{"id":16704,"date":"2014-03-08T19:59:40","date_gmt":"2014-03-08T22:59:40","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=16704"},"modified":"2014-03-08T19:59:40","modified_gmt":"2014-03-08T22:59:40","slug":"holocausto-na-coreia-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/03\/08\/holocausto-na-coreia-norte\/","title":{"rendered":"Holocausto na Coreia do Norte"},"content":{"rendered":"<p>Texto para a coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, do caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 9\/3\/2014,\u00a0<strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/03\/Shin-Dong-hyuk.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16708\" alt=\"Shin Dong-hyuk\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/03\/Shin-Dong-hyuk.jpg\" width=\"862\" height=\"539\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/03\/Shin-Dong-hyuk.jpg 862w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/03\/Shin-Dong-hyuk-300x188.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/03\/Shin-Dong-hyuk-768x480.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/03\/Shin-Dong-hyuk-740x463.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/03\/Shin-Dong-hyuk-120x75.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 862px) 100vw, 862px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Holocausto na Coreia do Norte<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Que os regimes do \u201ccomunismo real\u201d s\u00e3o genocidas, isso \u00e9 de amplo conhecimento, pelo menos desde que, em fevereiro de 1956, Nikita Khruschov, o primeiro-secret\u00e1rio da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, denunciou os crimes de seu antecessor, Josef St\u00e1lin, o ditador que governou o pa\u00eds com poderes absolutos por mais de 30 anos. Nessa conta de absurdos entra a \u201crevolu\u00e7\u00e3o cultural\u201d, de Mao Ts\u00e9-Tung (China) e os massacres do Khmer Vermelho (Camboja), que s\u00e3o parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em pleno s\u00e9culo XXI, sobrevive um regime cujos crimes nada ficam a dever em termos de brutalidade aos seus parceiros de ideologia: a Coreia do Norte, dirigida por uma dinastia \u201ccomunista\u201d, atualmente nas m\u00e3os do \u201cl\u00edder supremo\u201d, Kim Jong-un, neto de fundador da \u201crep\u00fablica popular democr\u00e1tica\u201d, como consta no nome oficial do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No livro Fuga do Campo 14, o jornalista Blaine Harden, narra como o prisioneiro Shin Dong-hyur consegui escapar de um campo de concentra\u00e7\u00e3o norte-coreano, no qual nascera. A p\u00e9, ele chegou \u00e0 China e, depois, \u00e0 Coreia do Sul. Shin consegui escapar em 2005, quando tinha 23 anos. A hist\u00f3ria dele nos lan\u00e7a nas profundezas do horror de um regime em que os l\u00edderes \u201ceternos\u201d, \u201csupremos\u201d e \u201cqueridos\u201d, s\u00e3o reverenciados como deuses, sob o tac\u00e3o de um Estado totalit\u00e1rio-militar.<!--more--><\/p>\n<p>A fam\u00edlia se Shin era da casta mais baixa de prisioneiros \u2013 os inimigos pol\u00edticos do regime \u2013, por isso viviam em um \u201cdistrito de controle total\u201d, o Campo 14, sem a mais vaga no\u00e7\u00e3o do que ocorria para al\u00e9m das cercas el\u00e9tricas da pris\u00e3o.\u00a0Os prisioneiros eram tratados \u2013 e se consideravam \u2013 como animais. Tornavam-se capazes das piores indignidades em troca de um pequeno aumento na ra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, que os mantinham semivivos e semi-humanos. O pr\u00f3prio Shin delatou a m\u00e3e, informando aos guardas que ela planejava fugir. Ficou \u201corgulhoso\u201d e pediu como recompensa uma \u201cra\u00e7\u00e3o completa de arroz\u201d. Tinha 13 anos. Aos 14 foi obrigado a assistir a um enforcamento p\u00fablico e, depois, ao fuzilamento do irm\u00e3o mais velho.<\/p>\n<p>Os guardas tinham poder de vida e morte sobre os presos, que eram espancados violentamente por qualquer motivo &#8211; ou sem motivo. Os prisioneiros tinham de consider\u00e1-los \u201cmestres\u201d e \u201chostilizar\u201d um guarda resultava em puni\u00e7\u00e3o com a morte.<\/p>\n<p>O fuzilamento imediato era a pena mais comum para quem descumprisse \u201cAs dez leis do Campo 14\u201d, que tratava desde tentativas de fuga, impedimento do preso se reunir com mais de uma pessoa e proibi\u00e7\u00e3o de \u201cconviv\u00eancia entre os sexos\u201d, al\u00e9m da obriga\u00e7\u00e3o de \u201cvigiar uns aos outros e denunciar imediatamente qualquer comportamento suspeito\u201d. As execu\u00e7\u00f5es eram p\u00fablicas e at\u00e9 as crian\u00e7as eram obrigadas a assisti-las.<\/p>\n<p>Shin disse ao seu bi\u00f3grafo que, antes de fugir, nunca ouvira a palavra \u201camor\u201d, e que come\u00e7ou a se sentir humano ao perceber \u2013 experimentando a liberdade \u2013 que era capaz de chorar e de ter sentimentos.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>HORROR<\/strong><br \/>\nConheci a hist\u00f3ria de Shin Dong-hyur em 2012, quando li o livro <em>Fuga do Campo 14<\/em> e fiz um post em meu blog. Devido ao hermetismo do regime norte-coreano, o autor reconheceu as dificuldades em verificar todas as informa\u00e7\u00f5es que lhe foram repassadas por Shin. De fato, eram hist\u00f3rias de tanta selvageria, que se assemelhavam a uma fic\u00e7\u00e3o de terror.<\/p>\n<p><strong>ONU<\/strong><br \/>\nNo entanto, recentemente, uma investiga\u00e7\u00e3o conduzida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) confirmou a brutalidade dos campos de concentra\u00e7\u00e3o na Coreia do Norte. Foram ouvidas 80 testemunhas &#8211; entre elas Shin Dong-hyur &#8211; e o trabalho resultou em um documento oficial da entidade. O relat\u00f3rio (em ingl\u00eas) e outras informa\u00e7\u00f5es (em portugu\u00eas) podem ser vistos no portal do <em><a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/02\/20\/internacional\/1392926034_321491.html\" target=\"_blank\">El Pa\u00eds<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><strong>DIREITOS HUMANOS<\/strong><br \/>\nPara Marzuki Darusman, investigador especial da ONU sobre os Direitos Humanos e coautor do relat\u00f3rio, a Coreia do Norte \u00e9 \u201ca imagem completa de um sistema totalit\u00e1rio sem par no s\u00e9culo XXI\u201d. Darusman disse que est\u00e3o documentados crimes contra a humanidade equivalentes ao do holocausto, e diz que a comunidade internacional precisa agir para p\u00f4r fim \u00e0 barb\u00e1rie.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto para a coluna &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, do caderno &#8220;People&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 9\/3\/2014,\u00a0O POVO. 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