{"id":13515,"date":"2011-09-21T16:46:43","date_gmt":"2011-09-21T19:46:43","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=13515"},"modified":"2011-09-21T16:46:43","modified_gmt":"2011-09-21T19:46:43","slug":"primavera-arabe-a-revolucao-foi-tuitada-mas-nao-foi-feita-pelo-twitter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2011\/09\/21\/primavera-arabe-a-revolucao-foi-tuitada-mas-nao-foi-feita-pelo-twitter\/","title":{"rendered":"Primavera \u00e1rabe: a revolu\u00e7\u00e3o foi tuitada, mas n\u00e3o foi feita pelo Twitter"},"content":{"rendered":"<p>Quem se d\u00e1 ao trabalho de acompanhar os rabisco que deixo por aqui, pode ter lido meus textos <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/midias-sociais-twitter-nao-faz-revolucao\/\" target=\"_blank\"><strong>Twitter n\u00e3o faz revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a> e <strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/twitter-faz-revolucao-ou-e-dinossauro-o-presidente-da-google\/\" target=\"_blank\">Twitter faz revolu\u00e7\u00e3o ou \u00e9 dinossauro o presidente do Google?<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Depois dos dois artigos, seguiram-se alguns coment\u00e1rios discordantes sobre a minha afirmativa no t\u00edtulo do primeiro texto.<\/p>\n<p><strong>Verdade<\/strong><\/p>\n<p>Pois bem, como n\u00e3o sou latifundi\u00e1rio da verdade (express\u00e3o emprestada de Tarc\u00edsio Leit\u00e3o), revolvi reproduzir mat\u00e9ria publicada pela Folha de S. Paulo &#8220;A revolu\u00e7\u00e3o foi, sim, tuitada, mostra estudo&#8221;.<\/p>\n<p>Mas de qualquer modo, creio que a minha afirmativa n\u00e3o foi completamente contraditada. <strong>Vejam este trecho:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Conclui [a pesquisa] que, embora n\u00e3o tenham provocado a revolu\u00e7\u00e3o em si, Twitter, Facebook, YouTube e blogs, nessa ordem, deram aos protestos velocidade suficiente para culminar na queda dos ditadores Zine Ben Ali, na Tun\u00edsia, em janeiro, e Hosni Mubarak, no Egito, em fevereiro.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pitpi.org\/index.php\/2011\/09\/11\/opening-closed-regimes-what-was-the-role-of-social-media-during-the-arab-spring\/\" target=\"_blank\">Link para a pesquisa completa (em ingl\u00eas).<\/a><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888\"><strong>Segue o texto completo da Folha de S. Paulo.<!--more--><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Folha de S. Paulo (21\/9\/2011)<br \/>\n<strong>A revolu\u00e7\u00e3o foi, sim, tuitada, mostra estudo<\/strong><\/p>\n<p>LUCIANA COELHO<br \/>\nDE WASHINGTON<\/p>\n<p>N\u00e3o era s\u00f3 impress\u00e3o: uma an\u00e1lise quantitativa mostra que o Twitter e outras redes sociais foram o piv\u00f4 das revoltas populares que derrubaram ditadores na Tun\u00edsia e no Egito no in\u00edcio do ano.<\/p>\n<p>A pesquisa do Projeto sobre a Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e o Isl\u00e3 Pol\u00edtico (pITPI), da Universidade de Washington, analisou mais de 3 milh\u00f5es de tu\u00edtes relacionados \u00e0 Primavera \u00c1rabe.<\/p>\n<p>Conclui que, embora n\u00e3o tenham provocado a revolu\u00e7\u00e3o em si, Twitter, Facebook, YouTube e blogs, nessa ordem, deram aos protestos velocidade suficiente para culminar na queda dos ditadores Zine Ben Ali, na Tun\u00edsia, em janeiro, e Hosni Mubarak, no Egito, em fevereiro.<\/p>\n<p>&#8220;A velocidade foi importante porque os ativistas puderam pegar os ditadores com a guarda baixa&#8221;, disse \u00e0 Folha Philip Howard, chefe do projeto e autor de The Digital Origins of Dictatorship and Democracy (2010).<\/p>\n<p>Segundo Howard, a maioria dos regimes autorit\u00e1rios n\u00e3o tem, ainda, &#8220;compreens\u00e3o mais sofisticada das m\u00eddias sociais&#8221; -o que d\u00e1 aos ativistas chance de compensar, at\u00e9 certo ponto, desvantagens num\u00e9ricas e de poder.<\/p>\n<p>Mas ele evita, por\u00e9m, usar express\u00f5es como &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o do Twitter&#8221; ou &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o do Facebook&#8221;, pois os regimes usam as redes tamb\u00e9m para colher dados e arquitetar a contrainsurg\u00eancia.<\/p>\n<p>Grandes protestos foram precedidos por picos de tu\u00edtes e di\u00e1logos on-line, mostra o estudo. Na Tun\u00edsia, onde 20% dos 10 milh\u00f5es de habitantes usam redes sociais, 1 em cada 5 blogs analisava o governo no dia da ren\u00fancia; o qu\u00e1druplo de um m\u00eas antes. Em um intervalo de dois meses, foram mais de 13 mil tu\u00edtes com a hashtag #sidibouzi, a principal da revolta.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Egito, 82 milh\u00f5es de habitantes e 10% de acesso, foram mais de 2,3 milh\u00f5es de tu\u00edtes com #egypt entre 14 de janeiro e 24 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Nos dois casos, o impacto foi ampliado por mensagens de celular -estes sim com penetra\u00e7\u00e3o alta na popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO estudo ainda mostra que o debate se espalhou na regi\u00e3o e no mundo rapidamente e incluiu mais mulheres que a pol\u00edtica tradicional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ele n\u00e3o foi alimentado por estrangeiros e expatriados. Com o correr do dias, tu\u00edtes vindos dos dois pa\u00edses passaram, em m\u00e9dia, de 18% para 36% (a maior parte n\u00e3o declara origem).<br \/>\nPara Howard, o perfil demogr\u00e1fico dos dois pa\u00edses -popula\u00e7\u00e3o majoritariamente jovem, muitos deles urbanos e versados nas redes sociais- selou o sucesso dos protestos. Jord\u00e2nia e Marrocos, diz, t\u00eam perfil semelhante.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o dif\u00edcil, por ora, \u00e9 se o debate acabar\u00e1 restrito a uma elite educada, jovem e urbana, em detrimento da massa rural, mais pobre.<\/p>\n<p>&#8220;Pode haver um sentimento pr\u00f3-islamismo mais forte da popula\u00e7\u00e3o sem acesso \u00e0 rede. Se liberais versados em tecnologia vierem a dominar o debate, ser\u00e1 \u00e0s custas dos islamistas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem se d\u00e1 ao trabalho de acompanhar os rabisco que deixo por aqui, pode ter lido meus textos Twitter n\u00e3o faz revolu\u00e7\u00e3o e Twitter faz&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[1908,2040,2367],"class_list":["post-13515","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-web","tag-primavera-arabe","tag-revolucao","tag-twitter"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13515"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13515\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}