{"id":6685,"date":"2019-08-12T06:00:42","date_gmt":"2019-08-12T09:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=6685"},"modified":"2019-08-10T19:35:51","modified_gmt":"2019-08-10T22:35:51","slug":"leia-cotovelos-feridos-producao-da-escritora-marilia-lovatel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2019\/08\/12\/leia-cotovelos-feridos-producao-da-escritora-marilia-lovatel\/","title":{"rendered":"Leia &#8220;Cotovelos feridos&#8221;, produ\u00e7\u00e3o da escritora Mar\u00edlia Lovatel"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mar\u00edlia Lovatel*<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_6686\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6686\" class=\"size-large wp-image-6686\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/jessica-gabrielle-lima-740x485.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"485\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/jessica-gabrielle-lima-740x485.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/jessica-gabrielle-lima-300x197.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/jessica-gabrielle-lima-768x504.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/jessica-gabrielle-lima-120x79.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/jessica-gabrielle-lima.jpg 1211w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-6686\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: J\u00e9ssica Gabrielle Lima<\/p><\/div>\n<p><strong>Cotovelos feridos<\/strong><\/p>\n<p>Fincados. Como se essas quinas \u2013 esquinas \u2013 do corpo pudessem dar o limite. Como se fossem capazes de conter a emo\u00e7\u00e3o diante do novo. Como se a agudeza do susto morasse nos cotovelos. Talvez a dor neles concentrada seja rea\u00e7\u00e3o, consequ\u00eancia do contato com o inesperado. Ou somente uma dor que presume, adivinha, antecipa e lateja entre o bra\u00e7o e o antebra\u00e7o. Surpresas exigem dos cotovelos. O de repente \u00e9 uma topada. Uma interrup\u00e7\u00e3o. Um entrave no percurso. Pode jogar algu\u00e9m no ch\u00e3o. Ou n\u00e3o. Pode ser apenas um descompasso. R\u00e1pido trope\u00e7o. O certo \u00e9 que nunca se sabe o que nos reservam as esquinas. E n\u00e3o tem jeito de chegar a elas sem fazer escolhas. A aresta de um lugar pergunta para onde voc\u00ea quer seguir. N\u00e3o h\u00e1 como fugir da resposta. Na esquina voc\u00ea est\u00e1 exposto. N\u00e3o h\u00e1 becos ou vielas a enveredar para ocultar o que trazemos nos olhos. Se a verdade est\u00e1 \u00e0 mesa, posta com duas ta\u00e7as de vinho tinto, resta fincar os cotovelos na t\u00e1vola, faz\u00ea-los \u00e2ncoras, acredit\u00e1-los \u00e9gides, ignor\u00e1-los fr\u00e1geis arrimos. Para n\u00e3o cair. N\u00e3o naufragar. N\u00e3o flutuar. Para o ch\u00e3o n\u00e3o se abrir bem debaixo dos p\u00e9s. Para se prender a uma menor por\u00e7\u00e3o de realidade, antes de mergulhar na aus\u00eancia de sentidos que justifica o indicador apontado seja em que dire\u00e7\u00e3o for. Qualquer uma serve para algu\u00e9m que se perde. E fincar cotovelos com for\u00e7a d\u00f3i. Deixa marcas. Fere a pele. Feridas duplas, de pares revelados, de se saber par, marcas parelhas, \u00e0 mostra nas humanas dobradi\u00e7as. Nada \u00e9 mais delator do que cotovelos vermelhos. S\u00e3o as provas vivas em carne. Confiss\u00f5es involunt\u00e1rias. S\u00e3o mais eloquentes do que um corpo despido em uma esquina. E nas esquinas n\u00e3o h\u00e1 esquivas. Como n\u00e3o h\u00e1 escusas para cotovelos machucados. Nem h\u00e1 como evit\u00e1-los. N\u00e3o se pode viver sem que um dia paremos na ponta do \u00e2ngulo para aprender sobre a nossa pr\u00f3pria fragilidade. Na esquina, descobre-se que n\u00e3o h\u00e1 caminho certo. Que todas as decis\u00f5es trazem o maravilhoso e o terr\u00edvel nelas embutidos. E s\u00f3 uma coisa \u00e9 pior do que fazer uma escolha \u00e0 esquina: findar a vida com os cotovelos intactos.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/tag\/marilia-lovatel\/\">Leia mais de Mar\u00edlia Lovatel!<\/a><\/strong><\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>Mar\u00edlia Lovatel<\/strong><br \/>\nMar\u00edlia Lovatel cursou letras na Uece e \u00e9 mestre em literatura pela UFC. \u00c9 professora da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Escrita Liter\u00e1ria no Centro Universit\u00e1rio Farias Brito. No intervalo de 6 anos publicou 10 livros infanto-juvenis, t\u00edtulos apresentados por Rachel de Queiroz, Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o, Ana Miranda, Ant\u00f4nio Torres e Socorro Acioli. Em 2019, lan\u00e7ou um livro de poemas e aforismos em parceria com Marcelo Peloggio. Duas vezes integrou o Cat\u00e1logo de Bolonha e foi finalista do Pr\u00eamio Jabuti 2017.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"8 LEITURAS PARA ENTENDER A LITERATURA DE FANTASIA | EPIS\u00d3DIO 01 - Letras&amp;Livros\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0hvLBHSF_MA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar\u00edlia Lovatel* Cotovelos feridos Fincados. Como se essas quinas \u2013 esquinas \u2013 do corpo pudessem dar o limite. 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