{"id":11413,"date":"2011-01-08T23:08:09","date_gmt":"2011-01-09T02:08:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=11413"},"modified":"2011-01-08T23:08:09","modified_gmt":"2011-01-09T02:08:09","slug":"orson-welles-esteve-no-ceara-e-tudo-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2011\/01\/08\/orson-welles-esteve-no-ceara-e-tudo-verdade\/","title":{"rendered":"Orson Welles esteve no Cear\u00e1: \u00e9 tudo verdade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_11415\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/01\/Orson-W.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11415\" class=\"size-medium wp-image-11415 \" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/01\/Orson-W-300x202.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"202\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/01\/Orson-W-300x202.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/01\/Orson-W-740x499.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/01\/Orson-W-120x81.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/01\/Orson-W.jpg 753w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11415\" class=\"wp-caption-text\">Clique para ampliar<\/p><\/div>\n<p>Um do livros que eu sempre recomendo aos visitantes do <strong>O POVO<\/strong> que levo \u00e0 loja das Edi\u00e7\u00f5es Dem\u00f3crito Rocha \u00e9 &#8220;Orson Welles no Cear\u00e1&#8221; (2001), de <strong>Firmino Holanda<\/strong>. Fazia-o pelo interesse do tema, mas confesso: sugeria sem ter lido o livro.<\/p>\n<p>Isso at\u00e9 hoje. Peguei o livro ontem \u00e0 noite, li-o pela metade e completei a leitura hoje &#8211; pois \u00e9 imposs\u00edvel come\u00e7ar o livro sem ficar com vontade de l\u00ea-lo todo.<\/p>\n<p><strong>Galeg\u00e3o legal<\/strong><\/p>\n<p>Fruto de uma \u00f3tima pesquisa, mas sem o ran\u00e7o academicista, Firmino nos leva a conhecer a passagem de Welles pelo Cear\u00e1; d\u00e1 um passeio pela Fortaleza da d\u00e9cada de 1940, mostra como a imprensa cobriu a chegada do &#8220;Napole\u00e3o do cinema&#8221;, o &#8220;Galeg\u00e3o legal&#8221; &#8211; e ainda faz pertinentes observa\u00e7\u00f5es sobre a clima pol\u00edtico da \u00e9poca e a pol\u00edtica da &#8220;boa vizinhan\u00e7a&#8221;, levada a cabo pelos americanos no per\u00edodo da Segunda Guerra.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que Welles &#8211; j\u00e1 famoso por &#8220;Cidad\u00e3o Kane&#8221; &#8211; chega ao Cear\u00e1 para filmar seu &#8220;It\u00b4s all true&#8221; (\u00e9 tudo verdade): uma saga vivida por quatro jangadeiros &#8211; Manuel Ol\u00edmpio Meira (o Jacar\u00e9, l\u00edder dos pescadores), Jer\u00f4nimo Andr\u00e9 de Souza, Raimundo Correia Lima (o Tat\u00e1) e Manuel Pereira da Silva (o Manuel Preto).<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11.6667px\">Em 1941 eles partem da Praia do Peixe (hoje Praia de Iracema) na jangada S\u00e3o Pedro com destino ao Rio de Janeiro (ent\u00e3o capital da Rep\u00fablica) para levar reivindica\u00e7\u00f5es dos pescadores diretamente ao presidente Get\u00falio Vargas. Depois de navegar durante 61 dias, um percurso de 2.381 km, sem b\u00fassola e sem carta de navega\u00e7\u00e3o &#8211; eles chegam ao Rio, onde s\u00e3o recebidos triunfalmente.<\/span><\/p>\n<p><strong>Coisas que eu n\u00e3o sabia sobre a pel\u00edcula e aprendi com o livro de Firmino<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.<\/strong> O filme era de epis\u00f3dios, um para ser rodado no M\u00e9xico e dois no Brasil (a saga dos jangadeiros e outro sobre o carnaval).<br \/>\n<strong> 2.<\/strong> O epis\u00f3dio sobre os jangadeiros n\u00e3o seria um document\u00e1rio propriamente dito, mas uma &#8220;recontagem&#8221; da aventura que come\u00e7a, no filme, com uma hist\u00f3ria de amor.<\/p>\n<p>A outra \u00e9 que eu pensava que Welles j\u00e1 viera fazer a filmagem com seu famoso esp\u00edrito rebelde e iconoclasta. No entanto, ele veio a servi\u00e7o da &#8220;pol\u00edtica da boa vizinhan\u00e7a&#8221;, da qual ele se considerava um representante.<\/p>\n<p><strong>Boa vizinhan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Mas \u00e9 \u00f3bvio que o talento do diretor n\u00e3o se enquadraria na bitola pol\u00edtica &#8211; nem do Estado Novo e nem dos interesses particulares dos Estados Unidos &#8211; e o conflito seria inevit\u00e1vel, o que levou a que Welles nunca pudesse completar o filme.<\/p>\n<p>Aos americanos interessava um Brasil idealizado: os executivos da RKO (a produtora) reclamavam que Welles s\u00f3 filmava &#8220;negros pulando&#8221; (refer\u00eancia ao epis\u00f3dio do Carnaval); o ditador Get\u00falio Vargas, tampouco queria que o mundo visse um Brasil mesti\u00e7o, com pescadores vivendo em casas de pau-a-pique.<\/p>\n<p><strong>Vin\u00edcius de Morais<\/strong><\/p>\n<p>No livro comparece tamb\u00e9m o poeta Vin\u00edcius de Morais, como um verdadeiro tiete de Welles. O cap\u00edtulo &#8220;O papel pol\u00edtico de Orson Welles&#8221; mostra como era entranhado o preconceito contra negros e mesti\u00e7os na sociedade brasileira &#8211; e sobra at\u00e9 para Vin\u00edcius de Morais, que atuava como censor do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda).<\/p>\n<p>Firmino reproduz um dos pareceres justificando a proibi\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio sobre o ensino, no qual o poeta se refere pejorativamente aos alunos &#8220;pretinhos&#8221; de uma escola. [Mas Firmino informa tamb\u00e9m que o &#8220;conservadorismo&#8221; de Vin\u00edcius &#8220;dissipou-se&#8221; sob a influ\u00eancia de Waldo Frank, um intelectual americano de esquerda.]\n<p><strong>Jacar\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>O mais tr\u00e1gico da aventura de Welles no Brasil foi a morte de Jacar\u00e9, quando o diretor reproduzia a chegada dos quatro pescadores no Rio de Janeiro, com eles mesmos atuando como atores. Um forte onda faz a jangada virar: Jer\u00f4nimo, Tat\u00e1 e Manuel Preto se salvam. O corpo de Jacar\u00e9 nunca ser\u00e1 encontrado.<\/p>\n<p>Sup\u00f5e-se que ele tenha batido a cabe\u00e7a no casco da jangada, pois os quatro eram ex\u00edmios nadadores.<\/p>\n<p><strong>Livro<\/strong><\/p>\n<p>A obra de Firmo \u00e9 recomendada para aqueles que gostam de cinema, para os que gostam de hist\u00f3ria, para os que gostam de ver revelados fatos sociais muitas vezes desprezados pela historiografia &#8220;oficial&#8221; e tamb\u00e9m para aqueles que gostam de ler um livro bem escrito. Portanto, para todos os leitores.<\/p>\n<p><span style=\"color: #888888\"><strong>Indica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888\"><a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/adrianomacedo\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #3366ff\">Adriano Macedo<\/span><\/a>, via Twitter, me indicou v\u00eddeo no Youtube que mostra trecho do epis\u00f3dio dos jangandeiros, com o t\u00edtulo de &#8220;Four man on a raft&#8221; (quatro homens em uma jangada), que revela a habilidade de Welles na capta\u00e7\u00e3o de imagens e d\u00e1 uma ideia do que poderia ter sido o filme caso ele tivesse montado. A cena mostrada \u00e9 uma das que Firmino Holanda comenta no livro\u00a0<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=fpdxGygXPzM\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #3366ff\">Veja aqui.<\/span><\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um do livros que eu sempre recomendo aos visitantes do O POVO que levo \u00e0 loja das Edi\u00e7\u00f5es Dem\u00f3crito Rocha \u00e9 &#8220;Orson Welles no Cear\u00e1&#8221;&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26,1],"tags":[991,1407,1710],"class_list":["post-11413","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros","category-sem-categoria","tag-firmino-holanda","tag-livro","tag-orson-welles-no-ceara"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11413\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}