{"id":832,"date":"2017-05-10T13:46:01","date_gmt":"2017-05-10T16:46:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=832"},"modified":"2017-05-10T13:46:01","modified_gmt":"2017-05-10T16:46:01","slug":"veja-texto-de-barbara-costa-ribeiro-sobre-o-fanzine-arara-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/05\/10\/veja-texto-de-barbara-costa-ribeiro-sobre-o-fanzine-arara-azul\/","title":{"rendered":"O bater de asas de uma arara azul"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-833\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/05\/18406089_1289774474477635_1387365087_o-624x623.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"549\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Por B\u00e1rbara Costa Ribeiro<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em 2017, o coletivo <span style=\"color: #993366\"><strong>A Litera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span> come\u00e7a uma nova fase. Famoso na Cidade pela promo\u00e7\u00e3o de eventos e pela publica\u00e7\u00e3o de fanzines tem\u00e1ticos, o grupo come\u00e7a a investir no modelo fanzine-autoral.<span style=\"color: #993366\"><strong> A Litera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span> assim galga os passos para se tornar um selo de publica\u00e7\u00e3o independente no meio <strong><em>underground<\/em><\/strong>. O primeiro volume da nova fase ser\u00e1 lan\u00e7ado no dia 12 desta semana de maio, sexta-feira, na <strong>Universidade Federal do Cear\u00e1<\/strong>.<!--more--><\/p>\n<p>Chama-se <span style=\"color: #3366ff\"><strong>Arara azul<\/strong><\/span>, com textos de <span style=\"color: #ff6600\"><strong>B\u00e1rbara Costa Ribeiro<\/strong><\/span>. Esta meninota aqui, que vos escreve, e passa a contar agora como foi a experi\u00eancia de conceber e sistematizar uma por\u00e7\u00e3o de textos, buscando alguma coes\u00e3o interna, alguma poesia, a fim de compor este <strong><span style=\"color: #3366ff\">Arara Azul<\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>Minha pequenina trajet\u00f3ria po\u00e9tica, se \u00e9 que se pode falar em trajet\u00f3ria ou em po\u00e9tica pessoal sem soar um tanto pretensioso, esteve muito atrelada \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia do <span style=\"color: #993366\"><strong>A Litera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span>. Lembro que submeti um poeminha \u00e0 primeira edi\u00e7\u00e3o do zine. O texto passou meio despercebido, mas entrou. Aquilo me encheu de grande felicidade. Era uma dessas prosas po\u00e9ticas, fragmento, estilha\u00e7o que a gente quase sempre posta por a\u00ed, pelo Facebook, na partilha de uma solid\u00e3o. Falava sobre a cor vermelha do c\u00e9u numa noite de chuva, minutos antes de a chuva chover. Infinitas possibilidades estancadas no c\u00e9u.<\/p>\n<p>O que era rubro, hoje, na asa de uma arara, se torna azul. A imagem da arara azul nasceu de um dos poemas que agora comp\u00f5em essa publica\u00e7\u00e3o in\u00e9dita. A escolha do t\u00edtulo foi f\u00e1cil: Mariana Martins, umas das atuais editoras do selo que se tornou o <span style=\"color: #993366\"><strong>A Litera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span>, quando lhe enviei a primeira remessa de textos que eu acreditava serem os que poderiam caber dentro da \u201cidentidade <strong>fanzineira<\/strong>\u201d, foi me dizendo que gostara muito do que eu havia enviado, mas sentia falta de um poema em especifico, um poema que ela conhecia de Facebook, que eu havia escrito h\u00e1 muito tempo. \u201cEra algo sobre&#8230; <span style=\"color: #3366ff\"><strong>araras azuis<\/strong><\/span>\u201d, ela me disse. N\u00e3o tive d\u00favida, resgatei-o.<\/p>\n<p>Inclu\u00ed o poema naquela primeira leva de textos e pedi: \u201cSer\u00e1 que o fazine poderia justamente se chamar <span style=\"color: #3366ff\"><strong>Arara Azul<\/strong><\/span>?\u201d. Era tamb\u00e9m a minha forma de agradecer por algu\u00e9m em algum lugar deste mundo, perto de mim, ter um dia se lembrado de um texto cuja maldi\u00e7\u00e3o era justamente carregar meu amorfo nome, e t\u00ea-lo apendido de cora\u00e7\u00e3o, e t\u00ea-lo citado assim, com carinho. A escolha do t\u00edtulo, portanto, aconteceu gra\u00e7as a essas obras do destino: a escrita que atravessa as pessoas; pessoas atravessam pessoas.<\/p>\n<p>Se eu pudesse, de fato, descrever os textos que comp\u00f5em o fanzine, diria que eles s\u00e3o: atravessamentos. Hist\u00f3rias, momentos, lampejos, a pura mat\u00e9ria do dia a dia, besteiras, duas, tr\u00eas, um som de abelha, um sil\u00eancio.<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/conheca-literacao-coletivo-dos-estudantes-de-letras-da-ufc\/\">Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria do coletivo A Litera\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Com a metade de uma face composta por textinhos em prosa e a outra metade da face composta por textos em verso, nasce o livro, que n\u00e3o deixa a est\u00e9tica do fanzine no charme marginal que jamais poder\u00e1 deixar de ter, e brinca, sobretudo, em sua composi\u00e7\u00e3o, com a ideia de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>De quem s\u00e3o essas mem\u00f3rias? De ningu\u00e9m, de todo mundo. S\u00e3o, na realidade, um esquecimento. <strong>Afinal, lembrar \u00e9 isto mesmo: esquecer; e essencial a todo gesto po\u00e9tico, toda narrativa, \u00e9 que se esque\u00e7a mesmo a verdade, para que ent\u00e3o nas\u00e7a a poesia, a palavra de fic\u00e7\u00e3o<\/strong>. \u00c9 o que eu acredito. Que o texto nasce dessa tens\u00e3o maravilhosa entre o perdido e o vivido, entre aquilo que eu sei que experimentei, mas que j\u00e1 n\u00e3o posso mais resgatar, sen\u00e3o por um lampejo de consci\u00eancia que, na verdade, n\u00e3o tem mais nada a ver comigo: n\u00e3o sou eu que controlo a poesia que nasce da minha m\u00e3o, dos dedos, \u00e9 ela que me controla, leme delirante, sou muito mais atravessada por essa linguagem que \u00e9 em si s\u00f3 sua, do mesmo modo como pessoas tamb\u00e9m me atravessam, e atravessam-se, levando peda\u00e7os umas das outras.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-834\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/05\/18426928_1289774447810971_1269248094_o-624x615.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"542\" \/><\/p>\n<p>Tudo se mistura, tudo \u00e9 uma lembran\u00e7a, tudo um esquecimento: nasce ent\u00e3o um texto, um poema, singelo, m\u00ednimo que seja. Os poemas e prosinhas do<span style=\"color: #3366ff\"><strong> Arara Azul<\/strong> <\/span>ent\u00e3o veiculam a mem\u00f3ria de um esquecimento, o esquecimento de uma mem\u00f3ria, a inf\u00e2ncia, a solid\u00e3o, o andar de sapatilhas, a busca por um amor, estar de pijamas pisando o ch\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico, qualquer ideia estapaf\u00fardia e doce, um sorriso de p\u00e1ssaro.<\/p>\n<p>Gostaria mesmo que soasse a cada um que se dispuser a l\u00ea-lo como um carinho que a gente oferta de bom grado a um c\u00e3o desconhecido, este zine, aquele instante em que as pupilas se encontram, cachorrinho e crian\u00e7a. Quem acaricia quem? Isto n\u00e3o sei. Mas, de todo modo, que seja bom e terno. E, no momento de acabar, que cause o mesmo suspiro de uma tristeza mole que recai sobre os semblantes quando se afastam a m\u00e3o que faz a festa e o pelo do c\u00e3o afagado.<\/p>\n<p>Queria uma linguagem assim, que fosse como um carinho, e sempre a imin\u00eancia de uma despedida dolorosa mas mansa, porque a minha m\u00e3o que escreve, embora a todo instante eu tente amput\u00e1-la, est\u00e1 sempre aqui, doce e desarmada. <span style=\"color: #3366ff\"><strong>Arara Azul<\/strong> <\/span>\u00e9 isto.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\n<strong>Lan\u00e7amento Arara Azul de B\u00e1rbara Costa Ribeiro<\/strong><br \/>\nQuando: sexta-feira, 12 de maio<br \/>\nHor\u00e1ro: 18 horas<br \/>\nOnde: Departamento de Literatura da Universidade Federal do Cear\u00e1 (avenida da Universidade, 2683)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por B\u00e1rbara Costa Ribeiro Em 2017, o coletivo A Litera\u00e7\u00e3o come\u00e7a uma nova fase. Famoso na Cidade pela promo\u00e7\u00e3o de eventos e pela publica\u00e7\u00e3o de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[65,133,163,466,666,1151],"class_list":["post-832","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura","tag-a-literacao","tag-arara-azul","tag-barbara-costa-ribeiro","tag-fanzine","tag-letras","tag-ufc"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=832"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/832\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}