{"id":10568,"date":"2010-11-03T10:08:42","date_gmt":"2010-11-03T13:08:42","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=10568"},"modified":"2010-11-03T10:08:42","modified_gmt":"2010-11-03T13:08:42","slug":"argumentos-para-combater-o-preconceito-nao-deve-usar-as-mesmas-armas-da-ignorancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2010\/11\/03\/argumentos-para-combater-o-preconceito-nao-deve-usar-as-mesmas-armas-da-ignorancia\/","title":{"rendered":"Argumentos para combater o preconceito n\u00e3o deve usar as mesmas armas da ignor\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>O deputado estadual Nelson Martins (PT), por meio de seu Twitter [@NelsonMartinsCE], prop\u00f5e o movimento #orgulhode sernordestino, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s mensagens preconceituosas, xen\u00f3fobas e criminosas contra os nordestinos que se seguiram \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff (PT) \u00e0 presid\u00eancia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Se ficar como uma hashtag no Twitter, v\u00e1 l\u00e1 &#8211; se as mensagens n\u00e3o tiverem o mesmo tom em sentido contr\u00e1rio. Mas organizar um movimento nesses moldes, creio que \u00e9 equivocado. [hashtag \u00e9 uma esp\u00e9cie de &#8220;etiqueta&#8221;, antecedida do s\u00edmbolo # ,com a qual se marcam alguns assuntos no Twitter &#8211; clicando-se nela chega-se a todos os posts marcados sobre o assunto.]\n<p>\u00c9 equivocado e pode ser perigoso. Existe diferen\u00e7a em sentir orgulho por algo, n\u00e3o ter vergonha de sua origem &#8211; e transformar isso em um &#8220;movimento&#8221;, \u00a0que pode incentivar um clima de aparta\u00e7\u00e3o no Brasil. Algo que vem sendo superado cada vez mais &#8211; e seus resqu\u00edcios n\u00e3o devem ser combatidos com as mesmas armas usadas pela ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O que devemos reafirmar \u00e9 que o Nordeste vem adquirindo um papel cada vez mais importante no pa\u00eds, que a regi\u00e3o n\u00e3o mais padece do complexo de vira-latas &#8211; e que faz valer a suas propostas de modo assertivo e independente.<\/p>\n<p>Mas o simbolismo disso n\u00e3o \u00e9 a &#8220;separa\u00e7\u00e3o&#8221; do restante do pa\u00eds, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o cada vez maior &#8211; e ela somente ser\u00e1 poss\u00edvel em bases igualit\u00e1rias e justas, de modo que todo o povo possa se irmanar, compartilhando igualmente da riqueza e da beleza deste pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Em seguida<\/strong>, dois textos que escrevi sobre o assunto &#8220;Por que n\u00e3o me orgulharia&#8221; e &#8220;Sim, o Nordeste existe&#8221;. S\u00e3o um pouco longos, mas fica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Por que n\u00e3o me orgulharia?<\/strong><\/p>\n<p>Pl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p><strong>O POVO<\/strong> \u2013 edi\u00e7\u00e3o de 15 de maio de 2009<\/p>\n<p><em>O Tejo \u00e9 mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo n\u00e3o \u00e9 mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo n\u00e3o \u00e9 o rio que corre pela minha aldeia.<\/em> Fernando Pessoa (pelo heter\u00f4nimo Alberto Caeiro)<\/p>\n<p>O respeitado cineasta Rosemberg Cariry escreveu o artigo <a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/www\/opovo\/vidaearte\/876654.html\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #0000ff\">Por que n\u00e3o me orgulho<\/span><\/a>, uma refer\u00eancia direta \u2013 n\u00e3o citada no texto \u2013 \u00e0 campanha sobre autestima cearense, que O POVO est\u00e1 promovendo. No texto (caderno Vida &amp; Arte, 11\/5) Rosemberg desfia argumentos para negar e mesmo combater o orgulho de ser cearense.<\/p>\n<p>Ele come\u00e7a dizendo que \u00e9 o acaso que nos faz nascer aqui ou alhures, o que procede. Mas o mesmo acaso acontece quando somos paridos ou quando geramos. E por que amamos tanto os nossos pais? Por que nos orgulham os nossos filhos? Portanto, em muitos casos, existem outras for\u00e7as a contribu\u00edrem para que se transforme em amor e orgulho o que era apenas \u201cacaso\u201d.<\/p>\n<p>Depois, ele diz que se algu\u00e9m se orgulhasse ser branco \u2013 o que tamb\u00e9m \u00e9 uma conting\u00eancia \u2013 seria racismo. OK, mais uma vez concordo. Em seguida, pergunta a que \u201ccheira\u201d ter orgulho de ser negro, sugerindo que seria t\u00e3o preconceituoso quanto vangloriar-se de ser branco. Aqui, discordamos.<\/p>\n<p>Os brancos n\u00e3o sofrem preconceito e nem foram submetidos \u00e0 escravid\u00e3o por causa da cor da pele. Portanto, um estudo antropol\u00f3gico n\u00e3o s\u00f3 explicaria como justificaria o \u201corgulho de ser negro\u201d, como uma proposta de afirma\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o \u00e9 ofensivo um ouvir um \u201cbranco azedo\u201d, mas o \u00e9 usar a palavra \u201cnegro\u201d como se fosse xingamento. O mesmo se poderia dizer de outras minorias sociais.<\/p>\n<p>Mas Rosemberg confessa que se sente \u201cbem\u201d sendo cearense. Diz que seu cinema \u00e9 voltado para revelar a \u201cpluralidade\u201d da cultura cearense, buscando captar a heran\u00e7a de outros povos \u201cpara, a partir da\u00ed, se reinventar\u201d. \u00c9 verdade, podemos dizer que a obra de Cariry \u00e9 uma ode ao Cear\u00e1, um elogio ao seu caldeir\u00e3o de etnias e culturas e o que da\u00ed resultou.<\/p>\n<p>Mas o fato \u00e9 que Rosemberg n\u00e3o est\u00e1 sozinho na dificuldade em assumir o orgulho de ser cearense. Junto dele est\u00e1 um setor importante da academia, que n\u00e3o tem a coragem intelectual que teve Rosemberg, de expor seus argumentos \u00e0 luz do dia.<\/p>\n<p>Argumentos diferentes, diga-se, dos apresentados pelo cineasta. Esses \u201cintelectuais\u201d preferem o desprezo \u00e0 cultura popular, a ironia ao modo de falar \u201cerrado\u201d do sertanejo \u2013 demonstrando preconceito lingu\u00edstico inaceit\u00e1vel \u2013 e a maledic\u00eancia intramuros.<\/p>\n<p>O interessante \u00e9 que as pessoas simples, as mais castigadas pelas for\u00e7as da natureza e pelos problemas sociais, essas n\u00e3o t\u00eam vergonha de manifestar o seu orgulho pela terra em que nasceram ou adotaram. Agora, um certo setor da \u201cintelectualidade\u201d cearense faz quest\u00e3o de mostrar-se divorciado de seu pr\u00f3prio povo. (Cr\u00edtica esta, justi\u00e7a seja feita, que n\u00e3o cabe a Rosemberg.)<\/p>\n<p>Mas, caro Ant\u00f4nio Rosemberg de Moura, me explique uma coisa. Por qual esconsa raz\u00e3o, voc\u00ea, que n\u00e3o se orgulha de ser cearense, incorporou ao seu nome o nome de sua aldeia? (Aquela mesma, que s\u00f3 se deixa no \u00faltimo pau-de-arara.) Foi um ato inconsciente, um arroubo da juventude, ou um chamado at\u00e1vico em dire\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que \u2013 sempre \u2013 nos alimenta, nos forma e nos fortalece?<br \/>\n&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Sim, o Nordeste existe<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p><strong>O POVO <\/strong>\u2013 edi\u00e7\u00e3o de 24\/7\/2010<\/p>\n<p>Sei que pode ser temer\u00e1rio, mas vou me atrever a debater com o professor Eduardo Diatahy B. de Menezes, a partir do ensaio que ele publicou no Anu\u00e1rio do Cear\u00e1 deste ano, sob o t\u00edtulo Existe o Nordeste? Hist\u00f3rico da inven\u00e7\u00e3o de uma regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o-o animado pelo pr\u00f3prio professor que, vez ou outra, elogia os modestos artigos que publico nestas p\u00e1ginas. Sei que, desta vez, em vez de elogios, arrisco-me a levar umas lambadas, mas faz parte dos riscos da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou \u2013 nem poderia \u2013 contestar o profundo levantamento que ele fez para mostrar como foi a \u201cconstru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica\u201d da regi\u00e3o que se convencionou chamar de Nordeste. O que vou fazer \u00e9 indagar algumas das conclus\u00f5es a que ele chega a partir de seu estudo.<\/p>\n<p>Para ele, essa \u201cconstru\u00e7\u00e3o\u201d foi feita com a \u201cideia-for\u00e7a\u201d de um Nordeste sob uma realidade \u201cnegativa, discriminat\u00f3ria, que o concebe como o espa\u00e7o do passado, do atraso, da viol\u00eancia do fanatismo, da mis\u00e9ria persistente, etc.; e da imagem de um Sudeste e Sul valorizada positivamente como o lugar do futuro, do progresso, da abund\u00e2ncia, da racionalidade, da modernidade, etc.\u201d<\/p>\n<p>Segundo os estudos do professor, o Nordeste \u201cn\u00e3o existia\u201d at\u00e9, pelo menos, 1870 \u2013 e que a sua constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, do modo reproduzido acima, teria se dado entre essa data at\u00e9 o ano de 1930.<\/p>\n<p>Diatahy se pergunta: \u201cQue faz, por exemplo, com que hoje a produ\u00e7\u00e3o de um historiador sudestino seja nacional e a de um nordestino regional? Ou que uma mentalidade mediana pense, e \u00e0s vezes explicite, que fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo n\u00e3o existe vida mental no pa\u00eds?\u201d<\/p>\n<p>Acrescenta o professor: \u201c\u00c9 preciso, contudo, sublinhar que tanto as elites quanto os intelectuais da \u2018regi\u00e3o\u2019 n\u00e3o apenas se deixaram envolver no mesmo c\u00edrculo hermen\u00eautico e semi\u00f3tico, fazendo-se nordestinizados, como ainda tornando-se entusiasmados produtores desse imagin\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<p>Ao fim de seu texto, o professor Diatahy faz uma exorta\u00e7\u00e3o para que nos livremos das \u201crepresenta\u00e7\u00f5es excludentes\u201d, lamentando que \u201cpensar automaticamente em algo que \u00e9 representando pela fixidez de imagens estereotipadas \u2013 o mart\u00edrio secular de Vidas Secas, Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos, Jo\u00e3o Ubaldo e baianidade, belas praias investidas pela ind\u00fastria tur\u00edstica, carne seca e pa\u00e7oca, canga\u00e7o e fanatismo, mulatas de Jorge Amado e Deus e o Diabo na Terra do Sol, flagelados e romeiros, jangadas e coqueiros, narrativa popular em verso e forr\u00f3 p\u00e9-de-serra, rendas e labirintos, artesanato e folclore, etc. \u2013 \u00e9 querer congelar essa \u2018realidade\u2019 ou refor\u00e7ar a mesmice de uma inven\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o de dispositivos de poder e de saber, \u2018superiores\u2019 e \u2018modernos\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Aos argumentos.<\/p>\n<p>1. Na verdade, tudo o que \u00e9 humano \u00e9 constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica \u2013 para o bem e para o mal \u2013 e isso \u00e9 inescap\u00e1vel. \u00c9 bom lembrar que existem outros regionalismos, como o do Sul, por exemplo \u2013 do \u201chomem da fronteira\u201d, etc.<\/p>\n<p>2. Os estere\u00f3tipos \u2013 h\u00e1 os \u201cbons\u201d e os \u201cmaus\u201d \u2013 quando n\u00e3o viram simples caricatura podem ajudar (veja bem: podem ajudar) a compreender algumas caracter\u00edsticas de um povo ou de uma regi\u00e3o. O estere\u00f3tipo surge, muitas vezes, de uma base \u201creal\u201d. A hospitalidade, por exemplo, \u00e9 um estere\u00f3tipo que se aplica aos cearenses (como tamb\u00e9m de que o cearense \u00e9 o \u201cjudeu do Brasil\u201d). Pense se isso n\u00e3o explica um pouco: quantas vezes um amigo seu, paulista, foi apanh\u00e1-lo no aeroporto? E, quantas vezes voc\u00ea fez isso pelos seus amigos que aqui chegam?<\/p>\n<p>3. Apesar de algumas manifesta\u00e7\u00f5es tradicionais (forr\u00f3, renda, culin\u00e1ria, etc.) n\u00e3o me parece que os que as defendem querem-nas \u201ccongelar\u201d no passado, mas preservar uma manifesta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, que faz parte da hist\u00f3ria. Isso n\u00e3o impede que as novas gera\u00e7\u00f5es de nordestinos as atualizem. Vejam a beleza do mangue beat, com a sua mistura de ritmos regionais com m\u00fasica eletr\u00f4nica. Os meninos, nordestinos e sudestinos, ficam doidos com os rapazes de Recife. Observem o forr\u00f3 eletr\u00f4nico (que muitos detestam) com sua antropofagia, pondo no liquidificador \u201chits\u201d internacionais para submet\u00ea-los a ritmos dan\u00e7antes \u201ctradicionais\u201d.<\/p>\n<p>O que estou tentando dizer \u00e9 o seguinte: a \u201cconstru\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 nascida com um car\u00e1ter negativo, segundo o estudo de Diatahy &#8211; reverteu esse aspecto passando a ser uma ideia-for\u00e7a positiva. As \u201cconstru\u00e7\u00f5es\u201d podem se alterar e n\u00e3o \u00e9 incomum fugirem da l\u00f3gica de seus construtores.<\/p>\n<p>Hoje, pouca gente se envergonha ou se sente diminu\u00eddo por ser amostrado como nordestino. E isso n\u00e3o \u00e9 pouca coisa, pois d\u00e1 um sentido de identidade aos povos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Vou dar dois exemplos singelos que acontecerem comigo que mostram \u2013 posso dizer a transcend\u00eancia \u2013 dessa identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira, foi em Bras\u00edlia, alguns anos atr\u00e1s. Estava em um restaurante, tipo self service, e pe\u00e7o ao caixa para guardar a minha pasta de m\u00e3o. Ao me dirigir para o pagamento, ele me devolve a pasta, sorri e afirma: \u201cVoc\u00ea \u00e9 l\u00e1 da terrinha\u201d. Olho-o interrogativamente e ele aponta um bordado, de n\u00e3o mais de dois cent\u00edmetros, na minha pasta: \u201cCear\u00e1\u201d. E pergunta: \u201cEst\u00e1 chovendo por l\u00e1?\u201d<\/p>\n<p>Doutra feita, em um hotel de S\u00e3o Paulo, onde transcorria a reuni\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Jornais (ANJ). Aproximo-me de uma m\u00e1quina de caf\u00e9, onde atendia um rapaz. N\u00e3o havia fila organizada, as pessoas se aglomeravam no balc\u00e3o e ele servia os que estavam mais pr\u00f3ximos. Ao me ver, ele levanta uma x\u00edcara por cima das cabe\u00e7as; eu pego, meio constrangido por furar a fila. E ele, como justificativa, aponta para o meu crach\u00e1 \u2013 no qual, abaixo do meu nome, a inscri\u00e7\u00e3o: O POVO, Fortaleza, Cear\u00e1 \u2013 e diz: \u201cPrimeiro os conterr\u00e2neos\u201d, arrancando algumas risadas simp\u00e1ticas dos que estavam pr\u00f3ximos. Quando o movimento diminui, troco algumas palavras com ele: me diz ser de Morada Nova, como o chefe dos gar\u00e7ons, que dava prefer\u00eancia para contratar moradonovenses, a maioria da equipe.<\/p>\n<p>Agora, me digam: isso ocorreria no encontro de dois \u201csudestinos\u201d?<\/p>\n<p>N\u00f3s, brasileiros, n\u00e3o temos o h\u00e1bito de nos identificarmos como \u201camericanos\u201d e nem mesmo como \u201csul-americanos\u201d, mas consideramos os povos oriundos de qualquer pa\u00eds da \u00c1frica como africanos. E, convenhamos, n\u00e3o existe maior \u201cconstru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica\u201d do que a \u00c1frica.<\/p>\n<p>Agora, vejam como pode adquirir tom positivo essa \u201cconstru\u00e7\u00e3o\u201d africana. Na Copa do Mundo, ao perder a \u00c1frica do Sul, os sul-africanos continuaram a torcer pelos pa\u00edses de seu continente, at\u00e9 cair a resistente sele\u00e7\u00e3o de Gana. Ou seja, mesmo que seja uma identifica\u00e7\u00e3o m\u00ednima, talvez, fugaz, isso deve ter-lhes dito algo: n\u00f3s somos um povo que t\u00eam algo em comum.<\/p>\n<p>Esses exemplos soam positivos ou negativos? Far\u00edamos n\u00f3s o mesmo com a sele\u00e7\u00e3o da Argentina, por exemplo?<\/p>\n<p>O que eu quero dizer \u00e9 que considero equivocado que tomemos como depreciativa a denomina\u00e7\u00e3o de nordestinos ou o sentimento de nordestinidade e de cearensidade (que tamb\u00e9m \u00e9 uma \u201cconstru\u00e7\u00e3o\u201d). Essa tornou-se uma for\u00e7a identit\u00e1ria altamente positiva e impulsionadora de a\u00e7\u00f5es nas mais diversas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Como diz o professor Diatahy, creio que apenas as \u201cmentalidades medianas\u201d, ou abaixo disso, veem o Nordeste com uma terra in\u00f3spita e um lugar \u00e1rido de intelig\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O deputado estadual Nelson Martins (PT), por meio de seu Twitter [@NelsonMartinsCE], prop\u00f5e o movimento #orgulhode sernordestino, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s mensagens preconceituosas, xen\u00f3fobas e criminosas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[490,1594,1616,1838,2218],"class_list":["post-10568","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-cearensidade","tag-nelson-marrtins","tag-nordestinidade","tag-por-que-nao-me-orgulharia","tag-sim-o-nordeste-existe"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10568","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10568"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10568\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10568"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10568"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10568"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}