{"id":758,"date":"2017-04-19T06:00:41","date_gmt":"2017-04-19T09:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=758"},"modified":"2017-04-19T06:00:41","modified_gmt":"2017-04-19T09:00:41","slug":"leituras-da-bel-entrevista-escritora-conceicao-evaristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/04\/19\/leituras-da-bel-entrevista-escritora-conceicao-evaristo\/","title":{"rendered":"Leituras da Bel entrevista: Concei\u00e7\u00e3o Evaristo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_757\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-757\" class=\"size-large wp-image-757\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/04\/Concei\u00e7\u00e3o-Evaristo.-Foto.-Joyce-Fonseca-1-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" \/><p id=\"caption-attachment-757\" class=\"wp-caption-text\">Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, escritora. (Foto: Joyce Fonseca\/divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>A for\u00e7a que move <span style=\"color: #ff00ff\"><strong>Concei\u00e7\u00e3o Evaristo<\/strong><\/span> \u00e9 coletiva. Escritora de 70 anos, ela passou a inf\u00e2ncia rodeada por hist\u00f3rias e pela palavra falada. Da inf\u00e2ncia pobre em Belo Horizonte, trouxe a certeza de que n\u00e3o queria repetir o caminho das outras mulheres da fam\u00edlia. N\u00e3o seria faxineira ou cozinheira. Seria professora. E foi. Entrou no curso normal, na faculdade de Letras, no mestrado e no doutorado. O poder da palavra, entretanto, se manifestava n\u00e3o apenas nos estudos de teoria liter\u00e1ria, mas tamb\u00e9m nas densas narrativas constru\u00eddas por <span style=\"color: #ff00ff\"><strong>Concei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span>. Foram necess\u00e1rios 20 anos para que o primeiro livro fosse impresso. Depois disso, o sucesso. A mineira radicada no Rio de Janeiro \u00e9 uma das mais not\u00f3rias escritoras brasileiras vivas. Coleciona pr\u00eamios, leitores e convites para eventos. A literatura, entretanto, n\u00e3o lhe garante a sobreviv\u00eancia financeira. \u00c9 com a aposentadoria de professora que leva a vida. Concei\u00e7\u00e3o estreou na<span style=\"color: #ff0000\"><strong> XII Bienal Internacional do Livro do Cear\u00e1<\/strong><\/span>\u00a0na ter\u00e7a-feira, 18. Ao longo da semana, ter\u00e1 mais dois momentos de encontro com o p\u00fablico cearense. Com o<span style=\"color: #cc99ff\"><strong> Leituras da Bel<\/strong><\/span>, a escritora conversou sobre leitura, escrita, representatividade e pot\u00eancia coletiva. Ela acredita que, se existe uma Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, existem outras intelectuais negras afiadas para ocupar seus lugares de fala. \u201cNesse processo hist\u00f3rico, n\u00f3s n\u00e3o podemos perder de vista que as nossas conquistas t\u00eam que ser coletivas. Se forem individuais, a gente dan\u00e7a na primeira esquina\u201d, ensina.<!--more--><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\">Leituras da Bel<\/span>\u00a0<\/strong>&#8211; <strong>Hoje, a senhora \u00e9 uma escritora respeitada nos c\u00edrculos liter\u00e1rios. Mas demorou 20 anos at\u00e9 publicar o primeiro livro. Por qual raz\u00e3o aconteceu essa demora?<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o Evaristo &#8211;<\/strong> Para mim, essa demora tem muito a ver com o imagin\u00e1rio que se tem em rela\u00e7\u00e3o a mulher negra brasileira. E tamb\u00e9m pela minha origem de classes populares. Tudo se torna muito mais dif\u00edcil. Voc\u00ea n\u00e3o tem apadrinhamento. Voc\u00ea n\u00e3o conhece os grandes editores. Eu fiz tentativas. Umas tr\u00eas ou quatro tentativas de publicar. Tive a impress\u00e3o de que o trabalho chegava e n\u00e3o era nem aberto. Me devolviam sem muitas explica\u00e7\u00f5es. Isso tudo contribuiu para a grande demora, para conseguir publicar. Minhas publica\u00e7\u00f5es s\u00f3 foram acontecer quando eu comecei a publicar com o Quilombhoje, um grupo de S\u00e3o Paulo, de escritores afro-brasileiros. \u00c9 um sistema de cooperativa. Ent\u00e3o, cada um colabora e publica. Mas foi primeiro pelo Quilombhoje.<\/p>\n<p><span style=\"color: #cc99ff\"><strong> Leituras da Bel<\/strong><\/span> <strong>&#8211; A senhora n\u00e3o nasceu rodeada de livros, mas nasceu rodeada de palavras. Como foi sua rela\u00e7\u00e3o com a literatura na inf\u00e2ncia?<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> Eu cresci escutando hist\u00f3rias. Tanto hist\u00f3rias relativas aos africanos e seus descendentes escravizados no Brasil como hist\u00f3rias do cotidiano. L\u00e1 em casa minha fam\u00edlia tem o dom da palavra. Se for contar um fato, um fato corriqueiro, um fato do dia a dia&#8230; o fato vira uma hist\u00f3ria! \u00c9 muito caracter\u00edstico das culturas oralizadas. \u201cQuem conta um conto aumenta um ponto\u201d. Eu cresci seduzida pelos jogos de palavras. Tive a felicidade de conviver com o marido da minha tia, ele era praticamente um gri\u00f4. Se ele ia contar uma hist\u00f3ria que o sujeito trope\u00e7ou e caiu, ele trope\u00e7ava e caia no ch\u00e3o. Eu tive essa riqueza. Minha m\u00e3e sempre contava hist\u00f3rias pra gente. Minha m\u00e3e fazia bonecas de pano pra gente e, enquanto costurava, ia criando hist\u00f3rias para a boneca. Eu tive a felicidade da conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias.<\/p>\n<div id=\"attachment_17\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17\" class=\"size-large wp-image-17\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2016\/07\/conceicao-evaristo-autores-negros-flip-2016-624x415.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" \/><p id=\"caption-attachment-17\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Marcello Casal Jr\/Ag\u00eancia Brasil<\/p><\/div>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\"> Leituras da Bel<\/span> &#8211; Esse processo se perpetua na escola?<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> E quando eu entro pro prim\u00e1rio a coisa muda, pois j\u00e1 \u00e9 a hist\u00f3ria escrita, mas fico embevecida tamb\u00e9m. E vem tamb\u00e9m o meu prazer e a minha curiosidade pela leitura. Depois, em um dado momento, uma das minhas tias vai ser servente numa biblioteca p\u00fablica de Belo Horizonte. Eu digo que nesse momento ganhei uma biblioteca. Eu tinha livre tr\u00e2nsito para entrar e sair. Afinal, minha tia era funcion\u00e1ria. E tamb\u00e9m toda a minha juventude passo sem televis\u00e3o. Era um objeto raro. Tinha televis\u00e3o quem era rico, pessoas de posses. Isso me levava para a leitura. Me levou para a leitura. Meu tempo de lazer era a leitura. E sempre permeada pela fala. A minha literatura tem origem na oralidade da cultura afro-brasileira.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\"> Leituras da Bel<\/span> &#8211; Mas nem todas as crian\u00e7as brasileiras t\u00eam esse contato com as palavras&#8230;<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> A gente tem que pensar tanto a escrita quanto a leitura que s\u00e3o produtos culturais que deveriam estar a alcance de todos. As pessoas todas deveriam ter essa possibilidade de escrever, essa possibilidade de ler. Independente de virarem ou de serem escritores. O exerc\u00edcio da leitura e da escrita deveria ser como direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, saneamento b\u00e1sico. A escrita e a leitura deveriam ser de valia, de perten\u00e7a, de todos n\u00f3s. E n\u00e3o s\u00f3 de determinadas classes sociais.<\/p>\n<p><span style=\"color: #cc99ff\"><strong> Leituras da Bel<\/strong> <\/span><strong>&#8211; Hoje, a mulher negra brasileira tem o que comemorar?<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> Eu acho que n\u00f3s temos de comemorar, sim. Pois n\u00e3o podemos perder o processo hist\u00f3rico. As poucas oportunidades que n\u00f3s temos tido, eu acho que vale comemora\u00e7\u00e3o, sim. At\u00e9 por uma quest\u00e3o de alimentar o nosso emocional e perceber o tanto que n\u00f3s constru\u00edmos. Nada disso nos chegou de gra\u00e7a. N\u00f3s temos direito as comemora\u00e7\u00f5es, sim. Mas sem perder de vista que o que nos chegou ainda \u00e9 muito pouco diante da nossa luta, diante do que a gente merece, diante das injusti\u00e7as que nos s\u00e3o feitas e das injusti\u00e7as que n\u00f3s sofremos no cotidiano.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\"> Leituras da Bel<\/span>\u00a0&#8211; Injusti\u00e7as hist\u00f3ricas tamb\u00e9m\u2026.<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> Tamb\u00e9m! Acho que se comemora, mas n\u00e3o podemos achar que chegamos ao topo. N\u00e3o chegamos mesmo. A gente ainda tem muito e muito que buscar e o que conquistar.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\"> Leituras da Bel<\/span> &#8211; Durante a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (Flip), a senhora fez coro com outros intelectuais e questionou a presen\u00e7a recorrente de grupos espec\u00edficos nas mesas principais, enquanto os autores negros permaneciam em programa\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias. Essa mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 importante?<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> N\u00f3s n\u00e3o podemos perder de vista esse processo hist\u00f3rico que vivemos para abrir as portas. \u00c9 um processo que tem que acontecer no coletivo. N\u00e3o podemos sustentar com as conquistas pessoais. E quando eu falo desse processo no coletivo, porque, a visibilidade que eu tive dentro da Flip em uma mesa paralela organizada pelo Ita\u00fa, que eu fui convidada, naquele momento eu estava muito sustentada, e estou sustentada, pelo discurso de Giovana Xavier. Uma historiadora negra da (Universidade) Federal do Rio de Janeiro. Quando ela soube da aus\u00eancia de escritores negros na Flip, ela redigiu uma esp\u00e9cie de manifesto que denominou \u201cArrai\u00e1 da Branquidade\u201d. Esse manifesto rodou pelas m\u00eddias sociais. E quando eu chego na Flip, um jornalista que tinha lido esse manifesto, me pergunta se eu sou autora. Eu digo que a autoria n\u00e3o \u00e9 minha, que \u00e9 de Giovana, mas eu assino embaixo. Ent\u00e3o, a partir disso, eles come\u00e7am a me questionar. E eu tenho a oportunidade de enfatizar, de fazer coro, de concordar e de basear minha fala na fala de Giovana. O que eu quero dizer? A for\u00e7a da fala coletiva de mulheres negras. A base da minha fala j\u00e1 tinha sido constru\u00edda pelas argumenta\u00e7\u00f5es de Giovana. Nesse processo hist\u00f3rico, n\u00f3s n\u00e3o podemos perder de vista que as nossas conquistas t\u00eam que ser coletivas. Se forem individuais, a gente dan\u00e7a na primeira esquina.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\"> Leituras da Bel<\/span> &#8211; Mas h\u00e1 espa\u00e7o, acad\u00eamicos e profissionais, que continuam sendo ocupados majoritariamente por homens brancos de classe m\u00e9dia. Como ter outras representa\u00e7\u00f5es nesses espa\u00e7os profissionais?<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> Eu acredito que, como j\u00e1 disse, nada pra gente vem de gra\u00e7a. Tudo \u00e9 com luta muito \u00e1rdua. Esses espa\u00e7os nunca ser\u00e3o abertos com boa vontade. N\u00f3s temos que for\u00e7ar a barra mesmo e ter consci\u00eancia de que quem vai abrir esses espa\u00e7os somos n\u00f3s mesmos. O pr\u00f3prio espa\u00e7o da literatura. Est\u00e1vamos falando antes da falta de representatividade nossa em grandes eventos liter\u00e1rios. Isso \u00e9 muito recente. A presen\u00e7a de escritores e escritoras negras em grandes espa\u00e7os liter\u00e1rios. Acredito que agora comece a mudar, a partir de muitas reivindica\u00e7\u00f5es nossas. O quadro tende a mudar. N\u00f3s estamos presentes, n\u00f3s vamos l\u00e1. Mesmo quando n\u00e3o teve esse convite oficial para a \u00faltima Flip, mas tinha uma representatividade negra l\u00e1 buscando, questionando. Eu acho que o tempo todo temos de estar nessa luta mesmo. Se a gente n\u00e3o se pronunciar, a tentativa \u00e9 realmente de nos esquecer. Eu acho que pode mudar, mas muito a partir das nossas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\"> Leituras da Bel &#8211;<\/span> A escrita como profiss\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel no Brasil?<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> A gente pode contar nos dedos quem hoje no Brasil vive da escrita. E, claro, para escritoras e escritores oriundos das classes populares, isso se torna mais dif\u00edcil ainda. Na verdade, a literatura, at\u00e9 agora para mim, s\u00f3 muito recentemente, veio em termos financeiros. Muito recentemente \u00e9 que eu tenho alguma devolu\u00e7\u00e3o. Pois na maioria das vezes \u00e9 um investimento. Mas \u00e9 poss\u00edvel se voc\u00ea tem uma certa organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel. Quando eu falo dessa possibilidade tamb\u00e9m, nota que voc\u00ea est\u00e1 falando com uma escritora de 70 anos. \u00c9 um longo processo hist\u00f3rico, pessoal, para chegar at\u00e9 aqui. E eu n\u00e3o sobrevivo da literatura. Eu sou professora aposentada. \u00c9 disso que tiro a minha sobreviv\u00eancia, e n\u00e3o da literatura. Claro que hoje sou chamada para uma palestra, tem um pr\u00f3-labore, se eu vendo uma quantidade maior de livros, se meus livros s\u00e3o indicados para o vestibular&#8230; \u00c9 poss\u00edvel ter algum retorno nesses casos. Mas voc\u00ea n\u00e3o pode viver da ilus\u00e3o, pelo menos para mim, que a literatura vai ser o ganha p\u00e3o. N\u00e3o vai ser a fonte de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\">Leituras da Bel<\/span>\u00a0&#8211; N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a senhora vem para a Bienal, que foi reformulada nesta edi\u00e7\u00e3o. O que a senhora espera do evento e do seu reencontro com Fortaleza?<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> Eu me lembro de quando fui. Muito bem recebida. N\u00e3o tenho d\u00favida que serei bem recebida novamente. Eu espero, o que tenho dito em outros espa\u00e7os, que a minha presen\u00e7a em Fortaleza sirva tamb\u00e9m para chamar aten\u00e7\u00e3o de que existem outras mulheres negras escrevendo. N\u00f3s temos uma s\u00e9rie de escritoras que est\u00e3o produzindo, tanto no campo literatura quanto no campo da cr\u00edtica, no campo da educa\u00e7\u00e3o e no campo da hist\u00f3ria. N\u00f3s temos um grupo bom de intelectuais negras. Meninas jovens, mas comprometidas com suas pesquisas e com suas cria\u00e7\u00f5es. Na literatura, no cinema, no teatro. Espero que cada lugar que eu passe desperte essa curiosidade, essa procura no p\u00fablico: se existe uma Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, ent\u00e3o, existem outras escritoras tamb\u00e9m. Eu espero muito isso. Que as pessoas, que a minha imagem possa contribuir para a afirma\u00e7\u00e3o de outros lugares para as mulheres negras, que a gente possa no cotidiano romper com esse imagin\u00e1rio de que as mulheres negras est\u00e3o s\u00f3 no lugar da subalternidade.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\n<strong>Concei\u00e7\u00e3o Evaristo em di\u00e1logo com Kiusam de Oliveira: Pessoas que transformam vida em palavras que d\u00e3o vida<\/strong><br \/>\nQuando: quinta-feira, 20, \u00e0s 20 horas<br \/>\nOnde: Sala Moreira Campos (Sala 1 \u2013 Mezanino 2)<\/p>\n<p><strong>Encontro Oralidades &amp; Escritas em L\u00edngua Portuguesa:<\/strong> Apresenta\u00e7\u00e3o do Grupo P\u00e9rolas do \u00cdndico &#8211; Dan\u00e7a Marrabenta (Mo\u00e7ambique). Mulheres na Literatura: territorialidade e resist\u00eancia: Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, Moema Augel e Rita Chaves<br \/>\nQuando: sexta-feira, 21, \u00e0s 18 horas<br \/>\nOnde: Sala Jos\u00e9 de Alencar (Sala 2 \u2013 Mezanino 2)<\/p>\n<p><strong>Veja mais<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/saraus-e-poesia-na-xii-bienal-internacional-do-livro-do-ceara\/\">Saraus e poesias prometem agitar a programa\u00e7\u00e3o da Bienal<\/a><\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/bienaldolivro.cultura.ce.gov.br\">Veja a programa\u00e7\u00e3o completa da Bienal<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A for\u00e7a que move Concei\u00e7\u00e3o Evaristo \u00e9 coletiva. Escritora de 70 anos, ela passou a inf\u00e2ncia rodeada por hist\u00f3rias e pela palavra falada. 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