{"id":11992,"date":"2011-03-27T19:10:28","date_gmt":"2011-03-27T22:10:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=11992"},"modified":"2011-03-27T19:10:28","modified_gmt":"2011-03-27T22:10:28","slug":"escritora-ana-miranda-manifesta-seu-horror-com-a-derrubada-de-arvores-na-aldeota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2011\/03\/27\/escritora-ana-miranda-manifesta-seu-horror-com-a-derrubada-de-arvores-na-aldeota\/","title":{"rendered":"Escritora Ana Miranda manifesta seu horror com a derrubada de \u00e1rvores na Aldeota"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_11994\" style=\"width: 406px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/03\/Aerofolhas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11994\" class=\"size-full wp-image-11994 \" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/03\/Aerofolhas.jpg\" alt=\"\" width=\"396\" height=\"309\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/03\/Aerofolhas.jpg 565w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/03\/Aerofolhas-300x234.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/03\/Aerofolhas-120x94.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11994\" class=\"wp-caption-text\">Aerofolhas, de H\u00e9lio R\u00f4la (clique para ampliar)<\/p><\/div>\n<p>Em seu artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de hoje (27\/3\/2011), &#8220;R\u00e9quiem para um bosque&#8221;, a escritora Ana Miranda manifesta seu horror frente ao abate das \u00e1rvores e o sacrif\u00edcio de outros seres vivos que habitavam o local. Literalmente, passou-se o trator sobre todas as \u00e1rvores que havia no local.<\/p>\n<p>O terreno, em uma das \u00e1reas mais nobres da cidade, foi vendido pelo ex-senador Tasso Jereissati ao grupo BSpar, do empres\u00e1rio Beto Studart. No local, dever\u00e3o ser constru\u00eddas tr\u00eas torres, para com\u00e9rcio, resid\u00eancia e hotelaria.<\/p>\n<p><strong>Veja trechos do artigo<\/strong><\/p>\n<p>\u00abMeu Deus, quanta tristeza, quanta perplexidade diante do desaparecimento desse nosso bosque, em pleno cora\u00e7\u00e3o da Cidade.\u00bb<br \/>\n<span style=\"color: #ff6600\"> &#8230;<\/span><br \/>\n\u00abQuem ter\u00e1 coragem de morar naquele cemit\u00e9rio, naquele ermo devastado radicalmente e com crueldade enquanto a cidade estava em festa, na calada do domingo de Carnaval? N\u00e3o podiam deixar ao menos as \u00e1rvores que ficavam nas bordas do terreno, e na suposta \u00e1rea de lazer? N\u00e3o deviam ter levado os animais para outra mata? Ningu\u00e9m soube evitar ou antecipar uma perda que se anunciava? N\u00e3o h\u00e1 uma cota de percentual de devasta\u00e7\u00e3o? N\u00e3o h\u00e1 \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel? N\u00e3o h\u00e1 puni\u00e7\u00e3o? N\u00e3o h\u00e1 pulso?\u00bb<br \/>\n<span style=\"color: #ff6600\"> &#8230;<\/span><br \/>\n\u00abPassei por ali, e senti as emana\u00e7\u00f5es ruins do local. Imaginei as fam\u00edlias de soins que a mo\u00e7a viu, sobre o muro, aterrorizadas, a fugir e morrer entre os carros. Os p\u00e1ssaros debandando sem seus filhotes.\u00bb<br \/>\n<span style=\"color: #ff6600\"> &#8230;<\/span><br \/>\n\u00abVi que ao lado h\u00e1 outro bosque, esperando tamb\u00e9m o seu destino. Que n\u00e3o seja mais um r\u00e9quiem.\u00bb<br \/>\n<span style=\"color: #ff6600\"> &#8230;<\/span><br \/>\n\u00abTodos n\u00f3s cometemos erros, mas sempre h\u00e1 como repar\u00e1-los, que fa\u00e7am um mea-culpa, tendo em vista tamb\u00e9m a pr\u00f3pria biografia, todos temos a obriga\u00e7\u00e3o de respeitar a dignidade de nossos antepassados, nossas \u00e1rvores geneal\u00f3gicas, e preservar o mundo para nossos descendentes.\u00bb<br \/>\n<span style=\"color: #ff6600\"> &#8230;<\/span><\/p>\n<p><strong>Veja mat\u00e9rias que O POVO publicou sobre o assunto<\/strong>: <a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/app\/opovo\/fortaleza\/2011\/03\/10\/noticiafortalezajornal,2111242\/derrubada-de-arvores-causa-polemica.shtml\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #0000ff\">Derrubada de \u00e1rvores causa pol\u00eamica<\/span><\/a> (10\/3\/2011), <a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/app\/opovo\/fortaleza\/2011\/03\/15\/noticiafortalezajornal,2113364\/mp-investiga-corte-de-arvores.shtml\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #0000ff\">MP investiga corte de \u00e1rvores<\/span><\/a> (15\/3\/2011), <a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/app\/opovo\/fortaleza\/2011\/03\/16\/noticiafortalezajornal,2113731\/parceria-com-construtoras-ira-recuperar-areas-verdes.shtml\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #0000ff\">Parceria com construtora ir\u00e1 recuperar \u00e1reas verdes<\/span><\/a> (16\/3\/2011).<\/p>\n<p>No entanto, em dezembro do ano passado, Magela Lima, editor do N\u00facleo de Entretenimento e Cultura do O POVO, j\u00e1 chamava a aten\u00e7\u00e3o sobre o assunto com o artigo <a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/app\/opovo\/opiniao\/2010\/12\/06\/noticiaopiniaojornal,2074158\/ao-consorcio-bspar-diagonal-e-rossi.shtml\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #0000ff\">Ao cons\u00f3rcio BSpar, Diagonal e Rossi<\/span><\/a>.<\/p>\n<p><span style=\"color: #666699\"><strong>Leia o artigo completo de Ana Miranda.<!--more--><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>R\u00e9quiem para um bosque<\/strong><br \/>\nAna Miranda<\/p>\n<p>Meu Deus, quanta tristeza, quanta perplexidade diante do desaparecimento desse nosso bosque, em pleno cora\u00e7\u00e3o da Cidade. Quantas l\u00e1grimas e revolta pela derrubada das \u00e1rvores, mangueiras frondosas, cajueiros&#8230; oitis? cumarus? aroeiras? paus-d\u2019arco? onde est\u00e1 a lista? tantos desses seres mansos, que viviam ali enclausurados e sem reclamar, a s\u00f3 nos fazer o bem. As \u00e1rvores parecem indefesas, mas a sua aus\u00eancia \u00e9 o nosso castigo, o seu desaparecimento \u00e9 o pior dos venenos. Somos n\u00f3s que penamos essas mortes, em cada gota de suor que poreja nossa fronte, em cada carbono que respiramos, em cada tumor de pele ou pulm\u00e3o, em cada muralha \u00e1rida que resta e com que nos obrigamos a conviver, como prisioneiros do cimento, em cada praga, eros\u00e3o, alagamento, e somos n\u00f3s que n\u00e3o descansamos em paz.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais o frescor do bosque, a sombra, a brisa, nem mais a beleza de seu porte, a candura de seu dossel onde habitavam tantos soins, passarinhos, gavi\u00f5es, cassacos, borboletas, besouros, formigas, n\u00e3o h\u00e1 mais troncos nem galhos nem folhas nem flores nem frutos nem ninhos, tudo est\u00e1 morto, transformado numa terra desolada, onde pretendem erguer edif\u00edcios. O local comporta tr\u00eas torres com todos os seus desdobramentos? Quem ter\u00e1 coragem de morar naquele cemit\u00e9rio, naquele ermo devastado radicalmente e com crueldade enquanto a cidade estava em festa, na calada do domingo de Carnaval? N\u00e3o podiam deixar ao menos as \u00e1rvores que ficavam nas bordas do terreno, e na suposta \u00e1rea de lazer? N\u00e3o deviam ter levado os animais para outra mata? Ningu\u00e9m soube evitar ou antecipar uma perda que se anunciava? N\u00e3o h\u00e1 uma cota de percentual de devasta\u00e7\u00e3o? N\u00e3o h\u00e1 \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel? N\u00e3o h\u00e1 puni\u00e7\u00e3o? N\u00e3o h\u00e1 pulso?<\/p>\n<p>N\u00e3o sejamos ing\u00eanuos, todos aqueles edif\u00edcios que cercam o antigo bosque, todos os edif\u00edcios da Cidade extinguiram bosques ou mangueiras centen\u00e1rias ou ac\u00e1cias imperiais ou umbuzeiros ou coqueirais ou casas graciosas ou hist\u00f3ricas, ou praias ou pra\u00e7as ou mangues ou dunas, todo crescimento urbano significa destrui\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 quem se preocupe em amenizar esse aniquilamento, h\u00e1 quem, apesar da inc\u00faria dos poderes, tenha um cintilar de agudeza e gaste um pouquinho do deus-dinheiro a fim de manter vivas algumas \u00e1rvores de que dependemos para viver melhor, ou melhor, para continuarmos vivos. E valorizar suas obras dentro de conceitos inteligentes. Benditos sejam. Um dos lugares mais valorizados da Cidade fica em torno de uma pracinha no Papicu, cheia de \u00e1rvores e cuidada pelos moradores.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s cometemos erros, mas sempre h\u00e1 como repar\u00e1-los, que fa\u00e7am um mea-culpa, tendo em vista tamb\u00e9m a pr\u00f3pria biografia, todos temos a obriga\u00e7\u00e3o de respeitar a dignidade de nossos antepassados, nossas \u00e1rvores geneal\u00f3gicas, e preservar o mundo para nossos descendentes. Que os nossos netos n\u00e3o tenham vergonha de n\u00f3s. N\u00e3o \u00e9 repara\u00e7\u00e3o do erro a reforma de pra\u00e7as que logo depois ser\u00e3o abandonadas, nem replantar \u00e1rvores onde h\u00e1 \u00e1rvores, ou a ado\u00e7\u00e3o de pra\u00e7as. Isso deve ser feito como pr\u00e1tica do comportamento cotidiano dos poderosos, dos empres\u00e1rios, dos governantes, e da popula\u00e7\u00e3o. O justo seria que esse precioso bosque que a Cidade acaba de perder fosse replantado e o lugar transformado em pra\u00e7a p\u00fablica, pois esse caso, pela crueldade com que foi perpetrado, tornou-se um s\u00edmbolo e precisa ser tratado como s\u00edmbolo. Todos os dias o nosso Estado assiste a esta devasta\u00e7\u00e3o: a obra de abertura de estrada para a praia de Porto das Dunas vem derrubando in\u00fameras \u00e1rvores frondosas; prefeituras cortam \u00e1rvores e cal\u00e7am de pedras o local, \u201cpara n\u00e3o ajuntar povo na sombra\u201d; uma senhora quer cortar duas \u00e1rvores em frente a sua casa porque \u201cos carros estacionam\u201d; uma fam\u00edlia mandou cortar um jambeiro, pois estava \u201cdesequilibrando o muro e juntando menino\u201d; uma casa com seu quintal arborizado deu lugar a um estacionamento sob o sol. Caminh\u00f5es com despojos s\u00e3o vistos pelas ruas e estradas a despejar os restos de bosques e \u00e1rvores e jardins sabe-se l\u00e1 onde. \u00c1rvores e \u00e1rvores e \u00e1rvores s\u00e3o mutiladas, sob o nome de \u201cpoda\u201d.<\/p>\n<p>Passei por ali, e senti as emana\u00e7\u00f5es ruins do local. Imaginei as fam\u00edlias de soins que a mo\u00e7a viu, sobre o muro, aterrorizadas, a fugir e morrer entre os carros. Os p\u00e1ssaros debandando sem seus filhotes. As joaninhas e cris\u00e1lidas esmagadas. N\u00e3o \u00e9 crime ambiental matar animais silvestres? Dona Teresa quase foi presa porque tinha em casa um papagaio de estima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vi que ao lado h\u00e1 outro bosque, esperando tamb\u00e9m o seu destino. Que n\u00e3o seja mais um r\u00e9quiem.<\/p>\n<p>ANA MIRANDA \u00e9 escritora, autora de Boca do Inferno, Desmundo, Dias &amp; Dias, Yuxin, entre outros romances, editados pela Companhia das Letras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seu artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de hoje (27\/3\/2011), &#8220;R\u00e9quiem para um bosque&#8221;, a escritora Ana Miranda manifesta seu horror frente ao abate das \u00e1rvores&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[165,193,244,381],"class_list":["post-11992","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambientalismo","tag-aldeota","tag-ana-miranda","tag-arvores","tag-bosque"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11992"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11992\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}