{"id":838,"date":"2017-05-12T12:11:20","date_gmt":"2017-05-12T15:11:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=838"},"modified":"2017-05-12T12:11:20","modified_gmt":"2017-05-12T15:11:20","slug":"estudiosos-comentam-morte-do-critico-literario-antonio-candido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/05\/12\/estudiosos-comentam-morte-do-critico-literario-antonio-candido\/","title":{"rendered":"Estudiosos das Letras comentam a morte do cr\u00edtico liter\u00e1rio e soci\u00f3logo Antonio Candido"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_839\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-839\" class=\"size-large wp-image-839\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/05\/professor-antonio-candido-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" \/><p id=\"caption-attachment-839\" class=\"wp-caption-text\">Antonio Candido. (Foto: Marcos Santos\/USP\/DIVULGA\u00c7\u00c3O)<\/p><\/div>\n<p>O cr\u00edtico liter\u00e1rio e soci\u00f3logo <span style=\"color: #993366\"><strong>Antonio Candido<\/strong><\/span>, dono de uma das obras mais fundamentais da intelectualidade brasileira, morreu aos 98 anos. Ele estava internado no Hospital Alberto Einstein, em S\u00e3o Paulo, com problemas no intestino. Autor de livros fundamentais como Introdu\u00e7\u00e3o ao <em><strong>M\u00e9todo Cr\u00edtico de Silvio Romero<\/strong><\/em>, <em><strong>Forma\u00e7\u00e3o da Literatura Brasileira<\/strong><\/em> e <em><strong>Literatura e Sociedade<\/strong><\/em>, <span style=\"color: #993366\"><strong>Candido<\/strong> <\/span>formou uma maneira de pensar a literatura brasileira que influencia toda a cr\u00edtica liter\u00e1ria do Pa\u00eds desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more-->Logo que a morte foi confirmada, na manh\u00e3 de hoje, 12 de maio, pesquisadores, professores e estudantes lamentaram a perda. Para <strong>Cl\u00e1udio Rodrigues<\/strong>, docente do <strong>Curso de Letras da Universidade Federal do Cear\u00e1<\/strong>, o Brasil perde um pensador que fez da literatura um compromisso com o humano. \u201cEstou pensando na sua escrita original, marcada por uma apresenta\u00e7\u00e3o da literatura como produto de um sistema indissoci\u00e1vel entre autor-obra-leitor. Sua presen\u00e7a na defesa dos valores pol\u00edticos e sociais o fez encabe\u00e7ar listas de manifestos contra todo o tipo de autoritarismo e na defesa da democracia\u201d, afirma em entrevista ao\u00a0<span style=\"color: #cc99ff\"><strong>Leituras da Bel<\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>&#8220;A li\u00e7\u00e3o maior que n\u00f3s, sobretudo alunos e professores da Letras, podemos levar \u00e9 que a Literatura n\u00e3o est\u00e1 alheia ao mundo, n\u00e3o \u00e9 mera representa\u00e7\u00e3o dele, mas \u00e9 uma ferida aberta da nossa humanidade. <span style=\"color: #993366\"><strong>Antonio Candido<\/strong><\/span> se foi? N\u00e3o, por n\u00f3s, conosco, hoje e sempre estar\u00e1 presente!&#8221;, completa <strong>Cl\u00e1udio Rodrigues<\/strong>.<\/p>\n<p>Entre os estudantes, <span style=\"color: #993366\"><strong>Candido<\/strong> <\/span>\u00e9 considerado um mestre e figura viva nos debates. \u201cCr\u00edtico liter\u00e1rio de renome, a leitura de seus estudos n\u00e3o s\u00f3 contribuiu &#8211; e ainda contribui &#8211; para o ensino de literatura, como se torna imprescind\u00edvel\u00a0para a forma\u00e7\u00e3o de qualquer estudante e pesquisador da \u00e1rea\u201d, aponta Rafael Lima, concludente do <strong>Curso de Letras da UFC<\/strong>. Ele explica que \u00e9 invi\u00e1vel pensar as Letras, hoje, sem a obra do cr\u00edtico.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 bastante complicado pensar o curso de Letras em sua forma hoje sem o papel fundamental de <span style=\"color: #993366\"><strong>Candido<\/strong><\/span>. Certamente este dia, com a partida desse grande mestre, \u00e9 de bastante pesar para todos n\u00f3s&#8221;, elucida Rafael.<\/p>\n<p><span style=\"color: #993366\"><strong>Candido<\/strong> <\/span>nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1918. Mudou-se para S\u00e3o Paulo na adolesc\u00eancia, onde ingressou na gradua\u00e7\u00e3o em Direito. Abandonou o curso e tra\u00e7ou uma carreira brilhante na academia. Em 1945, j\u00e1 era livre-docente em Literatura Brasileira pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Nove anos depois, recebeu o t\u00edtulo de doutor em Ci\u00eancias Sociais. Mais tarde, assumiria o cargo de professor de Teoria Liter\u00e1ria e Literatura Comparada. Mesmo ap\u00f3s a aposentadoria, em 1978, orientou disserta\u00e7\u00f5es e teses de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. No exterior, lecionou na Universidade de Paris e em Universidade Yale.<\/p>\n<p>\u201cSeu s\u00f3lido pensamento a respeito da literatura adensou e sistematizou o exerc\u00edcio da cr\u00edtica liter\u00e1ria no Brasil. Com <span style=\"color: #993366\"><strong>Antonio Candido<\/strong><\/span>, temos a constru\u00e7\u00e3o da ideia de sistema liter\u00e1rio em nossas letras, al\u00e9m do fecundo di\u00e1logo estabelecido com os textos liter\u00e1rios, a partir de uma leitura imanente capaz de articular fic\u00e7\u00e3o e sociedade\u201d, opina Sarah Forte, professora da Universidade Estadual do Cear\u00e1 (Uece).<\/p>\n<p>O professor <strong>Marcelo Magalh\u00e3es<\/strong>, do curso de Letras da UFC, escreveu um texto sobre a perda. Confira a produ\u00e7\u00e3o, abaixo, na \u00edntegra:<\/p>\n<p><strong>ELEGIA DE MAIO:<\/strong><br \/>\n<strong>morre <span style=\"color: #993366\">Antonio Candido<\/span><\/strong><br \/>\n<strong>Em 1941 M\u00e1rio de Andrade atendia a solicita\u00e7\u00e3o da revista Clima, que fora lan\u00e7ada naquele ano com a participa\u00e7\u00e3o ativa de<span style=\"color: #993366\"> Antonio Candido<\/span> entre os editores. O ensaio \u201cElegia de Abril\u201d sairia estampado no primeiro n\u00famero da revista, e nele o escritor modernista refletia sobre a intelig\u00eancia nova de seu pa\u00eds. Entre os mo\u00e7os que representavam a possibilidade de algum progresso cultural, come\u00e7aria a se destacar a partir dali a figura fundamental do cr\u00edtico liter\u00e1rio e do historiador de nossa forma\u00e7\u00e3o espiritual que hoje nos deixa, desta forma propondo sem querer o mote para uma \u201celegia de maio\u201d. A integridade intelectual de <span style=\"color: #993366\">Antonio Candido<\/span> foi testemunhada pela gera\u00e7\u00e3o modernista que M\u00e1rio de Andrade representava, integridade que seria confirmada reiteradamente por uma trajet\u00f3ria que percorreu mais de meio s\u00e9culo. A forma\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea dos estudos sobre a literatura brasileira deve muito de seus avan\u00e7os ao mestre de Educa\u00e7\u00e3o pela noite e outros ensaios \u2014 e n\u00e3o somente por sua erudi\u00e7\u00e3o penetrante e questionadora, mas pela dimens\u00e3o humana e empenhada que sempre soube lhe emprestar. A morte de figura t\u00e3o amplamente imprescind\u00edvel, tanto para a reflex\u00e3o acurada sobre nossa cultura quanto para a compreens\u00e3o de nossos impasses pol\u00edticos, em tempos t\u00e3o sombrios de nossa hist\u00f3ria tra\u00edda e golpeada, \u00e9 motivo mais que sens\u00edvel para uma \u201celegia de maio\u201d: lamentemos o desaparecimento de quem, entretanto, continuar\u00e1 a servir de exemplo para uma compreens\u00e3o mais humana da literatura pela intelig\u00eancia nova de nosso pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cr\u00edtico liter\u00e1rio e soci\u00f3logo Antonio Candido, dono de uma das obras mais fundamentais da intelectualidade brasileira, morreu aos 98 anos. 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