{"id":15958,"date":"2012-12-13T17:19:02","date_gmt":"2012-12-13T20:19:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=15958"},"modified":"2012-12-13T17:19:02","modified_gmt":"2012-12-13T20:19:02","slug":"jornalismo-nao-deve-ser-imediato-nem-superficial-e-nem-gratuito-edwy-plenel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2012\/12\/13\/jornalismo-nao-deve-ser-imediato-nem-superficial-e-nem-gratuito-edwy-plenel\/","title":{"rendered":"Jornalismo n\u00e3o deve ser imediatista, nem superficial e nem gratuito: Edwy Plenel"},"content":{"rendered":"<p>O texto abaixo foi reproduzido do Observat\u00f3rio da Imprensa, originalmente publicado no El Pa\u00eds (Espanha). A tradu\u00e7\u00e3o foi cometida por mim [grifei].<\/p>\n<p>&gt;&gt;&gt;&lt;&lt;&lt;<\/p>\n<p>Edwy Plenel: <strong>\u201cA imprensa interpretou mal a revolu\u00e7\u00e3o digital\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Por Ver\u00f3nica Calder\u00f3n em 11\/12\/2012 na edi\u00e7\u00e3o 724<br \/>\nReproduzido do El Pa\u00eds, 4\/12\/2012; t\u00edtulo original \u201cLa prensa ha interpretado mal la revoluci\u00f3n digital\u201d.<\/p>\n<p>Tanto faz se em papel ou digital: <strong>o jornalismo n\u00e3o deve ser imediatista, nem superficial e nem gratuito<\/strong>. Edwy Plenel (Nantes, 1952), diretor da <a href=\"http:\/\/www.mediapart.fr\/\" target=\"_blank\"><strong>Mediapart.fr<\/strong><\/a>, tem isso bem claro. Ele n\u00e3o \u00e9 um guru digital da moda nem tuiteiro na esquina (ainda que tenha mais de 150 mil seguidores, por\u00e9m essa \u00e9 outra hist\u00f3ria). \u00c9 um veterano jornalista, um dos mais importantes da Fran\u00e7a, com uma trajet\u00f3ria profissional de mais de 30 anos. Passou v\u00e1rios deles \u2013 25 para ser exato \u2013 no Le Monde, onde fez de tudo, ou quase tudo. Entrou em 1980 como redator de educa\u00e7\u00e3o e saiu em 2004, depois de ocupar durante quatro anos a dire\u00e7\u00e3o da reda\u00e7\u00e3o. Em 2008 iniciou o Mediapart. E est\u00e1 contente. \u201cTemos demonstrado a rentabilidade do jornalismo de investiga\u00e7\u00e3o. Podemos resistir ao temporal.\u201d<\/p>\n<p>As coisas como s\u00e3o: o otimismo de Plenel \u00e9 uma aut\u00eantica raridade na profiss\u00e3o. O \u201coficio mais bonito do mundo\u201d, Garc\u00eda M\u00e1rquez <em>dixit<\/em>, n\u00e3o est\u00e1 para brincadeira. Muito menos na Espanha. O jornalismo \u00e9 um dos setores que sofre mais golpes hoje em dia, em um j\u00e1 dif\u00edcil mercado de trabalho. Mais de 8.800 jornalistas foram despedidos desde o in\u00edcio da crise. Ainda assim, Plenel defende que na Espanha &#8211; \u201ccomo na Fran\u00e7a h\u00e1 cinco anos\u201d- existe uma oportunidade para fazer \u201cjornalismo de investiga\u00e7\u00e3o, de qualidade e independente. O jornalismo de sempre\u201d. Suas investiga\u00e7\u00f5es [da Mediapart] t\u00eam causado dor de cabe\u00e7a \u00e0 classe empresarial e pol\u00edtica francesas. O mais importante: o caso Bettencourt, que descobriu uma rede de financiamento il\u00edcito entre o imp\u00e9rio L\u2019Or\u00e9al e o ex-presidente Nicolas Sarkozy.<!--more--><\/p>\n<p>Na apertada agenda do lend\u00e1rio jornalista franc\u00eas (nas faculdades suas reportagens dos anos 1980 s\u00e3o estudadas; e, durante sua gest\u00e3o, o Le Monde superou o Le F\u00edgaro em vendas), apenas tem tempo para um cafezinho. Ele veio a Madri apresentar a seu s\u00f3cio espanhol, Infolibre, um projeto inspirado no Mediapart e falar sobre seu ensaio \u201cCombate por una prensa libre\u201d (Edhasa, 2012), um \u201cmanifesto por uma imprensa livre\u201d.<\/p>\n<p>Mediapart.fr tem 30 jornalistas em sua folha de pagamento, e seus princ\u00edpios fundadores n\u00e3o poderiam estar de modo mais claro contra o que faz a maioria. \u201cQuando come\u00e7amos, todos diziam Ils sont fous! (Est\u00e3o loucos!)\u201d. As regras do Mediapart s\u00e3o tr\u00eas: <strong>1) A informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser imediata<\/strong>: tem tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, \u00e0s 9h, \u00e0s 13h e \u00e0s 19h. <strong>2) N\u00e3o \u00e9 superficial<\/strong>: \u201c\u00c9 preciso comprovar, planejar, discutir, refletir\u201d. <strong>3) N\u00e3o \u00e9 gratuita<\/strong>: nove euros por uma assinatura mensal, um euro por acesso de duas semanas. Plenel assegura que a f\u00f3rmula tem dado certo. Tem mais de 60 mil assinantes fixos: \u201cTodos os dias temos novos assinantes\u201d, diz. Em 2011, o Mediapart obteve 570.000 euros de lucro e este ano o projeto \u00e9 superar a cifra.<\/p>\n<p>Escut\u00e1-lo anima o jornalista mais deprimido. \u201cInterpretamos mal a revolu\u00e7\u00e3o na internet. Ela n\u00e3o \u00e9 nossa competidora. \u00c9 a melhor not\u00edcia para o jornalismo, porque nos obriga a escutar os cidad\u00e3os\u201d. E insiste que seu otimismo n\u00e3o \u00e9 ing\u00eanuo. Cita Ant\u00f4nio Gramsci: \u201cO pessimismo da intelig\u00eancia \u00e9 o otimismo da vontade\u201d. Em seu novo ensaio reitera que o jornalismo \u00e9 crucial para \u201cuma sociedade democr\u00e1tica\u201d. E que os primeiros interessados em defend\u00ea-lo devem ser os pr\u00f3prios jornalistas. \u201cComo esperarmos que os leitores confiem em n\u00f3s se n\u00f3s n\u00e3o confiamos neles?\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto abaixo foi reproduzido do Observat\u00f3rio da Imprensa, originalmente publicado no El Pa\u00eds (Espanha). A tradu\u00e7\u00e3o foi cometida por mim [grifei]. &gt;&gt;&gt;&lt;&lt;&lt; Edwy Plenel:&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1291,1505],"class_list":["post-15958","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-jornalismo","tag-mediapart"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15958"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15958\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}