, claro, se tornam repetitivos, fazendo o livro ser longo e pesado. Longo por ter muitos textos; Pesado pelas tem\u00e1ticas tratadas. Mas, apesar do tom de d\u00e8ja vu encontrado em alguns escritos, n\u00e3o podemos negar o valor da obra de Amanda. Ela esmi\u00fa\u00e7a sentimentos que apenas uma mulher ferida pode entender. Talvez por isso &#8211; e tamb\u00e9m por ter surgido na internet &#8211; Amanda seja t\u00e3o criticada. Ela fala sobre assuntos que n\u00e3o est\u00e3o no chamado c\u00e2none liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>A segunda parte, A Tempestade de Fogo, marca a figura feminina como mais aut\u00f4noma, senhora de si e cheia de poder. J\u00e1 em As Cinzas, quarta e \u00faltima parte do livro, eu senti a maior repeti\u00e7\u00e3o de motivos e textos.<\/p>\n<h2>Amanda Lovelace<\/h2>\n<p>Como a indiana Rupi Kaur e outras tantas poetas incr\u00edveis, Amanda Lovelace surgiu na internet &#8211; postando seus escritos em redes sociais e sendo compartilhada por milhares de pessoas. \u00c9 outro ponto para tratar. H\u00e1 uma certa resist\u00eancia para a poesia surgida nos lugares n\u00e3o convencionais &#8211; do instagram at\u00e9 a pracinha do bairro. Mas n\u00e3o h\u00e1 mais meios de controlar (ou at\u00e9 mesmo podar) a literatura que salta desses locais. E, como diz o meu amigo Talles Azigon, &#8220;voc\u00eas querendo ou n\u00e3o, isso \u00e9 literatura&#8221;. E \u00e9 literatura n\u00e3o apenas por ser publicado, estar em listas de mais vendidos, ser compartilhado em todo o mundo e traduzido para v\u00e1rios pa\u00edses. \u00c9 literatura, na realidade, pelo potencial e pela for\u00e7a art\u00edsticas ali contidas.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 parte de uma trilogia. A primeira obra &#8211; A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro &#8211; foi traduzida e publicada no Brasil tamb\u00e9m pela Editora Leya. O primeiro elemento \u00e9 a princesa; o segundo, claro, \u00e9 a bruxa; e o terceiro \u00e9 a sereia. A expectativa \u00e9 que a mesma editora traga a \u00faltima parte da obra de Amanda para o Brasil. Vamos torcer.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\n<strong>A Bruxa N\u00e3o Vai Para A Fogueira Neste Livro<\/strong><br \/>\nAutora: Amanda Lovelace<br \/>\nEditora Leya<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Isabel Aleixo<br \/>\nQuanto: R$ 29,90<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu nunca tive uma liga\u00e7\u00e3o muito forte com a poesia. 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