{"id":13313,"date":"2011-08-21T19:09:25","date_gmt":"2011-08-21T22:09:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=13313"},"modified":"2011-08-21T19:09:25","modified_gmt":"2011-08-21T22:09:25","slug":"a-imprensa-deve-repensar-a-maneira-como-noticia-a-violencia-diz-jornalista-mexicano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2011\/08\/21\/a-imprensa-deve-repensar-a-maneira-como-noticia-a-violencia-diz-jornalista-mexicano\/","title":{"rendered":"A imprensa deve repensar a maneira como noticia a viol\u00eancia, diz jornalista mexicano"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista para o caderno &#8220;Ilustr\u00edssima&#8221;, da <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\" target=\"_blank\">Folha de S. Paulo<\/a> (21\/8\/2011), o jornalista e escritor mexicano, <strong>Juan Villoro<\/strong>, diz que a imprensa deve repensar a maneira como not\u00edcia a viol\u00eancia; e que &#8220;\u00e9 preciso valorizar a narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias no jornalismo&#8221;.<\/p>\n<p>Villoro \u00e9 professor de literatura na Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico (Unam), colaborador de v\u00e1rias revistas e tamb\u00e9m escritor de fic\u00e7\u00e3o, tendo publicado v\u00e1rios livros.<\/p>\n<p><strong>Investir na narra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ele cita como exemplo que no M\u00e9xico, quando os traficantes sequestram algu\u00e9m, usam o termo &#8220;levantado&#8221;, o que \u00e9 repetido pelos jornais. [N\u00e3o se parece com o que ocorre no Brasil, passando pelo jornalismo econ\u00f4mico at\u00e9 o jornalismo policial?].<\/p>\n<p>O jornalista sugere que como, hoje, todos os jornais t\u00eam todas as not\u00edcias mais facilmente (por meio de ag\u00eancias), que o dinheiro economizado nesse aspecto seja investido para &#8220;valorizar a narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, pois elas d\u00e3o sentido ao mundo&#8221;.<\/p>\n<p><strong>P\u00e2nico de sair do homog\u00eaneo<\/strong><\/p>\n<p>Mas Villoro diz que, &#8220;curiosamente&#8221; a uniformiza\u00e7\u00e3o criou &#8220;o p\u00e2nico de sair do homog\u00eaneo&#8221;, com os jornalistas tendo medo de n\u00e3o dar aquilo que todos os outros publicam. Para ele, \u00e9 preciso investir &#8220;naqueles jornalistas que far\u00e3o a diferen\u00e7a por sua capacidade de encontrar bons assuntos e narr\u00e1-los bem.<\/p>\n<p><span style=\"color: #888888\"><strong>Veja trecho da entrevista \u00e0 Folha de S.Paulo.<!--more--><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Para al\u00e9m da trag\u00e9dia<\/strong><br \/>\n\u00c9 preciso valorizar a narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias no jornalismo, diz o mexicano Juan Villoro<br \/>\nSYLVIA COLOMBO &#8211; Folha de S. Paulo (21\/8\/2011)<\/p>\n<p>A GUERRA AO narcotr\u00e1fico no M\u00e9xico j\u00e1 causou mais de 35 mil mortes, entre a\u00e7\u00f5es de criminosos e repress\u00e3o do governo, desde que o presidente Felipe Calder\u00f3n assumiu, em 2006. Entre os riscos que um rep\u00f3rter mexicano enfrenta est\u00e3o sequestros, mortes e amea\u00e7as de bomba em reda\u00e7\u00f5es de jornais.<br \/>\nPara o jornalista, escritor e dramaturgo Juan Villoro, 55, outro desafio jornal\u00edstico do momento \u00e9 discutir como e em que linguagem a viol\u00eancia deve ser tratada na imprensa escrita e na internet.<\/p>\n<p>Professor de literatura na Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico (Unam), Villoro colabora com v\u00e1rias revistas, como a peruana &#8220;Etiqueta Negra&#8221; e a colombiano-mexicana &#8220;Gatopardo&#8221;, e \u00e9 colunista dos jornais &#8220;Reforma&#8221; (M\u00e9xico), &#8220;El Mercurio&#8221; (Chile) e &#8220;El Peri\u00f3dico de Catalunya&#8221; (Espanha), al\u00e9m de escrever esporadicamente para &#8220;El Pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Ficcionista premiado, conquistou o prestigioso Herralde, por &#8220;El Testigo&#8221; (2004). Tamb\u00e9m escreve literatura infantil e teatro. At\u00e9 o final do ano, a Companhia das Letras deve lan\u00e7ar sua primeira obra no Brasil, &#8220;O Livro Selvagem&#8221;.<\/p>\n<p>Villoro falou \u00e0 Folha em Buenos Aires, onde veio assistir \u00e0 estreia de sua pe\u00e7a &#8220;Filosofia de Vida&#8221; num teatro da tradicional avenida Corrientes, e participar de oficina da Fundaci\u00f3n Nuevo Periodismo Iberoamericano.<\/p>\n<p><strong>Folha &#8211; Voc\u00ea diz que o jornalismo est\u00e1 fazendo muitas concess\u00f5es \u00e0 viol\u00eancia. De que modo? <\/strong><br \/>\nJuan Villoro &#8211; No M\u00e9xico h\u00e1 uma grande discuss\u00e3o sobre como retratar a viol\u00eancia do narcotr\u00e1fico, mas acho que ela se aplica a v\u00e1rios pa\u00edses, como a Col\u00f4mbia e o Brasil, por causa do narcotr\u00e1fico e do crime organizado, e at\u00e9 mesmo a Londres, para usar um exemplo mais recente. \u00c9 inevit\u00e1vel que, ao publicarmos not\u00edcias e fotos, amplifiquemos o efeito de um ato violento. Penso que h\u00e1 limites que deveriam ser discutidos, sob risco de fazermos mais propaganda da viol\u00eancia e aliment\u00e1-la. E o uso da linguagem tem um papel importante nisso. Por exemplo, em meu pa\u00eds, quando os traficantes dizem que sequestraram algu\u00e9m, usam o termo &#8220;levantado&#8221;. E os jornais passaram a fazer o mesmo. \u00c9 um erro, porque se trata de uma express\u00e3o que ameniza o horror do fato. Por outro lado, h\u00e1 uma busca pela audi\u00eancia, hoje potencializada pela internet, que faz com que tudo o que tenha sangue seja valorizado. A m\u00e1xima &#8220;if it bleeds, it leads&#8221; [se sangra, tem destaque] nunca foi t\u00e3o verdadeira. O que muitos editores n\u00e3o se d\u00e3o conta \u00e9 que, se voc\u00ea busca ressaltar apenas o mais sangrento, corre o risco de provocar uma distor\u00e7\u00e3o da verdade, na qual os acontecimentos mais importantes s\u00e3o os violentos. Na verdade, a viol\u00eancia \u00e9 sempre consequ\u00eancia de alguma coisa, parte de um contexto que precisa ser explicado.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea diz que a internet est\u00e1 fazendo com que o jornalismo fique cada vez mais homog\u00eaneo. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nO que constato observando a imprensa europeia, norte-americana e latino-americana \u00e9 que, mais do que nunca, para os ve\u00edculos, parece ser necess\u00e1rio publicar aquilo que todos publicam. O acesso quase geral a informa\u00e7\u00f5es homog\u00eaneas curiosamente criou um p\u00e2nico de sair do homog\u00eaneo. H\u00e1 um medo generalizado. Os jornalistas n\u00e3o podem se conformar com a ideia de que algo que est\u00e1 na capa de sete jornais n\u00e3o esteja na capa do seu. Ent\u00e3o a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 ir atr\u00e1s do mesmo. Trata-se de um impulso de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Isso \u00e9 bom ou ruim?<\/strong><br \/>\nEm certo sentido, \u00e9 bom, porque \u00e9 mais f\u00e1cil que todos fiquem bem informados sobre acontecimentos de alcance mais global. Mas a fortaleza do jornalismo n\u00e3o est\u00e1 a\u00ed, e sim no oposto disso. O jornalismo pode fazer coisas \u00fanicas, tanto no papel como em formato digital, basta que haja investimento. \u00c9 preciso valorizar a narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, pois elas d\u00e3o sentido ao mundo. Creio que, nesse momento de confus\u00e3o e transi\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso recobrar a confian\u00e7a nos recursos do pr\u00f3prio jornalismo.<\/p>\n<p><strong>Pode dar um exemplo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 poss\u00edvel aproveitar essa onda de mudan\u00e7as num sentido positivo. Se \u00e9 mais f\u00e1cil hoje obter as not\u00edcias que todo mundo tem, por que n\u00e3o usamos menos gente nisso, aproveitando mais o material de ag\u00eancias internacionais? Se economizarmos no comum, \u00e9 poss\u00edvel fazer com que a orquestra funcione quase sozinha e investir nos solistas, naqueles jornalistas que far\u00e3o a diferen\u00e7a por sua capacidade de encontrar bons assuntos e narr\u00e1-los bem. Por um lado, \u00e9 um jornalismo mais caro, gasta-se com a contrata\u00e7\u00e3o de bons profissionais, tempo, viagens. Mas pense que se poderia economizar em outras coisas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrissima\/il2108201104.htm\" target=\"_blank\">Veja a entrevista na completa na Folha de S. Paulo<\/a> (para assinantes)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista para o caderno &#8220;Ilustr\u00edssima&#8221;, da Folha de S. 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