{"id":11903,"date":"2011-03-10T00:01:02","date_gmt":"2011-03-10T03:01:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=11903"},"modified":"2011-03-10T00:01:02","modified_gmt":"2011-03-10T03:01:02","slug":"twitter-faz-revolucao-ou-e-dinossauro-o-presidente-da-google","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2011\/03\/10\/twitter-faz-revolucao-ou-e-dinossauro-o-presidente-da-google\/","title":{"rendered":"Twitter faz revolu\u00e7\u00e3o ou \u00e9 dinossauro o presidente da Google?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_11904\" style=\"width: 276px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/03\/H\u00e9lio-R\u00f4la.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11904\" class=\"size-full wp-image-11904 \" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/03\/H\u00e9lio-R\u00f4la.jpg\" alt=\"\" width=\"266\" height=\"245\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/03\/H\u00e9lio-R\u00f4la.jpg 444w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/03\/H\u00e9lio-R\u00f4la-300x276.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/03\/H\u00e9lio-R\u00f4la-120x110.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 266px) 100vw, 266px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11904\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de H\u00e9lio Rola (clique para ampliar)<\/p><\/div>\n<p>Meu artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de 10\/3\/2011 do O POVO.<\/p>\n<p><strong>O presidente da Google \u00e9 um dinossauro?<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o de 17\/2 escrevi o artigo <strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/midias-sociais-twitter-nao-faz-revolucao\/\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #0000ff\">Twitter n\u00e3o faz revolu\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/strong>, afirmando que \u201cas m\u00eddias sociais s\u00e3o isso mesmo que dizem o seu nome: meios\u201d, minimizando o poder que alguns analistas lhes atribuem nas revoltas \u00e1rabes.<\/p>\n<p>No pr\u00f3prio Twitter, um dos usu\u00e1rios classificou-me como \u201cdino\u201d (dinossauro) pela an\u00e1lise que fiz. Para os que pensam rasamente, basta que milhares de pessoas estejam conectadas para que revolu\u00e7\u00f5es surjam por gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. No blog, onde reproduzo os artigos, um leitor me acusou de ter copiado um texto do jornalista Paulo Henrique Amorim, a quem n\u00e3o leio.<\/p>\n<p>Pois bem. Em entrevista \u00e0 revista Veja (edi\u00e7\u00e3o de 2\/3), Eric Schmidt, presidente da Google &#8211; e um dos respons\u00e1veis pela empresa ser o que ela \u00e9 hoje -, disse o seguinte: \u201cQuem diz que Google e Facebook ou Twitter foram respons\u00e1veis pela revolu\u00e7\u00e3o no Egito incide num erro e comete uma injusti\u00e7a. Celulares redes sociais, sites se internet s\u00e3o apenas isto: ferramentas\u201d.<\/p>\n<p>Tudo bem que uma declara\u00e7\u00e3o de Schmit n\u00e3o \u00e9 chancela da verdade (muito menos quando eu digo). Mas ele poderia ser chamado impunemente de algo como &#8211; \u201cdino\u201d?<\/p>\n<p>Ou algu\u00e9m o classificaria de plagiador por usar um argumento comum aos que se filiam a essa ideia? (Se bem que, por uma obra do acaso, ele tivesse lido o meu texto, aproveitando-o, eu n\u00e3o me queixaria). O que muita gente n\u00e3o percebe \u00e9 que em torno de determinados fatos surgem correntes de opini\u00e3o nas quais alguns argumentos podem se repetir.<\/p>\n<p>Mais um coisa: na edi\u00e7\u00e3o deste jornal de 4\/3 Thomas Friedman relaciona v\u00e1rias quest\u00f5es que podem estar influenciando na revolta \u00e1rabe, entre elas o Google Earth, por permitir aos \u00e1rabes observar o fausto dos pal\u00e1cios em que vivem seus governantes, enquanto eles se apertam para sobreviver.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que algu\u00e9m ainda duvida que o levante \u00e1rabe aconteceria mesmo sem as redes sociais, ainda que pudesse demorar um ou dois anos mais?<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #999999\">Abaixo seguem a entrevista de Eric Schmidt \u00e0 revista Veja e o artigo de Thomas Friedman, publicado no O POVO.<!--more--><br \/>\n<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Entrevista Eric Schmidt<br \/>\n<strong> A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 digital<\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Revista Veja &#8211; edi\u00e7\u00e3o de 2\/3\/2011<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Prestes a deixar a presid\u00eancia do Google, o executivo afirma que a empresa chegou \u00e0 maturidade e minimiza a import\u00e2ncia da internet nas revoltas populares dos pa\u00edses \u00e1rabes<\/strong><\/p>\n<p>No dia 20 de janeiro deste ano, o executivo americano Eric Schmidt publicou em sua conta no Twitter uma mensagem antol\u00f3gica: \u201cSupervis\u00e3o di\u00e1ria de adulto j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1ria!\u201d. Quem seguiu o link associado a essa frase descobriu que, no dia 4 de abril, Schmidt, 55 anos, deixar\u00e1 o cargo de presidente que ocupa h\u00e1 quase dez anos no Google, devolvendo-o a um de seus fundadores \u2014 Larry Page, hoje com 37 anos. Quando Schmidt chegou \u00e0 companhia, em agosto de 2001, o Google despontava como uma das mais extraordin\u00e1rias iniciativas do Vale do Sil\u00edcio \u2014 por oferecer, com efici\u00eancia in\u00e9dita, o essencial  servi\u00e7o de busca na internet. O Google \u00e9 hoje muito mais do que uma empresa de buscas. Desenvolveu o Android e o Chrome, sistemas operacionais para celulares e computadores, e possui dezenas de servi\u00e7os da internet \u2014 entre eles o YouTube, o principal portal de v\u00eddeos da rede. \u00c9 temido por gigantes como a Apple e a Microsoft \u2014 embora tamb\u00e9m seja desafiado por rec\u00e9m-chegados, como o Facebook. Ao deixar a presid\u00eancia executiva, Schmidt n\u00e3o se desliga do Google (que lhe deu um \u201cpresente\u201d de 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares em agradecimento pelos servi\u00e7os prestados): mant\u00e9m-se no cargo de presidente do conselho. Nesta entrevista, ele fala sobre a companhia que ajudou a consolidar e sobre as novas fronteiras do mundo da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Por que a mudan\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o do Google?<\/strong><br \/>\nSomos uma empresa que vive da inova\u00e7\u00e3o. Somos tamb\u00e9m uma empresa que cresceu vertiginosamente. Nosso desafio neste momento \u00e9 impedir que haja uma perda de agilidade, uma ossifica\u00e7\u00e3o. Sempre tivemos uma estrutura peculiar. Por dez anos, eu, Larry Page e Sergey Brin dirigimos a companhia juntos, tomamos em conjunto todas as grandes decis\u00f5es. E funcionou. Nos \u00faltimos tempos, contudo, observamos que as discuss\u00f5es e as decis\u00f5es estavam consumindo um tempo enorme. Chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que seria melhor se uma \u00fanica pessoa tomasse todas as decis\u00f5es sobre os produtos que desenvolvemos. Essa pessoa ser\u00e1 Larry. Com a mudan\u00e7a, quem trabalhar no Google saber\u00e1 exatamente quem procurar na hora de tomar decis\u00f5es importantes. Esse era um processo que n\u00e3o estava ocorrendo com a velocidade adequada. Mudamos para ter uma estrutura mais clara. Dito isso, \u00e9 importante frisar que as grandes linhas estrat\u00e9gicas continuam valendo. Al\u00e9m disso, eu e Sergey continuaremos sendo os principais conselheiros do novo presidente executivo. Sergey vai dedicar uma por\u00e7\u00e3o maior do seu tempo a pensar em novos neg\u00f3cios. E eu vou cuidar das rela\u00e7\u00f5es, digamos assim, com o mundo externo. Como dar esta entrevista.<\/p>\n<p>No tweet em que anunciou a nova estrutura de comando do Google, o senhor afirmou que Page e Brin j\u00e1 n\u00e3o necessitam de \u201csupervis\u00e3o adulta\u201d. Eles chegaram mesmo \u00e0 maturidade?<br \/>\nLarry e Sergey j\u00e1 sabem tudo o que eu sei. Minha experi\u00eancia n\u00e3o \u00e9 mais crucial. Foi no come\u00e7o, quando, embora brilhantes, eles eram verdes. Mas nos \u00faltimos cinco anos eles estiveram t\u00e3o imersos quanto poderiam estar na dire\u00e7\u00e3o de uma grande empresa global. N\u00f3s constru\u00edmos a empresa, levamos processos de todos os lados, enfrentamos advers\u00e1rios pesos-pesados, desenvolvemos produtos. As li\u00e7\u00f5es foram absorvidas. Larry, que assume a presid\u00eancia, j\u00e1 n\u00e3o padece de hesita\u00e7\u00f5es. Ele tem a experi\u00eancia e a sabedoria.<\/p>\n<p><strong>Na semana passada, o vice-primeiro-ministro russo de certa forma culpou o Google pela revolu\u00e7\u00e3o que dep\u00f4s Hosni Mubarak no Egito. O senhor assume alguma parcela de responsabilidade pelo que acontece nos pa\u00edses \u00e1rabes?<br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #000000\"> Eu rejeito esse tipo de afirma\u00e7\u00e3o. Quem diz que o Google, o Facebook ou o Twitter foram respons\u00e1veis pela revolu\u00e7\u00e3o no Egito ou em qualquer pa\u00eds vizinho incide num erro e comete uma injusti\u00e7a. A revolu\u00e7\u00e3o foi feita pelos eg\u00edpcios. Muitos pagaram com a vida por participar dela. Foi uma quest\u00e3o interna, relacionada \u00e0 demografia de um pa\u00eds cheio de jovens com pouco emprego, muita repress\u00e3o, muita desigualdade. Isso \u00e9 que deve ser lembrado.<\/span><\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o real poder pol\u00edtico e mobilizador das ferramentas digitais da internet?<\/strong><br \/>\nCelulares, redes sociais, sites da internet, s\u00e3o apenas isto: ferramentas. Permitem que as pessoas organizem e comuniquem seus pensamentos de maneira mais eficiente, mas n\u00e3o podem nada sem as pessoas a lhes dar vida. E, como toda ferramenta, podem ser usados pelos dois lados do conflito \u2014 como de fato aconteceu no Egito, por exemplo. Sempre \u00e9 bom lembrar que nenhuma pessoa caiu, ou jamais cair\u00e1, morta alvejada por um tweet.<\/p>\n<p>Algum dia a internet ter\u00e1 na China, onde o Google encontrou tantas dificuldades para atuar, o mesmo papel que vem tendo nos pa\u00edses \u00e1rabes?<br \/>\nA China est\u00e1 na vanguarda do controle. Tem sido incrivelmente eficiente em suprimir a express\u00e3o de ideias que desafiem o regime. N\u00f3s decidimos n\u00e3o mais nos submeter a essa censura. Mas isso s\u00f3 significa que n\u00e3o queremos compactuar com aquele sistema. Estou entre os que acreditam que a cada dia ser\u00e1 mais dif\u00edcil para a China exercer esse tipo de repress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A veicula\u00e7\u00e3o de an\u00fancios responde por 97% da receita do Google. Nisso a empresa \u00e9 bem tradicional, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s amamos an\u00fancios! Em certo sentido, podemos dizer que o Google \u00e9 uma empresa de publicidade. Acreditamos que a publicidade oferece \u00e0s pessoas algo valioso: possibilita a elas encontrar aquilo que procuram. Mas, para que isso aconte\u00e7a, a publicidade deve ser direcionada. Um an\u00fancio que n\u00e3o vai em busca de quem realmente quer v\u00ea-lo \u00e9 irrelevante, um desperd\u00edcio de tempo e dinheiro. Nossa tecnologia permite mostrar o an\u00fancio certo para a pessoa certa. Por isso, arrebanhamos mais consumidores do que qualquer outra solu\u00e7\u00e3o de publicidade anterior. No jarg\u00e3o de neg\u00f3cios, oferecemos o melhor retorno sobre o investimento em propaganda que se pode encontrar.<\/p>\n<p><strong>Para fazer esse tipo de direcionamento de publicidade, o Google precisa garimpar, a um custo consider\u00e1vel, um grande volume de informa\u00e7\u00f5es sobre seus usu\u00e1rios. Ao passo que em redes sociais como o Facebook boa parte dessa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 oferecida de gra\u00e7a e voluntariamente. Nesta semana, o Facebook tornou-se um dos dez maiores veiculadores de publicidade on-line dos Estados Unidos. Ele \u00e9 uma amea\u00e7a para voc\u00eas?<br \/>\n<\/strong> N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia, neste momento, de que o sistema do Facebook nos impe\u00e7a de crescer. Pelo contr\u00e1rio. Seus usu\u00e1rios se valem mais do Google do que os usu\u00e1rios comuns de internet. Ou seja, n\u00e3o estamos competindo nesse plano. No momento, quem est\u00e1 perdendo \u00e9 a publicidade off-line, tradicional. Na internet, o bolo aumenta para todos.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a estrat\u00e9gia do Google para redes sociais?<\/strong><br \/>\nQueremos fazer as coisas de modo um pouco diferente. Se voc\u00ea concordar em nos dar informa\u00e7\u00e3o sobre seus h\u00e1bitos, n\u00f3s lhe daremos uma experi\u00eancia melhor na busca, em nossos mapas, no Youtube. Queremos usar as informa\u00e7\u00f5es sociais para melhorar nossas ferramentas, n\u00e3o para competir diretamente com o Facebook.<\/p>\n<p><strong>Durante um bom tempo, o senhor fez parte do conselho da Apple. Teve de sair quando o Google passou a investir no Android, um sistema operacional para celulares. Sua rela\u00e7\u00e3o com Steve Jobs ficou estremecida?<br \/>\n<\/strong> A possibilidade de que em um momento ou outro o Google entrasse no mercado de celulares sempre esteve no horizonte. Jobs sabia disso quando fui admitido no conselho. Quando passamos a investir no Android, surgiu um conflito \u00e9tico palp\u00e1vel e o desfecho foi o esperado. N\u00e3o houve briga nem conflito.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor descreveria Jobs?<\/strong><br \/>\nEle \u00e9 o mais bem-sucedido, o mais brilhante executivo americano dos \u00faltimos cinquenta anos, talvez mais. Ningu\u00e9m tem o seu hist\u00f3rico. Ele merece de fato a designa\u00e7\u00e3o de g\u00eanio, quando falamos no design de produtos. Seu pensamento \u00e9 melhor, mais agudo, do que o de qualquer outra pessoa com quem eu tenha trabalhado. Ele merece toda a aten\u00e7\u00e3o que recebe.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre a estrat\u00e9gia do Google e a da Apple para celulares?<\/strong><br \/>\nOs produtos da Apple s\u00e3o engenhosos, \u00fateis e funcionam muito bem uns com os outros. O problema com a Apple \u00e9 que ela leva seus clientes para um sistema fechado. Voc\u00ea tem de usar seus aparelhos, seus programas, seus aplicativos. Se voc\u00ea quer criar um aplicativo para o iPhone ou para o iPad, vai ter de se submeter a um procedimento de aprova\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tem de comprar tudo nas lojas da Apple. E assim por diante. O Android \u00e9 o oposto disso. Oferecemos uma plataforma que funciona em v\u00e1rios tipos de aparelho, n\u00e3o estabelecemos restri\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o de aplicativos nem cobramos uma taxa de 30% para distribu\u00ed-los, como a Apple faz. \u00c9 um modelo aberto. E o resultado \u00e9 que o Android j\u00e1 tem mais volume de vendas que o iPhone, e continua crescendo. Nosso ecossistema ser\u00e1 consideravelmente maior que o da Apple. Isso n\u00e3o significa que o modelo da Apple vai morrer. Haver\u00e1 quem busque essa experi\u00eancia fechada. Mas os consumidores, em geral, gostam de ter alternativas. \u00c9 isso que o Android lhes oferece.<\/p>\n<p><strong>Quando o senhor chegou ao Google, a Microsoft era o competidor a ser batido. Isso mudou nestes dez anos?<\/strong><br \/>\nCompito com a Microsoft h\u00e1 25 anos. Ela continua sendo a principal advers\u00e1ria do Google, e creio que ser\u00e1 assim ainda por um bom tempo. Eles t\u00eam o Bing, uma alternativa ao sistema de busca que \u00e9 nossa fonte prim\u00e1ria de renda. Eles t\u00eam mais gente, mais dinheiro, mais opera\u00e7\u00f5es globais. Neste momento, por\u00e9m, sinto que eles n\u00e3o t\u00eam a mesma agilidade que n\u00f3s temos para atuar neste mundo novo em que Facebook e Twitter s\u00e3o os desafiantes. Mas quem sabe o que eles t\u00eam escondido na manga?<\/p>\n<p><strong>O Google \u00e9 um dos patrocinadores da Universidade da Singularidade, que explora, mais que a intelig\u00eancia artificial, maneiras de \u201cfundir\u201d homens e m\u00e1quinas. O senhor \u00e9 um adepto dessa linha de a\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/strong> Nas vers\u00f5es mais extremas da singularidade, o tipo de intelig\u00eancia que se observa nas redes de computadores de certa forma afeta, ou mesmo substitui, o c\u00e9rebro humano. Prefiro ficar mais perto da experi\u00eancia cotidiana, olhar para as maneiras como nossos produtos tecnol\u00f3gicos podem tornar melhor a vida humana. Esse \u00e9 um dos objetivos do Google, se voc\u00ea assim quiser. Aprendemos como conectar as pessoas e fazer coisas incr\u00edveis com as informa\u00e7\u00f5es que elas tornam dispon\u00edveis \u2014 volunt\u00e1ria e conscientemente, deixe-me frisar, pois ao menos no Google n\u00e3o queremos invadir a esfera \u00edntima de ningu\u00e9m. Desenvolvemos maneiras de lidar com volumes inauditos de informa\u00e7\u00e3o e tirar deles algo que tem estrutura e sentido. Podemos predizer e monitorar eventos que antes estavam fora do nosso alcance. N\u00e3o creio que esses avan\u00e7os not\u00e1veis da intelig\u00eancia artificial p\u00f5em em risco, de maneira alguma, nossa experi\u00eancia como seres de carne e osso. Reconhecer que os computadores realizam certas tarefas melhor do que nosso c\u00e9rebro \u2014 e, em certo sentido, podem substitu\u00ed-lo \u2014 n\u00e3o \u00e9 o mesmo que desejar que eles nos substituam.<\/p>\n<p><strong>Na Europa e nos Estados Unidos, o Google sofre processos por concorr\u00eancia desleal. Sugere-se nas a\u00e7\u00f5es que a empresa, em seus resultados de busca, promove de maneira indevida seus pr\u00f3prios servi\u00e7os em detrimento dos de competidores. O Google faz isso?<\/strong><br \/>\nNosso compromisso sempre foi escolher o melhor resultado para quem faz a busca \u2014 para o consumidor final, por assim dizer. Todas as modifica\u00e7\u00f5es que fizemos no nosso sistema de busca at\u00e9 hoje tiveram em vista tal finalidade \u2014 e essa \u00e9, em linhas gerais, a nossa defesa nessas a\u00e7\u00f5es. Os tribunais t\u00eam recebido bem essa abordagem.<\/p>\n<p><strong>Ao difundir, de gra\u00e7a, aquilo que as empresas tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o produzem, o Google n\u00e3o contribui para matar uma atividade fundamental para nossas sociedades \u2014 o jornalismo?<\/strong><br \/>\nO mundo mudou para as empresas tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o. Podemos ajudar essas empresas a encontrar solu\u00e7\u00f5es para tirar rendimento de seus produtos neste novo mundo tecnol\u00f3gico. Essa \u00e9 uma das tarefas a que devo me dedicar nos pr\u00f3ximos tempos.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Este \u00e9 apenas o come\u00e7o<\/strong><br \/>\n<strong>Thomas Friedman<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>O POVO &#8211; edi\u00e7\u00e3o de 4\/3\/2011<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Os futuros historiadores ainda quebrar\u00e3o a cabe\u00e7a, por muito tempo, sobre a forma como a autoimola\u00e7\u00e3o de um vendedor de rua da Tun\u00edsia, Mohamed Bouazizi, em protesto contra o confisco de sua banca de frutas, conseguiu provocar revoltas populares em todo o mundo \u00e1rabe e mu\u00e7ulmano. Sabemos quais s\u00e3o as grandes causas \u2013 a tirania, o aumento do pre\u00e7o das comidas, o desemprego dos jovens e a m\u00eddia social. Mas, desde que estou no Egito, fui montando a minha lista de adivinha\u00e7\u00f5es sobre o que chamo de \u201cfor\u00e7as n\u00e3o-t\u00e3o-\u00f3bvias\u201d, que alimentaram essa revolta em massa. Aqui est\u00e1:<\/p>\n<p><strong>O FATOR OBAMA<\/strong>: Os norte-americanos nunca apreciaram completamente a a\u00e7\u00e3o radical que fizemos \u2013 aos olhos do resto do mundo \u2013 na elei\u00e7\u00e3o de um afro-americano com um sobrenome Hussein para presidente. Estou convencido de que ouvir o discurso de Obama no Cairo em 2009 \u2013 n\u00e3o as palavras, mas o homem \u2013 foi mais do que alguns \u00e1rabes jovens estavam dizendo para si mesmo: \u201cHummm, vamos ver. Ele \u00e9 jovem. Eu sou jovem. Ele tem a pele negra. Eu tenho a pele negra. Um sobrenome dele \u00e9 Hussein. O meu nome \u00e9 Hussein. O av\u00f4 dele \u00e9 mu\u00e7ulmano. Meu av\u00f4 \u00e9 mu\u00e7ulmano. Ele \u00e9 presidente dos Estados Unidos. E eu sou um jovem desempregado \u00e1rabe, sem voto e sem voz no meu futuro\u201d. Eu colocaria isso no meu mix de for\u00e7as que est\u00e3o alimentando estas revoltas.<\/p>\n<p><strong>GOOGLE EARTH<\/strong>: Enquanto o Facebook foca o tempo todo no Egito, na Tun\u00edsia e no Bahrein, n\u00e3o se esque\u00e7a do Google Earth, que come\u00e7ou a provocar turbul\u00eancias pol\u00edticas no Bahrein em 2006. Um grande problema no Bahrein, particularmente entre os homens xiitas que querem se casar e construir lares, \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o desigual da terra. Em 27 de novembro de 2006, \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es parlamentares no Bahrein, o Washington Post publicou a not\u00edcia a partir de l\u00e1: \u201cMahmood, que vive em uma casa com os pais, os quatro irm\u00e3os e os filhos, disse que ficou ainda mais frustrado quando procurou Bahrein no Google Earth e viu vastas extens\u00f5es de terras vazias, enquanto dezenas de milhares de xiitas, principalmente pobres, foram esmagadas juntas em pequenas e densas \u00e1reas. \u2018Somos 17 pessoas aglomeradas em uma casa pequena, assim como muitas pessoas no sul\u2019, disse ele. \u2018E voc\u00ea v\u00ea no Google como muitos pal\u00e1cios existem e como a al-Khalifas (a fam\u00edlia sunita governante) tem o resto do pa\u00eds para si mesmos\u2019. Os ativistas de Bahrein t\u00eam incentivado as pessoas a dar uma olhada no pa\u00eds por meio do Google Earth e criaram um grupo de usu\u00e1rios especiais, cujos membros t\u00eam acesso a mais de 40 imagens dos pal\u00e1cios reais.\u201d<\/p>\n<p><strong>ISRAEL<\/strong>: A rede de TV \u00e1rabe Al-Jazeera tem uma grande equipe fazendo a cobertura em Israel hoje. Aqui est\u00e3o algumas das hist\u00f3rias que foram aparecendo para o mundo \u00e1rabe: o ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, teve de renunciar, porque foi acusado de estar, ilicitamente, com envelopes recheados de dinheiro de um patrocinador judaico-americano. Um tribunal israelense condenou recentemente o ex-presidente de Israel Moshe Katsav de duas acusa\u00e7\u00f5es de estupro, baseado em acusa\u00e7\u00f5es feitas por ex-funcion\u00e1rios. E s\u00f3 h\u00e1 poucas semanas, Israel, no \u00faltimo segundo, revogou a nomea\u00e7\u00e3o do major-general Yoav Galant como novo chefe do ex\u00e9rcito depois que ambientalistas israelenses estimularam uma investiga\u00e7\u00e3o do governo, que concluiu que Galant havia conseguido terra p\u00fablica perto de sua casa. (Voc\u00ea pode ver a casa dele no Google Maps!) Isso certamente causou alguns risos no Egito, onde a venda de terras resultou em enormes lucros e, da noite para o dia, virou o assunto do Cairo no ano passado. Quando se vive perto de um pa\u00eds que est\u00e1 levando \u00e0 Justi\u00e7a os seus l\u00edderes por causa de corrup\u00e7\u00e3o e se vive em um pa\u00eds onde muitos dos principais l\u00edderes s\u00e3o corruptos, bem, voc\u00ea percebe.<\/p>\n<p><strong>AS OLIMP\u00cdADAS DE PEQUIM<\/strong>: A China e o Egito foram duas grandes civiliza\u00e7\u00f5es submetidas ao imperialismo e foram muito pobres na d\u00e9cada de 1950, com a China ainda mais pobre do que o Egito \u2013 Edward Goldberg, professor de estrat\u00e9gia empresarial, escreveu no The Globalist. Mas, hoje, a China construiu a segunda maior economia do mundo, e o Egito ainda vive de ajuda estrangeira. O que voc\u00ea acha que os jovens eg\u00edpcios pensaram quando assistiram \u00e0 cerim\u00f4nia de abertura deslumbrante dos Jogos Ol\u00edmpicos de Pequim em 2008? Os Jogos Ol\u00edmpicos da China foi outro despertar \u2013 \u201cde uma forma que os Estados Unidos ou o Ocidente jamais poderiam ser\u201d \u2013 dizendo aos jovens eg\u00edpcios que havia algo muito errado com o pa\u00eds deles, afirmou Goldberg.<\/p>\n<p><strong>O FATOR FAYYAD<\/strong>: O primeiro-ministro palestino Salam Fayyad apresentou uma nova forma de governo no mundo \u00e1rabe nos \u00faltimos tr\u00eas anos, algo que eu tenho chamado de \u201cFayyadismo\u201d. Ou seja: julgue-me sobre o meu desempenho, em como eu entrego os servi\u00e7os p\u00fablicos e recolho o lixo e crio empregos \u2013 n\u00e3o apenas em como eu \u201cresisto\u201d ao Ocidente ou a Israel. Todos os \u00e1rabes podem estar relacionados a isso. Os chineses tiveram de desistir da liberdade, mas obtiveram o crescimento econ\u00f4mico e um governo decente em troca. Os \u00e1rabes tiveram de desistir de liberdade e obtiveram o conflito \u00e1rabe-israelense e o desemprego em troca.<\/p>\n<p>Some tudo isso e o que isso significa? Isso significa que voc\u00ea tem uma converg\u00eancia muito forte das for\u00e7as motrizes de um amplo movimento de mudan\u00e7a. Significa que estamos apenas no come\u00e7o de algo grande. E significa que, se n\u00e3o tivermos uma pol\u00edtica mais grave de energia, a diferen\u00e7a entre um dia bom e um dia ruim para a Am\u00e9rica, a partir de agora, vai depender de como o rei de 86 anos da Ar\u00e1bia Saudita administra toda essa mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Daniela Nogueira<\/p>\n<p><strong>Thomas Friedman<\/strong><br \/>\nColunista de assuntos internacionais do New York Times, Friedman j\u00e1 ganhou tr\u00eas vezes o pr\u00eamio Pulitzer de jornalismo. \u00c9 autor do best-seller O Mundo \u00e9 Plano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de 10\/3\/2011 do O POVO. O presidente da Google \u00e9 um dinossauro? 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