{"id":6146,"date":"2019-06-07T06:00:10","date_gmt":"2019-06-07T09:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=6146"},"modified":"2019-07-02T11:11:32","modified_gmt":"2019-07-02T14:11:32","slug":"leia-o-texto-nelson-o-boemio-producao-do-escritor-cearense-bruno-paulino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2019\/06\/07\/leia-o-texto-nelson-o-boemio-producao-do-escritor-cearense-bruno-paulino\/","title":{"rendered":"Leia o texto &#8220;Nelson, o bo\u00eamio&#8221;, produ\u00e7\u00e3o do escritor cearense Bruno Paulino"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Bruno Paulino*<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_6147\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6147\" class=\"size-large wp-image-6147\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/06\/nelson-goncalves-740x416.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"416\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/06\/nelson-goncalves-740x416.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/06\/nelson-goncalves-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/06\/nelson-goncalves-768x431.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/06\/nelson-goncalves-120x67.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/06\/nelson-goncalves.jpg 1040w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-6147\" class=\"wp-caption-text\">Nelson Gon\u00e7alves<\/p><\/div>\n<p>Agora s\u00f3 de ouvir falar sobre Nelson Gon\u00e7alves j\u00e1 fico entusiasmado. Muitas vezes chaguei a confundi-lo com o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, trocava o nome e a imagem de um pelo outro. O Cantor era s\u00f3 uma lenda para mim &#8211; ainda \u00e9, dele s\u00f3 conhecia algumas m\u00fasicas famosas que me assustavam por ter tanta dor de cotovelo contida na letra (embora seja eu um sujeito que curte essa vibe).<\/p>\n<p>Lembro de antigas tardes de s\u00e1bado de meu pai fazendo a barba e escutando fitas k7 de Nelson Gon\u00e7alves como numa esp\u00e9cie de ritual, mas aquele som nunca tinha me fisgado.<\/p>\n<p>Aconteceu que quando eu tinha uns 15 anos, adolescente curioso para ouvir tudo o que fosse estranho e diferente do forr\u00f3 de pl\u00e1stico imposto pelo circuito comercial, peguei um CD do Nelson Gon\u00e7alves com um amigo emprestado (que agora n\u00e3o lembro mais qual era o CD, nem muito menos quem era o amigo) provavelmente era um amigo mais velho. Cheguei em casa, sentei no sof\u00e1 e coloquei o CD pra tocar satisfeito. Quando literalmente viajava na \u201cVolta do bo\u00eamio\u201d ouvi a voz sobressaltada de outro amigo &#8211; n\u00e3o foi o que me emprestou o CD &#8211; era um desses roqueiros bitolados, que indo me visitar abordou-me como quem flagra: \u201cO que diabos \u00e9 isso que tu t\u00e1 ouvindo?\u201d. Sua cara era de susto, espanto, um quase pavor por me flagrar ouvindo aquela m\u00fasica.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, respondi com calma e precis\u00e3o cir\u00fargica \u201c\u00c9 Nelson Gon\u00e7alves, um cara das antigas que faz um samba-can\u00e7\u00e3o assim meio punk-undergraund\u201d foi a \u00fanica classifica\u00e7\u00e3o que me veio \u00e0 mente na hora.<\/p>\n<p>Bom, a classifica\u00e7\u00e3o que dei n\u00e3o faz o menor sentido (ou faz?), mas Nelson Gon\u00e7alves foi um de meus \u00eddolos juvenis, no m\u00ednimo um \u00eddolo fora da \u00e9poca, pois o que geralmente todo mundo da minha gera\u00e7\u00e3o curtia ouvir al\u00e9m do forr\u00f3 de pl\u00e1stico era Tit\u00e3s, Legi\u00e3o Urbana, Cazuza e os Mamonas Assassinas, que eu tamb\u00e9m gostava. S\u00f3 que de certo modo j\u00e1 entedia (e sentia) que por tr\u00e1s de todo saudosismo cantado por Nelson Gon\u00e7alves, em sua obra continha e emanava um grito de juventude (uma juventude passada, claro!), mas uma juventude perdida, desenganada, saudosa, entregue as paix\u00f5es, a dor do amor, a dor de existir, sei l\u00e1, n\u00e3o consigo explicar, tem algo de jovem e contestador em sofrer por amor&#8230; Talvez ele representasse para mim o que os escritores da gera\u00e7\u00e3o beat americana representavam para os jovens americanos que os liam \u2013 que exagero e compara\u00e7\u00e3o mais sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a!<\/p>\n<p>Ah! O fato \u00e9 que tamb\u00e9m enxergava nas m\u00fasicas de Nelson Gon\u00e7alves &#8211; o Frank Sinatra tupiniquim &#8211; o retrato de jovens decadentes no fundo de um bar, no cora\u00e7\u00e3o a \u00e1urea bo\u00eamia.<\/p>\n<p>Era assim que me sentia aos 15 anos ouvindo Nelson Gon\u00e7alves. De certo modo eu fazia parte da contracultura.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Bruno Paulino \u00e9 cronista e aprendiz de passarinho<\/p>\n<p>https:\/\/open.spotify.com\/episode\/3KGjfLo9fxb7jhk93g32Iy?si=DO8C3zk4SzqUrSxvqqlf1w<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Paulino* Agora s\u00f3 de ouvir falar sobre Nelson Gon\u00e7alves j\u00e1 fico entusiasmado. 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