{"id":16700,"date":"2014-03-01T19:59:03","date_gmt":"2014-03-01T22:59:03","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=16700"},"modified":"2014-03-01T19:59:03","modified_gmt":"2014-03-01T22:59:03","slug":"o-carnaval-nas-enciclopedias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/03\/01\/o-carnaval-nas-enciclopedias\/","title":{"rendered":"O Carnaval nas enciclop\u00e9dias"},"content":{"rendered":"<p>Texto para a coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, do caderno &#8220;People&#8221;, do O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 2\/3\/2014.<\/p>\n<p><strong>O Carnaval nas enciclop\u00e9dias<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo, caros leitores, vou poup\u00e1-los dos \u00e1ridos assuntos que costumo tratar por aqui, e falar um pouco desta \u201cfolia que n\u00e3o tem hora para acabar\u201d, como costumam escrever alguns redatores pouco inspirados, na esperan\u00e7a de que esta coluna possa ajud\u00e1-los a passar com alguma ci\u00eancia o que o mesmo noticiarista chamaria de \u201ctr\u00edduo momesco\u201d. Depois de ler este texto, voc\u00ea saber\u00e1 exatamente no que est\u00e1 se metendo (ou j\u00e1 est\u00e1 dentro), pois s\u00e3o muito el\u00e1sticos os oficiais tr\u00eas dias de Carnaval.<\/p>\n<p>Segundo fontes confi\u00e1veis, a origem do Carnaval est\u00e1 nas mais antigas festas orgi\u00e1sticas da humanidade, como o culto \u00e0 deusa \u00cdsis, as festas dion\u00edsicas gregas, passando pelas celebra\u00e7\u00f5es dos bacanais, saturnais e lupercais, em homenagem aos deuses romanos Baco, Saturno e Lup\u00e9rcio (ou P\u00e3), respectivamente, todos eles do barulho.<\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia, quando a sociedade encaretou, a festa correu perigo, mas foi salva pelo papa Paulo II. Tolerante, ele autorizou a algazarra na via em frente ao seu pal\u00e1cio: e l\u00e1 os romanos fizeram a folia, com corridas de cavalinhos, carros aleg\u00f3ricos (bigas, imagino) e jogando ovos uns nos outros.<\/p>\n<p>(N\u00e3o foi a \u201cfesta pag\u00e3\u201d que provocou a cisma entre cat\u00f3licos e protestantes, por\u00e9m, para os evang\u00e9licos, o Carnaval, com sua origem no culto a deuses \u201cfalsos\u201d, continua sendo obra do coisa-ruim.)<!--more--><\/p>\n<p>No Brasil, o Carnaval, ou melhor, \u201centrudo\u201d, como era chamado na \u00e9poca, chegou no per\u00edodo colonial, pelas m\u00e3os dos portugueses, portanto n\u00e3o come\u00e7ou com samba, nem com Dod\u00f4 e Osmar (logo, n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o baiana).<\/p>\n<p>No in\u00edcio, era uma celebra\u00e7\u00e3o violenta: consistia em atingir incautos passantes com farinha, cal, \u00e1gua e outros (suspeitos) l\u00edquidos. O bombardeio era t\u00e3o feio, que foi proibido em 1904, pelo prefeito do Rio, Pereira Passos.<\/p>\n<p>A imprensa, sempre alerta, tamb\u00e9m combatia os bisav\u00f3s dos black blocs e seu \u201cjogo selvagem\u201d, fazendo campanha para dar um car\u00e1ter mais \u201caristocr\u00e1tico\u201d \u00e0 arrelia. A partir de ent\u00e3o, o Carnaval foi se tornando mais civilizado e, aqui no Cear\u00e1, substitui-se a farinha pela maisena, produto muito mais refinado.<\/p>\n<p>Bailes em clubes, blocos, cord\u00f5es, e outros rebuli\u00e7os carnavalescos, come\u00e7aram no Rio de Janeiro. A primeira escola de samba brasileira \u201cDeixa Falar\u201d, \u00e9 carioca, fundada em 1928 ou 1929, dependendo da fonte. De l\u00e1 tamb\u00e9m surgiu a primeira marchinha <em>Abre alas<\/em>, que Chiquinha Gonzaga comp\u00f4s em 1899 &#8211; e com ela voc\u00ea canta e dan\u00e7a at\u00e9 hoje: \u201c\u00d3 abre alas, que eu quero passar\u2026\u201d<\/p>\n<p>E, se o teu av\u00f4, vier com aquele papo de \u201choje s\u00f3 tem pouca vergonha, no meu tempo havia mais respeito\u201d, diga para ele esse neg\u00f3cio de homem se vestir de mulher, j\u00e1 vem de outros carnavais: com registros a partir de meados do s\u00e9culo XIX, segundo algumas fontes, ou a partir de 1907, segundo outras. De qualquer modo, j\u00e1 tem algum tempo esse costume de sair do arm\u00e1rio \u201cs\u00f3 de brincadeira\u201d.<\/p>\n<p>Agora que voc\u00ea est\u00e1 bem ilustrado sobre o significado do Carnaval, tenho certeza de que aproveitar\u00e1 melhor a folia.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>PALAVRA<\/strong><br \/>\nEtimologia &#8211; a origem da palavra Carnaval &#8211; do latim: <em>carnelevamen<\/em>, modificado para <em>carnevale<\/em>, que significa \u201cadeus \u00e0 carne\u201d (referente \u00e0 quaresma, que vem em seguida, per\u00edodo em que os crist\u00e3os devem observar o comedimento e a abstin\u00eancia de carne). Por\u00e9m <em>carnelevamen<\/em>, tamb\u00e9m pode ser interpretado como <em>carnis levamen<\/em>, o \u201cprazer da carne\u201d ou seja o pr\u00f3prio intervalo carnavalesco.<\/p>\n<p><strong>FANTASIA PROIBIDA<\/strong><br \/>\nAs m\u00e1scaras, de veludo e cetim, come\u00e7aram a ser usadas em 1834, por influ\u00eancia francesa. A serpentina chegou 1892; o lan\u00e7a-perfume (hoje proibido), foi introduzido em 1911; nesse mesmo ano a Pol\u00edcia do Rio proibiu o uso da fantasia de padre.<\/p>\n<p><strong>SEM INTERNET<\/strong><br \/>\nEscrevi este texto tamb\u00e9m para provar que se pode viver sem internet: consultei apenas enciclop\u00e9dias: a <em>Nova Enciclop\u00e9dia Barsa<\/em> (1997), a <em>Grande Enciclop\u00e9dia Delta Larousse<\/em> (1972) e a <em>Grande Enciclop\u00e9dia Larousse Cultural<\/em> (1998).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto para a coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, do caderno &#8220;People&#8221;, do O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 2\/3\/2014. 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