{"id":16590,"date":"2014-01-23T00:03:24","date_gmt":"2014-01-23T03:03:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=16590"},"modified":"2014-01-23T00:03:24","modified_gmt":"2014-01-23T03:03:24","slug":"quem-os-rolezinhos-metem-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/01\/23\/quem-os-rolezinhos-metem-medo\/","title":{"rendered":"A quem os rolezinhos metem medo?"},"content":{"rendered":"<p>Meu artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de 23\/1\/2014 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>A quem os rolezinhos metem medo?<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio dos chamados \u201crolezinhos\u201d escrevi no Twitter: \u201cTodo apartheid est\u00e1 condenado \u00e0 lata de lixo da hist\u00f3ria\u201d. Ainda havia lido pouco sobre o assunto &#8211; minha principal forma de conhecimento &#8211; mas instintivamente vi no fen\u00f4meno uma das marcantes caracter\u00edsticas da sociedade brasileira, a aparta\u00e7\u00e3o social, da qual \u00e9 v\u00edtima, principalmente, a popula\u00e7\u00e3o negra e, dentro desta, os jovens.<\/p>\n<p>A primeira vez que estive em Salvador, ainda bem jovem, me deslocava de \u00f4nibus pela capital baiana, meio no qual os negros s\u00e3o a imensa maioria. Ao entrar em um shopping (o \u00fanico da \u00e9poca), observei o inverso: rar\u00edssimos negros, mesmo entre os vendedores. Era f\u00e1cil reparar algo errado naqueles dois mundos completamente diferentes convivendo no mesmo espa\u00e7o. (Observem, no carnaval de Salvador, a cor da pele dos que seguram as cordas e a dos que dan\u00e7am dentro do cercado.)<\/p>\n<p>Falando sobre os rolezinhos, o meu colega F\u00e1bio Campos escreveu que os shoppings s\u00e3o \u201c(mais do que nunca) espa\u00e7os democr\u00e1ticos\u201d (<a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/app\/colunas\/fabiocampos\/2014\/01\/16\/noticiasfabiocampos,3191644\/um-rolezinho-na-realidade.shtml\" target=\"_blank\">aqui<\/a>). \u00c9 fato, n\u00e3o existe nenhuma placa em shoppings dizendo: \u201c\u00c9 proibida a entrada de pobres e pretos\u201d. Bom, meu amigo, olhe \u00e0 sua volta. Determinadas coisas n\u00e3o precisam estar inscritas em lei para valer, na real, desde que cada um saiba o seu lugar, e fique nele sem reclamar, se estiver no p\u00e9 da pir\u00e2mide social. (Sei que os rolezeiros s\u00e3o frequentadores regulares de shoppings perif\u00e9ricos, mas essa \u00e9 outra vertente do debate.)<\/p>\n<p>O medo conservador, portanto, \u00e9 ver o desmoronamento da velha ordem de \u201cum lugar para cada coisa, cada coisa em seu lugar\u201d, como dizia o marido \u201ccertinho\u201d de Dona Flor, o farmac\u00eautico Teodoro Madureira.<\/p>\n<p>Se na superf\u00edcie o rolezinho \u00e9 \u201cdespolitizado\u201d, pois meninos e meninas querem apenas consumir, beijar e namorar, o movimento nos for\u00e7a a lembrar a exist\u00eancia do \u201cBrasil de baixo e do Brasil de cima\u201d, como dizia o velho Patativa do Assar\u00e9.<\/p>\n<p>(Mas, desconsole-se a esquerda e sossegue a direita: a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 ali na esquina.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de 23\/1\/2014 do O POVO. A quem os rolezinhos metem medo? Pl\u00ednio Bortolotti Logo no in\u00edcio dos chamados \u201crolezinhos\u201d escrevi&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[241],"class_list":["post-16590","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo-o-povo","tag-artigo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16590"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16590\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}