{"id":13266,"date":"2011-08-15T22:37:43","date_gmt":"2011-08-16T01:37:43","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=13266"},"modified":"2011-08-15T22:37:43","modified_gmt":"2011-08-16T01:37:43","slug":"os-dentes-da-memoria-a-poesia-como-modo-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2011\/08\/15\/os-dentes-da-memoria-a-poesia-como-modo-de-vida\/","title":{"rendered":"&#8220;Os dentes da mem\u00f3ria&#8221;, a poesia como modo de vida"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_13267\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/08\/Os-dentes-da-mem\u00f3ria.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13267\" class=\"size-medium wp-image-13267 \" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/08\/Os-dentes-da-mem\u00f3ria-300x434.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"434\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13267\" class=\"wp-caption-text\">Clique para ampliar<\/p><\/div>\n<p>Eu poderia ter topado com esses caras no fim dos 70 do s\u00e9culo passado na rua das Palmeiras onde morei ou no bar Redondo, onde atravessei algumas madrugadas ou nas ruas do Centro, que eu palmilhava somente pelo prazer de andar sem ser (re)conhecido, como aconteceria em uma cidade pequena.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 isto: na S\u00e3o Paulo da \u00e9poca, eu era um cara vindo do interior, sem dinheiro no banco e sem parentes importantes; assim, dedicado a um duro of\u00edcio: trabalhar de dia, estudar \u00e0 noite, e combater a ditadura em assembleias estudantis e passeatas, com curtas viagens at\u00e9 o ABC para ver de perto os oper\u00e1rios em movimento &#8211; e, tr\u00eamulo, pichar algum muro. Portanto, confesso que s\u00f3 fui ouvir falar em alguns deles muito tempo depois.<\/p>\n[Mesmo porque, em termos de poesia eu parei em Carlos Drummond de Andrade, o itabirano que procurava o sentimento do mundo, e em Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, o poeta da faca e da pedra.]\n<p><strong>Mime\u00f3grafo<\/strong><\/p>\n<p>De poesia &#8211; naqueles movimentados setenta -, por simpatia militante, eu comprava alguns livretos da &#8220;gera\u00e7\u00e3o mime\u00f3grafo&#8221;, uns caras andavam de bar em bar oferecendo a sua produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, impressa naquela maravilha tecnol\u00f3gica, que permitia a reprodutibilidade a baixo custo &#8211; e muita m\u00e3o manchada de tinta -, o tal mime\u00f3grafo [meninos, corram para o Google e para o Youtube para descobrirem o que \u00e9 isso].<\/p>\n<p><strong>Quem?<\/strong><\/p>\n<p>Bom, estou dizendo isso a respeito de Roberto Piva, <a href=\"http:\/\/claudiowiller.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">Claudio Willer<\/a>, Antonio Fernando de Franceschi e Roberto Bicelli, perfilados em<strong> Os dentes da mem\u00f3ria<\/strong>, livro de Camila Hungria e Renata D\u00b4Elia, no qual elas comp\u00f5em &#8220;uma cole\u00e7\u00e3o de relatos que reconstituem a trajet\u00f3ria da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o po\u00e9tica paulistana, formada na d\u00e9cada de 1960&#8221;.<\/p>\n<p>O livro foi escrito em forma de di\u00e1logo, montado a partir de quarenta entrevistas que as autoras fizeram ao longo de tr\u00eas anos com os poetas, al\u00e9m de consultas a outras fontes. Eles contam algumas de suas estripulias e como se viravam naquela S\u00e3o Paulo &#8220;careta&#8221;; que, para mim, era um mundo novo, admir\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Grupo an\u00e1rquico<\/strong><\/p>\n<p>A leitura d\u00e1 uma boa ideia do esp\u00edrito da \u00e9poca e revela de que material se forma um poeta que faz de sua vida uma experimenta\u00e7\u00e3o para a sua obra: esses caras que gostam de andar pelo lado esquerdo da rua.<\/p>\n<p>A parte final do livro traz uma amostra dos poemas do &#8220;grupo an\u00e1rquico&#8221;, que ficou &#8220;sufocado entre a conservadora Gera\u00e7\u00e3o de 45 e a turma da poesia concreta, e s\u00f3 teve maior reconhecimento ap\u00f3s o relan\u00e7amento de <em>Paran\u00f3ia<\/em>&#8220;, livro de Roberto Piva.<\/p>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<p>Os livros de onde foram colhidas as poesias reproduzidas em <strong>Dentes<\/strong>: <em>Paran\u00f3ia <\/em>(1963), de Roberto Piva; <em>Jardinas da Provoca\u00e7\u00e3o<\/em> (1981), de Cl\u00e1udio Willer, <em>Antes que eu me esque\u00e7a<\/em> (1977), de Roberto Bicelli e <em>Tarde revelada<\/em> (1985), de Antonio Fernando de Franceschi.<\/p>\n<p><strong>Piva<\/strong><\/p>\n<p>Roberto Piva, o mais destacado entre os quatro, morreu em 2010, antes do lan\u00e7amento do livro, cujo t\u00edtulo foi retirado de um de seus poemas: &#8220;Rangem os dentes da mem\u00f3ria\/ segredos p\u00fablicos pulverizam-se em algum ponto da Am\u00e9rica\/ peixes entravados se sentam contra a noite.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Twitter<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel identificar-se intelectualmente com uma pessoa a partir de 140 caracteres: creio que j\u00e1 deve ter acontecido com quase todos que andam na linha do p\u00e1ssaro azul.\u00a0Foi assim que conheci Renata D\u00b4Elia (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/deliaboard\" target=\"_blank\">@deliaboard<\/a>)\u00a0que me enviou o livro, do qual ela \u00e9 coautora.<\/p>\n<p>Coisa parecida j\u00e1 havia acontecido com Fred Navarro (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/frednavarro\" target=\"_blank\">@frednavarro<\/a>), que me mandou o seu <strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/dicionario-do-nordeste-de-fred-navarro\/\" target=\"_blank\">Dicion\u00e1rio do Nordeste<\/a><\/strong>, o qual estou sempre a consultar.<\/p>\n<p><span style=\"color: #888888\"><strong>Os dentes da mem\u00f3ria &#8211; Piva, Willer, Frachsch, Bicelli e uma trajet\u00f3ria paulista de poesia<\/strong><br \/>\nCamila Hungria e Renata D\u00b4Elia<br \/>\nAzougue Editorial<br \/>\n265 p\u00e1gs. R$ 38,90.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu poderia ter topado com esses caras no fim dos 70 do s\u00e9culo passado na rua das Palmeiras onde morei ou no bar Redondo, onde&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[1407,1820,1821],"class_list":["post-13266","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros","tag-livro","tag-poesia","tag-poetas"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13266"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13266\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}