{"id":14973,"date":"2012-04-23T17:07:19","date_gmt":"2012-04-23T20:07:19","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=14973"},"modified":"2012-04-23T17:07:19","modified_gmt":"2012-04-23T20:07:19","slug":"twitter-facebook-google-apple-clubpenguin-e-tantos-outros-nao-tem-compromisso-algum-com-a-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2012\/04\/23\/twitter-facebook-google-apple-clubpenguin-e-tantos-outros-nao-tem-compromisso-algum-com-a-internet\/","title":{"rendered":"&#8220;Twitter, Facebook, Google, Apple, ClubPenguin e tantos outros n\u00e3o t\u00eam compromisso algum com a internet&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cOs condom\u00ednios fechados do Twitter, do Facebook, do Google, da Apple, do ClubPenguin e tantos outros n\u00e3o t\u00eam compromisso algum com a internet em que habitam. Propriedades privadas, eles fazem o que quiserem com os dados em suas bases. Para censur\u00e1-los basta uma conversa r\u00e1pida, como aquela que o governo chin\u00eas teve com o Google, e as liberdades de seus usu\u00e1rios se foram.\u201d<\/p>\n<p><strong>Trecho do artigo<\/strong> do professor (Comunica\u00e7\u00e3o Digital, ECA-USP) <strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/#!\/radfahrer\" target=\"_blank\">Luli Radfahrer<\/a><\/strong>, publicado na edi\u00e7\u00e3o de 23\/4\/2012 da Folha de S. Paulo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 bom ver que n\u00e3o estou s\u00f3<\/strong><\/p>\n<p>Eu disse alguma coisa parecida quando participei do Encontro de Tuiteiros Culturais e precisei enfrentar a ira de quem \u00e9 adepto das seitas eletr\u00f4nicas. Minha interven\u00e7\u00e3o aqui: <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/steve-jobs-criou-uma-nova-seita-minha-intervencao-no-encontro-de-tuiteiros-culturais\/\" target=\"_blank\"><strong>Steve Jobs \u00e9 o Che Guevara das seitas tecnol\u00f3gicas<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Veja o artigo completo de Luli Radfahrer.<!--more--><\/p>\n<p>Luli Radfahrer<br \/>\n<strong> A quarta internet<\/strong><\/p>\n<p>Folha de S. Paulo 23\/4\/2012<\/p>\n<p>A rede mundial mudou tanto nos \u00faltimos anos que \u00e9 surpreendente manter o nome<br \/>\nNo princ\u00edpio era o verbo. As redes eram poucas, fechadas, criptografadas, baseadas em comandos de texto. Seu conte\u00fado, acad\u00eamico e militar, n\u00e3o chamava a aten\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o devia. Us\u00e1-las demandava paci\u00eancia, computadores gigantescos, comunica\u00e7\u00f5es lerdas e muito conhecimento t\u00e9cnico. A m\u00e3e de todas as redes nasceu, como toda tecnologia, grande, fr\u00e1gil e de abrang\u00eancia duvidosa. Isso n\u00e3o impediu que estruturasse protocolos e servi\u00e7os que continuam v\u00e1lidos at\u00e9 hoje, como os f\u00f3runs de discuss\u00e3o e o bom e velho e-mail.<\/p>\n<p>Dessa internet ningu\u00e9m fala mais, a n\u00e3o ser em c\u00edrculos t\u00e9cnicos e aulas de hist\u00f3ria dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Muitos a confundem com uma de suas redes, a World Wide Web, surgida no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 como tentativa de classificar o conte\u00fado disposto da rede em &#8220;p\u00e1ginas&#8221;. A facilidade de acesso e a interface gr\u00e1fica atra\u00edram multid\u00f5es para aquela que chamavam de &#8220;supervia da informa\u00e7\u00e3o&#8221;, uma grande biblioteca de consulta p\u00fablica. Hoje chega a ser divertido pensar que t\u00e3o pouco tenha causado tanto impacto, mas naquela \u00e9poca a perspectiva de ler instantaneamente um conte\u00fado escrito do outro lado do mundo tinha ares de ano 2000.<\/p>\n<p>O mil\u00eanio acabou, levando com ele o &#8220;bug&#8221; e o estouro da bolha pontocom. Os escombros da euforia digital (e da &#8220;nova economia&#8221; surgida com ela) levantaram suspeitas em investidores que, com a crise p\u00f3s-11 de Setembro, desistiram de investir na rede. Ningu\u00e9m falava em Google ou Facebook naquela \u00e9poca. A Amazon n\u00e3o fabricava nada do que vendia, e a Apple fazia computadores.<\/p>\n<p>Mas a banda larga e, com ela, a conex\u00e3o perene, chamaram a aten\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico leitor, telespectador da rede, convidando-o a escrever, palpitar, contribuir, interagir com o conte\u00fado lido e, dessa forma, fazer parte dele. Na \u00e9poca, ningu\u00e9m sabia ao certo onde isso iria dar. Mesmo hoje, bilh\u00f5es de d\u00f3lares depois, as certezas ainda s\u00e3o poucas. As m\u00eddias sociais se multiplicaram, popularizaram o conte\u00fado on-line e trouxeram de volta os investimentos. Essa rede onipresente, onisciente e onipotente continuou a se chamar, como suas antepassadas, internet.<\/p>\n<p>Hoje se vive em uma quarta fase. Ela n\u00e3o tem praticamente nada de acad\u00eamica, textual ou aberta como eram as redes anteriores. A estrutura que interage com parte significativa da vida pessoal e profissional de cerca de 2 bilh\u00f5es de pessoas \u00e9 feita de ambientes restritos, incomunic\u00e1veis, que colocam em pr\u00e1tica o projeto original imaginado pela antiga America Online, criando &#8220;jardins murados&#8221; para proteger seus usu\u00e1rios indefesos da escurid\u00e3o e das maldades variadas a que estariam sujeitos se ficassem perdidos na rede.<\/p>\n<p>Os condom\u00ednios fechados do Twitter, do Facebook, do Google, da Apple, do ClubPenguin e tantos outros n\u00e3o t\u00eam compromisso algum com a internet em que habitam. Propriedades privadas, eles fazem o que quiserem com os dados em suas bases. Para censur\u00e1-los basta uma conversa r\u00e1pida, como aquela que o governo chin\u00eas teve com o Google, e as liberdades de seus usu\u00e1rios se foram.<\/p>\n<p>Correndo a uma velocidade exponencial, logo entraremos em uma quinta fase, a internet das coisas. Nela estaremos cercados de objetos que, como um iPhone ou um Kindle, ter\u00e3o a propriedade dividida entre seus donos e os donos de seus dados. E, como o nome da rede n\u00e3o mudou, muitos acreditar\u00e3o que nada mudou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs condom\u00ednios fechados do Twitter, do Facebook, do Google, da Apple, do ClubPenguin e tantos outros n\u00e3o t\u00eam compromisso algum com a internet em que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[229,853,938,1270,2367],"class_list":["post-14973","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-web","tag-apple","tag-encontro-de-tuiteiros","tag-facebbok","tag-jobs","tag-twitter"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14973"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14973\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}