{"id":666,"date":"2017-03-20T12:15:25","date_gmt":"2017-03-20T15:15:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=666"},"modified":"2017-03-20T12:15:25","modified_gmt":"2017-03-20T15:15:25","slug":"acervo-da-escritora-rachel-de-queiroz-tem-preciosidades-literarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/03\/20\/acervo-da-escritora-rachel-de-queiroz-tem-preciosidades-literarias\/","title":{"rendered":"As preciosidades de Rachel de Queiroz dispon\u00edveis na Unifor"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cole\u00e7\u00e3o do acervo de Rachel de Queiroz passa por restaura\u00e7\u00e3o e cataloga\u00e7\u00e3o\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oOqtzDcCxfA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080\"><em><strong>Por Renato Ab\u00ea (renatoabe@opovo.com.br)<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><em><strong>O <span style=\"color: #cc99ff\">Leituras da Bel<\/span>\u00a0teve acesso ao acervo da autora de O Quinze, cujas obras estar\u00e3o dispon\u00edveis para o p\u00fablico a partir de maio. As preciosidades liter\u00e1rias revelam nuances da escritora e suas rela\u00e7\u00f5es de amizade<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Era 9 de agosto de 1964 e a ditadura militar ainda tomava forma no Pa\u00eds. Naquela quinta-feira, foi direcionado \u00e0 escritora <span style=\"color: #800080\"><strong>Rachel de Queiroz<\/strong><\/span> o livro <strong><em>Palavras \u00e0 juventude<\/em><\/strong>. Na folha de rosto, o autor da obra \u2013 um conterr\u00e2neo da autora \u2013 revelou em poucas palavras ter \u201cestima e respeito intelectual\u201d pela cearense. A letra bagun\u00e7ada hoje gravada em folha amarelada pelos mais de cinquenta anos de hist\u00f3ria \u00e9 de Humberto de Alencar Castello Branco, \u00e0 \u00e9poca presidente do Brasil. Naquele momento, <strong><span style=\"color: #800080\">Rachel<\/span> <\/strong>era uma das apoiadoras dos militares no poder e certamente Castello Branco julgou que o conte\u00fado do livro interessaria \u00e0quela jovem senhora de 53 anos.<!--more--><\/p>\n<p>Essa e outras tantas facetas reveladas nos livros que <strong><span style=\"color: #800080\">Rachel<\/span> <\/strong>guardava em casa est\u00e3o prestes a ficar dispon\u00edveis para o p\u00fablico cearense. Parte do acervo dela, com 3.063 obras (entre livros e peri\u00f3dicos), estar\u00e1 dispon\u00edvel para visita\u00e7\u00e3o a partir de maio na <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Biblioteca Central<\/strong><\/span> da <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Universidade de Fortaleza<\/strong> <\/span>(Unifor).<\/p>\n<p><span style=\"color: #cc99ff\"><strong>Leituras da Bel<\/strong><\/span>\u00a0teve acesso ao material, atualmente em processo de higieniza\u00e7\u00e3o e reparo, e antecipa algumas das preciosidades liter\u00e1rias que <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong> <\/span>guardou at\u00e9 o fim da vida. Depois que ela morreu, em 2003, as obras foram adquiridas pelo Instituto Moreira Salles (IMS), que acaba de doar o acervo para a universidade cearense. A maioria dos t\u00edtulos que ficar\u00e3o expostos traz dedicat\u00f3rias para a autora de <em><strong>O Quinze<\/strong><\/em>. Revirar os arquivos dela \u00e9 redescobrir <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong> <\/span>e conhecer palavras de nomes que v\u00e3o de Carlos Drummond de Andrade a J\u00f4 Soares.<\/p>\n<p>Grande amigo de <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong> <\/span>e um dos nomes mais recorrentes na cole\u00e7\u00e3o da escritora, Drummond evidencia em dedicat\u00f3ria escrita em 1973, as diferen\u00e7as pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas entre os dois. Em <em><strong>As impurezas do branco<\/strong><\/em>, obra em que o poeta fala das agruras da ditadura militar, o mineiro escreve: \u201c\u00c0 querida <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong><\/span>, pedindo-lhe olhos benevolentes para a avermelhada face de seu amigo sobrevivente do modernismo\u201d, escreveu, entre outras dedicat\u00f3rias que retratam a amizade deles em diferentes d\u00e9cadas. \u201cA <span style=\"color: #993366\"><strong>Raquel de Queiroz<\/strong><\/span> \u2013 para qu\u00ea adjetivos?\u201d, grafou o escritor em 1954 numa edi\u00e7\u00e3o de <em><strong>Fazendeiro do ar &amp; Poesia at\u00e9 agora<\/strong><\/em>. \u201cA <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel de Queiroz<\/strong><\/span>, n\u00e3o uma pedra no meio do caminho, mas um abra\u00e7o amigo do Carlos Drummond\u201d, pontuou em 1967. J\u00e1 em 1980, ele deixou mais um \u201cabra\u00e7o carinhoso\u201d para sua velha amiga.<\/p>\n<p>Entre outras preciosidades, o acervo guarda escritos do poeta M\u00e1rio Quintana, que antecipou de pr\u00f3prio punho para ela, ainda em 1980, um poema dele que s\u00f3 viria a ser publicado em 2005, nove anos ap\u00f3s a morte do escritor ga\u00facho. Na primeira p\u00e1gina daquela segunda edi\u00e7\u00e3o de <em><strong>Esconderijos do Tempo<\/strong><\/em> destinada \u00e0 cearense, M\u00e1rio adianta em confusa letra que passeia entre cursiva e de forma: \u201cEp\u00edgrafe para a 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o: um velho rel\u00f3gio de parede numa fotografia est\u00e1 parado?\u201d. Nessa publica\u00e7\u00e3o rara, ele revela ainda \u201cvelha admira\u00e7\u00e3o\u201d pela \u201cilustre acad\u00eamica e amiga\u201d, que fez hist\u00f3ria como a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras.<\/p>\n<div id=\"attachment_212\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-212\" class=\"size-large wp-image-212\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2016\/10\/rachel-de-queiroz-9-624x403.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"355\" \/><p id=\"caption-attachment-212\" class=\"wp-caption-text\">90 anos da escritora cearense Rachel de Queiroz, em sua casa no Leblon e na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro)<br \/>Foto: Cl\u00e1udio Lima \/ O POVO, em 05\/11\/2000<\/p><\/div>\n<p>Pelos muitos volumes do escritor Manuel Bandeira que estiveram nas prateleiras de <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong><\/span>, \u00e9 poss\u00edvel acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da amizade dos dois. De um livro para o outro um \u201ccordialmente\u201d se transforma em um \u201ccom muito amor\u201d. Em 1962, Manuel rabiscou at\u00e9 um poema para <strong><span style=\"color: #993366\">Rachel<\/span> <\/strong>e o ent\u00e3o marido dela, Oyama de Macedo. \u201cOyama ama. Quem ama Oyama? Ama <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong><\/span>. Quem ama a Oyama? Ora, <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong><\/span>! E quem mais ama <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong> <\/span>e Oyama? Ah, \u00e9 Manuel\u201d, escreveu o pernambucano em sua <strong><em>Antologia Po\u00e9tica<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>De <strong>Vilma Guimar\u00e3es Rosa<\/strong>, filha do autor de <strong><em>Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/em><\/strong>, <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong> <\/span>recebeu em dezembro de 1969 o livro <strong><em>Estas Est\u00f3rias<\/em><\/strong>. \u201cOfere\u00e7o, com o cora\u00e7\u00e3o cheio de saudade, este livro do meu inesquec\u00edvel Jo\u00e3o Papai\u201d, confidenciou Vilma, dois anos ap\u00f3s a morte do pai. J\u00e1 o pr\u00f3prio Guimar\u00e3es sempre se referia \u00e0 cearense, nas suas dedicat\u00f3rias,<br \/>\ncomo \u201cilimit\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>A vasta cole\u00e7\u00e3o inclui tamb\u00e9m o livro <em><strong>Cartas a Helo\u00edsa<\/strong><\/em>, escrita por Graciliano Ramos para a sua esposa. Com letra bonita \u2013 exce\u00e7\u00e3o em meio a tantas grafias pouco leg\u00edveis \u2013 a pr\u00f3pria Helo\u00edsa Medeiros Ramos escreve para <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong><\/span>, cujas palavras demonstram uma amizade antiga. J\u00e1 em <strong><em>O Calor das Coisas<\/em><\/strong>, destinada \u00e0 escritora em junho de 1980, a autora da obra, N\u00e9lida Pi\u00f1on, agradece: \u201c\u00c0 querida <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel de Queiroz<\/strong><\/span> com quem aprendi a primeira li\u00e7\u00e3o\u201d, se derrama a hoje imortal da Academia Brasileira de Letras.<\/p>\n<p>Outra face de <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong> <\/span>desnudada pelos livros \u00e9 o incentivo a autores n\u00e3o t\u00e3o conhecidos, como o pernambucano Haroldo Bruno. \u201cO <strong><em>Viajantes das nuvens<\/em><\/strong> s\u00f3 foi poss\u00edvel pelo decisivo sopro que voc\u00ea, escrevendo o pref\u00e1cio do livro, deu\u201d, gratifica Haroldo, se colocando como o \u201caprendiz de escritor\u201d em outubro de 1981. J\u00e1 Fernando Lobo, autor do livro infantil <strong><em>Um beija-flor mora na lua<\/em><\/strong>, enaltece, em 1994: \u201cQuerida <strong><span style=\"color: #993366\">Rachel<\/span><\/strong>, a apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor do que o livro\u201d, retribui \u00e0 autora que, na contracapa da obra, se dedicou a elogiar Fernando e a f\u00e1bula que ele se arriscou em escrever.<\/p>\n<div id=\"attachment_213\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-213\" class=\"size-large wp-image-213\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2016\/10\/rachel-de-queiroz-o-quinze-624x663.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"584\" \/><p id=\"caption-attachment-213\" class=\"wp-caption-text\">Na foto: Reprodu\u00e7\u00e3o de foto de Rachel de Queiroz<br \/>Foto: Evil\u00e1zio Bezerra, em 28\/03\/1996<\/p><\/div>\n<p>Seja por meio dos posicionamentos pol\u00edticos, dos intensos la\u00e7os de amizade ou pelo incentivo a outros autores, \u00e9 poss\u00edvel descobrir, nos livros que ela guardou, diversos e novos lados de <span style=\"color: #993366\"><strong>Rachel<\/strong><\/span>, inclusive, alguns mais humorados. A exemplo da dedicat\u00f3ria de J\u00f4 Soares, que ao presentear <strong><em>O homem que matou Get\u00falio Vargas<\/em><\/strong> para a escritora, brincou: \u201c<strong><span style=\"color: #993366\">Rachel<\/span><\/strong>, o livro fica em p\u00e9! Beijos gordos\u201d, dedicou, em refer\u00eancia ao tamanho da obra, que tem 344 p\u00e1ginas e se sustenta na prateleira. D\u00e1 at\u00e9 para imaginar a cearense sorrindo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renato Ab\u00ea (renatoabe@opovo.com.br) O Leituras da Bel\u00a0teve acesso ao acervo da autora de O Quinze, cujas obras estar\u00e3o dispon\u00edveis para o p\u00fablico a partir&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":212,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[80,177,859,986,1162,1164],"class_list":["post-666","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura-brasileira","tag-acervo","tag-biblioteca","tag-o-quinze","tag-rachel-de-queiroz","tag-unifor","tag-universidade-de-fortaleza"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=666"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}