{"id":683,"date":"2017-03-24T13:51:08","date_gmt":"2017-03-24T16:51:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=683"},"modified":"2017-03-24T13:51:08","modified_gmt":"2017-03-24T16:51:08","slug":"leia-apresentacao-do-livro-transforme-isto-em-outra-coisa-de-naiana-gomes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/03\/24\/leia-apresentacao-do-livro-transforme-isto-em-outra-coisa-de-naiana-gomes\/","title":{"rendered":"Leia apresenta\u00e7\u00e3o do livro &#8216;Transforme isto em outra coisa&#8217;, de Naiana Gomes"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_684\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-684\" class=\"size-large wp-image-684\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/03\/Fernanda-Meireles-por-Floriza-Rios-Animasc\u00f3pio-53-min-624x400.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"353\" \/><p id=\"caption-attachment-684\" class=\"wp-caption-text\">Artista Fernanda Meireles. (Foto: Floriza Rios\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>O livro <em><span style=\"color: #0000ff\"><strong>Transforme isto em outra coisa<\/strong><\/span><\/em>, produ\u00e7\u00e3o da escritora <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Naiana Gomes<\/strong><\/span> sobre a trajet\u00f3ria da artista cearense<span style=\"color: #800080\"><strong> Fernanda Meireles<\/strong><\/span>, ser\u00e1 lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo s\u00e1bado, 1\u00ba de abril, no Centro Drag\u00e3o do Mar de Arte e Cultura, \u00e0s 17 horas. A entrada \u00e9 gratuita e a publica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 comercializado por R$ 80. O <span style=\"color: #cc99ff\"><strong>Leituras da Bel<\/strong> <\/span>publica na \u00edntegra a apresenta\u00e7\u00e3o do livro, escrita pela jornalista <span style=\"color: #00ccff\"><strong>Jana\u00edna Pinto<\/strong><\/span>. Leia a seguir:<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Guanabara, um domingo de dezembro em 2016. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Bravas pessoas desbravadoras das Cidades Solares,<\/strong><\/p>\n<p>Vez em quando \u2013 muitas vezes \u2013 vem o desejo de enxergar as coisas pelos olhos da <strong>Fernanda Meireles<\/strong>. Desconfio que n\u00e3o sou a \u00fanica pessoa a experimentar esse comich\u00e3o. O come\u00e7o da satisfa\u00e7\u00e3o dessa coceira-vontade, cuja realiza\u00e7\u00e3o seria imposs\u00edvel em condi\u00e7\u00f5es corriqueiras de temperatura e press\u00e3o, eu gozo sempre quando a encontro. \u00c9 uma de suas in\u00fameras alquimias: para (quase) ver as coisas como ela v\u00ea, basta receber dela um de seus caprichados abra\u00e7os.<\/p>\n<p>O que torna poss\u00edvel dizer que a primeira obra dela \u00e9 ela mesma: uma matriz de experimenta\u00e7\u00f5es e amorosidades urbanas. Em uma conversa madrugueira com o professor Tiago Coutinho, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que a Fernanda \u00e9 uma vida-obra. Adiciono por minha conta que \u00e9 uma vida-obra-casa. Sem paredes.<\/p>\n<p>O elemento casa \u00e9 talvez o que me seja mais sedutor. Atrav\u00e9s das obras da Fernanda Meireles, \u00e9 poss\u00edvel imaginar e viver Fortaleza como as Cidades Solares. \u00c9 uma inven\u00e7\u00e3o dela \u2013 realizada por cartas, zines e principalmente trajetos. Entretanto, depois de um tempo de conv\u00edvio com a vida-obra-casa, torna-se uma inven\u00e7\u00e3o nossa. Um pacto velado. Uma casa itinerante sem paredes no meio da cidade. Uma casa que \u00e9 (tamb\u00e9m) uma cidade.<\/p>\n<p>Diferente da cidade-aldeiota, as Cidades Solares desejam as periferias, as conversas libert\u00e1rias nos far\u00f3is aut\u00f4nomos, os encontros fora dos carros, as constru\u00e7\u00f5es para al\u00e9m dos c\u00e2nones. Portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar da Fernanda sem sair por a\u00ed catando invencionices que ela arteiramente poliniza pela Metr\u00f3pole estendida. Adesivo, zine, can\u00e7\u00e3o. Postal, carta, pixo, feira. Oficina, est\u00eancil, maleta, fotografia. Quadro, loja, rede, letras. Carona, rabisco, ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o as pequenas coisas, espalhadas pelo tempo-espa\u00e7o \u2013 e assim amontoadas na procura de um sentido delas \u2013 que come\u00e7am por revelar que a maneira mais eficaz de dar conta de <strong>Fernanda Meireles<\/strong> \u00e9 com um abra\u00e7o mesmo, porque s\u00e3o muitas as miudezas desse projeto de cidade. A porta de entrada da revolu\u00e7\u00e3o Cidades Solares \u00e9 o afeto.<\/p>\n<p>E <strong>Naiana Gomes<\/strong> \u00e9 a mulher das miudezas e dos abra\u00e7os \u00e0 cidade. A cada dois minutos, ela se encontra em frestas de edif\u00edcios, flores secas na cal\u00e7ada, estatuetas enlodadas, esbo\u00e7os de riso e sil\u00eancios. A mand\u00edbula chega a cair de espanto com a rua. Desde a <strong>Naiana<\/strong>, as descobertas rotineiras e citadinas s\u00e3o grandes ocasi\u00f5es: ela confia no sens\u00edvel.<\/p>\n<p>Tem um tempo que \u00e9 o da <strong>Naiana<\/strong>. Tem um espa\u00e7o que ela constr\u00f3i ao redor deste tempo, para proteg\u00ea-lo dos dissabores de uma sociedade desamparada por viadutos e shoppings. Ela o constr\u00f3i caminhando, pedalando e deixando-se permanecer ao ar livre e salobro.<\/p>\n<p><strong>A Naiana caminha, pedala e mergulha pela cidade.<\/strong><br \/>\n<strong>A Fernanda caminha, pedala e mergulha pela cidade.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 por essas e outras que as Cidades Solares existem.<\/strong><br \/>\n<strong>Lembra? \u00c9 um pacto.<\/strong><\/p>\n<p>Ent\u00e3o essas linhas da <strong>Naiana<\/strong> come\u00e7am como uma colet\u00e2nea amorosa de inobserv\u00e2ncias urbanas em torno da Fernanda, mas s\u00e3o bem mais. S\u00e3o uma carta de amor \u00e0 Fortaleza poss\u00edvel e ao desbunde de uma exist\u00eancia po\u00e9tica, afetuosa e combativa. A exist\u00eancia de uma artista que se doa com profundidade em cada peda\u00e7o espalhado de si.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso aprender a falar com estranhos\u201d \u00e9 um carimbo que a Meireles leva por onde passa, mas \u00e9 tamb\u00e9m um manifesto. \u201cTransforme isso em outra coisa\u201d \u00e9 outro dizer que ela carimba por a\u00ed, mas \u00e9, ainda mais, um modo de vida. A representa\u00e7\u00e3o de felicidade da Fernanda \u00e9 um rel\u00f3gio anal\u00f3gico sem ponteiros e isso s\u00e3o riscos no papel, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>Portanto, pode ser que a vida-obra-casa passe despercebida por algumas pessoas, que n\u00e3o conseguem discernir que, quando a Fernanda pedala, aquela \u00e9 uma casa sobre rodas. E \u00e9 tamb\u00e9m uma irm\u00e3 sobre rodas. Um manifesto, um modo de vida, uma vis\u00e3o de mundo. Isso jamais passaria alheio pelas bilas dos olhos da <strong>Naiana<\/strong>.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o deste livro, que li sem freio e cheia de sorriso, n\u00e3o poderia vir em hora mais urgente. Nossa obra \u00e9 nossa vida. Nossa luta \u00e9 nosso afeto. \u00c9 preciso lembrar sempre. Qual espa\u00e7o urbano criamos? Qual sociedade queremos? De onde me sento a contemplar, viver e amar as Cidades Solares, vejo essas duas menines como um corpo s\u00f3, uma fus\u00e3o de gargalhadas, bibliotecas, praias e ruas. Tremeluzentes construtoras de mem\u00f3rias e foguetes. Fortaleza, dentro, dan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro Transforme isto em outra coisa, produ\u00e7\u00e3o da escritora Naiana Gomes sobre a trajet\u00f3ria da artista cearense Fernanda Meireles, ser\u00e1 lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo s\u00e1bado,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":684,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[366,479,603,708,815,1136],"class_list":["post-683","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-dragao-do-mar","tag-fernanda-meireles","tag-janaina-pinto","tag-livro","tag-naiana-gomes","tag-transforme-isto-em-outra-coisa"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=683"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/683\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}