{"id":751,"date":"2017-04-16T23:26:31","date_gmt":"2017-04-17T02:26:31","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=751"},"modified":"2017-04-16T23:26:31","modified_gmt":"2017-04-17T02:26:31","slug":"um-cafe-com-valter-hugo-mae-na-confeitaria-sublime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/04\/16\/um-cafe-com-valter-hugo-mae-na-confeitaria-sublime\/","title":{"rendered":"Um caf\u00e9 com Valter Hugo M\u00e3e"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-753\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/04\/image-6-624x468.jpeg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Os integrantes do Clube de Leitura da Confeitaria Sublime tiveram um encontroespecial \u00a0com o escritor Valter Hugo M\u00e3e. Durante meses, eles realizaram campanha nas redes sociais convidando o autor de &#8220;A m\u00e1quina de fazer espanh\u00f3is&#8221; para um caf\u00e9! O escritor veio ao Cear\u00e1 para participar da XII Bienal Internacional do Livro, que segue at\u00e9 23 de abril no Centro de Eventos. \u00c9 a hist\u00f3ria \u00e9 narrada por Jo\u00e3o Paulo Matos, frequentador do clube e leitor ass\u00edduo de VHM. Confira!\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p>E por que n\u00e3o o sonhar junto, ent\u00e3o?<br \/>\n\u201cOs livros servem para unir as pessoas. Se n\u00e3o servirem para isso, ser\u00e3o eventualmente in\u00fateis\u201d, disse <strong><span style=\"color: #0000ff\">Valter Hugo<\/span><\/strong>, em sua primeira fala, na <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Bienal<\/strong><\/span>. E eis que seu <strong><em>O Filho de Mil Homens<\/em><\/strong>\u00a0cumprira a miss\u00e3o: compusera, com sua ternura, um encontro de almas, que compartilharam uma mesma puls\u00e3o, um pulsar, uma contempla\u00e7\u00e3o: perfilou-se ali um grupo que se encontrava na literatura e que, nela, se fazia adotar por aquele <span style=\"color: #0000ff\"><strong>M\u00e3e<\/strong><\/span>.<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nQuando da not\u00edcia da sua vinda por ocasi\u00e3o da <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Bienal<\/strong><\/span>, fez-se o sonhar junto &#8211; provavelmente ideia de Larissa, \u201cdoida e linda\u201d -, ent\u00e3o: por que n\u00e3o convidar <strong><span style=\"color: #0000ff\">Valter Hugo M\u00e3e<\/span><\/strong> para tomar um caf\u00e9 e prestigiar o <strong>Clube de Leitura<\/strong> que, mesmo inconscientemente, ajudou a desenhar?<\/p>\n<p>E, assim, come\u00e7ou-se o desenrolar: uma reuni\u00e3o, algumas fotos, postagens nas redes sociais dos integrantes, uma publica\u00e7\u00e3o no jornal, mais umas postagens, um dar-se por perdido. Por final, a resposta: ele viria.<\/p>\n<div id=\"attachment_744\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-744\" class=\"size-large wp-image-744\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/04\/image-2-624x352.jpeg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"310\" \/><p id=\"caption-attachment-744\" class=\"wp-caption-text\">Valter Hugo M\u00e3e e a mediadora Cleudene Arag\u00e3o durante o di\u00e1logo. (Foto: divulga\u00e7\u00e3o\/Secult)<\/p><\/div>\n<p>\u00c0 v\u00e9spera do encontro, a antecipa\u00e7\u00e3o: circulando pela <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Bienal<\/strong><\/span>, um <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Valter Hugo<\/strong><\/span> muito mais humano do que eu jamais imaginara. Sentou-se no ch\u00e3o, fez um boomerang &#8211; o primeiro de sua vida -, e brincou, como o velho amigo que era, mesmo sem o saber. E mostrou-se, tamb\u00e9m, surpreendentemente grato \u00e0quelas pessoas, n\u00e3o s\u00f3 pelos livros que encheriam um carro de m\u00e3o, mas sobretudo e tamb\u00e9m pelo afeto, que ele espelhava como um cristal. Afeto que ele retribuiu tornando-nos seus convidados pessoais \u00e0 fala que ocorreria logo mais.<\/p>\n<p>Neste momento, j\u00e1 se podia perceber o qu\u00e3o po\u00e9tico era seu falar. Ao descrever a forma como lidava com a solid\u00e3o e como precisara, desde sempre, das palavras para compor a aus\u00eancia, emocionou n\u00e3o s\u00f3 ao <strong>Clube de Leitura<\/strong> que acolhera, mas a todo um audit\u00f3rio lotado: os suspiros se faziam ouvir, como a tecer o ar um fio que unia a todos. Para al\u00e9m, a \u201ccrisostomiza\u00e7\u00e3o\u201d trouxe consigo, certamente, uma resposta aos anseios mais \u00edntimos daquelas pessoas. Um estado de gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do dia seguinte, o encontro. Tudo pronto. A espera cronometrada, uma apreens\u00e3o. E <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Valter Hugo M\u00e3e<\/strong><\/span> chega, numa simplicidade quase emudecedora, deixa a poltrona &#8211; mais vistosa &#8211; que lhe reserv\u00e1ramos para a amiga que o acompanhava. Todos se acomodam. Sobra um lugar, exatamente ao lado dele. Resto apenas eu, de p\u00e9. \u201cPor que voc\u00ea n\u00e3o quer sentar ao meu lado?\u201d. Um convite que n\u00e3o se poderia nunca negar. Uma emo\u00e7\u00e3o com que n\u00e3o sabia lidar.<\/p>\n<p>Havia toda uma s\u00e9rie de mimos que lhe hav\u00edamos preparado. Mas ele, mais uma vez, nos surpreende: traz consigo uma s\u00e9rie de ilustra\u00e7\u00f5es suas, uma para cada um, num envelope nominado. E, mais, presenteou a confeitaria, casa do <strong>Clube<\/strong>, com um enfeite de parede: uma andorinha portuguesa.<\/p>\n<div id=\"attachment_752\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-752\" class=\"size-large wp-image-752\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/04\/image-5-624x351.jpeg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-752\" class=\"wp-caption-text\">Presente recebido pelo Jo\u00e3o Paulo.<\/p><\/div>\n<p>E, da descontra\u00e7\u00e3o gerada, deu-se a poesia em forma de conversa. O <strong>escritor<\/strong> parece perpassado por uma falta &#8211; que tamb\u00e9m j\u00e1 havia matizado sua fala no dia anterior na <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Bienal<\/strong> <\/span>e se fez presente na sua conversa da tarde de domingo com Marcelino Freire -, que aparentemente tenta preencher com lirismo. \u00c9 assim ao falar do pai: \u201cA aus\u00eancia do morto \u00e9 muito diferente do simples n\u00e3o existir\u201d &#8211; ou algo assim, pois que, comovido como estava, n\u00e3o me conseguiria lembrar exatamente; ao falar dos amigos, para quem dedicara uma s\u00e9rie de poemas dos quais j\u00e1 n\u00e3o gosta mais tanto, pois que as pessoas lhe sa\u00edram da vida; ao falar da organiza\u00e7\u00e3o de sua casa, dos objetos que s\u00e3o presen\u00e7as, peda\u00e7os de algu\u00e9m &#8211; e, esperamos, dentre os quais haver\u00e1 agora um peda\u00e7o nosso, pretens\u00e3o demasiada, talvez. Perguntamo-lhe, tamb\u00e9m, como lhe tinha ocorrido a composi\u00e7\u00e3o de Cris\u00f3stomo. \u201cEu queria ser melhor\u201d. Essa foi basicamente a resposta: o personagem era uma esp\u00e9cie de lembran\u00e7a de tentativas de sempre ser melhor, de ser algo melhor para o mundo. Mal sabia ele que, al\u00e9m de fazer a si, estava fazendo a outros tantos muito melhores.<\/p>\n<p>Ao longo de sua fala, nos unia uma mesma express\u00e3o facial, que deixava transbordar &#8211; al\u00e9m de algumas l\u00e1grimas &#8211; o afeto ali gerado por aquela presen\u00e7a, por aquela vis\u00e3o de mundo compartilhada, por aquela empatia pela bondade, pelo outro, pelo deparar-se com o mundo e sair disso ainda crendo em algo. Todos est\u00e1vamos nitidamente emocionados. Ele, inclusive. Foi not\u00f3ria sua dor ao narrar o dilema vivenciado, quando dos \u00faltimos momentos em vida de Jos\u00e9 Saramago. Este lhe vinha pedindo que enviasse um exemplar de <em><strong>A M\u00e1quina de Fazer Espanh\u00f3is<\/strong><\/em>. \u201cOra, eu n\u00e3o poderia mandar para Saramago, aos 86 anos, j\u00e1 muito doente, um livro que falava de um senhor de 84 anos, muito doente, j\u00e1 morrendo, ou quase morrendo\u201d. E n\u00e3o enviou. Soube, posteriormente, por Pilar Del Rio, que, n\u00e3o obstante, A M\u00e1quina fora o \u00faltimo livro lido por Saramago, que, segundo ela, disse ter vivido um pouco mais para poder terminar a leitura. Penso que todos engolimos a\u00ed o mesmo n\u00f3.<\/p>\n<p>Obviamente, depois de ungidos pela presen\u00e7a po\u00e9tica de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Valter Hugo<\/strong><\/span>, fomos f\u00e3s. Tiramos &#8211; mais &#8211; fotos, autografamos pilhas de livros, fizemos mais boomerangs &#8211; sim, ele gostou muito disso. Sim, tomamos nosso caf\u00e9 tamb\u00e9m. E foi tudo surrealmente lindo. N\u00e3o, n\u00e3o foi. Ainda est\u00e1 sendo, a sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se dissipou. E, para al\u00e9m disso, restou a beleza do encontro, a certeza da busca pelo ser melhor, a gratid\u00e3o pela literatura como forma desse encontro poss\u00edvel, desse compartilhar de vozes.<span style=\"color: #0000ff\"><strong> Valter Hugo M\u00e3e<\/strong><\/span> n\u00e3o veio nos visitar. Ele na realidade j\u00e1 estava. Hoje foi uma constata\u00e7\u00e3o. Ele j\u00e1 estava. E permanecer\u00e1. Pois que, ent\u00e3o, sonho que se sonha junto \u00e9 realidade. Por que n\u00e3o?<\/p>\n<p>Texto de Jo\u00e3o Paulo Matos\/Especial para o <span style=\"color: #cc99ff\"><strong>Leituras da Bel<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os integrantes do Clube de Leitura da Confeitaria Sublime tiveram um encontroespecial \u00a0com o escritor Valter Hugo M\u00e3e. 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