{"id":13633,"date":"2011-09-29T10:47:15","date_gmt":"2011-09-29T13:47:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=13633"},"modified":"2011-09-29T10:47:15","modified_gmt":"2011-09-29T13:47:15","slug":"pesquisador-diz-que-bloqueio-da-internet-ajudou-a-exacerbar-protestos-no-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2011\/09\/29\/pesquisador-diz-que-bloqueio-da-internet-ajudou-a-exacerbar-protestos-no-egito\/","title":{"rendered":"Pesquisador diz que bloqueio da Internet ajudou a exacerbar protestos no Egito"},"content":{"rendered":"<p>Venho fazendo, neste blog, um debate a respeito a suposta capacidade que as m\u00eddias sociais t\u00eam de fazer revolu\u00e7\u00f5es. Os que t\u00eam a paci\u00eancia de ler sabem que eu me alinho entre os que entendem que as novas m\u00eddias s\u00e3o ferramenta e n\u00e3o as causadoras de mobiliza\u00e7\u00f5es, como a chamada Primavera \u00c1rabe.<\/p>\n<p>No post anterior sobre o assunto &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/primavera-arabe-a-revolucao-foi-tuitada-mas-nao-foi-feita-pelo-twitter\" target=\"_blank\">Revolu\u00e7\u00e3o foi tuitada, mas n\u00e3o foi feita pelo Twitter<\/a> &#8211; pode-se encontrar link para outros posts sobre o tema.<\/p>\n<p><strong>Acomoda\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Vejam na mat\u00e9ria abaixo, publicada originalmente no New York Times e reproduzida pela Folha de S. Paulo (22\/9\/2011), a tese defendida pelo pesquisador Navid Hassanpour. Ele diz que as redes sociais podem ser um fato de acomoda\u00e7\u00e3o &#8211; e que a decis\u00e3o do ex-dirigente eg\u00edpicio, Hosni Mubarak, de bloquear as rede sociais, \u00a0ajudou a aumentar a mobiliza\u00e7\u00e3o contra o seu regime. Veja o artigo completo.<\/p>\n<p><strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o ou distra\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNOAM COHEN<br \/>\nDO &#8220;NEW YORK TIMES&#8221;<\/p>\n<p>As m\u00eddias, incluindo as ferramentas interativas de redes sociais, tornam voc\u00ea passivo, podem solapar sua iniciativa e fazer com que voc\u00ea se contente em assistir ao espet\u00e1culo da vida desde seu sof\u00e1 ou de seu smartphone.<br \/>\nAt\u00e9 mesmo durante uma revolu\u00e7\u00e3o, ao que parece.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a tese provocante de um novo artigo de Navid Hassanpour, p\u00f3s-graduando em filosofia pol\u00edtica na Universidade Yale, intitulado &#8220;Bloqueios da M\u00eddia Exacerbam Agita\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>Com c\u00e1lculos complexos e vetores que representam a tomada de decis\u00f5es por parte de potenciais manifestantes, Hassanpour, doutor em engenharia el\u00e9trica pela Universidade Stanford, estudou o levante recente no Egito.<\/p>\n<p>Sua pergunta foi: &#8220;At\u00e9 que ponto foi inteligente a decis\u00e3o tomada pelo governo do ditador Hosni Mubarak em 28 de janeiro, no meio dos protestos cruciais na pra\u00e7a Tahir, de fechar as conex\u00f5es \u00e0 internet e aos celulares?&#8221;.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o dele \u00e9 que a decis\u00e3o n\u00e3o foi t\u00e3o inteligente assim, mas n\u00e3o pelas raz\u00f5es mais previs\u00edveis. &#8220;A conectividade plena em uma rede social \u00e0s vezes representa um obst\u00e1culo \u00e0 a\u00e7\u00e3o coletiva&#8221;, ele escreve.<\/p>\n<p>Em outras palavras: a atividade toda de trocar mensagens no Twitter, no Facebook e por SMS \u00e9 \u00f3tima para organizar e difundir uma mensagem de protesto, mas tamb\u00e9m pode transmitir uma mensagem de cautela, adiamento, incerteza ou, ainda, &#8220;n\u00e3o tenho tempo para esta pol\u00edtica toda. Voc\u00ea j\u00e1 viu o \u00faltimo figurino de Lady Gaga?&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 uma conclus\u00e3o que contraria a ideia hoje aceita de que as m\u00eddias sociais ajudaram a impelir os protestos.<br \/>\nHassanpour usou relatos feitos pela imprensa das explos\u00f5es de agita\u00e7\u00e3o no Egito para mostrar que, a partir de 28 de janeiro, os protestos se disseminaram mais amplamente pelo Cairo e pelo pa\u00eds. N\u00e3o havia necessariamente mais manifestantes, mas o movimento se espalhou para mais partes da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele chama isso de &#8220;processo de localiza\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;Pode ser dif\u00edcil medir esse processo, mas voc\u00ea pode test\u00e1-lo -pode testar o que acontece depois que entra em efeito uma interrup\u00e7\u00e3o das conex\u00f5es&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas efeitos no Cairo<\/strong><\/p>\n<p>Ele escreve que &#8220;a interrup\u00e7\u00e3o parcial ou total da cobertura dos celulares e da internet em 28 de janeiro exacerbou a turbul\u00eancia de ao menos tr\u00eas formas&#8221;:<\/p>\n<p>1) chamou a aten\u00e7\u00e3o de muitos cidad\u00e3os apol\u00edticos, que n\u00e3o tinham consci\u00eancia da turbul\u00eancia ou n\u00e3o estavam interessados por ela;<\/p>\n<p>2) obrigou a realiza\u00e7\u00e3o de mais comunica\u00e7\u00e3o cara a cara, ou seja, mais presen\u00e7a f\u00edsica nas ruas; e<\/p>\n<p>3) descentralizou concretamente a rebeli\u00e3o no dia 28, gra\u00e7as \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de t\u00e1ticas de comunica\u00e7\u00e3o h\u00edbridas, fato que gerou algo mais dif\u00edcil de controlar e reprimir do que teria sido uma s\u00f3 aglomera\u00e7\u00e3o de massa na pra\u00e7a Tahir.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Escurid\u00e3o estranha<\/strong><\/p>\n<p>Ao &#8220;New York Times&#8221;, Hassanpour descreveu a &#8220;escurid\u00e3o estranha&#8221; que acontece em uma sociedade sem acesso \u00e0 m\u00eddia. &#8220;Somos mais normais quando sabemos o que est\u00e1 acontecendo; somos mais imprevis\u00edveis quando n\u00e3o sabemos. Em uma escala de massas, isso tem implica\u00e7\u00f5es interessantes.&#8221;<\/p>\n<p>O governo de Hosni Mubarak caiu, e, aos 83 anos, o ex-ditador foi levado de maca a um tribunal do Cairo para enfrentar acusa\u00e7\u00f5es criminais de corrup\u00e7\u00e3o e cumplicidade na morte de manifestantes.<\/p>\n<p>Jim Cowie, executivo-chefe de tecnologia da Renesys, empresa que avalia como a internet opera em todo o mundo, acredita que outro ditador deposto, Muammar Gaddafi, pode ter tomado nota da experi\u00eancia eg\u00edpcia.<br \/>\nEm um post em um blog no site da empresa, &#8220;O que a L\u00edbia aprendeu com o Egito&#8221;, Cowie escreveu em mar\u00e7o que a L\u00edbia estudou a ideia de interromper a conex\u00e3o com a internet no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes l\u00edbios &#8220;enfrentaram a mesma decis\u00e3o no per\u00edodo que antecedeu a guerra civil&#8221;, ele escreveu. &#8220;A cada vez, possivelmente por terem aprendido com o exemplo eg\u00edpcio, eles optaram por n\u00e3o implementar um blecaute de v\u00e1rios dias de todas as conex\u00f5es&#8221;, completou.<\/p>\n<p><strong>Sufocar a rede<\/strong><\/p>\n<p>Os governos sofisticados compreendem &#8220;que fechar o acesso \u00e0 rede radicaliza as coisas&#8221;, disse Hassanpour. O que \u00e9 mais \u00fatil para os governos \u00e9 &#8220;sufocar a largura de banda&#8221;, reconhecendo que &#8220;a internet \u00e9 algo que \u00e9 poss\u00edvel reduzir, sem eliminar&#8221;.<\/p>\n<p>Esse processo visa tornar a conex\u00e3o menos confi\u00e1vel e pronta, de modo que as p\u00e1ginas da web demorem para ser carregadas e que o streaming de v\u00eddeos seja imperfeito.<\/p>\n<p>De acordo com Jim Cowie, o Ir\u00e3 foi um dos v\u00e1rios pa\u00edses que perceberam que &#8220;o neg\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 desligar a internet, mas fazer com que ela seja menos \u00fatil&#8221;, ao controlar quais bairros t\u00eam acesso a ela, por exemplo.<br \/>\nHassanpour, que nasceu e foi criado no Ir\u00e3, concorda com essa tese: &#8220;O Ir\u00e3 faz isso de maneira localizada&#8221;.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de CLARA ALLAIN (Folha de S. Paulo, 22\/9\/2011)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Venho fazendo, neste blog, um debate a respeito a suposta capacidade que as m\u00eddias sociais t\u00eam de fazer revolu\u00e7\u00f5es. 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