{"id":13253,"date":"2011-08-15T12:27:16","date_gmt":"2011-08-15T15:27:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=13253"},"modified":"2011-08-15T12:27:16","modified_gmt":"2011-08-15T15:27:16","slug":"principios-editoriais-das-organizacoes-globo-um-passo-ainda-pequeno-adiante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2011\/08\/15\/principios-editoriais-das-organizacoes-globo-um-passo-ainda-pequeno-adiante\/","title":{"rendered":"&#8220;Princ\u00edpios editoriais das Organiza\u00e7\u00f5es Globo&#8221;: um passo (ainda pequeno) adiante"},"content":{"rendered":"<p>Somente agora, 15 de agosto, gra\u00e7as ao feriado de N. S. da Assun\u00e7\u00e3o, padroeira de Fortaleza (e tamb\u00e9m Dia de Iemanj\u00e1 por essas bandas) \u00e9 que pude ler com aten\u00e7\u00e3o o documento &#8220;Princ\u00edpios editoriais das Organiza\u00e7\u00f5es Globo&#8221;, divulgado no in\u00edcio do m\u00eas por todos os seus ve\u00edculos.<\/p>\n<p><strong>Espera<\/strong><\/p>\n<p>Houve aqueles que <a href=\"http:\/\/www.fndc.org.br\/internas.php?p=noticias&amp;cont_key=717592\" target=\"_blank\">atacaram<\/a>, como atacam tudo proveniente da Rede Globo; houve os que tiveram optaram pela <a href=\"http:\/\/www.fndc.org.br\/internas.php?p=noticias&amp;cont_key=717442\" target=\"_blank\">expectativa<\/a> do que vir\u00e1 na era p\u00f3s-compromisso p\u00fablico que as Organiza\u00e7\u00f5es Globo fazem com seus leitores, espectadores e ouvintes. Eu vou tentar fazer uma an\u00e1lise, que submeto aos eventuais leitores.<\/p>\n<p><strong>Contas<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, parece \u00f3bvio que a mais importante rede de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds percebeu que n\u00e3o poderia mais continuar agindo como sempre agiu. Ou seja, abster-se de prestar contas de como conduz o seu jornalismo.<\/p>\n<p>Isso, segundo o pr\u00f3prio documento deu-se pela &#8220;consolida\u00e7\u00e3o da Era Digital&#8221;: ou seja, antes o jornalismo era uma via de m\u00e3o \u00fanica, uma esp\u00e9cie de &#8220;eu falo, voc\u00ea escuta e estamos conversados&#8221;. Hoje, o jornalismo tornou-se um di\u00e1logo: o receptor tornou-se tamb\u00e9m um emissor. Por isso, as coisas nunca mais ser\u00e3o como antes.<\/p>\n<p>A Globo tem plena consci\u00eancia de que \u00e9 preciso adaptar-se \u00e0 nova era.<\/p>\n<p><strong>Autorregulamenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em segundo lugar, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornais (ANJ), depois de um debate interno, resolveu incluir em seu estatuto um cap\u00edtulo denominado <a href=\"http:\/\/www.anj.org.br\/quem-somos\/codigo-de-etica\" target=\"_blank\">Do c\u00f3digo de \u00e9tica e autorregulamenta\u00e7\u00e3o<\/a>, incentivando os seus associados a estabelecerem mecanismos desse tipo. Nesse cap\u00edtulo, um &#8220;par\u00e1grafo \u00fanico&#8221; estabelece: &#8220;As associadas dever\u00e3o adotar, de forma transparente, mecanismos e crit\u00e9rios pr\u00f3prios de autorregulamenta\u00e7\u00e3o, e que sejam de conhecimento do p\u00fablico leitor&#8221;.<\/p>\n<p>Portanto, a meu ver, \u00e0 parte em se ver obrigada a dar respostas a seus cr\u00edticos que pululam na Internet, as Organiza\u00e7\u00f5es Globo tamb\u00e9m quiseram dar o exemplo, como um integrante da ANJ, da qual seu jornal \u00e9 um dos filiados mais influentes.<\/p>\n<p><strong>Debate<\/strong><\/p>\n<p>Por\u00e9m, o m\u00e1ximo a que a ANJ conseguiu chegar foi a essa leve sugest\u00e3o aos seus associados. Observem que o &#8220;par\u00e1grafo \u00fanico&#8221; soa como um mero conselho e n\u00e3o como uma obriga\u00e7\u00e3o. Assim, ficar\u00e1 a cargo de jornais &#8211; que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o se preocuparam em adotar nem mesmo um ombudsman ou Conselho de Leitores -, a decis\u00e3o de estabelecerem &#8220;mecanismos de autorregula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A proposta da ANJ \u00e9 muito d\u00e9bil para responder ao movimento, cada vez mais crescente, que exige um estatuto de regulagem para os meios de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Conselho<\/strong><\/p>\n<p>O teto ser\u00e1, portanto, documentos como esse da Globo, que s\u00e3o cartas de inten\u00e7\u00f5es. A ANJ deve ao p\u00fablico leitor algo mais firme nesse sentido, estabelecendo, por exemplo, algo como o <a href=\"http:\/\/www.anj.org.br\/quem-somos\/codigo-de-etica\" target=\"_blank\">Conar<\/a> (Conselho Nacional de Autorregulamenta\u00e7\u00e3o Publicit\u00e1ria). Mecanismo que j\u00e1 existe em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, que \u00e9 um conselho ao qual, quem se sentir ofendido por algum ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o possa recorrer, sem precisar apelar para um processo judicial.<\/p>\n<p><strong>Princ\u00edpios<\/strong><\/p>\n<p>Dito isso, n\u00e3o resta a menor d\u00favida de que o fato de as Organiza\u00e7\u00e3o Globo se sentirem no dever de emitir um documento desse tipo \u00e9 algo de import\u00e2ncia, um pequeno passo, \u00e9 verdade, mas relevante.<\/p>\n<p>Eu li o documento todo, e \u00e9 uma boa pe\u00e7a de como se deve fazer jornalismo &#8211; e de como os jornalistas devem se comportar em diversas situa\u00e7\u00f5es. Eu recomendo a sua leitura a todos os estudantes e tamb\u00e9m a profissionais. H\u00e1 o que aprender no texto.<\/p>\n<p><strong>Queixas<\/strong><\/p>\n<p>E, a partir de agora, os leitores, ouvintes e telespectadores das Organiza\u00e7\u00f5es Globo ter\u00e3o algo a que se apegar quando quiserem fazer alguma cr\u00edtica. O documento oferece uma boa base para se cobrar que a Globo fa\u00e7a jornalismo com isen\u00e7\u00e3o e de interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>&#x2666;<\/strong> <\/span>[Obs.<strong> O POVO<\/strong> criou o cargo de <a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/colunas\/ombudsman\/\" target=\"_blank\">Ombudsman<\/a> em 1994, fun\u00e7\u00e3o que existe em apenas dois jornais do pa\u00eds (o outro, a Folha de S. Paulo); desde de 1998, funciona um Conselho de Leitores, com 15 integrantes, eleitos pela Reda\u00e7\u00e3o do jornal. Sua <a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/app\/opovo\/ombudsman\/2010\/11\/19\/ombudsmannoticia,2066904\/carta-de-principios-do-o-povo.shtml\" target=\"_blank\">Carta de Princ\u00edpios<\/a> e seu <a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/app\/opovo\/ombudsman\/2010\/11\/19\/ombudsmannoticia,2066906\/codigo-de-etica-da-empresa-jornalistica-o-povo.shtml\" target=\"_blank\">C\u00f3digo de \u00c9tica<\/a> datam de 1989.]\n<p><span style=\"color: #888888\">Veja o documento: &#8220;Princ\u00edpios editoriais das Organiza\u00e7\u00f5es Globo&#8221;.<!--more--><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p>PRINC\u00cdPIOS EDITORIAIS DAS ORGANIZA\u00c7\u00d5ES GLOBO<\/p>\n<p>Desde 1925, quando O Globo foi fundado por Irineu Marinho, as empresas jornal\u00edsticas das Organiza\u00e7\u00f5es Globo, comandadas por quase oito d\u00e9cadas por Roberto Marinho, agem de acordo com princ\u00edpios que as conduziram a posi\u00e7\u00f5es de grande sucesso: o \u00eaxito \u00e9 decorr\u00eancia direta do bom jornalismo que praticam. Certamente houve erros, mas a posi\u00e7\u00e3o de sucesso em que se encontram hoje mostra que os acertos foram em maior n\u00famero. Tais princ\u00edpios foram praticados por gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es de maneira intuitiva, sem que estivessem formalizados ordenadamente num c\u00f3digo. Cada uma de nossas reda\u00e7\u00f5es sempre esteve imbu\u00edda deles, e todas puderam, at\u00e9 aqui, se pautar por eles. Por que, ent\u00e3o, formaliz\u00e1-los neste documento?<\/p>\n<p>Com a consolida\u00e7\u00e3o da Era Digital, em que o indiv\u00edduo isolado tem facilmente acesso a uma audi\u00eancia potencialmente ampla para divulgar o que quer que seja, nota-se certa confus\u00e3o entre o que \u00e9 ou n\u00e3o jornalismo, quem \u00e9 ou n\u00e3o jornalista, como se deve ou n\u00e3o proceder quando se tem em mente produzir informa\u00e7\u00e3o de qualidade. A Era Digital \u00e9 absolutamente bem-vinda, e, mais ainda, essa multid\u00e3o de indiv\u00edduos (isolados ou mesmo em grupo) que utiliza a internet para se comunicar e se expressar livremente. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, ela obriga a que todas as empresas que se dedicam a fazer jornalismo expressem de maneira formal os princ\u00edpios que seguem cotidianamente. O objetivo \u00e9 n\u00e3o somente diferenciar-se, mas facilitar o julgamento do p\u00fablico sobre o trabalho dos ve\u00edculos, permitindo, de forma transparente, que qualquer um verifique se a pr\u00e1tica \u00e9 condizente com a cren\u00e7a. As Organiza\u00e7\u00f5es Globo, diante dessa necessidade, oferecem ao p\u00fablico o documento \u201cPrinc\u00edpios Editoriais das Organiza\u00e7\u00f5es Globo\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que, para a maioria, ele n\u00e3o traga novidades. Se isso acontecer, ser\u00e1 algo positivo: um sinal de que a maior parte das pessoas reconhece uma informa\u00e7\u00e3o de qualidade, mesmo neste mundo em que basta ter um computador conectado \u00e0 internet para se comunicar.<\/p>\n<p>Desde logo, \u00e9 preciso esclarecer que n\u00e3o se tratou de elaborar um manual de reda\u00e7\u00e3o. O que se pretendeu foi explicitar o que \u00e9 imprescind\u00edvel ao exerc\u00edcio, com integridade, da pr\u00e1tica jornal\u00edstica, para que, a partir dessa base, os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo possam atualizar ou construir os seus manuais, consideradas as especificidades de cada um. O trabalho tem o pre\u00e2mbulo \u201cBreve defini\u00e7\u00e3o de jornalismo\u201d e tr\u00eas se\u00e7\u00f5es: a) Os atributos da informa\u00e7\u00e3o de qualidade; b) Como o jornalista deve proceder diante das fontes, do p\u00fablico, dos colegas e do ve\u00edculo para o qual trabalha; c) Os valores cuja defesa \u00e9 um imperativo ao jornalismo.<\/p>\n<p>O documento resultou de muita reflex\u00e3o, e sua mat\u00e9ria-prima foi a nossa experi\u00eancia cotidiana de quase nove d\u00e9cadas. Levou em conta os nossos acertos, para que sejam reiterados, mas tamb\u00e9m os nossos erros, para que seja poss\u00edvel evit\u00e1-los. O que nele est\u00e1 escrito \u00e9 um compromisso com o p\u00fablico, que agora assinamos em nosso nome e de nossos filhos e netos.<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, 6 de agosto de 2011<\/p>\n<p>Roberto Irineu Marinho<br \/>\nJo\u00e3o Roberto Marinho<br \/>\nJos\u00e9 Roberto Marinho<\/p>\n<p>BREVE DEFINI\u00c7\u00c3O DE JORNALISMO<\/p>\n<p>De todas as defini\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de jornalismo, a que as Organiza\u00e7\u00f5es Globo adotam \u00e9 esta: jornalismo \u00e9 o conjunto de atividades que, seguindo certas regras e princ\u00edpios, produz um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas. Qualquer fato e qualquer pessoa: uma crise pol\u00edtica grave, decis\u00f5es governamentais com grande impacto na sociedade, uma guerra, uma descoberta cient\u00edfica, um desastre ambiental, mas tamb\u00e9m a narrativa de um atropelamento numa esquina movimentada, o surgimento de um buraco na rua, a descri\u00e7\u00e3o de um assalto \u00e0 loja da esquina, um casamento real na Europa, as novas regras para a declara\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda ou mesmo a biografia das celebridades instant\u00e2neas. O jornalismo \u00e9 aquela atividade que permite um primeiro conhecimento de todos esses fen\u00f4menos, os complexos e os simples, com um grau aceit\u00e1vel de fidedignidade e corre\u00e7\u00e3o, levando-se em conta o momento e as circunst\u00e2ncias em que ocorrem. \u00c9, portanto, uma forma de apreens\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p>Antes, costumava-se dizer que o jornalismo era a busca pela verdade dos fatos. Com a populariza\u00e7\u00e3o confusa de uma discuss\u00e3o que remonta ao surgimento da filosofia (existe uma verdade e, se existe, \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7\u00e1-la?), essa defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica passou a ser v\u00edtima de toda sorte de mal-entendidos. A simplifica\u00e7\u00e3o chegou a tal ponto que, hoje, n\u00e3o \u00e9 raro ouvir que, n\u00e3o existindo nem verdade nem objetividade, o jornalismo como busca da verdade n\u00e3o passa de uma utopia. \u00c9 um entendimento equivocado. N\u00e3o se trata aqui de enveredar por uma discuss\u00e3o sem fim, mas a tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica mais densa dir\u00e1 que a verdade pode ser inesgot\u00e1vel, inalcan\u00e7\u00e1vel em sua plenitude, mas existe; e que, se a objetividade total certamente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, h\u00e1 t\u00e9cnicas que permitem ao homem, na busca pelo conhecimento, minimizar a graus aceit\u00e1veis o subjetivismo.<\/p>\n<p>\u00c9 para contornar essa simplifica\u00e7\u00e3o em torno da \u201cverdade\u201d que se opta aqui por definir o jornalismo como uma atividade que produz conhecimento. Um conhecimento que ser\u00e1 constantemente aprofundado, primeiro pelo pr\u00f3prio jornalismo, em reportagens anal\u00edticas de maior f\u00f4lego, e, depois, pelas ci\u00eancias sociais, em especial pela Hist\u00f3ria. Quando uma crise pol\u00edtica eclode, por exemplo, o entendimento que se tem dela \u00e9 superficial, mas ele vai se adensando ao longo do tempo, com fatos que v\u00e3o sendo descobertos, investiga\u00e7\u00f5es que v\u00e3o sendo feitas, personagens que resolvem falar. A crise s\u00f3 ser\u00e1 mais bem entendida, por\u00e9m, e jamais totalmente, anos depois, quando trabalhada por historiadores, com o estudo de documentos inacess\u00edveis no momento em que ela surgiu. Dizer, portanto, que o jornalismo produz conhecimento, um primeiro conhecimento, \u00e9 o mesmo que dizer que busca a verdade dos fatos, mas traduz com mais humildade o car\u00e1ter da atividade. E evita confus\u00f5es.<\/p>\n<p>Dito isso, fica mais f\u00e1cil dar um passo adiante. Pratica jornalismo todo ve\u00edculo cujo prop\u00f3sito central seja conhecer, produzir conhecimento, informar. O ve\u00edculo cujo objetivo central seja convencer, atrair adeptos, defender uma causa, faz propaganda. Um est\u00e1 na \u00f3rbita do conhecimento; o outro, da luta pol\u00edtico-ideol\u00f3gica. Um jornal de um partido pol\u00edtico, por exemplo, n\u00e3o deixa de ser um jornal, mas n\u00e3o pratica jornalismo, n\u00e3o como aqui definido: noticia os fatos, analisa-os, opina, mas sempre por um prisma, sempre com um vi\u00e9s, o vi\u00e9s do partido. E sempre com um prop\u00f3sito: o de conquistar seguidores. Faz propaganda. Algo bem diverso de um jornal generalista de informa\u00e7\u00e3o: este noticia os fatos, analisa-os, opina, mas com a inten\u00e7\u00e3o consciente de n\u00e3o ter um vi\u00e9s, de tentar traduzir a realidade, no limite das possibilidades, livre de prismas. Produz conhecimento. As Organiza\u00e7\u00f5es Globo ter\u00e3o sempre e apenas ve\u00edculos cujo prop\u00f3sito seja conhecer, produzir conhecimento, informar.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que um jornal impresso, uma revista, um telejornal, um notici\u00e1rio de r\u00e1dio e um site noticioso na internet podem ter diversas se\u00e7\u00f5es e abrigam muitos g\u00eaneros: o notici\u00e1rio propriamente dito, os editoriais com a opini\u00e3o do ve\u00edculo, an\u00e1lises de especialistas, artigos opinativos de colaboradores, cronistas, cr\u00edticos. E \u00e9 igualmente evidente que a opini\u00e3o do ve\u00edculo v\u00ea a realidade sob o prisma das cren\u00e7as e valores do pr\u00f3prio ve\u00edculo. Da mesma forma, um cronista comentar\u00e1 a realidade impregnado de seu subjetivismo, assim como os articulistas convidados a fazer as an\u00e1lises. Livre de prismas e de vieses, pelo menos em inten\u00e7\u00e3o, restar\u00e1 apenas o notici\u00e1rio. Mas, se de fato o objetivo do ve\u00edculo for conhecer, informar, haver\u00e1 um esfor\u00e7o consciente para que a sua opini\u00e3o seja contradita por outras e para que haja cronistas, articulistas e analistas de v\u00e1rias tend\u00eancias.<br \/>\nEm resumo, portanto, jornalismo \u00e9 uma atividade cujo prop\u00f3sito central \u00e9 produzir um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas.<\/p>\n<p>SE\u00c7\u00c3O I<br \/>\nOS ATRIBUTOS DA INFORMA\u00c7\u00c3O DE QUALIDADE<\/p>\n<p>Para que o jornalismo produza conhecimento, que princ\u00edpios deve seguir? O trabalho jornal\u00edstico tem de ser feito buscando-se isen\u00e7\u00e3o, corre\u00e7\u00e3o e agilidade. Porque s\u00f3 tem valor a informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica que seja isenta, correta e prestada com rapidez, os seus tr\u00eas atributos de qualidade.<\/p>\n<p>1) A isen\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Isen\u00e7\u00e3o \u00e9 a palavra-chave em jornalismo. E t\u00e3o problem\u00e1tica quanto \u201cverdade\u201d. Sem isen\u00e7\u00e3o, a informa\u00e7\u00e3o fica enviesada, viciada, perde qualidade. Diante, por\u00e9m, da pergunta eterna \u2013 \u00e9 poss\u00edvel ter 100% de isen\u00e7\u00e3o? \u2013 a resposta \u00e9 um simples n\u00e3o. Assim como a verdade \u00e9 inexaur\u00edvel, \u00e9 imposs\u00edvel que algu\u00e9m possa se despir totalmente do seu subjetivismo. Isso n\u00e3o quer dizer, contudo, que seja imposs\u00edvel atingir um grau bastante elevado de isen\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel, desde que haja um esfor\u00e7o consciente do ve\u00edculo e de seus profissionais para que isso aconte\u00e7a. E que certos princ\u00edpios sejam seguidos. S\u00e3o eles:<\/p>\n<p>a) Os ve\u00edculos jornal\u00edsticos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo devem ter a isen\u00e7\u00e3o como um objetivo consciente e formalmente declarado. Todos os seus n\u00edveis hier\u00e1rquicos, nos v\u00e1rios departamentos, devem levar em conta este objetivo em todas as decis\u00f5es;<\/p>\n<p>b) Na apura\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de uma reportagem, seja ela factual ou anal\u00edtica, os diversos \u00e2ngulos que cercam os acontecimentos que ela busca retratar ou analisar devem ser abordados. O contradit\u00f3rio deve ser sempre acolhido, o que implica dizer que todos os diretamente envolvidos no assunto t\u00eam direito \u00e0 sua vers\u00e3o sobre os fatos, \u00e0 express\u00e3o de seus pontos de vista ou a dar as explica\u00e7\u00f5es que considerar convenientes;<\/p>\n<p>c) Isso n\u00e3o quer dizer que o relato e\/ou an\u00e1lise de fatos ser\u00e3o sempre uma justaposi\u00e7\u00e3o de vers\u00f5es. Ao contr\u00e1rio, o jornalista deve se esfor\u00e7ar para deixar claro o que realmente aconteceu, quando isso for poss\u00edvel. Se uma apura\u00e7\u00e3o, durante a qual se ouvem v\u00e1rias fontes, estabelecer como fato que certa autoridade disse isso ou aquilo durante uma reuni\u00e3o fechada, o relato deve ser assertivo, sem o uso do condicional. Ser\u00e1 dito que \u201ca autoridade disse isso e aquilo\u201d, em vez de \u201ca autoridade teria dito isso e aquilo\u201d. Se a autoridade negar a afirma\u00e7\u00e3o publicamente, deve-se registrar a atitude, n\u00e3o para invalidar a apura\u00e7\u00e3o, mas porque a negativa passa a ser ela pr\u00f3pria uma informa\u00e7\u00e3o para o julgamento do p\u00fablico. O condicional s\u00f3 ser\u00e1 usado quando a apura\u00e7\u00e3o n\u00e3o for suficiente para que o jornalista consolide uma convic\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>d) N\u00e3o pode haver assuntos tabus. Tudo aquilo que for de interesse p\u00fablico, tudo aquilo que for not\u00edcia, deve ser publicado, analisado, discutido;<\/p>\n<p>e) Ningu\u00e9m pode ser perseguido por se recusar a participar de uma reportagem; da mesma forma, ningu\u00e9m pode ser favorecido por faz\u00ea-lo;<\/p>\n<p>f) Todos os jornalistas envolvidos na apura\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de uma reportagem, em qualquer n\u00edvel hier\u00e1rquico, devem se esfor\u00e7ar ao m\u00e1ximo para deixar de lado suas idiossincrasias e gostos pessoais. Gostar ou n\u00e3o de um assunto ou personagem n\u00e3o \u00e9 crit\u00e9rio para que algo seja ou n\u00e3o publicado. O crit\u00e9rio \u00e9 ser not\u00edcia;<\/p>\n<p>g) A hierarquia, numa reda\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental para que o trabalho jornal\u00edstico possa ser feito a tempo e \u00e0 hora. E a decis\u00e3o final caber\u00e1 sempre \u00e0quele que estiver no comando. Ocupantes de cargos de chefia e dire\u00e7\u00e3o devem, contudo, ter ouvidos abertos a cr\u00edticas e argumenta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias. O trabalho jornal\u00edstico \u00e9 essencialmente coletivo, e errar\u00e3o menos aqueles que ouvirem mais. Porque aquilo que pode parecer certo, acima de d\u00favidas, confrontado com outros argumentos, pode se revelar apenas fruto de gosto pessoal, idiossincrasia ou preconceito;<\/p>\n<p>h) \u00c9 imperativo que n\u00e3o haja filtros na composi\u00e7\u00e3o das reda\u00e7\u00f5es. Quanto mais diversa for uma reda\u00e7\u00e3o \u2013 em termos de gostos, cren\u00e7as, tend\u00eancias pol\u00edticas, orienta\u00e7\u00e3o sexual, origens social e geogr\u00e1fica \u2013 mais isenta ser\u00e1 a escolha dos assuntos a serem cobertos, discutidos e analisados, e mais abrangente a acolhida dos pontos de vista em torno deles. Esse objetivo n\u00e3o se alcan\u00e7a estabelecendo-se cotas, mas simplesmente evitando-se filtros. Os jornalistas devem ser escolhidos entre os mais capazes em suas \u00e1reas e fun\u00e7\u00f5es, entre aqueles que t\u00eam a democracia e a liberdade de express\u00e3o como valores absolutos e universais;<\/p>\n<p>i) As Organiza\u00e7\u00f5es Globo s\u00e3o apartid\u00e1rias, e os seus ve\u00edculos devem se esfor\u00e7ar para assim ser percebidos;<\/p>\n<p>j) As Organiza\u00e7\u00f5es Globo s\u00e3o laicas, e os seus ve\u00edculos devem se esfor\u00e7ar para assim ser percebidos;<\/p>\n<p>k) As Organiza\u00e7\u00f5es Globo repudiam todas as formas de preconceito, e seus ve\u00edculos devem se esfor\u00e7ar para assim ser percebidos;<\/p>\n<p>l) As Organiza\u00e7\u00f5es Globo s\u00e3o independentes de governos, e os seus ve\u00edculos devem se esfor\u00e7ar para assim ser percebidos;<\/p>\n<p>m) As Organiza\u00e7\u00f5es Globo s\u00e3o independentes de grupos econ\u00f4micos, e os seus ve\u00edculos devem se esfor\u00e7ar para assim ser percebidos. Por esse motivo, as decis\u00f5es editoriais sobre reportagens envolvendo anunciantes ser\u00e3o tomadas a partir dos mesmos crit\u00e9rios usados em rela\u00e7\u00e3o aos que n\u00e3o sejam anunciantes;<\/p>\n<p>n) As Organiza\u00e7\u00f5es Globo s\u00e3o entusiastas do Brasil, de sua diversidade, de sua cultura e de seu povo, tema principal de seus ve\u00edculos. Isso em nenhuma hip\u00f3tese abrir\u00e1 espa\u00e7o para a xenofobia ou desd\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a outros povos e culturas;<\/p>\n<p>o) Os jornalistas das Organiza\u00e7\u00f5es Globo devem evitar situa\u00e7\u00f5es que possam provocar d\u00favidas sobre o seu compromisso com a isen\u00e7\u00e3o. Por exemplo, pode acontecer que atividades sociais ou econ\u00f4micas de parentes tenham impacto no trabalho cotidiano ou eventual dos jornalistas. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m que haja rela\u00e7\u00e3o de amizade entre jornalistas e personalidades p\u00fablicas ou personagens que estejam em destaque no notici\u00e1rio ou que venham a estar. Em casos dessa natureza ou assemelhados, os jornalistas nessa situa\u00e7\u00e3o devem comunicar o fato a seus superiores, que dever\u00e3o encontrar meios de superar o conflito. Jornalistas em cargo de chefia ou que lidem diretamente com assuntos econ\u00f4micos n\u00e3o podem fazer investimentos diretos em empresas ou em suas a\u00e7\u00f5es na Bolsa de Valores para que n\u00e3o venham a ser acusados de publicar reportagens positivas ou negativas sobre elas em benef\u00edcio pr\u00f3prio (o investimento em fundos \u00e9 permitido). De maneira geral, todo jornalista, na administra\u00e7\u00e3o de seus investimentos, deve evitar neg\u00f3cios com empresas ou institui\u00e7\u00f5es cujas atividades cubra cotidianamente. Em caso de d\u00favida, a dire\u00e7\u00e3o deve ser consultada;<\/p>\n<p>p) \u00c9 inadmiss\u00edvel que jornalistas das Organiza\u00e7\u00f5es Globo fa\u00e7am reportagens em benef\u00edcio pr\u00f3prio ou que deixem de fazer aquelas que prejudiquem seus interesses;<\/p>\n<p>q) Os jornalistas das Organiza\u00e7\u00f5es Globo n\u00e3o podem se engajar em campanhas pol\u00edticas, de forma alguma: nelas trabalhando, anunciando publicamente apoio a candidatos ou usando adere\u00e7os que os vinculem a partidos. Em seus manuais de reda\u00e7\u00e3o, os ve\u00edculos devem criar normas de quarentena para receber de volta jornalistas que tenham pedido demiss\u00e3o a fim de trabalhar para partidos, candidatos ou governos;<\/p>\n<p>r) Os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo devem ser transparentes em suas a\u00e7\u00f5es e em seus prop\u00f3sitos. Isso significa que o p\u00fablico ser\u00e1 sempre informado sobre as condi\u00e7\u00f5es em que forem feitas reportagens que fujam ao padr\u00e3o. Assim, para citar um exemplo, se for imperativo aceitar carona num avi\u00e3o governamental em determinada cobertura, isso ser\u00e1 dito ao p\u00fablico claramente e, sempre que poss\u00edvel, o governo ser\u00e1 ressarcido das despesas. Da mesma forma, quando uma decis\u00e3o editorial provocar questionamentos relevantes, abrangentes e leg\u00edtimos, os motivos que levaram a tal decis\u00e3o devem ser esclarecidos;<\/p>\n<p>s) Os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo estabelecer\u00e3o normas, em seus manuais de reda\u00e7\u00e3o, sobre como devem proceder seus jornalistas diante de convites e presentes. A regra geral \u00e9 que nada de valor deve ser aceito;<\/p>\n<p>t) Todo esfor\u00e7o deve ser feito para que o p\u00fablico possa diferenciar o que \u00e9 publicado como coment\u00e1rio, como opini\u00e3o, do que \u00e9 publicado como not\u00edcia, como informa\u00e7\u00e3o. Fora do notici\u00e1rio propriamente dito, os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo buscar\u00e3o ter um corpo de comentaristas, cronistas e colaboradores, fixos ou eventuais, que seja plural, representando o arco mais amplo de tend\u00eancias leg\u00edtimas em uma sociedade democr\u00e1tica. Articulistas, cronistas e colaboradores fixos t\u00eam de zelar para que os dados objetivos usados para sustentar suas opini\u00f5es estejam corretos. O mesmo deve acontecer com convidados, embora, neste caso, a responsabilidade pelo que \u00e9 dito seja deles e n\u00e3o do ve\u00edculo;<\/p>\n<p>u) Os jornalistas das Organiza\u00e7\u00f5es Globo agir\u00e3o sempre dentro da lei, procurando adaptar seus m\u00e9todos de apura\u00e7\u00e3o ao arcabou\u00e7o jur\u00eddico do pa\u00eds. Como o interesse p\u00fablico deve vir sempre em primeiro lugar, buscar\u00e3o o aux\u00edlio de especialistas para que n\u00e3o sejam v\u00edtimas de interpreta\u00e7\u00f5es superficiais da legisla\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>v) Uma pessoa poder\u00e1 ser apresentada como suspeita de crime ou irregularidade quando investiga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas, feitas segundo os preceitos deste documento, assim permitirem. A reportagem ter\u00e1 de trazer a vers\u00e3o da pessoa acusada, de forma ampla, se ela se dispuser a falar;<\/p>\n<p>w) Den\u00fancia an\u00f4nima n\u00e3o \u00e9 not\u00edcia; \u00e9 pauta, mesmo se a fonte for uma autoridade p\u00fablica: a den\u00fancia deve ser investigada \u00e0 exaust\u00e3o antes de ser publicada (ver se\u00e7\u00e3o II item 4-e);<\/p>\n<p>x) Den\u00fancias e acusa\u00e7\u00f5es, feitas em entrevistas por pessoas devidamente identificadas, que desfrutem de credibilidade, seja pelo cargo que ocupam, seja pela hist\u00f3ria de vida, podem ser publicadas, sem investiga\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, mas, necessariamente, acompanhadas pela vers\u00e3o dos acusados, de prefer\u00eancia no mesmo dia, quando estes se dispuserem a falar. Den\u00fancias feitas em entrevistas por pessoas sem credibilidade, como criminosos, por exemplo, mesmo se identificadas, devem ser exaustivamente investigadas, antes de serem publicadas;<\/p>\n<p>y) Uma reportagem pode legitimamente apresentar uma pessoa como suspeita de crime ou irregularidade quando a suspei\u00e7\u00e3o partir oficialmente de alguma autoridade p\u00fablica e estiver registrada em documento ou entrevista. O an\u00fancio oficial de que algu\u00e9m \u00e9 suspeito de crime ou irregularidade \u00e9 um fato, que pode ser registrado dependendo de sua relev\u00e2ncia para a sociedade. Ao jornalista, cabe informar sobre o est\u00e1gio em que se encontram as investiga\u00e7\u00f5es, devendo sempre cobrar os ind\u00edcios que levaram a autoridade a sustentar suas suposi\u00e7\u00f5es, publicando-os, acompanhados da vers\u00e3o da pessoa acusada, se ela se dispuser a falar. Se a autoridade errar e culpar um inocente, o fato deve ser publicado com o mesmo destaque, e a pol\u00edcia deve ser cobrada por seus erros;<\/p>\n<p>z) Os ve\u00edculos jornal\u00edsticos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo devem priorizar sempre suas pr\u00f3prias investiga\u00e7\u00f5es e publicar o que resultar delas apenas se houver convic\u00e7\u00e3o formada de que a reportagem \u00e9 leg\u00edtima. Dessa forma, n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica a publica\u00e7\u00e3o de repercuss\u00f5es sobre reportagens de outros ve\u00edculos. Isso s\u00f3 deve ocorrer se o exame da reportagem produzir, de imediato, a convic\u00e7\u00e3o de que nela h\u00e1 elementos de verdade. Do contr\u00e1rio, \u00e9 imperioso que haja investiga\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e, somente depois, se for o caso, repercutir a reportagem. H\u00e1 ocasi\u00f5es em que a mera publica\u00e7\u00e3o de uma reportagem produz efeitos instant\u00e2neos. Quando for assim, publicam-se os efeitos, descreve-se a reportagem, mas ressaltando-se a sua origem e, de modo algum, acolhendo-a como verdadeira. Tudo depender\u00e1 do caso, do assunto, do momento e dos efeitos que ela produzir. Mas pode-se dizer, de modo geral e a t\u00edtulo de exemplo, que um ministro emitir uma nota respondendo a uma reportagem n\u00e3o \u00e9 motivo suficiente para que um ve\u00edculo das Organiza\u00e7\u00f5es Globo a repercuta, antes de investiga\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria; a queda do ministro, por\u00e9m, sim, justifica a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2) A corre\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Corre\u00e7\u00e3o \u00e9 aquilo que d\u00e1 credibilidade ao trabalho jornal\u00edstico: nada mais danoso para a reputa\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo do que uma reportagem errada ou uma an\u00e1lise feita a partir de dados equivocados. O compromisso com o acerto deve ser, portanto, inabal\u00e1vel em todos os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo. \u00c9 evidente que, depois de tudo o que aqui j\u00e1 foi dito sobre o conceito de \u201cverdade\u201d, n\u00e3o \u00e9 demais dizer que estar correto \u00e9 procurar descrever e analisar os fatos da maneira mais acurada, dadas as circunst\u00e2ncias do momento. Nesse sentido, a corre\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo, uma constru\u00e7\u00e3o que vai se dando dia ap\u00f3s dia. O jornalista investiga os fatos, pouco a pouco, e vai montando um quebra-cabe\u00e7a. O retrato final estar\u00e1 ainda incompleto, \u00e0 espera da Hist\u00f3ria, mas ter\u00e1 de ser j\u00e1, necessariamente, uma silhueta com contornos vis\u00edveis. N\u00e3o h\u00e1 f\u00f3rmula, e nem jamais haver\u00e1, que torne o jornalismo imune a erros, por\u00e9m. Quando eles acontecem, \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo corrigi-los de maneira transparente, sem subterf\u00fagios, num movimento que \u00e9 ele pr\u00f3prio essencial \u00e0 busca da informa\u00e7\u00e3o correta. Um dos mecanismos que mais contribuem no controle de qualidade posterior \u00e0 publica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. \u00c9 essencial, portanto, que todos os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo tenham, cada um \u00e0 sua maneira, estruturas que recebam amplamente as observa\u00e7\u00f5es do p\u00fablico, cr\u00edticas ou elogiosas, para process\u00e1-las, entend\u00ea-las e dar seguimento a elas. Na busca pela corre\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio seguir os seguintes princ\u00edpios:<\/p>\n<p>a) Informa\u00e7\u00f5es, para serem publicadas, devem ser confirmadas pelo maior n\u00famero de fontes poss\u00edvel. Exce\u00e7\u00e3o feita \u00e0s informa\u00e7\u00f5es oficiais, de entidades p\u00fablicas ou privadas;<\/p>\n<p>b) Informa\u00e7\u00f5es e imagens enviadas pelo p\u00fablico pela internet s\u00f3 devem ser publicadas depois de averigua\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 sua veracidade. Na cobertura de eventos em que o trabalho de jornalistas esteja cerceado, haver\u00e1 casos em que ser\u00e1 necess\u00e1ria a publica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e imagens assim obtidas, sem averigua\u00e7\u00e3o, mas o p\u00fablico dever\u00e1 ser avisado de que n\u00e3o h\u00e1 como confirmar se s\u00e3o verdadeiras;<\/p>\n<p>c) O rigor com min\u00facias n\u00e3o \u00e9 exagero, mas obriga\u00e7\u00e3o. Todos os dados de uma reportagem \u2013 nomes, datas, locais, hor\u00e1rios, idades, endere\u00e7os, refer\u00eancias hist\u00f3ricas, descri\u00e7\u00f5es de processos, defini\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, termos de um contrato, explica\u00e7\u00f5es sobre formas de governo, enfim, tudo o que de objetivo houver numa reportagem \u2013 devem ser exatos, corretos, sem erros;<\/p>\n<p>d) Todo rep\u00f3rter \u00e9 respons\u00e1vel pela exatid\u00e3o daquilo que apura, mas, como em jornalismo quase tudo se faz coletivamente, todos os envolvidos na edi\u00e7\u00e3o de uma reportagem devem estar atentos para perceber inexatid\u00f5es. Expressar d\u00favidas sobre dados de uma reportagem antes de sua publica\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor maneira de torn\u00e1-la mais exata;<\/p>\n<p>e) A revis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma forma de controle ou censura. \u00c9 parte integrante e fundamental do processo jornal\u00edstico, e sua principal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 evitar erros. Se o processo jornal\u00edstico prescindiu da figura cl\u00e1ssica do revisor, foi apenas porque todos os envolvidos numa reportagem se tornaram revisores. Nesse sentido, nenhuma reportagem deve ser publicada apenas com o exame do autor: \u00e9 indispens\u00e1vel que outros envolvidos no processo participem desse exame;<\/p>\n<p>f) Ferramentas tecnol\u00f3gicas hoje permitem o acesso r\u00e1pido a bancos de dados confi\u00e1veis. Todas as reda\u00e7\u00f5es das Organiza\u00e7\u00f5es Globo devem viabilizar tal acesso, e seus jornalistas devem se impor como obriga\u00e7\u00e3o consultar tais arquivos;<\/p>\n<p>g) Em reportagens que requeiram conhecimento t\u00e9cnico, a consulta a especialistas deve ser obrigat\u00f3ria. Nenhum jornalista precisa ser m\u00e9dico, qu\u00edmico, bi\u00f3logo ou historiador. Mas, por isso mesmo, para n\u00e3o errar em assuntos t\u00e9cnicos, todo jornalista precisa se socorrer de assessoria especializada, ouvindo sempre mais de um t\u00e9cnico toda vez que o assunto for controverso;<\/p>\n<p>h) Quanto mais diversificado for o interesse dos jornalistas por disciplinas que n\u00e3o fazem parte de sua forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria b\u00e1sica, mais equipada estar\u00e1 uma reda\u00e7\u00e3o para tratar dos m\u00faltiplos assuntos com que lida diariamente. Ilustrar-se continuamente \u00e9 dever intransfer\u00edvel de todo jornalista: num mundo em constante evolu\u00e7\u00e3o, nenhum jornalista deixa de estar em aprendizado cont\u00ednuo. Os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo, no entanto, devem montar programas e estruturas de treinamento para auxiliar seus jornalistas, subsidiariamente, nessa tarefa;<\/p>\n<p>i) Com esse mesmo objetivo, embora as Organiza\u00e7\u00f5es Globo devam manter a pr\u00e1tica de recrutar majoritariamente seus profissionais nas faculdades de Comunica\u00e7\u00e3o, seus ve\u00edculos devem estar sempre abertos a acolher profissionais de outros campos que decidam se dedicar ao jornalismo, desde que demonstrem aptid\u00e3o para tal;<\/p>\n<p>j) A an\u00e1lise cr\u00edtica das edi\u00e7\u00f5es passadas \u00e9 um imperativo. \u00c9 a verifica\u00e7\u00e3o cotidiana de pontos negativos e positivos das reportagens que permite o aperfei\u00e7oamento cont\u00ednuo delas e a ades\u00e3o a estes princ\u00edpios editoriais. Todos os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo devem ter as suas estruturas de an\u00e1lise, escolhendo aquelas que melhor se adaptam ao seu perfil;<\/p>\n<p>k) Os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo devem ter estruturas para receber e processar as observa\u00e7\u00f5es, positivas e negativas, vindas do p\u00fablico de uma maneira geral: os consumidores de suas informa\u00e7\u00f5es, as fontes, os especialistas e os personagens de suas reportagens. N\u00e3o se trata aqui de publicar ou deixar de publicar uma informa\u00e7\u00e3o porque esta agrada a amplas camadas ou porque lhes desagrada: o dever de informar vem sempre em primeiro lugar. Conhecer a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico \u00e9 fundamental porque contribui para a melhoria da qualidade da informa\u00e7\u00e3o de muitas formas. Ajuda a conhecer poss\u00edveis erros, facilita o recebimento de novas informa\u00e7\u00f5es sobre alguma cobertura e pode revelar o que \u00e9 um fato em si mesmo: a pr\u00f3pria rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Essas estruturas devem ser capazes de discernir o que \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea e o que, em tempos de internet, \u00e9 orquestra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 um modelo \u00fanico: cada ve\u00edculo deve encontrar aquele mais condizente com o seu perfil;<\/p>\n<p>l) Os erros devem ser corrigidos, sem subterf\u00fagios e com destaque. N\u00e3o h\u00e1 erro maior do que deixar os que ocorrem sem a devida corre\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>m) Os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo usar\u00e3o a norma culta da L\u00edngua Portuguesa, levando sempre em conta a sua evolu\u00e7\u00e3o e as m\u00faltiplas possibilidades que ela acolhe. G\u00edrias e neologismos ser\u00e3o evitados, sendo aceitos em declara\u00e7\u00e3o de entrevistados ou em reportagens mais leves, acompanhados, quando necess\u00e1rio, da explica\u00e7\u00e3o sobre seu significado. Cada ve\u00edculo estabelecer\u00e1, em seu manual de reda\u00e7\u00e3o, a padroniza\u00e7\u00e3o que considerar a mais apropriada. Mas editores evitar\u00e3o que suas idiossincrasias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua se tornem norma;<\/p>\n<p>n) Os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de se fazer entender. Uma not\u00edcia tem de ser publicada de forma clara, para que o p\u00fablico a compreenda sem dificuldades. Nesse sentido, na edi\u00e7\u00e3o de reportagens, recursos explicativos que facilitem o entendimento s\u00e3o uma obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>3) A agilidade:<\/p>\n<p>A agilidade da produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica \u00e9 o que compensa, em larga medida, as suas imperfei\u00e7\u00f5es, se a compararmos a outras formas de conhecer a realidade. Em outras palavras, h\u00e1 um duplo sentido na afirma\u00e7\u00e3o de que o jornalismo produz uma primeira imagem dos fatos: a imagem \u00e9 primeira, porque dela ainda n\u00e3o se t\u00eam os contornos definitivos; mas, tamb\u00e9m, \u00e9 primeira porque \u00e9 tra\u00e7ada logo ap\u00f3s o ocorrido. A informa\u00e7\u00e3o tem de ser prestada no menor espa\u00e7o de tempo da melhor maneira poss\u00edvel, eis a equa\u00e7\u00e3o diante da qual os jornalistas se veem todos os dias. Portanto, \u00e9 atributo fundamental da qualidade da informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica ser produzida com rapidez. Se a Hist\u00f3ria pode dispor de anos de trabalho para fazer aflorar a realidade, o jornalismo disp\u00f5e de algumas horas (no m\u00e1ximo, de alguns dias, se a publica\u00e7\u00e3o for semanal ou mensal). \u00c9 a celeridade com que tra\u00e7a o primeiro retrato dos fatos que ao mesmo tempo d\u00e1 utilidade \u00e0 produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e justifica as suas lacunas. A not\u00edcia tem pressa. E \u00e9 por essa raz\u00e3o que os seguintes princ\u00edpios devem ser perseguidos:<\/p>\n<p>a) Os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo ter\u00e3o sempre como prioridade investir em tecnologia capaz de dar celeridade ao trabalho jornal\u00edstico e \u00e0 sua difus\u00e3o. Dever\u00e3o estar atualizados com o que de melhor houver em maquinaria, equipamentos, softwares e meios de transporte;<\/p>\n<p>b) A burocracia que envolve o lado administrativo das empresas jornal\u00edsticas deve levar sempre em conta a necessidade de dar celeridade ao trabalho jornal\u00edstico. Os ve\u00edculos devem desenvolver processos que controlem or\u00e7amentos e despesas sem que estes se transformem em entraves \u00e0 agilidade que o jornalismo requer;<\/p>\n<p>c) A rapidez necess\u00e1ria ao trabalho jornal\u00edstico n\u00e3o se confunde com precipita\u00e7\u00e3o: nenhuma reportagem ser\u00e1 publicada sem que esteja apurada dentro de par\u00e2metros seguros de qualidade;<\/p>\n<p>d) Deve-se perseguir o furo jornal\u00edstico, a informa\u00e7\u00e3o exclusiva, em primeira m\u00e3o, mas jamais se descuidar dos outros atributos da informa\u00e7\u00e3o de qualidade: a isen\u00e7\u00e3o com que \u00e9 produzida, ouvindo-se todos os lados nela envolvidos, e a corre\u00e7\u00e3o dos dados nela apresentados. Not\u00edcia errada ou enviesada n\u00e3o \u00e9 furo; \u00e9 um golpe na credibilidade do ve\u00edculo;<\/p>\n<p>e) Como princ\u00edpio geral, n\u00e3o se deve guardar not\u00edcia. Em geral, informa\u00e7\u00e3o confirmada \u00e9 informa\u00e7\u00e3o publicada. Os ve\u00edculos, no entanto, devem julgar quando uma reportagem deve ser publicada de imediato, quando pode esperar a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria ou, se houver convic\u00e7\u00e3o de sua exclusividade, quando pode esperar por uma edi\u00e7\u00e3o especial. O crit\u00e9rio \u00e9 a certeza de que a reportagem continuar\u00e1 a ser dada em primeira m\u00e3o, e que a demora em public\u00e1-la n\u00e3o acarretar\u00e1 preju\u00edzos \u00e0 sociedade. Quanto mais postergada for uma reportagem, mais completa e mais trabalhada ela deve ser;<\/p>\n<p>f) Deve-se ter humildade diante de furos de ve\u00edculos concorrentes. Diante de casos assim, n\u00e3o se deve negar a realidade, mas entrar no assunto o mais rapidamente poss\u00edvel, tentando fazer mais e melhor, dando o cr\u00e9dito a quem de direito;<\/p>\n<p>g) Essa postura em nada se confunde com a ades\u00e3o acr\u00edtica a reportagens veiculadas por concorrentes. Antes de serem publicadas em ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo, todas t\u00eam de ser confirmadas por verifica\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Isso \u00e9 especialmente verdadeiro quando se trata de den\u00fancias, de acordo com os procedimentos descritos no item 1-z desta se\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>SE\u00c7\u00c3O II<br \/>\nCOMO O JORNALISTA DEVE PROCEDER DIANTE DAS FONTES, DO P\u00daBLICO, DOS COLEGAS E DO VE\u00cdCULO PARA O QUAL TRABALHA<\/p>\n<p>1) Diante das fontes:<\/p>\n<p>a) Fazer e manter boas fontes \u00e9 um dever de todo jornalista. Como a isen\u00e7\u00e3o deve ser um objetivo permanente, \u00e9 altamente recomend\u00e1vel que a rela\u00e7\u00e3o com a fonte, por mais pr\u00f3xima que seja, n\u00e3o se transforme em rela\u00e7\u00e3o de amizade. A lealdade do jornalista \u00e9 com a not\u00edcia;<\/p>\n<p>b) Se a rela\u00e7\u00e3o de amizade com uma fonte for anterior \u00e0 vida profissional do jornalista, este deve manter a dire\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo informada, para que os conflitos possam ser evitados. O mesmo deve acontecer caso a rela\u00e7\u00e3o fonte-jornalista, apesar dos esfor\u00e7os em sentido contr\u00e1rio, torne-se uma amizade ou algo maior;<\/p>\n<p>c) O respeito e a transpar\u00eancia devem marcar a rela\u00e7\u00e3o dos jornalistas com suas fontes. Quando indagado por elas sobre o destino da informa\u00e7\u00e3o que acaba de lhe dar, o jornalista deve responder com a exatid\u00e3o poss\u00edvel;<\/p>\n<p>d) Deve-se sempre respeitar compromisso assumido com as fontes, principalmente aqueles relativos \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da identidade delas. Por esse motivo, esse tipo de compromisso deve ser apenas firmado com fontes de cuja credibilidade n\u00e3o se possa desconfiar (ver item 4-e, desta se\u00e7\u00e3o);<\/p>\n<p>e) Concedida uma entrevista exclusiva, uma fonte pode pedir altera\u00e7\u00f5es, acr\u00e9scimos ou supress\u00f5es, mas o jornalista julgar\u00e1 se o pedido se justifica. Haver\u00e1 vezes em que o jornalista n\u00e3o concordar\u00e1 com a mudan\u00e7a, sendo, nestes casos, necess\u00e1rio registrar que a mudan\u00e7a foi solicitada, mas n\u00e3o aceita.<\/p>\n<p>2) Diante do p\u00fablico:<\/p>\n<p>a) O p\u00fablico ser\u00e1 sempre tratado com respeito, considera\u00e7\u00e3o e cortesia, em todas as formas de intera\u00e7\u00e3o com os jornalistas e seus ve\u00edculos: seja como consumidor da informa\u00e7\u00e3o publicada, seja como fonte dela;<\/p>\n<p>b) Cada ve\u00edculo tem um p\u00fablico-alvo e deve agir de acordo com as caracter\u00edsticas dele, adaptando a elas pauta, linguagem e formato. Mas, para as Organiza\u00e7\u00f5es Globo, todo p\u00fablico tem um alto poder de discernimento e entendimento: o menos culto dos homens \u00e9 capaz de decidir o que \u00e9 melhor para si, escolhe visando \u00e0 qualidade e entende tudo o que lhe \u00e9 relatado de forma competente. Essa convic\u00e7\u00e3o deve ser levada em conta especialmente pelos ve\u00edculos de massa que produzem informa\u00e7\u00e3o para pessoas de todos os n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o. Nesse caso, a linguagem e o formato n\u00e3o devem ser rebuscados a ponto de afastar os menos letrados nem simpl\u00f3rios a ponto de afastar os mais instru\u00eddos. Se informarem em linguagem clara sobre assuntos de interesse de todos, ser\u00e3o sempre bem entendidos;<\/p>\n<p>c) Nenhum ve\u00edculo das Organiza\u00e7\u00f5es Globo far\u00e1 uso de sensacionalismo, a deforma\u00e7\u00e3o da realidade de modo a causar esc\u00e2ndalo e explorar sentimentos e emo\u00e7\u00f5es com o objetivo de atrair uma audi\u00eancia maior. O bom jornalismo \u00e9 incompat\u00edvel com tal pr\u00e1tica. Algo distinto, e leg\u00edtimo, \u00e9 um jornalismo popular, mais coloquial, \u00e0s vezes com um toque de humor, mas sem abrir m\u00e3o de informar corretamente;<\/p>\n<p>d) A sensibilidade do p\u00fablico ser\u00e1 levada em conta. Cenas chocantes receber\u00e3o o tratamento devido de acordo com as caracter\u00edsticas do p\u00fablico-alvo. Quanto mais indistinto o p\u00fablico, mais cuidados s\u00e3o necess\u00e1rios. Nesses casos, o p\u00fablico deve ter sempre a confian\u00e7a de que n\u00e3o ser\u00e1 surpreendido por cenas que afrontem os valores m\u00e9dios presumidos da sociedade. A t\u00edtulo de exemplo, talvez seja necess\u00e1rio mostrar o v\u00eddeo ou a foto de um homem-bomba se explodindo, mas a cena pode ser congelada segundos antes do dilaceramento. Em resumo, a decis\u00e3o de publicar ou n\u00e3o cenas potencialmente chocantes e de como trat\u00e1-las deve sempre levar em conta a sua relev\u00e2ncia para o entendimento da quest\u00e3o abordada. A melhor sa\u00edda \u00e9 submeter a decis\u00e3o \u00e0 opini\u00e3o do maior n\u00famero de jornalistas de uma reda\u00e7\u00e3o. De um grupo, sempre emerge mais facilmente o bom senso;<\/p>\n<p>e) Todo ve\u00edculo jornal\u00edstico tem uma responsabilidade social. Se \u00e9 verdade que nenhum jornalista tem o cond\u00e3o de, certeiramente, escolher que informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201cboas\u201d ou \u201cm\u00e1s\u201d, \u00e9 leg\u00edtima a preocupa\u00e7\u00e3o com os efeitos mal\u00e9ficos que uma informa\u00e7\u00e3o possa causar \u00e0 sociedade. Esse \u00e9 um tema complexo, e sempre dependente da an\u00e1lise do momento. A regra de ouro \u00e9 divulgar tudo, na suposi\u00e7\u00e3o de que a sociedade \u00e9 adulta e tem o direito de ser informada. A cren\u00e7a de que os ve\u00edculos jornal\u00edsticos, ao n\u00e3o fazerem restri\u00e7\u00f5es a temas, estimulam comportamentos desviantes \u00e9 apenas isso: uma cren\u00e7a;<\/p>\n<p>f) O jornalismo, contudo, n\u00e3o \u00e9 insens\u00edvel a riscos evidentes, mas estes s\u00e3o evit\u00e1veis quando se respeita outra regra de ouro: s\u00f3 se divulga informa\u00e7\u00e3o relevante. Para citar um exemplo, um v\u00eddeo divulgado por um assassino em s\u00e9rie pode e deve ser divulgado naquilo que \u00e9 importante, mas n\u00e3o faz sentido deixar o criminoso ensinar como se articula um plano de assassinato em massa. Da mesma forma, n\u00e3o se publicam informa\u00e7\u00f5es \u00fateis para grupos criminosos, como o local aonde a pol\u00edcia ir\u00e1 \u00e0 cata de um sequestrador. E respeitam-se pedidos de pessoas que se considerem em risco com a publica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que lhe digam respeito, como um policial que matou em a\u00e7\u00e3o um traficante perigoso e pode ser v\u00edtima de repres\u00e1lia de seus comparsas;<\/p>\n<p>g) Not\u00edcias sobre sequestros ser\u00e3o sempre publicadas. Estudos de experi\u00eancias internacionais levaram as Organiza\u00e7\u00f5es Globo \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que a publica\u00e7\u00e3o de que uma pessoa foi sequestrada n\u00e3o p\u00f5e a v\u00edtima em risco, mas a protege. A not\u00edcia ser\u00e1 publicada com todas as ressalvas, de modo a n\u00e3o revelar ao bandido o planejamento da pol\u00edcia e da fam\u00edlia, nem dar informa\u00e7\u00f5es que mostrem a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da v\u00edtima. Isso obriga o ve\u00edculo a um acompanhamento do sequestro mais s\u00f3brio, sem necessariamente a publica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de reportagens a respeito. O registro de solidariedade p\u00fablica, quando relevante, ou de fatos que ajudem a fam\u00edlia ou a pol\u00edcia deve ser feito;<\/p>\n<p>h) A privacidade das pessoas ser\u00e1 respeitada, especialmente em seu lar e lugar de trabalho. A menos que esteja agindo contra a lei, ningu\u00e9m ser\u00e1 obrigado a participar de reportagens;<\/p>\n<p>i) Pessoas p\u00fablicas \u2013 celebridades, artistas, pol\u00edticos, autoridades religiosas, servidores p\u00fablicos em cargos de dire\u00e7\u00e3o, atletas e l\u00edderes empresariais, entre outros \u2013 por defini\u00e7\u00e3o, abdicam em larga medida de seu direito \u00e0 privacidade. Al\u00e9m disso, aspectos de suas vidas privadas podem ser relevantes para o julgamento de suas vidas p\u00fablicas e para a defini\u00e7\u00e3o de suas personalidades e estilos de vida e, por isso, merecem aten\u00e7\u00e3o. Cada caso \u00e9 um caso, e a decis\u00e3o a respeito, como sempre, deve ser tomada ap\u00f3s reflex\u00e3o, de prefer\u00eancia que envolva o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas;<\/p>\n<p>j) O uso de microc\u00e2meras e gravadores escondidos, visando \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de reportagens, \u00e9 leg\u00edtimo se este for o \u00fanico m\u00e9todo capaz de registrar condutas il\u00edcitas, criminosas ou contr\u00e1rias ao interesse p\u00fablico. Deve ser feito com parcim\u00f4nia, e em casos de gravidade. Seu uso deve ser precedido da an\u00e1lise, pelas chefias imediatas, dos riscos que correr\u00e3o os jornalistas caso venham a ser descobertos. A imagem e\/ou o \u00e1udio de pessoas que n\u00e3o estejam envolvidas diretamente no que estiver sendo denunciado devem ser protegidos. Em seus manuais de reda\u00e7\u00e3o, os ve\u00edculos devem estabelecer suas normas de uso.<\/p>\n<p>3) Diante dos colegas:<\/p>\n<p>a) De jornalistas de um mesmo ve\u00edculo das Organiza\u00e7\u00f5es Globo, espera-se esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o. Todos numa reda\u00e7\u00e3o t\u00eam de cooperar entre si, para que o trabalho seja o melhor poss\u00edvel;<\/p>\n<p>b) Os envolvidos numa mesma reportagem \u2013 da apura\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o \u2013 s\u00e3o respons\u00e1veis por sua qualidade. Devem agir como revisores uns dos outros, para bem do trabalho;<\/p>\n<p>c) Os jornalistas n\u00e3o devem nunca se furtar de opinar sobre reportagens que estejam sendo feitas por colegas, criticando, sugerindo, ajudando a encontrar caminhos. A decis\u00e3o de publicar ou n\u00e3o uma reportagem, e de como trat\u00e1-la, \u00e9 do editor respons\u00e1vel por ela, mas ele errar\u00e1 se menosprezar a opini\u00e3o de colegas de qualquer n\u00edvel hier\u00e1rquico. Errar\u00e1 ainda mais quando se conduzir de tal modo que iniba os jornalistas a opinar ou ponderar a respeito do que est\u00e1 sendo feito. Vale sempre repetir: jornalismo \u00e9 uma obra coletiva, e ter\u00e1 tanto mais \u00eaxito quanto mais pessoas participarem do processo;<\/p>\n<p>d) As reda\u00e7\u00f5es dos ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo s\u00e3o absolutamente independentes umas das outras e competem entre si pelo furo, pela reportagem exclusiva. Esta \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o que vem desde a origem do grupo e que tem se mostrado prof\u00edcua: evita a pasteuriza\u00e7\u00e3o do notici\u00e1rio e estimula o pluralismo de abordagens. Isso n\u00e3o quer dizer que, levando-se em conta a converg\u00eancia de m\u00eddias, n\u00e3o seja poss\u00edvel a constru\u00e7\u00e3o de sinergias em torno do chamado notici\u00e1rio b\u00e1sico \u2013 aquelas not\u00edcias obrigat\u00f3rias a que todos os ve\u00edculos t\u00eam acesso. Em outras palavras, faz sentido a disputa por assuntos exclusivos, faz sentido dar mais \u00eanfase a determinados temas e n\u00e3o a outros, mas n\u00e3o h\u00e1 mal algum na troca de informa\u00e7\u00f5es sobre a dimens\u00e3o de um temporal ou a ocorr\u00eancia de um assalto, por exemplo.<\/p>\n<p>4) Diante do ve\u00edculo:<\/p>\n<p>a) As reda\u00e7\u00f5es s\u00e3o independentes na busca por not\u00edcias, mas h\u00e1 uma uni\u00e3o de princ\u00edpios sobre como obt\u00ea-las, sendo estes princ\u00edpios editoriais sua maior express\u00e3o. Nenhum jornalista das Organiza\u00e7\u00f5es Globo justificar\u00e1 falhas, alegando desconhecer este c\u00f3digo. Desconhec\u00ea-lo ser\u00e1 considerado um erro ainda maior;<\/p>\n<p>b) Os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo expressam, em seus editoriais, uma opini\u00e3o comum sobre os temas em voga. Os textos podem e devem divergir no estilo, no enfoque, na \u00eanfase nesse ou naquele argumento, mas a ess\u00eancia \u00e9 a mesma. Essa opini\u00e3o deve refletir a vis\u00e3o do seu conselho editorial, composto por membros da fam\u00edlia Marinho e jornalistas que dirigem as reda\u00e7\u00f5es. Nenhum outro jornalista do grupo precisa, por\u00e9m, concordar com tais opini\u00f5es, que, em nenhuma hip\u00f3tese, influenciar\u00e3o as coberturas dos fatos. Estas, como exposto aqui extensivamente, devem se pautar por crit\u00e9rios de isen\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>c) Os jornalistas t\u00eam um dever de lealdade com os ve\u00edculos para os quais trabalham. As informa\u00e7\u00f5es a que t\u00eam acesso se destinam ao ve\u00edculo e com ele devem ser divididas. Ningu\u00e9m, somente o ve\u00edculo, deve decidir o que fazer com elas, sendo certo que o seu destino ser\u00e1 a publica\u00e7\u00e3o, se estiverem de acordo com os princ\u00edpios explicitados neste documento. Da mesma forma, os ve\u00edculos t\u00eam um dever de lealdade com seus jornalistas, e tudo devem fazer para proteg\u00ea-los em sua atividade, fornecer-lhes meios adequados de trabalho e ampar\u00e1-los em disputas provocadas por reportagens que publicam;<\/p>\n<p>d) A participa\u00e7\u00e3o de jornalistas das Organiza\u00e7\u00f5es Globo em plataformas da internet como blogs pessoais, redes sociais e sites colaborativos deve levar em conta tr\u00eas pressupostos: not\u00edcias por eles apuradas devem ser divulgadas exclusivamente pelos ve\u00edculos para os quais trabalham ou por estes autorizados; procedimentos internos, projetos, ideias, planos para o futuro ou quaisquer outras informa\u00e7\u00f5es relativas ao dia a dia das reda\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem ser divulgados, sob pena de tornar vulner\u00e1vel o ve\u00edculo em que trabalham em rela\u00e7\u00e3o a seus concorrentes; os jornalistas s\u00e3o em grande medida respons\u00e1veis pela imagem dos ve\u00edculos para os quais trabalham e devem levar isso em conta em suas atividades p\u00fablicas, evitando tudo aquilo que possa comprometer a percep\u00e7\u00e3o de que exercem a profiss\u00e3o com isen\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o. Com base nestas premissas, cada ve\u00edculo deve ter pol\u00edticas pr\u00f3prias para presen\u00e7a de seus profissionais na internet, e que todos os jornalistas se obrigam a cumprir;<\/p>\n<p>e) O sigilo sobre as fontes \u00e9 inviol\u00e1vel, e os ve\u00edculos das Organiza\u00e7\u00f5es Globo proteger\u00e3o seus jornalistas na tarefa de mant\u00ea-lo em todas as inst\u00e2ncias, sob qualquer circunst\u00e2ncia. O jornalista, por\u00e9m, pode e deve dividi-lo com a dire\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo, sempre que isso for fundamental para a tomada de decis\u00e3o sobre publicar ou n\u00e3o uma informa\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 quebra de sigilo, pois a dire\u00e7\u00e3o se obriga a guard\u00e1-lo em todos os casos. Fontes que deliberadamente mintam para o jornalista, levando-o propositadamente a erro, podem ter seu nome revelado, n\u00e3o como repres\u00e1lia, mas se essa medida for fundamental para a corre\u00e7\u00e3o que o ve\u00edculo ter\u00e1 de publicar na edi\u00e7\u00e3o seguinte.<\/p>\n<p>SE\u00c7\u00c3O III<br \/>\nOS VALORES CUJA DEFESA \u00c9 UM IMPERATIVO DO JORNALISMO<\/p>\n<p>As Organiza\u00e7\u00f5es Globo ser\u00e3o sempre independentes, apartid\u00e1rias, laicas e praticar\u00e3o um jornalismo que busque a isen\u00e7\u00e3o, a corre\u00e7\u00e3o e a agilidade, como estabelecido aqui de forma minuciosa. N\u00e3o ser\u00e3o, portanto, nem a favor nem contra governos, igrejas, clubes, grupos econ\u00f4micos, partidos. Mas defender\u00e3o intransigentemente o respeito a valores sem os quais uma sociedade n\u00e3o pode se desenvolver plenamente: a democracia, as liberdades individuais, a livre iniciativa, os direitos humanos, a rep\u00fablica, o avan\u00e7o da ci\u00eancia e a preserva\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\n<p>Para os prop\u00f3sitos deste documento, n\u00e3o cabe defender a import\u00e2ncia de cada um desses valores; ela \u00e9 evidente por si s\u00f3. O que se quer \u00e9 frisar que todas as a\u00e7\u00f5es que possam amea\u00e7\u00e1-los devem merecer aten\u00e7\u00e3o especial, devem ter uma cobertura capaz de jogar luz sobre elas. N\u00e3o haver\u00e1, contudo, apriorismos. Essas a\u00e7\u00f5es devem ser retratadas com esp\u00edrito isento e pluralista, acolhendo-se amplamente o contradit\u00f3rio, de acordo com os princ\u00edpios aqui descritos, de modo a que o p\u00fablico possa concluir se h\u00e1 ou n\u00e3o riscos e como se posicionar diante deles.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o destes valores \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de garantir a pr\u00f3pria atividade jornal\u00edstica. Sem a democracia, a livre iniciativa e a liberdade de express\u00e3o, \u00e9 imposs\u00edvel praticar o modelo de jornalismo de que trata este documento, e \u00e9 imperioso defend\u00ea-lo de qualquer tentativa de controle estatal ou paraestatal. Os limites do jornalista e das empresas de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o as leis do pa\u00eds, e a liberdade de informar nunca pode ser considerada excessiva.<\/p>\n<p>Esta postura vigilante gera inc\u00f4modo, e muitas vezes acusa\u00e7\u00f5es de partidarismos. Deve-se entender o inc\u00f4modo, mas passar ao largo das acusa\u00e7\u00f5es, porque o jornalismo n\u00e3o pode abdicar desse seu papel: n\u00e3o se trata de partidarismos, mas de esmiu\u00e7ar toda e qualquer a\u00e7\u00e3o, de qualquer grupo, em especial de governos, capaz de amea\u00e7ar aqueles valores. Este \u00e9 um imperativo do jornalismo do qual n\u00e3o se pode abrir m\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o se confunde com a cren\u00e7a, partilhada por muitos, de que o jornalismo deva ser sempre do contra, deva sempre ter uma postura agressiva, de cr\u00edtica permanente. N\u00e3o \u00e9 isso. N\u00e3o se trata de ser contra sempre (nem a favor), mas de cobrir tudo aquilo que possa p\u00f4r em perigo os valores sem os quais o homem, em s\u00edntese, fica tolhido na sua busca por felicidade. Essa postura est\u00e1 absolutamente em linha com o que rege as a\u00e7\u00f5es das Organiza\u00e7\u00f5es Globo.<\/p>\n<p>No documento \u201cVis\u00e3o, Princ\u00edpios e Valores\u201d, de 1997, est\u00e1 dito logo na abertura: \u201cQueremos ser o ambiente onde todos se encontram. Entendemos m\u00eddia como instrumento de uma organiza\u00e7\u00e3o social que viabilize a felicidade.\u201d O jornalismo que praticamos seguir\u00e1 sempre este postulado.<\/p>\n<p>Em caso de d\u00favida sobre este documento, envie e-mail para principioseditoriais@globo.com<\/p>\n<p>http:\/\/g1.globo.com\/principios-editoriais-das-organizacoes-globo.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somente agora, 15 de agosto, gra\u00e7as ao feriado de N. S. da Assun\u00e7\u00e3o, padroeira de Fortaleza (e tamb\u00e9m Dia de Iemanj\u00e1 por essas bandas) \u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,24],"tags":[1081,1291,2006],"class_list":["post-13253","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-etica","category-jornalismo","tag-globo","tag-jornalismo","tag-regulacao-2"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13253\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}