{"id":7055,"date":"2019-10-01T12:04:10","date_gmt":"2019-10-01T15:04:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=7055"},"modified":"2019-10-01T12:04:10","modified_gmt":"2019-10-01T15:04:10","slug":"leia-o-tempo-que-as-alfazemas-duram-texto-de-marilia-lovatel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2019\/10\/01\/leia-o-tempo-que-as-alfazemas-duram-texto-de-marilia-lovatel\/","title":{"rendered":"Leia &#8220;O tempo que as alfazemas duram&#8221;, texto de Mar\u00edlia Lovatel"},"content":{"rendered":"<h3><strong>O tempo que as alfazemas duram<\/strong><br \/>\n&#8212; Mar\u00edlia Lovatel<\/h3>\n<div id=\"attachment_7056\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7056\" class=\"size-large wp-image-7056\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/10\/marilia-lovatel-antonio-lacarne-texto-740x740.jpeg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/10\/marilia-lovatel-antonio-lacarne-texto-740x740.jpeg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/10\/marilia-lovatel-antonio-lacarne-texto-150x150.jpeg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/10\/marilia-lovatel-antonio-lacarne-texto-300x300.jpeg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/10\/marilia-lovatel-antonio-lacarne-texto-768x768.jpeg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/10\/marilia-lovatel-antonio-lacarne-texto-120x120.jpeg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/10\/marilia-lovatel-antonio-lacarne-texto.jpeg 1280w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-7056\" class=\"wp-caption-text\">Arte de Ant\u00f4nio LaCarne<\/p><\/div>\n<p>Estava cego h\u00e1 duas semanas, quando me trouxeram os lilases. Suponho que alfazemas. Suponho que lil\u00e1s era a cor, algo na fronteira entre o azul e o roxo, novidade para mim. Um nome que cheirava a lil\u00e1s, gentileza posta pela vizinha na mesa de cabeceira. O m\u00e9dico em visita domiciliar me explicou que no hospital eu recebera todos os cuidados, nada mais cabia \u00e0 Medicina, restava deixar o tempo agir. N\u00e3o guardei lembran\u00e7a dos dias de interna\u00e7\u00e3o. Dias de escurid\u00e3o e da aus\u00eancia absoluta de cores em que acordei, logo ap\u00f3s o acidente. Mas me lembro do verde e do azul girando de m\u00e3os dadas numa ciranda veloz. Foi um mergulho na paisagem \u00e0 janela. Um instante de distra\u00e7\u00e3o, e eu fazia parte dela. Enquanto o mundo rodava, e eu n\u00e3o podia par\u00e1-lo, senti-me muito pequeno, tragado por uma das Nymph\u00e9as de Monet. Experimentei o sublime, belo e apavorante. At\u00e9 a ciranda cessar. E o vermelho foi a \u00faltima cor. Quente, viscosa. A vizinha \u2013 conhecida de cumprimentos de elevador \u2013 teve um surto de solidariedade. Compadeceu-se de minha situa\u00e7\u00e3o. Disse-me que morava sozinha e se prontificou a me auxiliar at\u00e9 a chegada de um parente que se deslocava de uma cidade distante de onde moro. Vinha da outra ponta do pa\u00eds. E vinha por terra, pois a considera\u00e7\u00e3o que me devotava n\u00e3o era maior do que seu medo de avi\u00e3o. Ela me serviu um copo de leite. O gosto da brancura na boca, descendo pela garganta at\u00e9 o est\u00f4mago. Imaginei o caminho do l\u00edquido morno nas entranhas. Estranha ocupa\u00e7\u00e3o essa de redescobrir as cores. E aprender seus nomes. Eu, que nunca soubera distingui-las muito bem, com exce\u00e7\u00e3o da paleta prim\u00e1ria, coloria meu vocabul\u00e1rio, exercitava os sin\u00f4nimos que cabem a uma mesma cor, como bege, creme, marfim, areia, gelo, nude \u2013 cores t\u00e1teis \u2013 e off white, express\u00e3o inglesa aprendida recentemente com a vizinha, ela que me falava sobre as cores. Eu via pelas palavras dela. N\u00e3o sente nada? Nadinha? N\u00e3o sinto nada do pesco\u00e7o para baixo. Era como cuidar de um morto \u2013 ela devia pensar. Eu falava, tossia, respirava. No mais, era um morto, que n\u00e3o se mexia e n\u00e3o enxergava. A vizinha fizera a c\u00f3pia da chave da porta da frente, para que pudesse entrar e administrar a medica\u00e7\u00e3o nos hor\u00e1rios prescritos na receita. De dia ou de madrugada, n\u00e3o havia atrasos. E tanta dedica\u00e7\u00e3o mereceu, no m\u00ednimo, um esfor\u00e7o para recordar seu rosto. A amn\u00e9sia sofrida no hospital podia t\u00ea-lo apagado da minha mem\u00f3ria. Ou talvez fosse um rosto t\u00e3o comum, t\u00e3o sem beleza, que eu nunca notara. N\u00e3o era bela. Com certeza n\u00e3o era. Ou eu me lembraria. Ou n\u00e3o. Tinha aquela hip\u00f3tese da amn\u00e9sia a considerar. Ent\u00e3o, notei que a mo\u00e7a prestativa e gentil tinha uma voz at\u00e9 bonita. Era bonita a voz. Tinha um tom de dignidade assim bem respeit\u00e1vel. A voz combinava com a sua devo\u00e7\u00e3o a mim, que n\u00e3o passava de um vizinho enfermo, combinava com a sua conduta e com as suas virtudes. Sim, porque a uma mulher como aquela n\u00e3o faltariam virtudes. Bela alma. Bela, portanto. E, se eu n\u00e3o lembrava, era culpa daquela estranha amn\u00e9sia. O cheiro da vizinha era bom. A sua chegada era sempre precedida de um perfume muito agrad\u00e1vel, delicada fragr\u00e2ncia, car\u00edcia ao olfato. Entrava no apartamento, antes que ela abrisse a porta. Quando o sentia, uma sensa\u00e7\u00e3o de prazer, cora\u00e7\u00e3o em festejo de batimentos. Passei a sonhar com ela. Acordava com a impress\u00e3o de ela em meus bra\u00e7os. E a\u00ed me dava conta da realidade, da minha impot\u00eancia. Se eu n\u00e3o me mexia, nada sentia, como poderia t\u00ea-la? Nem sequer podia v\u00ea-la. Mas eu a amava. Amava a sua voz, o seu cheiro e a sua presen\u00e7a. Amava a sua generosidade. Amava-a, porque cuidava de mim, me alimentava, me ensinava as cores. Precisava dela, porque a amava. Ou, amava-a, porque precisava dela. E se eu voltasse a sentir, a ver? E&#8230; Se n\u00e3o fosse bela? Preso a uma cama, preenchia o tempo com conjecturas, pensamentos loucos, conflitantes, que al\u00e9m de me roubarem a paz, em nada contribu\u00edam para a minha recupera\u00e7\u00e3o. E se eu nunca me recuperasse? E se ela se cansasse e me deixasse? E se ela j\u00e1 tivesse algu\u00e9m? Se ela era, de fato, bonita, certamente teria. Enchi-me de coragem para na visita seguinte lhe perguntar. Posso fazer uma pergunta pessoal? Pode. Voc\u00ea tem namorado? Isso faz diferen\u00e7a? N\u00e3o. Voc\u00ea disse que eu podia perguntar. A evasiva me deixou desajeitado. Sim. Mas n\u00e3o disse que iria responder. Ela riu da minha surpresa. Uma risada bonita. Tinha senso de humor. Com ou sem namorado, era uma mulher bela. E era muito boa para mim. Se era boa, era bela. Eu lera em algum lugar que a beleza estava ligada ao ajuizamento livre, desinteressado. \u201cBelo \u00e9 o que apraz universalmente sem conceito.\u201d Meu ju\u00edzo sobre a mo\u00e7a n\u00e3o era desinteressado. Ela era boa para mim. Mas nem por isso seria bela para os outros. Talvez fosse bela s\u00f3 para mim. Talvez, se pudesse v\u00ea-la, nem para mim. Lembrei-me do mito de Eros e Psiqu\u00ea, do matrim\u00f4nio consumado no escuro e desfeito \u00e0 luz de uma vela. A beleza da jovem, que desviava a aten\u00e7\u00e3o dos homens que j\u00e1 n\u00e3o veneravam Afrodite e lhe esvaziaram os altares, foi punida com uma paix\u00e3o maldita. Eros, filho de Afrodite, deveria lan\u00e7ar a maldi\u00e7\u00e3o em que Psiqu\u00ea amaria um monstro. Mas, ao encontr\u00e1-la adormecida, Eros se atrapalhou e acabou ele pr\u00f3prio apaixonado. Para n\u00e3o desobedecer \u00e0 m\u00e3e, contudo, escondeu a jovem num pal\u00e1cio espetacular, onde todos os desejos dela eram prontamente atendidos. E ali viveram em segredo t\u00e3o absoluto, que nem mesmo a esposa conhecia o rosto do marido. Ele advertira que a jovem nada fizesse, que n\u00e3o houvesse uma \u00fanica tentativa para v\u00ea-lo, que ela respeitasse seus motivos para n\u00e3o se revelar. Assim, ela provaria que seu amor era maior do que qualquer outro impulso. E, em retribui\u00e7\u00e3o \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o dos desejos dela, pedia somente que fosse amado e n\u00e3o temido ou adorado. Ap\u00f3s uma visita \u00e0 fam\u00edlia dela, a jovem foi convencida pelas irm\u00e3s invejosas de que corria grande perigo, casada provavelmente com um monstro que na noite se escondia. Vinha nas horas escuras e antes de amanhecer partia. E, na madrugada, com o cora\u00e7\u00e3o tomado de curiosidade, ela acendeu a vela para ver quem lhe dedicava amor t\u00e3o maravilhoso. Extasiada com a face do marido, a quem jurara amar n\u00e3o pela beleza, dessa vez o descuido foi dela que n\u00e3o percebeu a gota de cera que caiu no peito do esposo, acordado nesse susto. Decep\u00e7\u00e3o. A promessa fora quebrada. Eros abandona Psiqu\u00ea, que passa a vagar sozinha pelo mundo, experimentando os sofrimentos impostos por Afrodite. E muito embora a jovem lute para recuperar seu amor perdido, sucumbe \u00e0 morte, que a envolve nos tecidos de um sono profundo. Comovido, Eros recorre a Zeus e lhe implora miseric\u00f3rdia para um amor t\u00e3o infeliz. E Zeus concede a Eros que use uma de suas flechas para despertar a amada e transform\u00e1-la em imortal. Eros leva Psiqu\u00ea para morar no Olimpo e nunca mais se separam na representa\u00e7\u00e3o que une o amor e a alma. Esse mito em torno da beleza sempre me intrigou. A beleza ing\u00eanua de Psiqu\u00ea, b\u00ean\u00e7\u00e3o e maldi\u00e7\u00e3o. A beleza est\u00e9tica de Afrodite, a ocultar uma personalidade egoc\u00eantrica e vingativa. A beleza de Eros inseguro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 genuinidade do amor que lhe dedicavam. Enquanto recordava a hist\u00f3ria, eu me convencia a amar minha vizinha na escurid\u00e3o e na paralisia. Como se eu tamb\u00e9m fosse um esp\u00edrito aprisionado no m\u00e1rmore da escultura de minha prefer\u00eancia no Museu do Louvre, Eros e Psiqu\u00ea no instante que antecede o beijo. Mas fui surpreendido com a dor de um belisc\u00e3o na coxa direita. Uma rea\u00e7\u00e3o muscular, um espasmo, provavelmente meu corpo lutando para acordar do torpor. Aquilo me encheu de alegria. E se fosse, de fato, um belisc\u00e3o? A felicidade de voltar a sentir interrompida. A perplexidade da d\u00favida de que algu\u00e9m me beliscara. Um formigamento nas extremidades era a confirma\u00e7\u00e3o de que, aos poucos, eu retornava. Mas o belisc\u00e3o latejando me alertava sobre o sadismo de algu\u00e9m capaz de maltratar quem n\u00e3o podia se defender. Algu\u00e9m em quem eu confiava e que tinha acesso \u00e0 minha casa e ao meu corpo. Tem gente pra tudo nessa vida. Mas pensar que a vizinha seria capaz. Ou o m\u00e9dico, que fora t\u00e3o atencioso \u2013 ele fizera quest\u00e3o das visitas em casa e nem cobrara nada por isso \u2013 pensar nessas possibilidades era ainda pior que a dor do belisc\u00e3o. Concentrei-me na mancha roxa. Devia ser roxa. Roxo \u00e9 a cor de um hematoma. Imaginei se era \u00fanica, se haveria outras. H\u00e1 quanto tempo isso vinha acontecendo. Resolvi n\u00e3o divulgar os meus progressos sensitivos nem ao m\u00e9dico nem \u00e0 vizinha na visita seguinte. Ainda n\u00e3o sente nada? Nadinha. Quer um banho, aqui mesmo na cama? N\u00e3o precisa ter vergonha. J\u00e1 fiz antes. Decidi ver \u2013 for\u00e7a de express\u00e3o \u2013 at\u00e9 onde ela iria. Ouvi o ru\u00eddo da esponja sendo apertada para liberar o excesso de \u00e1gua na bacia. Invadiu minhas narinas o cheiro ardido do sabonete l\u00edquido. Um cheiro laranja. Ouvi o som da embalagem pl\u00e1stica sendo contra\u00edda sobre a esponja que ela come\u00e7ou a deslizar no meu corpo. Primeiro percorreu os bra\u00e7os dos ombros at\u00e9 as m\u00e3os. Voltou ao pesco\u00e7o. Passou a esponja de banho gentilmente no meu rosto. Depois se dedicou \u00e0s pernas. Na coxa direita, desviou da regi\u00e3o beliscada. Ela sabia. Sabia que eu era uma v\u00edtima. Ela era o algoz. Talvez n\u00e3o. \u00c9 prov\u00e1vel que eu estivesse cheio de hematomas, desde o acidente. Uns a mais nem se notaria. Se fosse o m\u00e9dico, saberia disfar\u00e7ar. Beliscaria onde j\u00e1 estava roxo. Quanto mais eu pensava, mais absurdos me ocorriam. Controlei-me para n\u00e3o revelar as c\u00f3cegas que senti quando a esponja chegou aos meus p\u00e9s. Ela continuava. Lentamente, me lavou o peito. A barriga. Com um cotonete, limpou as dobras do umbigo. N\u00e3o tinha um m\u00e9todo. A sequ\u00eancia n\u00e3o era l\u00f3gica. Ent\u00e3o, largou a esponja e manipulou o membro adormecido que acordou, liberando dourados, prateados, cores met\u00e1licas dan\u00e7aram em meus olhos. O que \u00e9 isso?! Voc\u00ea me enganou, disse que n\u00e3o sentia nada! Protestos de indigna\u00e7\u00e3o. Ela me xingou. Gritou comigo como se eu tivesse ficado surdo. Eu estava cego. Melhor at\u00e9 que estivesse surdo, para n\u00e3o ouvir a lista de palavr\u00f5es dirigidos a mim. Conclu\u00ed que ela estaria vermelha. De vergonha. De raiva. Ou dos dois sentimentos juntos, amalgamados em rubra fus\u00e3o. A cor do sangue pulsando nos vasos capilares, o vermelho corando as faces. Vermelho, a \u00faltima cor de que me lembrava bem. Meus dedos alcan\u00e7aram a toalha tateando o colch\u00e3o e, em seguida, me sentei na beirada da cama, os p\u00e9s firmes no ch\u00e3o. As m\u00e3os sobre os joelhos. E ri sozinho. Feliz por estar de volta. Nem a beleza que desmoronara atrapalhava a minha alegria. Foi nessa hora que voltei a enxergar. E a primeira imagem que distingui no borr\u00e3o foi o rosto dela, seus olhos arregalados de espanto e o vaso com as alfazemas murchas, desbotadas de sua cor, que ela levava embora. A segunda imagem foi tamb\u00e9m um rosto. Demorei muito? O tempo que as alfazemas duram.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<h2>Mar\u00edlia Lovatel<\/h2>\n<p>Mar\u00edlia Lovatel cursou letras na Uece e \u00e9 mestre em literatura pela UFC. \u00c9 professora da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Escrita Liter\u00e1ria no Centro Universit\u00e1rio Farias Brito. No intervalo de seis anos publicou dez livros infanto-juvenis, t\u00edtulos apresentados por Rachel de Queiroz, Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o, Ana Miranda, Ant\u00f4nio Torres e Socorro Acioli. Em 2019, lan\u00e7ou um livro de poemas e aforismos em parceria com Marcelo Peloggio. Duas vezes integrou o Cat\u00e1logo de Bolonha e foi finalista do Pr\u00eamio Jabuti 2017.<\/p>\n<h2>Ant\u00f4nio LaCarne<\/h2>\n<p>\u00c9 cearense, formado em Letras Ingl\u00eas pela Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC). Autor de Elefante-Rei: Poemas B (CBJE, 2009), Sal\u00e3o Chin\u00eas (Patu\u00e1, 2014); Todos os poemas s\u00e3o loucos (Gueto Editorial, 2017) e Exerc\u00edcios de fixa\u00e7\u00e3o (AR Publisher, 2018). Participou das antologias \u201cA pol\u00eamica vida do amor\u201d (Oito e meio, 2011) \u201cA nossos p\u00e9s\u201d (7Letras, 2017), \u201cGolpe: antologia-manifesto\u201d (Nosotros Editorial, 2017) e \u201cRotat\u00f3rias\u201d (Galeria Sem T\u00edtulo Arte, 2018).<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"AS ADAPTA\u00c7\u00d5ES MAIS MARCANTES DA LITERATURA DE FANTASIA |  EPIS\u00d3DIO 03 - Letras&amp;Livros\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0DIPVjy9gvk?start=4&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo que as alfazemas duram &#8212; Mar\u00edlia Lovatel Estava cego h\u00e1 duas semanas, quando me trouxeram os lilases. Suponho que alfazemas. 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