Maratona começou nesta quarta-feira (7) com cerca de 100 participantes divididos em 27 equipes; grupos terão três dias para desenvolver soluções relacionados à Lei do Bem

Entre discussões em grupo, conversas com mentores, pesquisas e reformulações de ideias, o primeiro dia do Hackathon do Siará Tech Summit 2026 foi marcado pela tentativa de transformar um problema complexo em uma solução aplicável. A maratona de inovação começou nesta quarta-feira (7), no Centro de Eventos do Ceará, reunindo cerca de 100 participantes que terão três dias para desenvolver propostas para um desafio apresentado pelo Banco do Nordeste (BNB).

Realizado pelo Sebrae Ceará em parceria com o Banco do Nordeste, por meio do Hubine (hub de inovação da instituição financeira), o Hackathon segue até sexta-feira (9). A proposta é desenvolver uma solução capaz de apoiar a área de Pesquisa e Desenvolvimento do banco na análise da elegibilidade de projetos à Lei do Bem, contribuindo para ampliar a segurança, a padronização e a rastreabilidade do processo de decisão. 

Logo nas primeiras horas, o desafio exigiu dos participantes uma combinação de pesquisa, entendimento do problema e construção coletiva. Segundo Marina Sanção, organizadora do Hackathon e CEO da VOA Inovação, a metodologia deve proporcionar diversas oportunidades de interação e desenvolvimento profissional às 27 equipes envolvidas na disputa. Vale destacar que mais de 500 pessoas demonstraram interesse em participar da atividade.

“O Hackathon é uma metodologia de inovação aberta que vem transformando negócios no mundo inteiro. O Sebrae vem trazendo essa metodologia ano após ano, ativando o ecossistema de inovação local, trazendo estudantes, profissionais em transição de carreira e pessoas de diferentes áreas para se envolverem em novos desafios e desenvolverem soluções”, explica Marina.

Para ela, a complexidade do problema proposto neste ano torna a experiência ainda mais intensa. “Estamos com as equipes engajadas em resolver um desafio relacionado à Lei do Bem. Não é um tema simples, mas conseguimos envolver mais de 500 pessoas interessadas e selecionamos 100 participantes. Todo mundo está muito envolvido em buscar uma solução para o BNB e também, claro, de olho na premiação”, afirma.

A diversidade de formações faz parte da própria estrutura da competição e foi reforçado como aspecto potencializador de bons resultados pela organizadora da dinâmica. O Hackathon foi desenhado para reunir participantes de áreas como tecnologia, gestão, negócios, design, empreendedorismo, direito tributário, contabilidade, inovação e pesquisa e desenvolvimento. As equipes combinam competências técnicas e conhecimentos ligados à estratégia, experiência do usuário, legislação, viabilidade de negócio e comunicação. 

“Quando a gente junta pessoas com perfis, experiências e conhecimentos diferentes em torno do mesmo objetivo, é isso que gera inovação”, avalia Marina. “Pessoas com perfis muito semelhantes tendem a seguir uma direção só. Aqui, a metodologia do design thinking exige primeiro ampliar as possibilidades para depois refinar a solução.”

De Tauá para mais uma tentativa no Hackathon

Entre os participantes está a estudante Mariana Lemos, de 24 anos, que veio de Tauá para participar da competição. Estudante de Letras e técnica em Administração, ela encontrou nos Hackathons um caminho que acabou levando à criação de uma empresa.

A história começou quando Mariana formou equipe com três amigos da área de Tecnologia da Informação. Desde então, o grupo passou a participar de competições e, no Siará Tech Summit do ano passado, conquistou o segundo lugar.

“Voltamos agora com a expectativa lá em cima para ficar em primeiro dessa vez. Mas está sendo muito diferente. São mentores diferentes, uma abordagem diferente e um problema muito específico, com o qual a gente não tinha tanto contato. Então estamos estudando muito a Lei do Bem”, relata.

No primeiro dia, a equipe ainda trabalhava na definição do diferencial da proposta. A tendência, segundo Mariana, é desenvolver uma solução baseada em inteligência artificial para apoiar a análise dos projetos. “Estamos pensando em como uma solução em IA vai trabalhar, como ela pode avaliar o problema, que resposta vai dar, a questão da acurácia, LGPD, tudo isso. E ainda estamos só no primeiro dia”, conta.

Mais do que a possibilidade de premiação, a experiência em Hackathons já produziu efeitos concretos na trajetória da estudante. “Na minha carreira, participar de Hackathons mudou muita coisa. Eu abri uma empresa depois de uma dessas competições. Foi com o dinheiro que ganhamos que demos entrada no CNPJ e começamos a investir em tecnologias para produzir sistemas”, afirma.

Ela também destaca a rede de contatos criada nesses ambientes. No ano passado, a equipe acolheu um participante que havia chegado sozinho e não conhecia a dinâmica da competição. “Ele veio para cá sem saber o que era um Hackathon. Chamamos para fazer parte da nossa equipe, ele adotou a gente, a gente adotou ele e viramos amigos. São relações que ficam.”

Para Mariana, esse tipo de experiência vai além da competição. “Hackathons e Ideathons não são só competições para chegar a uma solução. Eles formam novos talentos, empreendedores e desenvolvedores. Mesmo que a gente não ganhe, queremos estreitar os laços com o Hubine e com o BNB e talvez oferecer alguma solução como empresa.”

Primeira experiência e contato com problemas reais

Para Guilherme Tomé, de 20 anos, a experiência é diferente: esta é a primeira participação em um Hackathon. Estudante do quinto semestre de Engenharia da Computação no IFCE, ele atua na área de dados e atualmente estagia no próprio Banco do Nordeste. “Está sendo muito interessante essa adrenalina, a correria de pensar em soluções, bater cabeça, conversar com os mentores e ter ideias aprovadas ou descartadas”, conta.

Para Guilherme, a experiência prática ajuda a complementar a formação acadêmica. “Acho que isso vai interferir bastante na minha carreira, não só na questão técnica, mas também em entender como funciona o mercado, como trabalhar em equipe e como atender às expectativas de um projeto real.”

Um Hackathon com gente de tecnologia — e também de fora dela

A diversidade chamou a atenção também dos mentores. Daniel Souza, consultor de negócios em tecnologia e mentor do Hackathon do Siará Tech Summit, percebeu logo no primeiro dia uma composição diferente da encontrada normalmente nesse tipo de competição. Segundo ele, o próprio tema contribui para essa variedade. Como a Lei do Bem envolve questões que ultrapassam o desenvolvimento de software, o desafio exige conhecimentos de diferentes áreas. “Não é uma lei que atinge apenas tecnologia. Existem inúmeros projetos no mercado ligados à Lei do Bem. Ter essa diversidade de público mostra que o assunto está chegando aonde precisa chegar”, diz.

Para o mentor, o Hackathon também funciona como porta de entrada para novos empreendimentos. Ele cita como exemplo uma equipe que participou da edição anterior do Siará Tech Summit e seguiu competindo em outras maratonas de inovação. “Uma startup que surgiu daqui no ano passado participou depois de mais dois Hackathons, ganhou os dois, virou uma empresa e já conquistou o primeiro cliente. A sinergia do STS com o ecossistema é enorme”, afirma.

Três dias até a solução final

Depois do primeiro dia dedicado ao entendimento do desafio, à formação das estratégias e às primeiras validações com mentores, as equipes seguem agora para as etapas de desenvolvimento e refinamento das propostas.

Ao final da jornada, cada grupo deverá apresentar um protótipo funcional ou demonstrativo e defender a solução em um pitch de até três minutos. As três melhores equipes dividirão R$ 10 mil em premiação, sendo R$ 5 mil para o primeiro lugar, R$ 3 mil para o segundo e R$ 2 mil para o terceiro. Os participantes que concluírem a atividade também receberão certificado digital de 24 horas de experiência. 

Até lá, os participantes ainda terão mais dois dias de mentorias, testes, decisões e mudanças de rota. No primeiro dia, contudo, uma característica já ficou evidente: antes de chegar à tecnologia que poderá resolver o desafio, as equipes precisam combinar diferentes conhecimentos, experiências e formas de enxergar o mesmo problema.

Acesse o site oficial do Siará Tech Summit para conhecer mais sobre o Hackathon 2026.