{"id":16593,"date":"2014-01-25T23:01:12","date_gmt":"2014-01-26T02:01:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=16593"},"modified":"2014-01-25T23:01:12","modified_gmt":"2014-01-26T02:01:12","slug":"ascensao-social-provoca-mais-reivindicacoes-eu-nao-falo-por-mim-falo-por-milhares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/01\/25\/ascensao-social-provoca-mais-reivindicacoes-eu-nao-falo-por-mim-falo-por-milhares\/","title":{"rendered":"Ascens\u00e3o social provoca mais reivindica\u00e7\u00f5es: \u201cEu n\u00e3o falo s\u00f3 por mim; falo por milhares\u201d:"},"content":{"rendered":"<p>Coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, do caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o do O POVO de 26\/1\/2014.<\/p>\n<p><strong>\u201cEu n\u00e3o falo s\u00f3 por mim; falo por milhares\u201d<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que a ascens\u00e3o econ\u00f4mica alcan\u00e7ada por milh\u00f5es de brasileiros \u00e9 uma (n\u00e3o a \u00fanica) das causas dos surpreendentes movimentos capitaneados por jovens, tanto as \u201cjornadas de junho\u201d (2013), quanto os recentes \u201crolezinhos\u201d nos shoppings. A par da melhoria econ\u00f4mica, os filhos dessa \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d aumentaram seu n\u00edvel educacional e chegaram \u00e0 universidade. A mobilidade abre novas perspectivas, antes nem mesmo percebidas ou sonhadas.<\/p>\n<p>Quanto mais baixo o n\u00edvel que a pessoa ocupa na pir\u00e2mide social, quanto menor for sua escolaridade, menos oportunidade ela ter\u00e1 de reivindicar seus direitos. Por isso, oligarquias preferem manter a popula\u00e7\u00e3o na pobreza e na ignor\u00e2ncia, dependente de favores dos chefes pol\u00edticos, enquanto estes se locupletam \u00e0 custa do bem p\u00fablico.<\/p>\n<p>O que acontece no ensino universit\u00e1rio pode ilustrar alguns dos \u201cproblemas\u201d (muito bem-vindos, diga-se) que a inser\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es mais pobres, em campos antes praticamente restritos \u00e0 classe m\u00e9dia e aos ricos, podem acarretar. O Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) e a pol\u00edtica de cotas para as universidades p\u00fablicas federais vem democratizando o acesso a essas institui\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, se para todos a vida \u00e9 dif\u00edcil, para os pobres ela imp\u00f5e mais dificuldades.<!--more--><\/p>\n<p>Passar no exame \u00e9 apenas um passo para uma longa caminhada. O segundo, \u00e9 fazer a matr\u00edcula. Se um estudante pobre de S\u00e3o Paulo, por exemplo, \u00e9 aprovado digamos, para a Universidade Federal de Sergipe, como ele arranja dinheiro para viajar at\u00e9 Aracaju e fazer a matr\u00edcula, que tem de ser presencial?<\/p>\n<p>Supondo que ele consiga esse dinheiro, como far\u00e1 para se manter longe da fam\u00edlia, pagando hospedagem e alimenta\u00e7\u00e3o durante quatro anos ou mais? Exatamente isso est\u00e1 acontecendo com Jonathan da Silva, 20 anos, m\u00e3e faxineira, morador de uma favela em S\u00e3o Paulo, conforme depoimento dele ao portal Uol.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que o governo federal tem programas de ajuda para estudantes universit\u00e1rios sem recursos: o Prouni (bolsas nas institui\u00e7\u00f5es privadas) o Fies (de financiamento, tamb\u00e9m para faculdades particulares) e o Programa Bolsa Perman\u00eancia (R$ 400 para estudantes de institui\u00e7\u00f5es federais p\u00fablicas).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a quantidade de bolsas fica muito aqu\u00e9m do n\u00famero de estudantes pobres que est\u00e3o entrando nas universidades. Para o Prouni, por exemplo, inscreveram-se mais de um milh\u00e3o e 200 mil candidatos, para disputar 191.625 bolsas. Ou seja, pouco mais de 15% ser\u00e3o contemplados.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o Jonatham, citado acima, depois de expor as as suas dificuldades, disse seguinte:<\/p>\n<p>\u201cAs cotas s\u00e3o uma grande conquista para n\u00f3s. Mas a minha impress\u00e3o \u00e9 que o governo d\u00e1 o doce, mas depois quer tirar. Alunos carentes deveriam ter garantia de bolsas, sen\u00e3o n\u00e3o adianta. Neste momento, estou \u00e0 deriva, \u00e9 desesperador. Lutei at\u00e9 aqui, estudei, consegui passar. Parece que estou t\u00e3o perto de algo que quero muito, mas, na verdade, isso pode escapar. E n\u00e3o falo s\u00f3 por mim. Falo por milhares.\u201d<\/p>\n<p>Ou seja, logo haver\u00e1 uma multid\u00e3o de jovens, que antes nem sonhavam em entrar na universidade, pressionando para que lhe deem condi\u00e7\u00f5es de permanecer nelas, depois que tiveram a possibilidade de chegar at\u00e9 seus port\u00f5es.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Casablanca<\/strong><br \/>\n\u201cPrendam os suspeitos de sempre\u201d, a frase do chefe de pol\u00edcia no filme no cl\u00e1ssico filme \u201cCasablanca\u201d, aplica-se \u00e0 imprensa quando os pol\u00edticos querem achar culpados para seus malfeitos. Um dos \u00faltimos a apontar o dedo para os noticiosos, foi senador Jos\u00e9 Sarney (PMDB), que se v\u00ea em papos de aranha para explicar a explos\u00e3o de viol\u00eancia no Maranh\u00e3o, estado no qual seu grupo est\u00e1 no poder h\u00e1 50 anos.<\/p>\n<p><strong>Maranh\u00e3o<\/strong><br \/>\nNo estado, \u00e9 dif\u00edcil topar com alguma coisa, rua, pra\u00e7a, cidade, pr\u00e9dio p\u00fablico, que n\u00e3o tenha o nome de algu\u00e9m da fam\u00edlia Sarney, vivo ou morto. Dono tamb\u00e9m de jornal e da repetidora da Globo no Maranh\u00e3o, Sarney reclama do \u201cmassacre\u201d que \u201cest\u00e1 havendo na m\u00eddia nacional\u201d, sem se lembrar que seu grupo pol\u00edtico tem a obriga\u00e7\u00e3o de dar respostas equivalente \u00e0 extens\u00e3o de seu poder e ao longo tempo em que est\u00e1 dirigindo os destinos do estado.<\/p>\n<p><strong>Pasquale<\/strong><br \/>\nAntes que algum professor Pasquale corrija a express\u00e3o acima para \u201cpalpos de aranha\u201d (com o \u00e9le), aviso que o insuspeito dicion\u00e1rio Aulete admite as duas formas, referendando a \u201cforma mais popular\u201d, a que usei. A prop\u00f3sito, segundo o Aulete \u201cpalpos\u201d \u00e9 o \u201cap\u00eandice articulado e m\u00f3vel da boca ou maxilar dos insetos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, do caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o do O POVO de 26\/1\/2014. \u201cEu n\u00e3o falo s\u00f3 por mim; falo por milhares\u201d Pl\u00ednio Bortolotti \u00c9 ineg\u00e1vel&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[1517],"class_list":["post-16593","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo-o-povo","tag-menu-politico"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16593"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16593\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}