{"id":771,"date":"2017-04-22T06:00:33","date_gmt":"2017-04-22T09:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=771"},"modified":"2017-04-22T06:00:33","modified_gmt":"2017-04-22T09:00:33","slug":"leituras-da-bel-entrevista-escritor-daniel-galera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/04\/22\/leituras-da-bel-entrevista-escritor-daniel-galera\/","title":{"rendered":"Leituras da Bel entrevista: escritor Daniel Galera"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_303\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-303\" class=\"size-large wp-image-303\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2016\/10\/daniel-galera-escritor-bienal-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" \/><p id=\"caption-attachment-303\" class=\"wp-caption-text\">Daniel Galera, escritor (Foto: divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>Um dos nomes mais fortes da nova gera\u00e7\u00e3o de escritores brasileiros, <strong>Daniel Galera<\/strong> integra programa\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #ff0000\"><strong>XII Bienal Internacional do Livro do Cear\u00e1<\/strong><\/span>. Ao <span style=\"color: #cc99ff\"><strong>Leituras da Bel<\/strong><\/span>, em entrevista por email, ele falou sobre produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, internet e o encontro que ter\u00e1 com surfistas, nadadores e jangadeiros no mar do Pirambu. Veja a entrevista completa:<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\">Leituras da Bel &#8211;<\/span> Voc\u00ea come\u00e7ou a escrever para a internet ainda nos anos 1990. De l\u00e1 para c\u00e1, o que mudou entre as pessoas que produzem literatura na internet?<\/strong><br \/>\n<strong>Daniel Galera &#8211;<\/strong> Nos anos 1990, a internet como meio de publica\u00e7\u00e3o precisava ser inventada. Isso motivou muita gente a criar revistas eletr\u00f4nicas, experimentar com narrativas colaborativas, explorar linguagens em hiperm\u00eddia. Havia a suspeita de que uma nova linguagem liter\u00e1ria surgiria na internet. Hoje temos outro cen\u00e1rio: a internet se aglutinou em torno das redes sociais e a criatividade foi canalizada pros memes, stories e timelines em que predominam imagens, enquanto a literatura segue essencialmente inalterada. Ainda se usam sites e blogs para publicar fic\u00e7\u00e3o, mas no geral o livro em papel e o ebook seguem sendo o suporte principal da literatura, e a internet \u00e9 mais um canal de difus\u00e3o e debate a respeito de livros. No in\u00edcio do mil\u00eanio, parecia que os blogs acolheriam os novos contos e romances, mas eles serviram mais para o exerc\u00edcio de di\u00e1rios pessoais n\u00e3o liter\u00e1rios, foram embri\u00f5es desse registro obsessivo da vida pessoal que vemos na internet atual. Os livros, em contrapartida, oferecem hoje alguma resist\u00eancia a essa tend\u00eancia. S\u00e3o um dos poucos redutos da frui\u00e7\u00e3o narrativa focada, silenciosa, individual. A literatura hoje tem o papel de preservar nossa capacidade de introspec\u00e7\u00e3o e de servir como espa\u00e7o livre para elaborar est\u00e9ticas e assuntos que, por motivos diversos, n\u00e3o s\u00e3o facilmente acolhidos em outros meios.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\">Leituras da Bel<\/span> &#8211; As redes sociais concentram \u00e2nimos cada vez mais polarizadas e acirrados. Como ser escritor, ser artista e afirmar opini\u00f5es nesse ambiente?<br \/>\n<\/strong><strong>Daniel &#8211;<\/strong> Cada escritor lida com isso de uma forma, tem a ver com aptid\u00f5es e temperamentos pessoais. Alguns extraem inspira\u00e7\u00e3o e energia dos debates online, com suas polariza\u00e7\u00f5es, escrachos, sarcasmo e reitera\u00e7\u00e3o de certezas, mas tamb\u00e9m uma oferta infinita e vertiginosa de informa\u00e7\u00e3o e est\u00edmulos, inclusive de vozes que at\u00e9 pouco tempo costumavam estar abafadas ou caladas pelo status quo. Outros apenas se desgastam nessa arena tumultuosa, e encontram mais inspira\u00e7\u00e3o e sentido na busca solit\u00e1ria de sentidos e experi\u00eancias de vida, com uma rumina\u00e7\u00e3o vagarosa e mais \u00edntima das ideias, e acesso apenas ocasional aos debates online. Me inclino mais para este segundo grupo.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\">Leituras da Bel &#8211;<\/span> &#8216;Barba ensopada de sangue&#8217; foi um sucesso nacional. Essa repercuss\u00e3o pesou na carreira? Voc\u00ea se sentiu pressionado a produzir depois desse lan\u00e7amento?<\/strong><br \/>\n<strong>Daniel &#8211;<\/strong> N\u00e3o me senti pressionado. A maior dificuldade foi me livrar das demandas de divulga\u00e7\u00e3o daquele livro, um processo que se estendeu por dois anos e incluiu as mais de 15 tradu\u00e7\u00f5es no exterior, eventos liter\u00e1rios, entrevistas. Foi recompensador, mas reduziu meu tempo livre para pensar em um novo livro e escrev\u00ea-lo. Quando iniciei o trabalho em &#8220;Meia-Noite e Vinte&#8221;, em 2014, n\u00e3o senti tanto o peso do livro anterior, estava preparado para fracassar se necess\u00e1rio, me dei a liberdade para chegar em algo novo, n\u00e3o relacionado ao trabalho anterior e sua repercuss\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_772\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-772\" class=\"wp-image-772 size-large\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/04\/daniel_galera11-624x929.jpg\" width=\"550\" height=\"819\" \/><p id=\"caption-attachment-772\" class=\"wp-caption-text\">Daniel Galera (Foto: Renato Parada \/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\">Leituras da Bel<\/span> &#8211; Uma das atividades da Bienal \u00e9 um encontro na Praia de Iracema com surfistas, pescadores e jangadeiros dentro do mar. J\u00e1 participou de alguma experi\u00eancia do tipo? Pensou em como ser\u00e1 esse momento de conversa?<\/strong><br \/>\n<strong>Daniel &#8211;<\/strong> J\u00e1 participei de alguns encontros do tipo, um deles em um festival liter\u00e1rio na Praia da Pipa, no RN. Espero uma conversa interessante sobre literatura e a vida em comunidades costeiras, j\u00e1 que meu livro &#8220;Barba ensopada de sangue&#8221; explora justamente esse universo, por\u00e9m no litoral sul, e n\u00e3o no nordeste. As semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre as duas regi\u00f5es podem render boas hist\u00f3rias compartilhadas. Povos ind\u00edgenas, colonizadores, imigrantes, tradi\u00e7\u00f5es, economia, clima, temperatura da \u00e1gua, h\u00e1 tantos elementos que podem gerar contrastes fascinantes.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc99ff\">Leituras da Bel &#8211;<\/span> Ali\u00e1s, qual a significa\u00e7\u00e3o do mar nos teus escritos e nas tuas narrativas?<\/strong><br \/>\n<strong>Daniel &#8211;<\/strong> N\u00e3o creio que o mar simbolize nada espec\u00edfico nas minhas hist\u00f3rias. Mas ele \u00e9 muito importante para o protagonista de &#8220;Barba ensopada de sangue&#8221;, que \u00e9 um nadador e professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Sua rela\u00e7\u00e3o com o mar tem a ver com o isolamento, que ele aprecia e est\u00e1 sempre procurando de uma forma ou outra, e tamb\u00e9m com uma paix\u00e3o sensorial pela \u00e1gua, pelas ondas, pelo oceano como um todo. Embora no personagem isso apare\u00e7a de forma muito enf\u00e1tica, essa rela\u00e7\u00e3o existe tamb\u00e9m na minha vida pessoal, de maneira bem menos radical. Sempre fui apaixonado por nadar no mar, desde pequeno.<\/p>\n<p><span style=\"color: #cc99ff\"><strong>Leituras da Bel &#8211;<\/strong> <\/span><strong>Voc\u00ea conhece Fortaleza? Est\u00e1 ansioso para esse encontro com a cidade?<\/strong><br \/>\n<strong>Daniel &#8211;<\/strong> Estive v\u00e1rias vezes na cidade, desde a inf\u00e2ncia, um tio meu vive a\u00ed e ao longo dos anos eu o visitei algumas vezes, passei f\u00e9rias, fui a casamentos. Tenho boas lembran\u00e7as, tanto da capital quanto das praias, mas tamb\u00e9m uma no\u00e7\u00e3o dos problemas sociais e urbanos que Fortaleza enfrenta. Gosto dos contrastes culturais e clim\u00e1ticos entre o sul e o nordeste. Espero enriquecer ainda mais essas impress\u00f5es e conhecer melhor a cena liter\u00e1ria local.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\n<strong>XII Bienal Internacional do Livro do Cear\u00e1<\/strong><br \/>\nQuando: at\u00e9 23 de abril<br \/>\nOnde: Centro de Eventos do Cear\u00e1 (avenida Washington Soares, 999 \u2013 Edson Queiroz)<br \/>\nEntrada gratuita<br \/>\nVeja a programa\u00e7\u00e3o completa: <strong><a href=\"http:\/\/bienaldolivro.cultura.ce.gov.br\">bienaldolivro.cultura.ce.gov.br<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos nomes mais fortes da nova gera\u00e7\u00e3o de escritores brasileiros, Daniel Galera integra programa\u00e7\u00e3o da XII Bienal Internacional do Livro do Cear\u00e1. 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