{"id":892,"date":"2017-05-29T15:35:04","date_gmt":"2017-05-29T18:35:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/?p=892"},"modified":"2017-05-29T15:35:04","modified_gmt":"2017-05-29T18:35:04","slug":"adolfo-caminha-150-anos-do-escritor-cearense-polemico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/2017\/05\/29\/adolfo-caminha-150-anos-do-escritor-cearense-polemico\/","title":{"rendered":"Adolfo Caminha: 150 anos do escritor pol\u00eamico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_893\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-893\" class=\"size-medium wp-image-893\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/leiturasdabel\/wp-content\/uploads\/sites\/48\/2017\/05\/adolfo-caminha-300x389.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"389\" \/><p id=\"caption-attachment-893\" class=\"wp-caption-text\">Arte: Carlus Campos<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Com vida e obra marcadas por querelas, o escritor viu a cr\u00edtica emudecer e ficou apagado diante do p\u00fablico leitor. Para especialistas, ler Adolfo Caminha \u00e9 necess\u00e1rio nos tempos atuais<\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><strong>Adolfo Caminha<\/strong><\/span> escreveu sobre viol\u00eancia contra a mulher, preconceito, homossexualidade e a hipocrisia das cidades. O autor, que completaria 150 anos amanh\u00e3, 29 de maio, \u00e9 um dos principais nomes da chamada escola naturalista da literatura brasileira. Com os livros <em><span style=\"color: #ff6600\"><strong>A Normalista<\/strong><\/span><\/em> e <span style=\"color: #ff0000\"><em><strong>Bom Crioulo<\/strong><\/em><\/span>, criou desaven\u00e7as, fez inimigos, sofreu retalia\u00e7\u00f5es e acabou deixando registrado um documento sobre um aquele per\u00edodo. Apesar da ineg\u00e1vel import\u00e2ncia, o escritor nascido em Aracati n\u00e3o recebe, at\u00e9 hoje, o mesmo tratamento dado a outros nomes da literatura cearense &#8211; como Antonio Sales e L\u00edvio Barreto.<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nO pouco interesse do p\u00fablico e da cr\u00edtica pela obra de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Caminha <\/strong><\/span>&#8211; aponta o pesquisador Carlos Eduardo Bezerra &#8211; pode ser consequ\u00eancia das tem\u00e1ticas \u201ca frente do tempo\u201d utilizadas pelo autor. \u201cEle entrou numa esp\u00e9cie de mutismo da cr\u00edtica. A cr\u00edtica emudeceu em rela\u00e7\u00e3o a ele.<em><strong><span style=\"color: #ff0000\"> Bom Crioulo<\/span><\/strong><\/em> sofreu v\u00e1rias censuras. Tudo isso faz com que a obra e o autor n\u00e3o fiquem t\u00e3o conhecidos como outros autores da sua \u00e9poca\u201d, explica Carlos, que \u00e9 professor da Universidade da Integra\u00e7\u00e3o Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). Em<span style=\"color: #ff6600\"><em><strong> A Normalista<\/strong><\/em><\/span>, o escritor fala sobre a viol\u00eancia contra a mulher em uma cidade hip\u00f3crita. Em<span style=\"color: #ff0000\"><em><strong> Bom Crioulo<\/strong><\/em><\/span>, o protagonista \u00e9 um marinheiro negro e homossexual. Al\u00e9m disso, explica o pesquisador, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Adolfo <span style=\"color: #0000ff\">Caminha<\/span><\/strong><\/span> viveu somente at\u00e9 os 30 anos e n\u00e3o teve tempo para escrever muitos livros. \u201cEle n\u00e3o foi longevo. Morreu jovem\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses aspectos, acredita o escritor Jo\u00e3o Silv\u00e9rio Trevisan, os preconceitos que persistem na sociedade podem ser apontados como outra raz\u00e3o para a baixa leitura do cearense. \u201cA obra do <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Caminha<\/strong><\/span>, especialmente <em><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Bom Crioulo<\/strong><\/span><\/em>, foi muito chocante no seu per\u00edodo. E esse livro foi proibido e censurado durante muito tempo. Talvez isso tamb\u00e9m tenha tornado a obra distante da mem\u00f3ria nacional, considerando que s\u00f3 teve reedi\u00e7\u00f5es recentemente\u201d, diz Jo\u00e3o, que \u00e9 estudioso de <span style=\"color: #ff0000\"><em><strong>Bom Crioulo<\/strong><\/em><\/span> e outros livros.<\/p>\n<p>O tratamento dado por<span style=\"color: #0000ff\"><strong> Adolfo Caminha<\/strong><\/span> a temas pol\u00eamicos, como homossexualidade e viol\u00eancia, -acreditam os especialistas ouvidos pelo <span style=\"color: #cc99ff\"><strong>Leituras da Bel<\/strong> <\/span>&#8211; faz a obra ser uma leitura necess\u00e1ria para os nossos tempos. \u201cHoje temos mapas da viol\u00eancia e relat\u00f3rios. Mas, no s\u00e9culo XIX, n\u00e3o t\u00ednhamos esses instrumentos. A literatura cumpre esse papel, de registrar a dificuldade que temos em lidar com a diferen\u00e7a e sempre lidar de forma desrespeitosa para as diversas viol\u00eancias\u201d, aponta Carlos Eduardo.<\/p>\n<p>Nascido em 1867, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Adolfo Caminha<\/strong><\/span> viveu entre Fortaleza e Rio de Janeiro. Fez carreira na Marinha at\u00e9 que, por volta de 1888, apaixonou-se e fugiu com a esposa de um alferes do Ex\u00e9rcito. Para o pesquisador S\u00e2nzio de Azevedo, as principais obras de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Caminha<\/strong> <\/span>soam como vingan\u00e7a pelo tratamento que ele sofreu &#8211; das pessoas e das cidades &#8211; ao longo da vida. \u201cEle foi bem recebido por uns e por outros, n\u00e3o. S\u00e3o livros de vingan\u00e7a. Ele quis se vingar do Cear\u00e1, da Marinha, do Rio de Janeiro\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Saiba mais<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/leiturasdabel\/veja-artigo-da-professora-sarah-ipiranga-sobre-adolfo-caminha\/\"><strong>Veja artigo da professora Sarah Ipiranga sobre a obra de Adolfo Caminha<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Principais livros de Adolfo Caminha<\/strong><br \/>\n<strong>BOM CRIOULO<\/strong> Conta a hist\u00f3ria da tr\u00e1gica paix\u00e3o entre o marinheiro negro Amaro e o jovem grumete Aleixo. Os dois t\u00eam um relacionamento t\u00f3rrido, proibido e repleto de ci\u00fames. Pre\u00e7o m\u00e9dio: 27,90<\/p>\n<p><strong>A NORMALISTA<\/strong> Relata as muitas tristezas e poucas alegrias de uma jovem que \u00e9 entregue por seu pai ao padrinho, para cri\u00e1-la. Ela \u00e9 uma menina normal, que estuda, e, desgra\u00e7adamente, fica gr\u00e1vida. Pre\u00e7o m\u00e9dio: 22,90<\/p>\n<p><strong>Saiba mais<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Adolfo Caminha<\/strong><\/span> \u00e9 um dos fundadores da revolucion\u00e1ria agremia\u00e7\u00e3o Padaria Espiritual, que ficou conhecida pela irrever\u00eancia e pelo jornal O P\u00e3o. Ele tamb\u00e9m colaborou com outros peri\u00f3dicos ao longo da carreira. \u201cEu trabalhei o <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Adolfo<\/strong> <\/span>como um autor que transita atrav\u00e9s de v\u00e1rios g\u00eaneros\u201d, explica Carlos Eduardo Bezerra, destacando a produ\u00e7\u00e3o do cearense como cr\u00edtico. <span style=\"color: #ff6600\"><em><strong>A Normalista<\/strong><\/em><\/span> \u00e9 o primeiro romance publicado por <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Caminha<\/strong><\/span>, em 1892. Antes, ele havia lan\u00e7ado um livro de poesias (Voos incertos, de 1886) e dois livros de contos (Judite e L\u00e1grimas de Um Crente, ambos de 1887). O autor ainda teve outras obras publicadas: No pa\u00eds dos ianques (1894), Cartas Liter\u00e1rias (1895) e Tenta\u00e7\u00e3o (1896).<span style=\"color: #ff0000\"><em><strong> Bom Crioulo<\/strong><\/em><\/span> foi publicado em 1895. Com o esc\u00e2ndalo provocado pela fuga com a mulher amada, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Caminha<\/strong> <\/span>foi expulso da Marinha Brasileira. Vitimado por tuberculose, o autor morreu em 1897. Carlos Eduardo ainda explica que, com o interesse atual por temas como viol\u00eancia contra a mulher e homossexualidade, as obras de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Adolfo<\/strong> <\/span>ganharam recentes tradu\u00e7\u00f5es para o ingl\u00eas, o franc\u00eas, o espanhol, o alem\u00e3o e o italiano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com vida e obra marcadas por querelas, o escritor viu a cr\u00edtica emudecer e ficou apagado diante do p\u00fablico leitor. 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