{"id":5600,"date":"2018-10-15T10:11:39","date_gmt":"2018-10-15T13:11:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=5600"},"modified":"2019-07-30T11:51:28","modified_gmt":"2019-07-30T14:51:28","slug":"tudo-e-poesia-adilia-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/10\/15\/tudo-e-poesia-adilia-lopes\/","title":{"rendered":"Tudo \u00e9 Poesia: Ad\u00edlia Lopes"},"content":{"rendered":"<p><strong>*Por Juliana Guedes<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00eas n\u00e3o fazem ideia do complicado caminho, para pesquisar, aqui no Brasil, poesia portuguesa contempor\u00e2nea, feita por mulheres. Os livros, geralmente, s\u00e3o importados e aqueles que foram publicados no pa\u00eds, edi\u00e7\u00f5es raras, demoram algum tempo, para chegar \u00e0s minhas m\u00e3os. \u00c9 o caso das obras da misteriosa escritora Ad\u00edlia Lopes, al\u00e9m de poetisa, ela escreve, tamb\u00e9m, cr\u00f4nicas e atua como tradutora. O mist\u00e9rio, tanto se encontra na pessoa de Ad\u00edlia, como em seu universo po\u00e9tico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o ter conta de Facebook, a autora nem computador possui &#8211; apenas, <strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Ad%C3%ADlia-Lopes-233858583360494\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">h\u00e1 uma fanpage<\/a><\/strong>, cuidada por admiradores -, n\u00e3o aparecer em festivais ou feiras liter\u00e1rias, n\u00e3o realizar lan\u00e7amentos de seus livros, a poetisa constr\u00f3i um mundo de palavras livres, para fora de uma inocente simplicidade, carregando significados desconstrutores, despindo as m\u00e1scaras da linguagem e da alma humana, deixando n\u00f3s, leitores, iluminados de tanto (im)piedoso espanto e lucidez ante a vida.<\/p>\n<h2>Ad\u00edlia Lopes<\/h2>\n<p>Ad\u00edlia Lopes \u00e9 o pseud\u00f4nimo da poetisa, que vive como uma beguina portuguesa, em Lisboa e oferece \u00e0 pr\u00f3pria poesia, vez em quando, uma figura personificada: a freira barroca. A autora fez duas faculdades, F\u00edsica e Letras, mas decidiu nunca terminar nenhuma delas.<\/p>\n<p>Em seu livro de estreia denominado \u201c<strong>Um jogo bastante perigoso<\/strong>\u201d, publicado em 1985, e relan\u00e7ado pela Editora Moinhos, aqui no Brasil, este ano, 2018, j\u00e1 encontramos os seus versos impiedosos, t\u00e3o caracter\u00edsticos de todo o universo adiliano: \u201c[&#8230;] tem inveja dela at\u00e9 a imita\/ mas j\u00e1 se constipou\/ nem toda a gente tem figura\/ para bermudas de tigre\/ coitada!\u201d\/ \u201c[&#8230;] ora eu s\u00f3 suporto pessoas \u00e0 dist\u00e2ncia\/ de prefer\u00eancia com uma mesa de permeio\u201d, como, tamb\u00e9m, v\u00e1rios s\u00e3o os trechos repletos da linguagem f\u00edsico-qu\u00e2ntica: \u201c[&#8230;] muito por sua vez ca\u00ed por cima de uma mulher\/ que era um sex symbol depois\/ de sofrer uma homotetia de raz\u00e3o\/ superior a 1\u201d. No entanto, ao longo da leitura dos poemas, \u00e9 notado que esta impiedade, na verdade, se configura no mais fundo aspecto do misericordioso.<\/p>\n<p>A voz po\u00e9tica da escritora est\u00e1 impregnada nas figuras familiares, no cotidiano, trazendo cita\u00e7\u00f5es da cultura pop e desenrolando constantes situa\u00e7\u00f5es banais, desde o p\u00e3o de cada dia, at\u00e9 o dinheiro de pagar as contas. Al\u00e9m disso, veste os seus versos de textos can\u00f4nicos como, por exemplo, os de Cam\u00f5es, Florbela Espanca ou M\u00e1rio de S\u00e1-Carneiro atrav\u00e9s de roupagens novas, numa intertextualidade que perfura e costura.<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/www.suplementopernambuco.com.br\/edi%C3%A7%C3%B5es-anteriores\/72-resenha\/2090-livro-de-estreia-de-ad%C3%ADlia-lopes-finalmente-chega-ao-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Livro de estreia de Ad\u00edlia Lopes finamente chega ao Brasil<\/a><\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, a autora conduz poemas, tamb\u00e9m, em di\u00e1logo frequente com as suas contempor\u00e2neas ou refer\u00eancias de leituras pessoais, tais como: Fiama Hasse Pais Brand\u00e3o, Mariana Alcoforado e Clarice Lispector. N\u00e3o esque\u00e7amos que as suas principais influ\u00eancias liter\u00e1rias foram \u00e0s escritas de Sophia de Mello Breyner Andresen e de Ruy Belo.<\/p>\n<p>Na obra \u201c<strong>Ad\u00edlia Lopes: Antologia<\/strong>\u201d, de 2002, organizada pelo tamb\u00e9m poeta Carlito Azevedo, al\u00e9m de cr\u00edtico e editor brasileiro, encontramos este fermento, que \u00e9 o projeto liter\u00e1rio da poetisa portuguesa: tratar as coisas di\u00e1rias com humor tr\u00e1gico, deixando estampados em nossos rostos, aquele famoso sorrisinho de lado, sabe.<\/p>\n<p>Semestre passado, fiz uma cadeira de poesia portuguesa, no Doutorado, e para muitos estudantes, era a primeira vez que Ad\u00edlia Lopes tinha sido pronunciada, no curso de Letras. A maioria dos componentes da turma ficava em d\u00favida, se \u201caquilo mesmo\u201d era poesia, se t\u00ednhamos que levar a s\u00e9rio tanto prosa\u00edsmo. Neste momento, percebo o peso da recep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica desta poetisa contempor\u00e2nea, em terras alencarinas, e, assim, o fasc\u00ednio de sua voz l\u00edrica tomou-me, radicalmente, o ser: \u201c[&#8230;] chorava por causa do shampoo\/ depois acabaram os shampoos\/ que faziam arder os olhos\/ no more tears disse Johnson &amp; Johnson\/ as m\u00e3es s\u00e3o filhas das filhas\/ e as filhas s\u00e3o m\u00e3es das m\u00e3es\/ uma m\u00e3e lava a cabe\u00e7a da outra [&#8230;]\u201d.<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/09\/03\/tudo-e-poesia-sophia-de-mello-breyner-andresen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tudo \u00e9 Poesia: Sophia de Mello Breyner Andresen<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\n<strong>Um Jogo Bastante Perigoso<\/strong><br \/>\nAd\u00edlia Lopes<br \/>\nEditora Moinhos<br \/>\nQuanto: R$ 35<br \/>\nOnde comprar: <strong><a href=\"https:\/\/editoramoinhos.com.br\/loja\/umjogobastanteperigoso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">editoramoinhos.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>Juliana Guedes \u00e9 professora de literatura, desde 2012. Atualmente, faz curso de doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC). Escreve poemas, contos e atua, tamb\u00e9m, como mediadora de leitura em projetos liter\u00e1rios. Gosta de museus, pinturas e m\u00fasicas cl\u00e1ssicas. Ela assina, mensalmente, a coluna Tudo \u00e9 Poesia, no Blog Leituras da Bel, escrevendo sobre poesia portuguesa moderna e contempor\u00e2nea, feita por mulheres.<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LIVROS DE POESIA S\u00c3O REALMENTE DIF\u00cdCEIS DE VENDER? | EPIS\u00d3DIO 06 - Letras&amp;Livros\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x1s4iuM7kCo?start=348&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Juliana Guedes Voc\u00eas n\u00e3o fazem ideia do complicado caminho, para pesquisar, aqui no Brasil, poesia portuguesa contempor\u00e2nea, feita por mulheres. Os livros, geralmente, s\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":105,"featured_media":5603,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1466,386,1402,683,701,1465],"class_list":["post-5600","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-poesia","tag-adilia-lopes","tag-editora-moinhos","tag-juliana-guedes","tag-literatura","tag-literatura-portuguesa","tag-um-jogo-bastante-perigoso"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/105"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5600"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5600\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6605,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5600\/revisions\/6605"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5603"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}