{"id":13733,"date":"2011-10-11T09:20:53","date_gmt":"2011-10-11T12:20:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=13733"},"modified":"2011-10-11T09:20:53","modified_gmt":"2011-10-11T12:20:53","slug":"um-belo-titulo-cidadao-cearense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2011\/10\/11\/um-belo-titulo-cidadao-cearense\/","title":{"rendered":"Um belo t\u00edtulo: Cidad\u00e3o Cearense"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Caros amigos,<\/span><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_13734\" style=\"width: 534px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/10\/Cidad\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13734\" class=\"size-large wp-image-13734 \" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2011\/10\/Cidad\u00e3o-550x258.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"245\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13734\" class=\"wp-caption-text\">Ao lado de minha m\u00e3e, dona Therezinha, recebo o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Cearense das m\u00e3os de Adhail Barreto. Foto de Marcos Campos<\/p><\/div>\n<p>Recebi na noite de ontem (10\/10\/2011) o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Cearense, proposto na legislatura passada pelo ent\u00e3o deputado Adhail Barreto. Tornar-me cearense de direito foi uma das coisas que mais me emocionaram nestes 30 anos em que moro em Fortaleza.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o especialmente a todos os que compareceram, aos que me mandaram mensagens via Twitter, pelo telefone ou e-mail.<\/p>\n<p><strong>Segue um trecho<\/strong> do meu discurso na Assembleia e, mais abaixo, o texto completo.<\/p>\n<p>&#8220;Certa vez entrevistei o ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito. Perguntei-lhe se o fato de um ministro do mais importante tribunal do pa\u00eds chegar ao cargo por indica\u00e7\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica, depois de intensas articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de bastidores, n\u00e3o lhe tolhia a independ\u00eancia, n\u00e3o o deixava devedor de favores. Ele respondeu que era muito agradecido ao presidente Lula, que o nomeara, e a todos os que o ajudaram a chegar ao Supremo Tribunal Federal, mas que ele n\u00e3o podia pagar-lhes com a toga, rebaixando a sua condi\u00e7\u00e3o de julgador.<\/p>\n<p>&#8220;A mesma coisa eu preciso dizer para aqueles a quem sou agradecido; a mesma coisa sabem aqueles que s\u00e3o meus verdadeiros amigos: eu n\u00e3o posso pagar com a pena, com aquilo que eu escrevo, os meus d\u00e9bitos de simpatia ou de agradecimento. Eu n\u00e3o posso mercadejar, por favores ou amizade, com aquilo que eu publico, pois me tornaria indigno dessas mesmas amizades e da minha pr\u00f3pria profiss\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Outras duas postagens sobre o assunto, <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/cidadao-cearense\/\" target=\"_blank\"><strong>aqui<\/strong><\/a> e <strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/sou-cidadao-cearense-de-fato-e-de-direito\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/strong>. <span style=\"color: #888888\"><strong>Segue o discurso completo.<\/strong><\/span><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888\">Discurso completo.<\/span><\/p>\n<p><strong> Cidad\u00e3o Cearense<\/strong><\/p>\n<p>Quero come\u00e7ar fazendo um agradecimento muito especial a Adhail Barreto, secret\u00e1rio Regional da Prefeitura de Maracana\u00fa, que apresentou a proposta de me conceder o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Cearense, quando ele era deputado, na legislatura anterior.\u00a0O fato tem significado especial para mim, pois n\u00f3s \u2013 eu e o secret\u00e1rio Adhail Barreto &#8211; n\u00e3o temos nenhuma rela\u00e7\u00e3o de proximidade, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o daquela ditada pelas nossas respectivas atividades profissionais. Todos os nossos encontros, at\u00e9 hoje, ocorreram nesta condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu reconhe\u00e7o: sempre tive vontade de ter o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Cearense, para confirmar uma situa\u00e7\u00e3o de fato, que vivo h\u00e1 30 anos.Mas isso n\u00e3o \u00e9 coisa que se pe\u00e7a a algu\u00e9m. E eu, nunca, nem ao menos sugeri, a quem quer que fosse, a apresenta\u00e7\u00e3o dessa proposta.<\/p>\n<p>Portanto, quando Adhail Barreto telefonou-me, no ano passado, informando que acabara de ser votado o t\u00edtulo que me concedia a cidadania cearense, eu lhe agradeci, sinceramente emocionado. E ele me respondeu que tinha feito a proposta por ver m\u00e9ritos no meu trabalho de jornalista: \u201cSe n\u00e3o fosse assim, eu n\u00e3o faria\u201d \u2013 ele respondeu.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tenho porque duvidar disso, pois nos v\u00e1rios encontros que tivemos, o tratamento que eu dava a ele era o mesmo que eu dou a todos os pol\u00edticos e outras pessoas com as quais me relaciono profissionalmente: um tratamento cordial, mas sem fugir do crit\u00e9rio que exige a rela\u00e7\u00e3o entre jornalista e a sua fonte de informa\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo em que agrade\u00e7o especialmente a Adhail Barreto, estendo esses agradecimentos \u00e0 Assembl\u00e9ia Legislativa e a todos os deputados, que aprovaram a propositura por unanimidade.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que, no decorrer da vida voc\u00ea acaba por fazer amizades com pessoas que, eventualmente, assumem algum cargo importante na vida p\u00fablica, como \u00e9 o caso de v\u00e1rias pessoas que est\u00e3o aqui hoje. Mas, se eles s\u00e3o meus amigos, \u00e9 porque sabem que eu nunca transijo com as id\u00e9ias \u2013 e muitas vezes, j\u00e1 nos confrontamos no campo do debate. Eles sabem que a minha condi\u00e7\u00e3o de jornalista imp\u00f5e obriga\u00e7\u00f5es que est\u00e3o acima, at\u00e9, da profunda amizade ou agradecimento que eu possa ter por algu\u00e9m ou por alguma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Certa vez entrevistei o ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito. Perguntei-lhe se o fato de um ministro do mais importante tribunal do pa\u00eds chegar ao cargo por indica\u00e7\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica, depois de intensas articula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de bastidores, n\u00e3o lhe tolhia a independ\u00eancia, n\u00e3o o deixava devedor de favores. Ele respondeu que era muito agradecido ao presidente Lula, que o nomeara, e a todos os que o ajudaram a chegar ao Supremo Tribunal Federal, mas que ele n\u00e3o podia pagar-lhes com a toga, rebaixando a sua condi\u00e7\u00e3o de julgador.<\/p>\n<p>A mesma coisa eu preciso dizer para aqueles a quem sou agradecido; a mesma coisa sabem aqueles que s\u00e3o meus verdadeiros amigos: eu n\u00e3o posso pagar com a pena, com aquilo que eu escrevo, os meus d\u00e9bitos de simpatia ou de agradecimento. Eu n\u00e3o posso mercadejar, por favores ou amizade, com aquilo que eu publico, pois me tornaria indigno dessas mesmas amizades e da minha pr\u00f3pria profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>O jornalismo \u00e9 uma das mais belas profiss\u00f5es do mundo, pois cabe ao jornalista levar conhecimento \u00e0s pessoas. \u00c9 a partir da informa\u00e7\u00e3o que cada um pode avaliar com mais pertin\u00eancia o que acontece na sua cidade, no seu estado, no seu pa\u00eds e em lugares mais distantes. E \u00e9 a partir desse conhecimento que as pessoas podem se situar com mais precis\u00e3o no mundo e, a partir da\u00ed, decidir o que \u00e9 melhor para elas e para a sociedade.<\/p>\n<p>O jornalismo \u00e9 um dos pilares da democracia, est\u00e1 em sua ess\u00eancia. Um n\u00e3o vive sem o outro: onde falta liberdade n\u00e3o h\u00e1 verdadeiro jornalismo; onde falta jornalismo independente \u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 liberdade. E se faltar a liberdade, \u00e9 porque se imp\u00f4s a ditadura, onde n\u00e3o h\u00e1 direitos e nem cidadania.<\/p>\n<p>Eu acredito, como disse Cl\u00e1udio Abramo, um dos mais importantes jornalistas brasileiros: &#8220;O jornalismo \u00e9 o exerc\u00edcio di\u00e1rio da intelig\u00eancia e a pr\u00e1tica cotidiana do car\u00e1ter&#8221;. E eu acrescento, como j\u00e1 escrevi uma vez: pensar com independ\u00eancia \u00e9 a obriga\u00e7\u00e3o n\u00famero um de qualquer jornalista que queira honrar a sua profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, eu creio, sinceramente, que a melhor forma de um jornalista pagar uma amizade, saldar seus agradecimentos, \u00e9 respeitar a \u00e9tica e os princ\u00edpios do Jornalismo, cuja meta \u00e9 o interesse p\u00fablico. E, felizmente, eu trabalho em uma empresa em que essa independ\u00eancia de que necessita o jornalista pode ser exercida em sua plenitude.<\/p>\n<p>No O POVO se pode fazer um jornalismo isento e cr\u00edtico; cr\u00edtica da qual n\u00e3o escapam nem os jornalistas da Casa e nem a institui\u00e7\u00e3o, seja em contato direto com aqueles que nos leem, ou por meio do Conselho de Leitores ou pelos coment\u00e1rios do ombudsman. E eu posso lhes dizer at\u00e9 que ponto esses princ\u00edpios s\u00e3o respeitados. Quando eu fui convidado pela presidente Luciana Dummar para assumir um cargo na dire\u00e7\u00e3o do Grupo de Comunica\u00e7\u00e3o O POVO, disse-lhe que tinha por h\u00e1bito expor aquilo que eu pensava. Ela me respondeu que esse era um dos motivos do convite que me fazia. Lembrei a ela que escrevia um blog, uma das formas mais pessoais de fazer jornalismo. Perguntei-lhe se devia suspender a publica\u00e7\u00e3o do blog e dos artigos no jornal. A resposta foi que eu continuasse a fazer o que estava fazendo, que continuasse a escrever, sem nenhuma restri\u00e7\u00e3o. Mais recentemente, escrevi um artigo cr\u00edtico \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornais, a ANJ.  O jornal O POVO \u00e9 um dos fundadores da ANJ e a Luciana \u00e9 sua vice-presidente.  No artigo considerei insuficiente o modo como a associa\u00e7\u00e3o empresarial estava propondo a autorregulamenta\u00e7\u00e3o dos jornais. N\u00e3o ouvi obje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O comportamento e as palavras da presidente Luciana foram parecidas com as palavras do pai dela, Dem\u00f3crito Dummar, quando ele me convidou para exercer a fun\u00e7\u00e3o de ombudsman, cargo no qual fiquei por tr\u00eas anos. Portanto, o exerc\u00edcio da cr\u00edtica e os demais valores que est\u00e3o na ess\u00eancia do bom jornalismo, fazem parte da tradi\u00e7\u00e3o do O POVO. A prop\u00f3sito, nem sei se sou uma pessoa talhada para ocupar um cargo dire\u00e7\u00e3o, pois eu sou, essencialmente, um jornalista \u2013 e uma das fun\u00e7\u00f5es do jornalista e do jornalismo \u00e9 incomodar o poder.<\/p>\n<p>No mais meus amigos,<\/p>\n<p>Posso dizer tamb\u00e9m que estou entre os primeiros que, vindos de outros lugares, t\u00eam real e profunda identifica\u00e7\u00e3o com o Cear\u00e1.<br \/>\nE que me orgulho em me apresentar como algu\u00e9m de uma terra de gente lutadora; de gente como Francisco Jos\u00e9 do Nascimento, o Drag\u00e3o do Mar, e de outros libert\u00e1rios que nos legaram o honroso t\u00edtulo de Terra da Luz. Tenho orgulho de dizer que sou de uma terra de mulheres valentes, como foi B\u00e1rbara de Alencar &#8211; que confrontou o poder do Imp\u00e9rio -; que venho da terra do Padre Moror\u00f3, o primeiro jornalista do Cear\u00e1, fuzilado no Passeio P\u00fablico, o antigo Campo da P\u00f3lvora, por sustentar suas ideias subversivas e republicanas da Confedera\u00e7\u00e3o do Equador. De uma terra de jornalistas que enfrentaram o arb\u00edtrio com coragem e de peito aberto, como Jo\u00e3o Br\u00edgido, J\u00e1der de Carvalho e Dem\u00f3crito Rocha.<\/p>\n<p>Portanto, se o merecimento pode n\u00e3o ser tanto, o amor e a identifica\u00e7\u00e3o que eu tenho pelo Cear\u00e1, me habilitam a receber este t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Para voc\u00eas verem a import\u00e2ncia que este evento tem para mim. Toda a minha fam\u00edlia, que viajou mais de tr\u00eas mil quil\u00f4metros, do interior de S\u00e3o Paulo e de Mato Grosso do Sul, est\u00e1 aqui.  Est\u00e3o o meu irm\u00e3o Pl\u00ednio Paulo, o meu irm\u00e3o, Pl\u00ednio Carlos e a minha irm\u00e3, Maria Teresa, junto com meus sobrinhos, a quem abra\u00e7o. Muito especialmente quero falar da minha m\u00e3e, dona Therezinha, que, com seus 80 anos, fez quest\u00e3o de estar presente. Eu n\u00e3o poderia receber presente melhor. Queria lembrar meu pai, que se fosse vivo, tamb\u00e9m estaria aqui e seria um dos mais animados. Da minha m\u00e3e eu posso dizer que foi ela quem me iniciou no mundo das letras, pois foi ela quem me alfabetizou, mesmo sendo uma mulher que estudou somente at\u00e9 o quarto ano prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>Deixei para a conclus\u00e3o, para ficar marcado: quero dar um beijo muito grande na Swian, minha companheira, respons\u00e1vel por eu ter abra\u00e7ado integralmente a profiss\u00e3o de jornalista. Poucas pessoas sabem que, at\u00e9 40 anos de idade eu era funcion\u00e1rio da Caixa Econ\u00f4mica Federal, tinha um emprego est\u00e1vel, mas resolvi sair para me aventurar por completo na profiss\u00e3o de jornalista. Se n\u00e3o fosse o incentivo e a seguran\u00e7a da Swin, tudo teria sido mais dif\u00edcil, ou imposs\u00edvel. Quero dar um beijo muito grande na minha filha Nadja, advogada, que, no Cedeca, dedica a sua juventude e a sua intelig\u00eancia para defender os mais fr\u00e1geis entre os mais fr\u00e1geis, que s\u00e3o as crian\u00e7as. Quero dar um beijo bem grande na minha filha Bruna, estudante de Arquitetura, pelo seu carinho e pelos seus questionamentos, que s\u00e3o um desafio permanente.<\/p>\n<p>E, somente mais uma coisa:<\/p>\n<p>Pessoas de mais merecimento do que eu devem ter recebido o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Cearense. Mas eu posso assegurar que ningu\u00e9m, mas ningu\u00e9m mesmo, deve ter mais ficado feliz do que eu por receb\u00ea-lo. Muito agradecido mesmo, de cora\u00e7\u00e3o, a todos  voc\u00eas.<\/p>\n[Fortaleza, 10\/10\/2011]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros amigos, Recebi na noite de ontem (10\/10\/2011) o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Cearense, proposto na legislatura passada pelo ent\u00e3o deputado Adhail Barreto. 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