{"id":5687,"date":"2018-11-19T10:00:40","date_gmt":"2018-11-19T13:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=5687"},"modified":"2019-07-30T11:50:34","modified_gmt":"2019-07-30T14:50:34","slug":"tudo-e-poesia-fiama-hasse-pais-brandao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2018\/11\/19\/tudo-e-poesia-fiama-hasse-pais-brandao\/","title":{"rendered":"Tudo \u00e9 Poesia: Fiama Hasse Pais Brand\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Juliana Guedes*<\/strong><\/p>\n<p>As obras da poetisa portuguesa <strong>Fiama Hasse Pais Brand\u00e3o<\/strong> est\u00e3o todas do outro lado do oceano. Em m\u00e3os, tive a oportunidade de ler uma antologia importada, publicada em 1986, reunida pela pr\u00f3pria escritora, e intitulada: <strong>F, de Fiama<\/strong>. Neste livro, temos versos, desde a sua estreia com <strong>Morfismos<\/strong>, lan\u00e7ado em 1961 \u2013 estas poesias foram publicadas na colet\u00e2nea <strong>Poesia 61<\/strong>, ao lado de v\u00e1rios escritores, que buscavam uma tend\u00eancia po\u00e9tica de meditar \u00e0s palavras, por elas pr\u00f3prias \u2013 at\u00e9, <strong>\u00c2mago I<\/strong>, de 1985, contando com uma parte isolada, qui\u00e7\u00e1, in\u00e9dita, para a \u00e9poca, denominada <strong>\u00d3 T\u00famulo, \u00d3 Vagas<\/strong>, sem data.<\/p>\n<p>Muito al\u00e9m da fronteira da morte, a poetisa circula na dicotomia: dia e noite, tocando \u00e0 realidade, com imagens metaf\u00f3ricas fulgurantes e desnudando a linguagem, em busca de algo mais primevo.<\/p>\n<div id=\"attachment_5689\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5689\" class=\"size-large wp-image-5689\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/11\/42600119_697918903928011_8112451327931601513_n-740x555.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"555\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/11\/42600119_697918903928011_8112451327931601513_n-740x555.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/11\/42600119_697918903928011_8112451327931601513_n-300x225.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/11\/42600119_697918903928011_8112451327931601513_n-768x576.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/11\/42600119_697918903928011_8112451327931601513_n-120x90.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/11\/42600119_697918903928011_8112451327931601513_n.jpg 1080w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-5689\" class=\"wp-caption-text\">Do instagram @julianaliteraria<\/p><\/div>\n<p>A claridade \u2013 tema constantemente utilizado\u00a0 na poesia de Fiama Hasse Pais Brand\u00e3o &#8211; \u00e9 empregada \u00e0 palavra po\u00e9tica, para encontrar: \u201ccorrespond\u00eancias de met\u00e1foras vazias\u201d (p. 58) e \u201ca evapora\u00e7\u00e3o da luz que prolonga a medita\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica\u201d (p. 55). O brilho, embora opaco, da linguagem, desvenda superf\u00edcies do entorno da realidade, trazendo um contato mais \u00edntimo no decurso do dia, uma intimidade perdida no mau uso das palavras cotidianas, deixando ao lado o ordin\u00e1rio e esvaziando o verso at\u00e9 o primitivo da l\u00edngua.<\/p>\n<p>Nada \u00e9 cru, os poemas s\u00e3o repletos de folhagens, rios abertos, penumbras, sol, muita ilumina\u00e7\u00e3o, mar, florestas, madeiras e terra, deixando claro que \u201ctoda emo\u00e7\u00e3o desmedida \u00e9 incomensur\u00e1vel mas finita\u201d (p. 27). N\u00e3o enxergo metaf\u00edsica na poesia de <strong>Fiama Hasse Pais Brand\u00e3o<\/strong>, percebo muito mais um contato direto e l\u00facido ante o real, atrav\u00e9s dos sons e das pinturas do ato de cria\u00e7\u00e3o do poema. N\u00e3o s\u00e3o nas vozes das pessoas da rua que se faz o poema, mas no som abstrato da brancura da noite ou do emba\u00e7o do dia, qui\u00e7\u00e1, nos gritos das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A poesia moderna de <strong>Fiama Hasse Pais Brand\u00e3o<\/strong> dialoga, constantemente, com o ac\u00famulo de sua pr\u00f3pria bagagem leitora, desde as epopeias gregas at\u00e9 a B\u00edblia, percorrendo tamb\u00e9m nomes da tradi\u00e7\u00e3o portuguesa, por exemplo, Fernando Pessoa, e poetas americanos, tais como, William Blake: \u201cpor muito que a minha escrita decalque as p\u00e1ginas de\/ fernando pessoa\u201d (p. 30). N\u00e3o esque\u00e7amos do contato direto que a poetisa tinha com a dramaturgia, inclusive, nesta antologia h\u00e1 uma refer\u00eancia ao diretor austr\u00edaco Max Reinhardt: \u201cDe max reinhardt recebi, uma vez mais, a realidade;\u201d (p. 35).<\/p>\n<div id=\"attachment_5688\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5688\" class=\"size-full wp-image-5688\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/11\/fiama-hasse-pais-brandao.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"666\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/11\/fiama-hasse-pais-brandao.jpg 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/11\/fiama-hasse-pais-brandao-300x400.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2018\/11\/fiama-hasse-pais-brandao-120x160.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-5688\" class=\"wp-caption-text\">Fiama Hasse Pais Brand\u00e3o<\/p><\/div>\n<h2><strong>Fiama Hasse Pais Brand\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Fiama, morta em 2007, foi casada com o poeta Gast\u00e3o Cruz, ainda atuante na cena liter\u00e1ria portuguesa atual. Ambos foram fundadores da companhia de teatro Grupo de Teatro de Letras, encenando at\u00e9 mesmo autores traduzidos pela poetisa lusitana, como Tchekov.<\/p>\n<p>Em <strong>F, de Fiama<\/strong>\u00a0est\u00e3o reunidos poemas de dez obras po\u00e9ticas. Desta antologia, destacamos a obra \u201c\u00c1rea Branca\u201d, de 1979, pois \u00e9 percept\u00edvel a conex\u00e3o do eu-l\u00edrico com o pr\u00f3prio ato de cria\u00e7\u00e3o da poesia. Dito de outra forma, a poesia \u00e9 transmutada em po\u00e9tica, pois os pr\u00f3prios poemas perseguem a poesia, ligando Fiama, poeta\/criadora, ao real, poesia\/cria\u00e7\u00e3o. A realidade \u00e9 moldada atrav\u00e9s de um contato mais direto com a terra, criticando e repensando as teorias e figuras de pensamento: \u201cas figuras de estil\u00edstica\/ n\u00e3o s\u00e3o figuradas. De dentro\/ da minha orelha posso extrair\/ a abelha dourada. Mas n\u00e3o desejo sacrificar-me \u00e0s met\u00e1foras\u201d (p. 77).<\/p>\n<p>Um dos destaques, na estrutura visual desta antologia s\u00e3o os tra\u00e7os, riscados em negrito com linhas longas, entre um verso e outro, a posi\u00e7\u00e3o horizontal de leitura de alguns poemas e a mudan\u00e7a na estrutura morfol\u00f3gica das palavras, ou seja, <strong>Fiama Hasse Pais Brand\u00e3o<\/strong> junta palavras, como se fossem uma s\u00f3, qui\u00e7\u00e1, uma tentativa de \u201cmonossilabar\u201d, criar uma nova composi\u00e7\u00e3o: \u201c[&#8230;] est\u00e1s\u00f3\/como a solid\u00e3o desteverso.\/Louca pelo calor dobarranco\/ quesei da teoria do verso\/ a n\u00e3o ser nada? [&#8230;]\u201d (p. 59).<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>* Juliana Guedes \u00e9 professora de literatura, desde 2012. Atualmente, faz curso de doutorado em literatura comparada pela Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC). Escreve poemas, contos e atua, tamb\u00e9m, como mediadora de leitura, em projetos liter\u00e1rios. Gosta de museus, pinturas e m\u00fasicas cl\u00e1ssicas. Ela assina, mensalmente, a coluna Tudo \u00e9 Poesia, no blog Leituras da Bel, escrevendo sobre poesia portuguesa moderna e contempor\u00e2nea, feita por mulheres.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LIVROS DE POESIA S\u00c3O REALMENTE DIF\u00cdCEIS DE VENDER? | EPIS\u00d3DIO 06 - Letras&amp;Livros\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x1s4iuM7kCo?start=348&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Juliana Guedes* As obras da poetisa portuguesa Fiama Hasse Pais Brand\u00e3o est\u00e3o todas do outro lado do oceano. 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