{"id":6927,"date":"2019-09-20T11:39:17","date_gmt":"2019-09-20T14:39:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=6927"},"modified":"2019-09-20T12:47:08","modified_gmt":"2019-09-20T15:47:08","slug":"playing-with-lights-leia-carta-13-producao-da-escritora-cearense-kami-girao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2019\/09\/20\/playing-with-lights-leia-carta-13-producao-da-escritora-cearense-kami-girao\/","title":{"rendered":"[playing with lights] Leia &#8220;carta 13&#8221;, produ\u00e7\u00e3o da escritora cearense Kami Gir\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>carta 13<\/strong><br \/>\n<strong>&#8212; Por Kami Gir\u00e3o<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_6998\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6998\" class=\"size-large wp-image-6998\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/09\/carta-13-kami-girao-escritora-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/09\/carta-13-kami-girao-escritora-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/09\/carta-13-kami-girao-escritora-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/09\/carta-13-kami-girao-escritora-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/09\/carta-13-kami-girao-escritora-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/09\/carta-13-kami-girao-escritora.jpg 1799w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-6998\" class=\"wp-caption-text\">[playing with lights] Foto de Kami Gir\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Foram meses complicados. Ainda sinto o corpo pesado daquela \u00e9poca, dif\u00edcil de carregar por a\u00ed. Meu joelho desgastado me lembra dos dias em que o est\u00f4mago estava sempre vazio de alguma coisa. Em contrapartida, eu esvaziava a carteira para preench\u00ea-lo com comida de aplicativo, mas o buraco s\u00f3 crescia e crescia. Virava sem fundo.<\/p>\n<p>Lembro, tamb\u00e9m, o estado do meu cabelo, que era resqu\u00edcio de uma cor rosa que eu n\u00e3o soube como cuidar. Estava sem brilho, ressecado, desbotando nas pontas e com uma cor irregular, porque nunca fui muito jeitosa para aplicar tinta nos fios. As olheiras bem vis\u00edveis no meu rosto surgiram naquele tempo, e at\u00e9 hoje acredito que foi resultado da rotina quase di\u00e1ria de choro que eu tinha. Uma vez, conversando com um amigo, comparei fotos do in\u00edcio do ano com as do fim, e fiquei assustada com o que estava vendo.<\/p>\n<p>Mas a lembran\u00e7a mais n\u00edtida \u00e9 de quando tive ci\u00eancia de que tudo estava desabando. Consigo me ver na pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o do shopping, cabulando aula para construir uma fanfic de um jogo que eu havia rec\u00e9m-descoberto. Foram muitas folhas e folhas de fich\u00e1rio, redigidas a caneta e de maneira quase espiritual. E depois desse \u00faltimo e amig\u00e1vel sopro, a chama enfim findou. Eu estava em uma caverna escura e \u00e0 minha pr\u00f3pria sorte de repente.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, me senti terreno est\u00e9ril. Dei murro em ponta de faca para recuperar a habilidade de escrever, de me sentir eu mesma, mas s\u00f3 tive frustra\u00e7\u00e3o como recompensa pelo esfor\u00e7o investido. De modo simb\u00f3lico, eu me sentia uma carne sem vida, que desaparecia no po\u00e7o de queda livre que surgira t\u00e3o inesperadamente em mim. E isso me motivava a tomar decis\u00f5es erradas, a confiar em pessoas erradas, a me destruir e destruir e destruir de diferentes formas.<\/p>\n<p>E foi assim, me sentindo t\u00e3o estranha dentro de mim, em um trabalho que me desrespeitava e sendo desprezada pela institui\u00e7\u00e3o que publicou o meu livro mais significativo, que tomei a corajosa decis\u00e3o de tirar uma foto dentro do mar. Foi na virada de ano, de 2017 para 2018, transi\u00e7\u00e3o essa que n\u00e3o aconteceu de forma tranquila. Havia aquela tristeza, aquele inc\u00f4modo, mas que pareceu me dar uma tr\u00e9gua rapidamente quando vi a lua cheia nas \u00faltimas horas de 2017. Existia mar, existia lua, existia m\u00fasica que tocava e que me fazia dan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 recentemente que entendi o que aconteceu naqueles dias, quando comecei a estudar o tar\u00f4. A <strong>carta<\/strong> <strong>13<\/strong>, \u201cLa Mort\u201d, apareceu para mim em um jogo naquele tempo. \u00c9 um dos arcanos mais temidos do baralho, considerado um dos piores e identificado pelo n\u00famero do azar. N\u00e3o estamos preparados para a visita dessa senhora quando ela resolve nos bater \u00e0 porta, seja literal ou simbolicamente. Mas se aceitamos bem a companhia dessa figura, n\u00e3o precisamos ter medo. Podemos, na verdade, aprender coisas importantes sobre in\u00edcios e fins de ciclos. Findar coisas \u00e9 parte do processo de viver.<\/p>\n<p>Ao olhar para a foto em que estou dentro da \u00e1gua, t\u00e3o esquisita e deslocada, consigo entender melhor o sentido da carta 13. E posso, sim, ver a mensagem positiva que ela pode trazer. Antes de ser registrada dentro do mar, eu costumava dizer que, se eu n\u00e3o conseguisse mais escrever, me sentiria morta. Nessa \u00e9poca, era assim que eu de fato me sentia, terreno inf\u00e9rtil para tudo, desprovida da criatividade para viver que sempre me acompanhou. Mas \u00e9 quando a carne morta vira adubo que um novo tipo de vida pode surgir. E os ciclos recome\u00e7am com a beleza que \u00e9 pr\u00f3pria deles.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<h2>Kami Gir\u00e3o<\/h2>\n<p>Nasceu em Fortaleza, Cear\u00e1. \u00c9 designer gr\u00e1fico, revisora, tripulante do CosmoNerd e pau para toda obra. Eterna estudante, mahou shoujo, escritora e, \u00e0s vezes, tira tar\u00f4. Gosta de perambular por a\u00ed com uma c\u00e2mera anal\u00f3gica de brinquedo que custou menos de trinta reais num site chin\u00eas. Pode cham\u00e1-la para papear sobre Boku no Hero, e voc\u00eas ser\u00e3o melhores amigos para sempre.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/tag\/kamile-girao\/\">Leia mais de Kami Gir\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Voc\u00ea tamb\u00e9m pode gostar de:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"AS ADAPTA\u00c7\u00d5ES MAIS MARCANTES DA LITERATURA DE FANTASIA |  EPIS\u00d3DIO 03 - Letras&amp;Livros\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0DIPVjy9gvk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>carta 13 &#8212; Por Kami Gir\u00e3o &nbsp; Foram meses complicados. Ainda sinto o corpo pesado daquela \u00e9poca, dif\u00edcil de carregar por a\u00ed. 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