{"id":7544,"date":"2020-03-30T16:30:39","date_gmt":"2020-03-30T19:30:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=7544"},"modified":"2020-03-30T16:40:03","modified_gmt":"2020-03-30T19:40:03","slug":"leia-o-bar-do-brasil-e-o-fagner-cronica-do-escritor-bruno-paulino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2020\/03\/30\/leia-o-bar-do-brasil-e-o-fagner-cronica-do-escritor-bruno-paulino\/","title":{"rendered":"Leia &#8220;O Bar do Brasil e o Fagner&#8221;, cr\u00f4nica do escritor Bruno Paulino"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Bruno Paulino*<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_7545\" style=\"width: 730px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7545\" class=\"size-full wp-image-7545\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2020\/03\/bar.jpeg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"572\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2020\/03\/bar.jpeg 720w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2020\/03\/bar-300x238.jpeg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2020\/03\/bar-120x95.jpeg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-7545\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Bruno Paulino<\/p><\/div>\n<p>O escritor Airton Monte disse certa vez numa cr\u00f4nica que <em>o cearense \u00e9 um animal que bebe<\/em>. \u00c9, de fato, o cearense um ser et\u00edlico por natureza. Em Quixeramobim, cidade do interior, na falta de outros entretenimentos como cinemas e shoppings, para passar o tempo, preferencialmente bebemos. E todo bo\u00eamio que se preze tem um bar preferido. O meu bar preferido no mundo inteiro \u00e9 o Bar do Brasil, lugar que tem a vista privilegiada de um dos pontos tur\u00edsticos mais bonitos da cidade, a centen\u00e1ria ponte met\u00e1lica. \u00c9 onde costumo passar quase que religiosamente minhas manh\u00e3s e tardes de s\u00e1bado.<\/p>\n<p>O Bar do Brasil \u00e9 tocado por Fernanda e seus familiares. D\u00e9, o principal atendente, pois n\u00e3o \u00e9 gar\u00e7om, tem o apelido de \u201cdelicado\u201d, pela sua nada simp\u00e1tica forma de atender. \u00c9 um Bar tradicional, ou bar \u201craiz\u201d como costumam dizer hoje. Tem uma \u201cbilharina\u201d e um longo balc\u00e3o de madeira. N\u00e3o tem maiores atrativos. O tira-gosto quase sempre \u00e9 artigo raro, e, \u00e0s vezes chega a faltar cerveja \u2013 quando isso acontece os papudinhos mais ass\u00edduos compram o precioso liquido noutro estabelecimento e levam para beber l\u00e1, tudo pelo prazer de estarem ali reunidos conversando <em>miolo de pote<\/em> ou coisa s\u00e9ria.<\/p>\n<p>No Bar do Brasil se debate sobre qualquer coisa: das banalidades do cotidiano da cidade \u00e0 filosofia de Marx e Hegel. Embora a banalidade quase sempre ganhe da filosofia nesse aspecto. Sempre rola uma festa de vinil ou discotecagem nas noites do fim de semana ou v\u00e9spera de feriado. E nos s\u00e1bados pela manh\u00e3 o prof. Neto Camorim costuma montar um sebo liter\u00e1rio. O ambiente \u00e9 frequentado por professores, advogados, oper\u00e1rios, artistas, artes\u00f5es, radialistas, desocupados, porteiros, chapeados, transeuntes, anarquistas, rebeldes com e sem causa, vendedores ambulantes, psic\u00f3logos, intelectuais, pseudo-intelectuais, e claro, por cachaceiros profissionais. Felizmente, a presen\u00e7a feminina \u00e9 tanto quanto a masculina.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que o Bar do Brasil \u00e9 hoje uma esp\u00e9cie de patrim\u00f4nio imaterial da cidade, pois \u00e9 de l\u00e1 que se pensa e se organizam as principais a\u00e7\u00f5es culturais de Quixeramobim, e onde \u2013 num pacto de resist\u00eancia \u2013 ainda \u00e9 poss\u00edvel beber ouvindo boa m\u00fasica. Num breve hist\u00f3rico: antes de ser Bar do Brasil, o lugar abrigou o \u201cBar do Gen\u00e9sio\u201d e recebia basicamente trabalhadores informais que vindo da lida no fim do dia, na volta para casa \u201cno outro lado do rio\u201d, paravam ali para tomar umas e jogar na \u201cbilharina\u201d. O Gen\u00e9sio se aposentou e depois foi o \u201cBar da Dona Rita\u201d que tomou ponto. \u00c9 na gest\u00e3o da dona Rita que o bar come\u00e7a a ser frequentado por uma turma de jovens em busca de um espa\u00e7o alternativo de socializa\u00e7\u00e3o. E por \u00faltimo, ficou o Bar do Brasil que abriga essa diversidade toda que j\u00e1 citei. E nisso se faz incalcul\u00e1vel a quantidade de anedotas e causos oriundos do bar, coisa que daria um livro facilmente.<\/p>\n<p>Assim sendo, uma das hist\u00f3rias mais conhecidas do recinto \u00e9 de quando apagaram o Fagner. Explico. Quase todo mundo, cerca 99,9% dos frequentadores do local \u00e9 de esquerda. O bar em sua faixada tem a pintura destacada dos principiais artistas do movimento musical \u201cPessoal do Cear\u00e1\u201d, a galera que costumamos ouvir com mais frequ\u00eancia: Amelinha, Ednardo, Fausto Nilo, Belchior e o Fagner. Eis que durante a campanha presidencial de 2018, o cantor de \u201cborbulhas de amor\u201d declarou voto \u201cnaquele que n\u00e3o deve ser nomeado\u201d. N\u00e3o deu outra, no mesmo dia a turma apagou a pintura do Fagner da faixada com insultos que prefiro n\u00e3o publicar.<\/p>\n<p>Mas, enfim, \u00e9 como cantou nosso poeta maior, Fausto Nilo, na m\u00fasica Quixeramobim: eu acho gra\u00e7a \u00e9 da cacha\u00e7a que voc\u00ea me deu&#8230;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>Bruno Paulino<\/strong><br \/>\n\u00c9 cronista e aprendiz de passarinho<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>https:\/\/open.spotify.com\/episode\/3KGjfLo9fxb7jhk93g32Iy<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Paulino* O escritor Airton Monte disse certa vez numa cr\u00f4nica que o cearense \u00e9 um animal que bebe. \u00c9, de fato, o cearense&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":105,"featured_media":7545,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[2075,1509,325,429,688,1971,1544],"class_list":["post-7544","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica","tag-bar-do-brasil","tag-bruno-paulino","tag-cronista","tag-escritor","tag-literatura-cearense","tag-quixada","tag-quixeramobim"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/105"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7544"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7544\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7547,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7544\/revisions\/7547"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7545"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}