{"id":16916,"date":"2014-05-15T10:27:04","date_gmt":"2014-05-15T13:27:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=16916"},"modified":"2014-05-15T10:27:04","modified_gmt":"2014-05-15T13:27:04","slug":"campanha-esta-liberada-mas-com-palavras-proibidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2014\/05\/15\/campanha-esta-liberada-mas-com-palavras-proibidas\/","title":{"rendered":"Campanha est\u00e1 liberada, mas com palavras proibidas"},"content":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Pol\u00edtica&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 15\/5\/2014 do <strong>O POVO<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Campanha est\u00e1 liberada, mas com palavras proibidas<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p><strong>O presidente do<\/strong> Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Dias Toffoli, deu a senha: ele s\u00f3 considera propaganda eleitoral se o postulante a cargo p\u00fablico falar em elei\u00e7\u00e3o. \u201cSe n\u00e3o h\u00e1 pedido de votos, n\u00e3o h\u00e1 campanha. A campanha \u00e9 quando voc\u00ea diz \u2018tenho o n\u00famero tal, vote em mim\u2019\u201d. Portanto, estabeleceu-se o liberou geral em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei que pro\u00edbe campanhas eleitorais at\u00e9 o dia 5 de julho.<\/p>\n<p><strong>O ministro est\u00e1<\/strong> certo, essa lei \u00e9 uma daquelas leis que (como muitas no Brasil) nunca \u201cpegou\u201d. E, a rigor, faz mesmo pouco sentido, pois \u00e9 muito dif\u00edcil separar o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 campanha eleitoral. Se o senador A\u00e9cio Neves (PSDB) visita um estado, encontra-se com empres\u00e1rios, ele est\u00e1 fazendo campanha ou \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o entre amigos? Se o governador Eduardo Campos re\u00fane-se com dirigentes sindicais para conversar com eles, est\u00e1 querendo votos ou \u00e9 um encontro social? Se Dilma Rousseff (PT) visita uma obra, cumpre seus deveres presidenciais ou est\u00e1 de olho na reelei\u00e7\u00e3o?<!--more--><\/p>\n<p><strong>A meu ver, todos<\/strong> fazem campanha, mas, se lhes perguntarem, dir\u00e3o o contr\u00e1rio, pois sagazes. Portanto, o importante \u00e9 que o crit\u00e9rio de Toffoli seja aplicado de maneira equ\u00e2nime. Em assim sendo, \u00e9 jogo jogado.<\/p>\n<p><strong>COINCID\u00caNCIAS<\/strong><br \/>\n<strong>Outubro de 2009.<\/strong> Dilma Rousseff era chefe da Casa Civil, \u201cm\u00e3e do PAC\u201d e candidata a suceder Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, quando o ent\u00e3o presidente esteve no Cear\u00e1, conferindo as obras da transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco. A visita rendeu uma bela foto de Lula, caminhando dentro de um canal em constru\u00e7\u00e3o, o c\u00e9u azul ao fundo. \u00c0 \u00e9poca, a obra estava prevista para ser entregue em 2012.<\/p>\n<p><strong>Maio de 2014.<\/strong> A obra ainda est\u00e1 em andamento; a agora presidente Dilma Rousseff, vem conferir o empreendimento. A fotografia destacada na mat\u00e9ria deste jornal \u00e9 de Dilma caminhando dentro de um t\u00fanel. Ela faz promessa para entregar a obra em 2015, justificando o atraso pela \u201ccomplexidade\u201d dos trabalhos. Nas duas ocasi\u00f5es, repetiram-se dois acompanhantes: os irm\u00e3o Cid e Ciro Gomes.<\/p>\n<p><strong>O que se espera<\/strong> \u00e9 que em 2018, novamente v\u00e9spera de elei\u00e7\u00e3o, candidato ou presidente apresente-se para a \u201cvisita t\u00e9cnica\u201d da obra j\u00e1 conclu\u00edda.<\/p>\n<p><strong>MARINA DE NOVO<\/strong><br \/>\n<strong>Na nota<\/strong> \u201cMarina\u201d, publicada ontem, afirmei haver pouco em comum entre Marina Silva (Rede Sustentabilidade) e Eduardo Campos (PSB), este (pr\u00e9)-candidato a presidente e ela a vice, na mesma chapa. Acrescentei que Marina teria pouca influ\u00eancia no governo, caso fossem eleitos, pois vice \u00e9 uma esp\u00e9cie de reserva que o titular nunca deixa entrar em campo. A respeito, recebi a seguinte resposta de Ricardo Alc\u00e2ntara, que ressalva falar como militante da Rede e n\u00e3o como seu porta-voz:<\/p>\n<p>\u201cEduardo Campos e Marina Silva t\u00eam, em comum, um tra\u00e7o fundamental: ambos s\u00e3o lideran\u00e7as hist\u00f3ricas do campo democr\u00e1tico e popular (ela, com Lula; Ele, com Miguel Arraes). Portanto, \u00e9 importante destacar que o \u2018pol\u00edtico tradicional\u2019 Eduardo Campos \u00e9, \u2018tradicionalmente\u2019, um aliado desta parcela progressista da pol\u00edtica partid\u00e1ria no Brasil e, pelo menos neste sentido, Marina Silva n\u00e3o \u00e9 menos \u2018tradicional\u2019 que ele. A alian\u00e7a do PSB com a Rede se d\u00e1 com base em um programa comum que incorpora princ\u00edpios de sustentabilidade aos compromissos de governo, em caso de vit\u00f3ria. Quanto ao \u2018novo ativismo\u2019, precisamente por ser novo, ele \u00e9 maior do que todas as lideran\u00e7as j\u00e1 postas, juntas. Mas, como j\u00e1 lembrou a Marina, \u2018na hist\u00f3ria, o novo n\u00e3o surge do nada\u2019 e, assim, h\u00e1 sempre a possibilidade de que um elemento \u2018tradicional\u2019, n\u00e3o inteiramente superado, possa transpor seus limites e adaptar-se aos novos tempos. N\u00e3o ser\u00e1 um fen\u00f4meno in\u00e9dito, caso aconte\u00e7a, como esperamos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Seria desigual<\/strong> treplicar na sequ\u00eancia, pois estou em vantagem, com o teclado \u00e0 m\u00e3o. Entanto, n\u00e3o resisto em repetir um dito de meu av\u00f4, quando via jovens casais entre beijos e afagos: \u201cEst\u00e1n comiendo el pan de la boda\u201d, ditado espanhol que quer dizer mais ou menos o seguinte &#8211; eles ainda est\u00e3o comendo do bolo de casamento (no caso, de noivado).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Pol\u00edtica&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 15\/5\/2014 do O POVO. 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