{"id":16781,"date":"2014-04-12T17:07:14","date_gmt":"2014-04-12T20:07:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=16781"},"modified":"2014-04-12T17:07:14","modified_gmt":"2014-04-12T20:07:14","slug":"o-quanto-o-poder-economico-manda-na-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/04\/12\/o-quanto-o-poder-economico-manda-na-politica\/","title":{"rendered":"O quanto o poder econ\u00f4mico manda na pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_16782\" style=\"width: 530px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/04\/H\u00e9lio-R\u00f4la.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-16782\" class=\"size-full wp-image-16782\" alt=\"H\u00e9lio R\u00f4la\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/04\/H\u00e9lio-R\u00f4la.png\" width=\"520\" height=\"267\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/04\/H\u00e9lio-R\u00f4la.png 520w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/04\/H\u00e9lio-R\u00f4la-300x154.png 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2014\/04\/H\u00e9lio-R\u00f4la-120x62.png 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-16782\" class=\"wp-caption-text\">Arte: H\u00e9lio R\u00f4la<\/p><\/div>\n<p>Artigo para o &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, do <strong>O POVO<\/strong>, edi\u00e7\u00e3o de 13\/4\/2014.<\/p>\n<p><strong>O quanto o poder econ\u00f4mico manda na pol\u00edtica<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Com a Petrobras na berlinda, correndo o risco de ver uma CPI escarafunchar os seus neg\u00f3cios, o jornal O Estado de S. Paulo, publicou reportagem mostrando como s\u00e3o pr\u00f3digas em ajudar pol\u00edticos as empresas fornecedoras da petroleira estatal. Com o t\u00edtulo <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/impresso,responsaveis-por-um-terco-das-doacoes-eleitorais-sao-fornecedores-da-petrobras,1149915,0.htm\" target=\"_blank\">Respons\u00e1veis por um ter\u00e7o das doa\u00e7\u00f5es eleitorais s\u00e3o fornecedores da Petrobras<\/a> (6\/4\/2014), a mat\u00e9ria refor\u00e7a a tese daqueles que defendem ser preciso p\u00f4r freio \u00e0s doa\u00e7\u00f5es eleitorais de pessoas jur\u00eddicas.<\/p>\n<p>O levantamento, em conjunto com a Transpar\u00eancia Brasil, revela: de cada R$ 10 doados por empresas a candidatos e comit\u00eas nas elei\u00e7\u00f5es de 2010 e 2012, R$ 3 vieram de fornecedores da Petrobr\u00e1s. Nos \u00faltimos quatro anos, 4.792 candidatos e comit\u00eas partid\u00e1rios receberam recursos de empresas contratadas pela Petrobras. Na elei\u00e7\u00e3o de 2010, os benefici\u00e1rios desses recursos, juntos, receberam pelo menos R$ 78 milh\u00f5es para suas candidaturas.<!--more--><\/p>\n<p>A not\u00edcia, com dados objetivos, deixa claro que o fato n\u00e3o indica que a Petrobras direcione as doa\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, \u00e9 licito perguntar &#8211; nesse caso e nos relatados abaixo &#8211; por que tanto interesse das empresas em destinar grandes volumes de recursos para campanhas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Anteriormente, a Transpar\u00eancia Brasil j\u00e1 havia divulgado estudo (elei\u00e7\u00f5es de 2010 e 2012), mostrando \u201co papel predominante que uma quantidade relativamente pequena de grandes empresas desempenha no financiamento eleitoral brasileiro\u201d e que isso est\u00e1 \u201cna raiz das preocupa\u00e7\u00f5es que alimentam o debate sobre o assunto\u201d, como escreveu o diretor-executivo da organiza\u00e7\u00e3o, Claudio Weber Abamo.<\/p>\n<p>O levantamento mostra que em toda elei\u00e7\u00e3o sempre existe uma pequena parcela de doadoras que contribuem com quantias muito elevadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais empresas. S\u00e3o grandes empresas &#8211; construtoras e bancos &#8211; com interesses estrat\u00e9gicos na economia.<\/p>\n<p>A pesquisa utilizou o \u00edndice Gini &#8211; normalmente empregado para medir disparidades de renda &#8211; para mostrar a grande desigualdade entre doadores. Por exemplo, se todas as fam\u00edlias tivessem a mesma renda, o \u00edndice Gini seria 0%; na desigualdade completa (uma fam\u00edlia concentrando toda a renda), o \u00edndice seria 100%. Os \u00edndices intermedi\u00e1rios correspondem \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de renda: quanto maior o \u00edndice, maior a disparidade.<\/p>\n<p>Levando-se para uma campanha pol\u00edtica: se todos doassem o mesmo valor, o \u00edndice seria 0%. Nas elei\u00e7\u00f5es analisadas, o \u00edndice Gini das grandes doadoras gira em torno de 70%, chegando em alguns casos a mais de 90%.<\/p>\n<p>O estudo observou que nos seis estados com maiores bancadas (S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Paran\u00e1) &#8211; representando mais da metade dos 513 integrantes da C\u00e2mara dos Deputados &#8211; os candidatos financiados pelas maiores doadoras comp\u00f5em 73% dos eleitos. Dos 70 deputados da bancada do estado de S\u00e3o Paulo, 56 receberam recursos das grandes doadoras. No Cear\u00e1, a disparidade \u00e9 menor: dos 22 deputados federais, sete foram eleitos com financiamento de grandes doadoras.<\/p>\n<p>A despropor\u00e7\u00e3o revela-se em todos os n\u00edveis: da elei\u00e7\u00e3o do vereador ao presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><span style=\"color: #3366ff\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Estudo<\/strong><br \/>\nO estudo completo da Transpar\u00eancia Brasil pode ser visto <a href=\"http:\/\/www.excelencias.org.br\/docs\/financia_desigualdade.pdf\" target=\"_blank\"><strong>aqui<\/strong><\/a>, com mapas e gr\u00e1ficos que incluem o Cear\u00e1 &#8211; e a rela\u00e7\u00e3o das empresas que mais doam para campanhas pol\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>Teto<\/strong><br \/>\nClaudio Weber Abramo, diretor-executivo da Transpar\u00eancia Brasil, prop\u00f5e a seguinte medida para reduzir a influ\u00eancia das grandes empresas doadoras: estabelecimento um teto nacional e tetos regionais, a partir do Produto Interno Bruto dos estados (para elei\u00e7\u00f5es gerais) e municipais (para elei\u00e7\u00f5es nesse \u00e2mbito). Para ele, a medida dispersaria as doa\u00e7\u00f5es, reduzindo o poder de press\u00e3o das empresas.<\/p>\n<p><strong>STF<\/strong><br \/>\nO julgamento ainda n\u00e3o foi finalizado, por\u00e9m a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) j\u00e1 votou a favor da proibi\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00f5es de empresas privadas para campanhas pol\u00edticas. O julgamento, com seis votos a um, foi suspenso no in\u00edcio deste m\u00eas, por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, sem prazo para ser retomado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo para o &#8220;Menu Pol\u00edtico&#8221;, caderno &#8220;People&#8221;, do O POVO, edi\u00e7\u00e3o de 13\/4\/2014. 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