{"id":16655,"date":"2014-02-15T20:59:08","date_gmt":"2014-02-15T23:59:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=16655"},"modified":"2014-02-15T20:59:08","modified_gmt":"2014-02-15T23:59:08","slug":"mister-rodoviaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/02\/15\/mister-rodoviaria\/","title":{"rendered":"Mister Rodovi\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Coluna &#8220;Menu Pol\u00edtica&#8221;, no caderno &#8220;People&#8221; do <strong>O POVO<\/strong>, edi\u00e7\u00e3o de 16\/2\/2014.<\/p>\n<div id=\"attachment_16657\" style=\"width: 429px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/02\/H\u00e9lio-R\u00f4la.MP_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-16657\" class=\" wp-image-16657 \" alt=\"Arte: H\u00e9lio R\u00f4la\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/02\/H\u00e9lio-R\u00f4la.MP_.jpg\" width=\"419\" height=\"299\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/02\/H\u00e9lio-R\u00f4la.MP_.jpg 598w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/02\/H\u00e9lio-R\u00f4la.MP_-300x214.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/02\/H\u00e9lio-R\u00f4la.MP_-120x86.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 419px) 100vw, 419px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-16657\" class=\"wp-caption-text\">Arte: H\u00e9lio R\u00f4la<\/p><\/div>\n<p><strong>Mister Rodovi\u00e1ria<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>H\u00e1 um segmento estridente da elite que considera inaceit\u00e1vel que outras pessoas possam desfrutar de alguns confortos que eles t\u00eam como \u201cdireito de nascen\u00e7a\u201d<\/p>\n<p>Em artigos recentes comentei a dificuldade das classes A e B em aceitar a presen\u00e7a dos pobres, a chamada \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d, nos tradicionais locais de consumo da \u201celite\u201d. Abordei o tema em <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/onde-guardamos-o-preconceito\/\" target=\"_blank\">Onde guardamos o preconceito?<\/a>, artigo que escrevo \u00e0s quintas-feiras para a editoria de Opini\u00e3o (3\/1\/2014) e <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/elite-se-assusta-com-democratizacao-consumo\/\" target=\"_blank\">A elite se assusta com a democratiza\u00e7\u00e3o do consumo<\/a>, nesta coluna (2\/2\/2014). Um dos exemplos que citei foram os coment\u00e1rios que se ouve de pessoas da \u201celite\u201d se queixando que os aeroportos viraram \u201crodovi\u00e1rias\u201d, devido \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o das viagens a\u00e9reas.<\/p>\n<p>Pois bem, na semana passada aconteceu um caso que exemplifica de modo fiel os argumentos que levantei. Em sua p\u00e1gina no Facebook, a professora Rosa Marina Meyer, do Departamento de Letras da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC-Rio), publicou a foto de um passageiro de camiseta sem mangas, bermuda e um t\u00eanis aparentemente sambado, lanchando no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Ao lado da foto ela escreveu: \u201cAeroporto ou rodovi\u00e1ria?\u201d<!--more--><\/p>\n<p>Outro professor, o reitor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Pedro Jutuca, foi no mesmo tom, comentando: \u201cO glamour foi pro espa\u00e7o\u201d. M\u00e1rio Meyer (provavelmente parente da professora) tamb\u00e9m opina: \u201cIsso \u00e9 s\u00f3 uma mostra do que tenho visto pelo Brasil \u201d. Volta a educadora Rosa Marina: \u201cO pior \u00e9 que o Mr. Rodovi\u00e1ria est\u00e1 no meu voo! Ao menos, n\u00e3o do meu lado! Ufa!\u201d E outra professora da PUC-Rio completa: \u201cHehe [risos na linguagem da internet]. O pior \u00e9 quando esse tipo de passageiro senta exatamente do seu lado e fica ro\u00e7ando o bra\u00e7o peludo no seu, porque &#8211; claro &#8211; n\u00e3o respeita (ou n\u00e3o cabe) nos limites do assento\u201d.<\/p>\n<p>A falta de escr\u00fapulo da professora n\u00e3o ficou somente nos coment\u00e1rios. Ela publicou a foto de modo que era poss\u00edvel identificar a pessoa que ela depreciava. Acontece que Marina Meyer atirou no que pensou ter visto (um cidad\u00e3o pobre) e acertou no que n\u00e3o viu: o \u201cMr. Rodovi\u00e1ria\u201d \u00e9 advogado e procurador da cidade mineira de Nova Serrana. Ou seja, uma pessoa do, digamos assim, mesmo n\u00edvel social da professora da PUC.<\/p>\n<p>Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo Marcelo disse que voltava de um cruzeiro internacional e, como o Rio \u00e9 uma cidade muito quente, optou por usar bermuda e camiseta. Sobre a forma como foi tratado: \u201cEu n\u00e3o gostei porque \u00e9 uma forma grosseira de humilhar uma pessoa em determinada situa\u00e7\u00e3o\u201d. Perguntado se vai adotar alguma medida judicial contra a professora, ele disse que est\u00e1 \u201ctomando provid\u00eancias\u201d, mas n\u00e3o quis revelar quais seriam.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode, por \u00f3bvio, fazer cr\u00edtica generalizante \u00e0 classe m\u00e9dia (antiga) ou \u00e0 elite do pa\u00eds, por\u00e9m, existe um segmento estridente desses setores que considera inaceit\u00e1vel que outras pessoas possam desfrutar de alguns confortos que eles t\u00eam como \u201cdireito de nascen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>E, pensemos, que tipo de \u201celite\u201d o pa\u00eds est\u00e1 formando? Educadores que se veem no direito de humilhar publicamente uma pessoa, baseados unicamente na sua apar\u00eancia? M\u00e9dicos que xingam seus colegas cubanos &#8211; boa parte deles negros &#8211; de \u201cescravos\u201d, devido a uma diverg\u00eancia pol\u00edtica com o governo?<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>IPTU<\/strong><br \/>\nQuem ficou mal nessa hist\u00f3ria de aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) foi a C\u00e2mara Municipal. Os vereadores aprovaram reajuste de 35%, por\u00e9m, a Prefeitura &#8211; driblando a lei &#8211; emitiu muitos boletos com percentuais acima de 100%. At\u00e9 agora n\u00e3o houve nenhuma rea\u00e7\u00e3o institucional por parte do poder Legislativo para fazer valer o que foi aprovado. E tudo indica que vai ficar por isso mesmo, com a \u201cbase aliada\u201d aceitando passivamente o arb\u00edtrio do prefeito.<\/p>\n<p><strong>Mensal\u00f5es<\/strong><br \/>\nO julgamento do \u201cmensal\u00e3o tucano\u201d, que vem de Minas Gerais, vai ser a primeira prova para verificar se o rigor utilizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ser\u00e1 regra geral para punir corruptos ou se foi uma exce\u00e7\u00e3o para apenar os r\u00e9us do hom\u00f4nimo petista.<\/p>\n<p><strong>Coisas que n\u00e3o entendo<\/strong><br \/>\nPor que h\u00e1 tanta revolta quando o governo brasileiro negocia com Cuba e ningu\u00e9m fala nada &#8211; pelo contr\u00e1rio elogia e incentiva &#8211; os neg\u00f3cios feitos com a China? As duas n\u00e3o s\u00e3o, do mesmo modo, ditaduras \u201ccomunistas\u201d?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coluna &#8220;Menu Pol\u00edtica&#8221;, no caderno &#8220;People&#8221; do O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 16\/2\/2014. 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