{"id":7075,"date":"2019-10-08T06:00:33","date_gmt":"2019-10-08T09:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=7075"},"modified":"2019-10-04T16:21:28","modified_gmt":"2019-10-04T19:21:28","slug":"leia-entrevista-com-ze-wellington-cearense-finalista-do-premio-jabuti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2019\/10\/08\/leia-entrevista-com-ze-wellington-cearense-finalista-do-premio-jabuti\/","title":{"rendered":"Leia entrevista com Z\u00e9 Wellington, cearense finalista do Pr\u00eamio Jabuti"},"content":{"rendered":"<p>Um cearense natural de Sobral est\u00e1 entre os finalistas do Pr\u00eamio Jabuti &#8211; maior honraria do mercado editorial brasileiro. Z\u00e9 Wellington &#8211; administrador, escritor e roteirista &#8211; concorre na categoria Hist\u00f3ria em Quadrinhos com uma obra t\u00e3o pol\u00eamica quanto arrojada: Canga\u00e7o Overdrive. Feita em parceria com Walter Geovani, tamb\u00e9m cearense e natural de Limoeiro do Norte, a HQ tem narra\u00e7\u00e3o em forma de cordel, batalhas cibern\u00e9ticas, elementos do canga\u00e7o e muita criatividade.<\/p>\n<div id=\"attachment_6812\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6812\" class=\"size-large wp-image-6812\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/Z\u00e9-Wellington-740x491.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"491\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/Z\u00e9-Wellington-740x491.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/Z\u00e9-Wellington-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/Z\u00e9-Wellington-768x510.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/Z\u00e9-Wellington-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2019\/08\/Z\u00e9-Wellington.jpg 957w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-6812\" class=\"wp-caption-text\">Z\u00e9 Wellington<\/p><\/div>\n<p>Z\u00e9 Wellington conversou com o Leituras da Bel sobre a produ\u00e7\u00e3o de quadrinhos brasileiros, as ferramentas para fomentar o mercado, e a import\u00e2ncia de estar inserido no Pr\u00eamio Jabuti. No dia 31 de outubro, quinta-feira, ser\u00e1 anunciada uma nova lista de finalistas do Pr\u00eamio Jabuti. Mais refinada, a nova sele\u00e7\u00e3o ter\u00e1 apenas cinco concorrentes para cada uma das dezenove categorias. O Cear\u00e1 tamb\u00e9m Luci Sacoleira e Osvaldo Costa Martins, que concorrem com o livro Antonino Peregrino. Os vencedores de cada uma das categorias ser\u00e3o conhecidos no fim de novembro.<\/p>\n<p><strong>Leituras da Bel &#8211; H\u00e1 uma velha discuss\u00e3o apontando que quadrinhos n\u00e3o s\u00e3o literatura. Voc\u00ea acredita que esses debates ainda se aplicam?<\/strong><\/p>\n<p>Z\u00e9 Wellington &#8211; Entendo que, em determinado momento da hist\u00f3ria dos quadrinhos, alguns autores tenham tentado associar os quadrinhos e a literatura como uma forma de valida\u00e7\u00e3o dos quadrinhos como linguagem tamb\u00e9m para adultos. Mas eu penso que quadrinhos n\u00e3o s\u00e3o literatura, mas uma forma de linguagem diferente e com possibilidades completamente novas. Temos influ\u00eancia da literatura &#8211; como temos do audiovisual e outras linguagens -, mas no geral compartilhamos com a literatura os espa\u00e7os de venda.<\/p>\n<p><strong>Leituras da Bel &#8211; Qual a import\u00e2ncia de ter uma categoria espec\u00edfica para as hist\u00f3rias em quadrinho dentro de um pr\u00eamio importante como o Jabuti?<\/strong><\/p>\n<p>Z\u00e9 Wellington &#8211; A categoria de quadrinhos no Jabuti foi resultado de uma articula\u00e7\u00e3o do meio, h\u00e1 alguns anos. Quadrinhos j\u00e1 eram indicados ao pr\u00eamio, mas em categorias como a de ilustra\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o abrangia adequadamente a produ\u00e7\u00e3o nacional. Fazer parte do pr\u00eamio, al\u00e9m de despertar a curiosidade de um p\u00fablico que n\u00e3o consome HQ, d\u00e1 visibilidade para uma s\u00e9rie de autores que vem pelejando num mercado de quadrinhos feitos por brasileiros que ainda carece de espa\u00e7os. Como eu j\u00e1 disse, compartilhamos alguns espa\u00e7os de venda com os \u201clivros de literatura\u201d, ent\u00e3o nada mais justo que fa\u00e7amos parte da maior festa editorial brasileira junto com eles.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LULA, AUTORES CEARENSES E OUTROS FINALISTAS DO PR\u00caMIO JABUTI\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GT4gBT_n200?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Leituras da Bel &#8211; Quais s\u00e3o as dificuldades para ser um artista residente no interior do Cear\u00e1? H\u00e1 resist\u00eancia na aceita\u00e7\u00e3o da tua obra?<\/strong><\/p>\n<p>Z\u00e9 Wellington &#8211; \u00c9 completamente diferente fazer arte no interior e numa capital. Da\u00ed voc\u00ea acrescenta mais alguns n\u00edveis de dificuldade quando vem para o interior do Nordeste. Estou longe da maioria dos eventos do meio, eventos dos quais meus colegas mais urbanos utilizam para fazer networking, vender seus livros etc. Estar na CCXP, o maior evento do meio que acontece em S\u00e3o Paulo, me demanda uma din\u00e2mica de investimento de tempo e de dinheiro que n\u00e3o est\u00e1 no gibi (com o perd\u00e3o do trocadilho). Percebo hoje que meus quadrinhos chegam bem longe especialmente pela parceria consolidada com a minha editora, Draco, que \u00e9 de S\u00e3o Paulo. Se eu estivesse sozinho, n\u00e3o sei se conseguiria ir t\u00e3o longe ou ser t\u00e3o lido. J\u00e1 houve uma \u00e9poca em que senti narizes torcendo quando viam que minha obra era de um autor nordestino. Felizmente, a cada obra lan\u00e7ada, sinto menos isso. Mas esse muro geogr\u00e1fico existe e atrapalha e muito o crescimento dos autores cearenses e nordestinos.<\/p>\n<h2>Z\u00e9 Wellington<\/h2>\n<p><strong>Leituras da Bel &#8211; Vamos falar sobre Canga\u00e7o Overdrive. De onde vem essa hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>Z\u00e9 Wellington &#8211; Veio primeiro de uma vontade de trabalhar com um grande amigo, que \u00e9 o Walter Geovani, uma amizade que cultivamos online por conta da dist\u00e2ncia entre Sobral e Limoeiro do Norte, nossas cidades. O Geovani me provocou com a ideia de trabalhar canga\u00e7o num quadrinho e eu o provoquei com ideia de fazer disso uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. No meio do processo, o pa\u00eds entrou num conturbado retrocesso pol\u00edtico e cultural. E o que era s\u00f3 uma vontade nossa de contar uma hist\u00f3ria se transformou num grito sobre o caminho para onde as coisas parecem estar indo. Dessa forma, chegamos a este quadrinho, onde uma comunidade esquecida resiste \u00e0s investidas de uma grande corpora\u00e7\u00e3o, enquanto dois personagens da mem\u00f3ria do lugar s\u00e3o revividos e precisam travar sua peleja final.<\/p>\n<p><strong>Leituras da Bel &#8211; O mercado editorial vive uma chamada &#8220;crise&#8221;. Mas os quadrinhos nunca pareceram t\u00e3o fortes e a comercializa\u00e7\u00e3o vive aquecida. O que os quadrinistas podem ensinar para os editores de grandes empresas e para os autores do circuito tradicional?<\/strong><\/p>\n<p>Z\u00e9 Wellington &#8211; H\u00e1 um certo aquecimento no mercado dos quadrinhos, que eu vejo ser muito impulsionado pelo interesse no meio geek que explodiu na \u00faltima d\u00e9cada &#8211; impulsionado principalmente pelo cinema. Quando a gente vem pro quadrinista brasileiro autoral, enxergo dois lados. O primeiro \u00e9 que estamos mesmo vivendo um grande momento de produ\u00e7\u00e3o, com muitos trabalhos sendo publicados, de diversos g\u00eaneros e para diversos p\u00fablicos. Mas h\u00e1 outro lado e ele ainda n\u00e3o \u00e9 o ideal: \u00e9 praticamente imposs\u00edvel viver s\u00f3 fazer quadrinhos. Nesse mercad\u00e3o gigante que vem surgindo, os brasileiros ainda t\u00eam que disputar com grandes empresas &#8211; e grandes marcas nacionais &#8211; sem uma estrutura adequada de canais de venda e distribui\u00e7\u00e3o. Uma ferramenta que tem sido importante para ajudar nesse segundo quadro s\u00e3o os financiamentos coletivos, um jeito do quadrinista chegar sem interm\u00e9dios ao seu p\u00fablico. E j\u00e1 vemos v\u00e1rias editoras, algumas com perfis razo\u00e1veis de tamanho, utilizando essa ferramenta, muito baseada na proximidade com a base de f\u00e3s.<\/p>\n<p><strong>Leituras da Bel &#8211; Os jovens podem ser seduzidos para a literatura atrav\u00e9s dos quadrinhos?<\/strong><\/p>\n<p>Z\u00e9 Wellington &#8211; Acho que os jovens podem ser seduzidos para a leitura pelos quadrinhos e da\u00ed partir para outros caminhos, um deles a literatura. Ou n\u00e3o. Embora eu seja um amante das duas linguagens, vejo os quadrinhos hoje como uma experi\u00eancia muito completa de entretenimento e tamb\u00e9m para indu\u00e7\u00e3o de um pensamento cr\u00edtico. Obras como Maus ou os quadrinhos do Will Eisner s\u00e3o t\u00e3o bons &#8211; ou melhores &#8211; do que muitos cl\u00e1ssicos da literatura.<\/p>\n<p><strong>Leituras da Bel &#8211; Como voc\u00ea come\u00e7ou a produzir quadrinhos? Tem planos para novas HQs em breve?<\/strong><\/p>\n<p>Z\u00e9 Wellington &#8211; Comecei no meio dos fanzines, h\u00e1 15 anos. Publiquei meu primeiro trabalho com editora quando estava completando minha primeira d\u00e9cada como criador. Sempre escrevi, principalmente literatura, e cheguei a dirigir um curta-metragem na \u00e1rea de audiovisual. Mas em determinado momento fiz uma experi\u00eancia com quadrinhos e fui sugado de uma forma pela linguagem que \u00e9 dif\u00edcil conciliar com projetos em outras linguagens hoje. Ainda para este ano vou lan\u00e7ar o segundo volume de um quadrinho que lancei em 2015, chamado \u201cSteampunk Ladies\u201d. E estou trabalhando numa adapta\u00e7\u00e3o para quadrinhos de \u201cLuzia-Homem\u201d, do Domingos Ol\u00edmpio, para ser lan\u00e7ada no primeiro semestre do ano que vem.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Voc\u00ea tamb\u00e9m pode gostar de:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LULA, AUTORES CEARENSES E OUTROS FINALISTAS DO PR\u00caMIO JABUTI\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GT4gBT_n200?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um cearense natural de Sobral est\u00e1 entre os finalistas do Pr\u00eamio Jabuti &#8211; maior honraria do mercado editorial brasileiro. 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