{"id":16337,"date":"2013-09-09T18:22:17","date_gmt":"2013-09-09T21:22:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=16337"},"modified":"2013-09-09T18:22:17","modified_gmt":"2013-09-09T21:22:17","slug":"a-cozinha-venenosa-um-jornal-contra-hitler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2013\/09\/09\/a-cozinha-venenosa-um-jornal-contra-hitler\/","title":{"rendered":"A cozinha venenosa &#8211; Um jornal contra Hitler"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_16338\" style=\"width: 377px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2013\/09\/Cozinha-venenosa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-16338\" class=\" wp-image-16338 \" alt=\"Militante dos Black Cats, a Mel pede para registrar que posou contrariada (notem a express\u00e3o) para esta resenha, pois odeia esse senhor desenhado na capa do livro. (Clique para ampliar)\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2013\/09\/Cozinha-venenosa-550x331.jpg\" width=\"367\" height=\"221\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-16338\" class=\"wp-caption-text\">Militante dos Black Cats, a Mel pede para registrar que posou contrariada (notem a express\u00e3o) para esta resenha, pois odeia este senhor desenhado na capa do livro. (Clique para ampliar)<\/p><\/div>\n<p>Coube a uma jornalista brasileira, Silvia Bittencourt, escrever um livro <strong>&#8211;<\/strong>\u00a0<strong>A cozinha venenosa: Um jornal contra Hitler -,\u00a0<\/strong>sobre uma atrevida publica\u00e7\u00e3o de Munique , que desde o in\u00edcio alertava sobre os prop\u00f3sitos do &#8220;sr. Hitler&#8221; e a trag\u00e9dia que se abateria sobre a Alemanha e o mundo.<\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria do M\u00fcnchener Post, o principal inimigo dos nazistas na imprensa<\/strong><\/p>\n<p>A saga do M\u00fcnchener Post e seus corajosos jornalistas \u00e9 pouco abordada pela historiografia alem\u00e3 sobre o nazismo: esta \u00e9 a primeira obra que detalha a hist\u00f3ria do Post, informa a autora no pref\u00e1cio do livro.<\/p>\n<p><strong>Estudos<\/strong><\/p>\n<p>A falta de estudos mais aprofundados, segundo a autora, talvez se explique pelo fato de o Post ter sido uma publica\u00e7\u00e3o que apelava para o sensacionalismo: &#8220;Para seus jornalistas, mais importante do que a precis\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es era o ataque a ser desfechado [contra Hitler e seus comparsas]&#8221;; talvez por ser um jornal partid\u00e1rio, do SPD (Partido Social-Democrata da Alemanha).<\/p>\n<p><strong>O primeiro jornal a citar Hitler<\/strong><\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o M\u00fcnchener [Munique] Post foi o primeiro jornal a citar o nome de Hitler em suas p\u00e1ginas &#8211; j\u00e1 alertando o que representava aquela figura, que fora cabo do ex\u00e9rcito alem\u00e3o na Primeira Guerra. Editado desde o s\u00e9culo anterior, o Post anotou o nome de Hitler pela primeira vez, em sua edi\u00e7\u00e3o de 14 de maio de 1920, j\u00e1 espinafrando o futuro l\u00edder nazista:\u00a0&#8220;Na ter\u00e7a feira \u00e0 noite, um senhor chamado Hitler falou sobre o programa desse &#8216;partido&#8217; [nazista]. Ele soltou as mesmas palavras e disparou os mesmo clich\u00eas que somos obrigados a ouvir nos eventos de propaganda nacionalista&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Nos calcanhares<\/strong><\/p>\n<p>Da\u00ed para a frente, o Post acompanhou a carreira de Hitler &#8211; como nenhum outro jornal da Alemanha o fez &#8211; sempre mordendo-lhes os calcanhares, at\u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica do jornal, em 19 de mar\u00e7o de 1933, poucas semana ap\u00f3s Adolf Hitler ter sido nomeado chanceler (primeiro ministro) da Alemanha. As tropas de Hitler destru\u00edram m\u00f3veis, equipamentos, derramaram barris de tinta de impress\u00e3o na cal\u00e7ada &#8211; juntaram os destro\u00e7os e fizeram um fogueira em frente \u00e0 sede do jornal.<\/p>\n<p><strong>Atos<\/strong><\/p>\n<p>Entre o primeiro ato e o \u00faltimo, o Post manteve-se altivo &#8211; por vezes solit\u00e1rio &#8211; no combate ao nazismo. Escorregou, por vezes, no preconceito, a exemplo de quando divulgou a homossexualidade do chefe da SA (a tropa de assalto do nacional-socialismo), contrariando as diretrizes de seu partido, o SPD, que defendia a descriminaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica homossexual, proibida constitucionalmente. O jornal tentou justificar-se apontando a hipocrisia do Partido Nacional-Socialista, que condenava a homossexualidade e mantinha um deles em cargo de lideran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Sem tr\u00e9gua<\/strong><\/p>\n<p>O Post de Munique n\u00e3o dava tr\u00e9guas: superava a censura e agress\u00f5es f\u00edsicas; processava e enfrentava processos abertos pelos partid\u00e1rios do nacional-socialismo, sem nunca deixar de denunciar a leni\u00eancia da Justi\u00e7a do estado da Baviera para com os nazistas; seguia todos os passos de Hitler; alertava sobre a crescente atra\u00e7\u00e3o que o discurso nazista exercia sobre os alem\u00e3es; \u00a0e, principalmente, antecipou as principais medidas que o &#8220;tocador de tambor&#8221; imporia \u00e0 Alemanha e ao mundo, se chegasse (como chegou) ao poder &#8211; e fez as primeiras an\u00e1lises que &#8220;explicavam&#8221; o fen\u00f4meno:<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\">\u2022<\/span> \u00a0\u00abA primeira tarefa das organiza\u00e7\u00f5es nacionalistas \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o dos judeus, dos social-democratas e de outras tend\u00eancias.&#8221; (edi\u00e7\u00e3o de 11\/6\/1923)<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\">\u2022<\/span> \u00a0\u00ab[Hitler \u00e9] Um ambicioso que ferve por dentro, meio calculista, meio sonhador, meio l\u00f3gico, meio patol\u00f3gico, impregnado e carregado por uma paix\u00e3o fren\u00e9tica, que passa por cima de jovens inst\u00e1veis, aventureiros necessitados e valqu\u00edrias hist\u00e9ricas.\u00bb\u00a0(14\/3\/1925).<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\">\u2022<\/span> \u00a0Sobre o programa do Partido Nacional-Socialista, o Post assinalava ser feito de &#8220;\u00f3dio aos judeus. Tamb\u00e9m esse \u00f3dio \u00e9 consumado com palavreados; e quem n\u00e3o os entende ou \u00e9 judeu ou \u00e9 financiado por judeus. [&#8230;] N\u00e3o h\u00e1 nada de intelectual na base do nacional-nacional socialismo. Ele \u00e9 e permanecer\u00e1 uma verdadeira cruzada de inveja, do \u00f3dio da maldade.&#8221;\u00a0(1930)<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\">\u2022<\/span> \u00a0\u00abPenas de morte, pris\u00f5es e castigos corporais. Esse \u00e9 o esp\u00edrito da casa parda [refer\u00eancia ao uniforme da SA] que dever\u00e1 reinar na Alemanha.\u00bb (1\u00ba\/12\/1931).<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\">\u2022<\/span> \u00a0\u00abNa condi\u00e7\u00e3o de &#8220;nacional-socialistas&#8221;, eles os enganam [o povo] com a ilus\u00e3o de um novo &#8220;socialismo alem\u00e3o&#8221;, por tr\u00e1s do qual est\u00e1 nada al\u00e9m do que a ditadura fascista, que almeja um Estado corporativo nos moldes reacion\u00e1rios, no qual o trabalhador deve perder todos os direitos e liberdades batalhados com grandes sacrif\u00edcios.\u00bb (mar\u00e7o de 1931)<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\">\u2022<\/span> \u00a0Em 9\/12\/1931, o M\u00fcnchener Post publica uma nota alertando sobre a &#8220;solu\u00e7\u00e3o final para a quest\u00e3o judaica&#8221;, caso os nazistas conseguissem implantar o Terceiro Reich (reino).<\/p>\n<p><strong>Ascens\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Mas a ascens\u00e3o nazista n\u00e3o para. Em 1933, em uma Alemanha de 65 milh\u00f5es de habitantes, o Partido Nacional-Socialista tem cerca de quatro milh\u00f5es de filiados. Hitler torna-se um dos pol\u00edticos mais populares da Alemanha. \u00a0Depois das elei\u00e7\u00f5es, em que o partido nazista obt\u00e9m a maioria dos votos, Hitler torna-se chanceler; pouco depois, recebe poderes ditatoriais \u00a0do parlamento.<\/p>\n<p><strong>A prop\u00f3sito:<\/strong>\u00a0o t\u00edtulo de &#8220;Cozinha Venenosa&#8221; foi dada ao Post por Hitler; dizer que algu\u00e9m &#8220;destilava veneno&#8221; era um de seus xingamentos preferidos.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Com o M\u00fcrchener Post destru\u00eddo, seus jornalistas s\u00e3o perseguidos e dispersam-se; alguns deles voltam ap\u00f3s a trag\u00e9dia nazista e ajudam na reconstru\u00e7\u00e3o da Alemanha. A autora conversa com alguns descendentes deles, sendo que a maioria desconhecia a atua\u00e7\u00e3o de seus pais e av\u00f3s.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de contar a hist\u00f3ria do jornal, o livro de <strong>Silva Bittencourt<\/strong> faz um resumo bem did\u00e1tico (e de boa leitura) da ascens\u00e3o do nazismo, desde o seu surgimento nas cervejarias de Munique, at\u00e9 a ascens\u00e3o de Hitler ao poder. Mostra a violenta crise\u00a0pol\u00edtica e econ\u00f4mica que se abateu sobre a Alemanha no entre guerras e a situa\u00e7\u00e3o que possibilitou que um aventureiro chegasse ao poder pela via do voto, transformando-se em um ditador, que afundou o pa\u00eds em uma loucura sem precedentes.<\/p>\n<p><strong>*<\/strong> \u00a0&#8220;A cozinha venenosa &#8211; Um jornal contra Hitler: A hist\u00f3ria do Munchener Post, o principal inimigo dos nazistas na imprensa&#8221;. Silvia Bettencourt. Editora Tr\u00eas Estrelas &#8211; (373 p\u00e1gs.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coube a uma jornalista brasileira, Silvia Bittencourt, escrever um livro &#8211;\u00a0A cozinha venenosa: Um jornal contra Hitler -,\u00a0sobre uma atrevida publica\u00e7\u00e3o de Munique , que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[644,1407],"class_list":["post-16337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros","tag-cozinha-venenosa","tag-livro"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}